Ficha do Proponente

Proponente

    PAULO ROBERTO MUNHOZ (UTP)

Minicurrículo

    Paulo Munhoz é cineasta e professor. Entre suas obras se destacam os longas-metragens em animação BRICHOS – A FLORESTA É NOSSA (2012), BELOWARS (2007) e BRICHOS (2006), e os curtas O POETA (2001) e PAX (2006) (www.tecnokena.com.br). Doutorando no Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Linguagens da UTP – com apoio da Taxa Capes Prosup; Mestre em Tecnologia pelo PPGTE – UTFPR (2002); Especialista em Ciências da Computação pela PUCPR (1995); Engenheiro Mecânico pela – UFPR (1989).

Ficha do Trabalho

Título

    A Arte da Tecnologia no filme Gravidade, de Alfonso Cuarón

Resumo

    Este estudo busca verificar em que medida a tecnologia pode ser considerada como elemento artístico principal num filme de longa-metragem. Tomamos como corpus de análise o filme Gravidade, do diretor Alfonso Cuarón, e o estudamos no sentido de compreender o que poderia ser tratado como fundamental ou acessório na sua realização estética. Outro mister desse trabalho é contribuir na visão da tecnologia como elemento fundante do humano, em consonância com o pensamento do professor Álvaro Pinto.

Resumo expandido

    Alinhados que estamos ao pensamento do professor Álvaro Vieira Pinto, entre outros autores, entendemos o Ser Humano como ser de linguagem e de tecnologia. Ou seja, desde o primeiro uso de instrumentos como pedras, ossos e galhos, usados para matar, construir, plantar, desenhar ou escrever, homens e mulheres se fazem seres humanos pela extensão de suas possibilidades motoras, pela ampliação de sua potência mecânica, pelo aumento de sua velocidade, pela ampliação de suas condições de conforto e proteção, pela ampliação de seus poderes de visão e audição, bem como de representação e expressão. Vistos como seres de linguagem, dominam seus corpos e fazem uso da voz e das palavras para compreensão coletiva do mundo à sua volta, alterando inclusive sua forma de pensar. Nessa perspectiva, o cinema se apresenta como um locus privilegiado de maximização do Humano, como um espelho ou lente a refleti-lo, ampliá-lo e sondá-lo, pois é arte de linguagem e de tecnologia.
    Desde os primeiros experimentos de animação de imagens, da produção de ilusões catóptricas e dióptricas, do espetáculo da Lanterna Mágica, do Cinetoscópio de Edison e Dickson, do Cinematógrafo dos Irmãos Lumière até os dias de hoje, o desenvolvimento das tecnologias fizeram o cinema avançar numa busca contínua da melhor qualidade da imagem e do som, do melhor espetáculo sensorial para o público, no intuito de fornecer o melhor ferramental para os cineastas. Tais desenvolvimentos impactaram as linguagens e estéticas, num diálogo ora conflituoso (o surgimento da banda sonora, por exemplo) ora harmonioso, mas sempre profícuo em termos de resultados. No entanto, assuntos que tratam da relação entre técnica e estética parecem mais raros nos debates da teoria e da crítica que, tradicionalmente, centram-se mais nas questões de ordem temática, política ou narrativa dos filmes. Nesta lacuna é que se encaixa a nossa contribuição, daí a justificativa deste trabalho.
    Objetiva-se verificar em que medida a tecnologia deixa de ser meio e suporte para se constituir no espetáculo cinematográfico em si. Nosso corpus de análise é o filme Gravidade, do diretor mexicano Alfonso Cuarón, de 2013.
    Nossa hipótese é de que, na busca do máximo realismo, Alfonso Cuarón e sua equipe desenvolveram um trabalho em que a grande personagem do filme não é a Dra. Ryan, interpretada pela atriz Sandra Bullock, mas o conjunto de soluções tecnológicas que fazem o público imergir no espaço, numa experiência de grande realismo que ilude as pessoas a ponto de acharem que o filme foi filmado no espaço extraterrestre. Nosso argumento é que nesse filme tecnologia é a protagonista, considerando que sua performance é essencial para o desenvolvimento da trama. Esse argumento pode ser corroborado pela análise da mise-en-scène que coloca em evidência a total liberdade da câmera, em contínuo movimento, numa circunstância impossível de ser realizada sem o casamento da computação gráfica, da robótica e de uma interpretação preparada especialmente para a aplicação da figura humana em cenários virtuais e avatares digitais.
    Por outro lado, vemos em Gravidade um reflexo de O Homem Com Uma Câmera (1929), de Dziga Vertov. Ou seja, um filme que, abraçando amorosamente a máquina, nos torna mais humanos.

