Ficha do Proponente

Proponente

    JOCIMAR SOARES DIAS JUNIOR (UFF)

Minicurrículo

    Jocimar Dias Jr. é formado em Cinema e Audiovisual na Universidade Federal Fluminense (UFF). Atualmente é mestrando no PPGCOM-UFF, desenvolvendo o projeto de dissertação sobre os momentos musicais nos filmes de Theo Angelopoulos e Miklos Jancsó. Como cineasta, dirigiu “Ensaio Sobre Minha Mãe” (2014), selecionado para competitivas de diversos festivais nacionais e internacionais, entre eles Vitória Cine Vídeo, Curta Cinema, Kinoforum, CineMúsica Conservatória, Kino-Olho, FBCU e FICUNAM.

Ficha do Trabalho

Título

    Wise/Robbins, Angelopoulos, Jancsó: agenciamentos sonoros, ritornelos

Seminário

    Teoria e Estética do Som no Audiovisual

Resumo

    Que relações podemos estabelecer entre filmes tão distintos quanto Amor Sublime Amor (Robert Wise e Jerome Robbins, 1961), A Viagem dos Comediantes (Theo Angelopoulos, 1975) ou O Confronto (Miklós Jancsó, 1969)? O conceito de ritornelo elaborado por Deleuze e Guattari aparece como ferramenta teórica pra pensar os números ou momentos musicais nestes filmes, no sentido dos agenciamentos sonoros que dominam as territorializações, reterritorializações e desterritorializações dos personagens.

Resumo expandido

    Exemplo 1: No número musical “Mambo!” de Amor Sublime Amor (Robert Wise e Jerome Robbins, 1961), duas gangues juvenis rivais dançam fervorosamente, competindo pelo mesmo estrito espaço, o salão de dança de clube noturno. De um lado, os que se consideram legitimamente americanos, os “Jets”; de outro, os imigrantes porto-riquenhos que integram os “Sharks”. Após uma espécie de ciranda que mistura momentaneamente as gangues, cada grupo se aglutina de um lado do espaço, dividindo o salão literalmente em dois, cada qual exibindo suas habilidades de dança. Toda a mise en scène aponta para uma impossibilidade de reconciliação do conflito de cunho xenófobo entre norte-americanos e latino-americanos – até que o encontro do casal protagonista esboça uma linha de fuga.
    Exemplo 2: Em A Viagem dos Comediantes (Theo Angelopoulos, 1975), acontece um verdadeiro “duelo musical” no interior de uma taverna. Num plano-sequência, ao invés da agressão física, o embate político entre monarquistas e comunistas é travado musicalmente: de maneira alternada, os grupos entoam, à capela, canções embebidas de seus fervorosos discursos ideológicos. A disputa termina com a derradeira expulsão dos comunistas desarmados, após um tiro para o alto dos monarquistas. Estes, numa valsa da vitória, passam a ocupar completamente o espaço antes dividido.
    Exemplo 3: Em O Confronto (Miklós Jancsó, 1969), parados em frente às grades do monastério, os jovens estudantes comunistas cantam juntos sobre o desejo de liberdade, antes de pularem os muros. Uma vez lá dentro, diante dos alunos e dos padres-professores, marcham abraçados cantando um hino comunista, ocupando o espaço central do pátio, antes de lançarem perguntas provocativas sobre política aos religiosos. Após as tentativas de diálogo provarem-se infrutíferas, os comunistas abraçam-se numa espécie de cordão humano, expulsando do pátio os alunos do monástério, e passam a dançar e cantar exaltando a revolução, ocupando todo o espaço.
    De que forma podemos correlacionar estas encenações de filmes tão diferentes, de cineastas, países e conjunturas sociais e mercadológicas tão distintas? Gilles Deleuze e Félix Guattari chamam de “ritornelo”, num sentido geral, “todo conjunto de matérias de expressão que traça um território, que se desenvolve em motivos territoriais, em paisagens territoriais” e, num sentido mais restrito, quando são agenciamentos sonoros (músicas, cantos, melodias, ruídos) que “dominam” as territorializações, reterritorializações e desterritorializações (2012, p. 139). Nos exemplos citados, há a performance musical (cantada ou dançada), seja acompanhada ou não por música instrumental extradiegética, como forma de encenar os conflitos dos personagens (ideológicos, políticos, sociais, territoriais). Através das canções, eles agenciam territórios, e nestas cenas este aspecto territorial fica ainda mais claro, em um jogo de ocupar e desocupar a superfície do quadro com sons e movimentos que disputam um mesmo espaço físico restrito.
    Não se trata aqui de hierarquizar estas encenações, mas pensar que tipos de agenciamentos elas evocam através da encenação. Se aprofundam as estratificações, criando representações coesas que estabilizam os territórios opostos, criando uma imagem utópica, apaziguada, ou se evidenciam as incongruências, a instabilidade dos territórios que se desmancham e se reorganizam através dos movimentos e dos embates, numa imagem que conjura tudo menos a utopia enquanto modelo ideal de sociedade, mas a utopia como prática de revolução, “ação e paixão revolucionárias”, nos termos do Anti-Édipo (p. 89-90). Apesar dos projetos estéticos bastante diferentes, o conceito de ritornelo aparece como uma ferramenta teórica interessante para pensar as relações entre som e imagem nestes filmes de maneira não-hierárquica, transversal.