Bibliografia

    AUMONT, Jacques. O cinema e a encenação. Edições Texto e Grafia, Lisboa, 2006.
    BAZIN, André. O que é o cinema? São Paulo: Cosac Naify, 2014. 416 p.
    BENNET, Bruce. FURSTERNAU, Marc. MACKENZIE, Adrian. Et alii. Cinema and Technology: cultures, theories, practices. Palgrave Macmillan, 2008.
    GRAVIDADE. Diretor Alfonso Cuarón. BLU-RAY, 3D, Warner Bros. 2013.
    MACHADO, Arlindo. Pré-cinema & pós-cinemas. Campinas, SP: Papirus, 1997. 303p.
    MANNONI, Laurent. A Grande Arte da Luz e da Sombra. São Paulo, Editora SENAC São Paulo : UNESP, 2003. 514 p.
    MANOVICH, Lev. The language of new media. Cambridge: Mit Press, 2001.
    PAGLIA, Camille. Imagens cintilantes: uma viagem através da arte desde o Egito a Star Wars. Rio de Janeiro: Apicuri, 2014. 224 p.
    PINTO, Álvaro Vieira. O conceito de tecnologia. Contraponto: Rio de Janeiro, 2013.
    UM HOMEM COM UMA CÂMERA. Direção de Dziga Vertov. Produzido por VUFKU (1929). Versão em
    SÍTIO DA EMPRESA FRAMESTORE. http://www.framestore.com/work/gravity

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2016.

 

Carta aberta ao Ministério da Educação e Ministério da Cultura

 

Assunto: Base Nacional Comum Curricular

 

 

A SOCINE (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) tem acompanhado os esforços de construção da Base Nacional Comum Curricular. Nosso comentário aqui irá se ater à especificidade de nossa área e sua relação com as propostas apresentadas na BNCC.

Dentro do texto preliminar do BNCC o componente curricular ARTE parte de uma grande área chamada linguagens. Dentro desta área as artes foram divididas em quatro grandes eixos: “artes visuais, dança, teatro e música”, conforme as licenciaturas específicas em arte, desconsiderando a Licenciatura em Cinema e Audiovisual (Resolução do CNE n. 10, de 27 de junho de 2006) e excluindo completamente o cinema como uma arte específica.

Foi essa subdivisão que nos trouxe uma primeira preocupação. Junto à todos esses subcomponentes da área de artes nos parece fundamental que esteja também o cinema. Esta atenção e necessidade não existe apenas porque trabalhamos e pesquisamos cinema e estamos atentos aos seus destinos, mas porque o cinema está intensamente presente na escola e na sociedade e, no momento da construção de uma base nacional para o currículo do ensino infantil, médio e fundamental as questões, contribuições e potencias do cinema na escola não podem ser excluídos.

Diversos componentes curriculares lançam mão de filmes de ficção, seriados, documentários para abordarem temas transversais e específicos de diferentes naturezas. O debate teórico que investigamos apontam para uma necessária vivência no âmbito escolar dos dispositivos cinematográficos desde a tenra idade seja para desenvolver a imaginação na Educação Infantil, na elaboração de cenários para o faz de conta, seja para a construção de identidade pessoal e cultural, seja pela singularidade da experiência sensível que o cinema possibilita.

Vale notar alguns fatos que sustentam nossa preocupação. Primeiramente o cinema é hoje obrigatório na escola. Graças à lei 13006/14, há uma obrigação de exibição de pelo menos duas horas de filmes brasileiros nas escolas. Esta lei, em vias de regulamentação, também exigirá que espaços físicos e materiais sejam garantidos nas escolas para sua efetivação, além da necessidade de uma real inclusão do cinema nas questões que tocam o currículo como um todo, transcendendo mesmo as linguagens específicas. Além de oferecer uma ampla versatilidade de conteúdo, a leitura de filmes e a própria produção audiovisual – inclusive com dispositivos móveis de comunicação – permite a professores e estudantes olhar para a realidade para descobri-la e inventá-la – gestos essenciais na produção de conhecimento.

Como bem é lembrado na proposta de BNC, “a formação em Arte acontece em licenciaturas específicas (artes visuais, dança, teatro e música)”, pois, também em licenciaturas de cinema. Embora talvez se presuma que “artes visuais” inclua de algum modo ao cinema, ele tem uma especificidade na formação do professor. Desde 2012 a Universidade Federal Fluminense possui uma licenciatura em cinema e a mobilização de outras universidade no mesmo caminho é evidente. Devemos ainda atentar à intensa contribuição que diversos programas de pós-graduação vêm dando às relações entre cinema e educação, algo que se evidência nos próprios encontros da sociedade que representamos, onde a cada ano temos diversos trabalhos e comunicações dedicados às relações do cinema com a educação.

Além da materialidade legal, de formação e de pesquisa que evidencia a íntima relação entre o cinema e a escola, a Rede Kino: Rede Latinoamericana de Educação, Cinema e Audiovisual, formada por professores e pesquisadores que trabalham na interface entre cinema e educação, vem mapeando projetos e iniciativas que se dedicam à essa interface, desde 2008. Projetos que acontecem em todo o país e que mobilizam centenas de escolas. Por fim, sabemos que o cinema é amplamente presente nas escolas por conta da contribuição que ele traz em tantas áreas, conteúdos e debates, da matemática às ciências, passando pelas histórias, geografias e humanidades em geral. Por todos esses motivos, pela intensa força pedagógica do cinema na escola, nos preocupa que no momento de construção de uma Base Curricular tão pouca atenção tenho sido dada ao cinema.

No nosso entender, a BNC deveria incluir um eixo Cinema e Audiovisual dentro do componente curricular artes, só assim garantiremos uma formação consistente em uma área decisiva da cultura contemporânea, além de uma experiência e uma habilidade em uma dimensão central das linguagens no mundo atual.

 

Atenciosamente

 

 

Cezar Migliorin

Presidente da SOCINE

  1. Prazo de pagamento da anuidade: de 1 a 24 de março; 
  2. Prazo de submissão de propostas de trabalhos para apresentação [XXI Encontro]: de 5 a 31 de março;
  3. Divulgação de propostas aprovadas para apresentação [XXI SOCINE]: 9 de junho;
  4. Período de pagamento das inscrições [XXI SOCINE]:
      • PRIMEIRO PRAZO: 3 a 13 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
      • SEGUNDO PRAZO: 14 a 24 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
      • TERCEIRO PRAZO: 25 de julho a 1 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00
  5. Chamada de candidaturas [Eleições da SOCINE]: 21 de agosto a 22 de setembro;
  6. Inscrição de ouvintes [XXI SOCINE]: a partir de 11 de setembro;
  7. Divulgação da programação [XXI SOCINE]: 19 de setembro;
  8. Divulgação das candidaturas homologadas [Eleições da SOCINE]: 29 de setembro;
  9. XXI Encontro SOCINE, na UFPB, em João Pessoa: de 17 a 20 de outubro;
  10. Eleições da SOCINE: 18 e 19 de outubro;
  11. Assembleia e posse da nova diretoria: 20 de outubro;
  12. Prazo de envio de trabalhos para os Anais de Textos Completos [XXI SOCINE]: a definir.