Bibliografia

    ALTMAN, Rick. The American Film Musical. Indianapolis: Indiana University Press, 1987.

    DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix (1980). “Acerca do Ritornelo”. In: Mil Platôs: Capitalismo e Esquizofrenia 2. Vol. 4. 2 ed. São Paulo: Editora 34, 2012. p. 121-179.

    DYER, Richard. “Entertainment and Utopia”. In: COHAN, Steven (org.) Hollywood Musicals, The Film Reader. New York: Routledge, 2002.

    HERZOG, Amy. Dreams of Difference, Songs of the Same: The Musical Moment in Film. Minnesota: University of Minnesota Press, 2010.

    HORTON, Andrew. The films of Theo Angelopoulos: A cinema of contemplation. Princeton: Princeton University Press, 1997.

    RUCINSKI, Krzysztof. History as Ritual: Camera Movement and Narrative Structure in Films of Miklós Jancsó. Abril de 2004. 102 p. Dissertação (Mestrado em Cinema) – Concordia University, Montreal, Quebec, Canada.

    VIEIRA, João Luiz. “Cinema e Performance”. In: XAVIER, Ismail (org.). O Cinema do Século. Rio de Janeiro: Imago, 1996.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2016.

 

Carta aberta ao Ministério da Educação e Ministério da Cultura

 

Assunto: Base Nacional Comum Curricular

 

 

A SOCINE (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) tem acompanhado os esforços de construção da Base Nacional Comum Curricular. Nosso comentário aqui irá se ater à especificidade de nossa área e sua relação com as propostas apresentadas na BNCC.

Dentro do texto preliminar do BNCC o componente curricular ARTE parte de uma grande área chamada linguagens. Dentro desta área as artes foram divididas em quatro grandes eixos: “artes visuais, dança, teatro e música”, conforme as licenciaturas específicas em arte, desconsiderando a Licenciatura em Cinema e Audiovisual (Resolução do CNE n. 10, de 27 de junho de 2006) e excluindo completamente o cinema como uma arte específica.

Foi essa subdivisão que nos trouxe uma primeira preocupação. Junto à todos esses subcomponentes da área de artes nos parece fundamental que esteja também o cinema. Esta atenção e necessidade não existe apenas porque trabalhamos e pesquisamos cinema e estamos atentos aos seus destinos, mas porque o cinema está intensamente presente na escola e na sociedade e, no momento da construção de uma base nacional para o currículo do ensino infantil, médio e fundamental as questões, contribuições e potencias do cinema na escola não podem ser excluídos.

Diversos componentes curriculares lançam mão de filmes de ficção, seriados, documentários para abordarem temas transversais e específicos de diferentes naturezas. O debate teórico que investigamos apontam para uma necessária vivência no âmbito escolar dos dispositivos cinematográficos desde a tenra idade seja para desenvolver a imaginação na Educação Infantil, na elaboração de cenários para o faz de conta, seja para a construção de identidade pessoal e cultural, seja pela singularidade da experiência sensível que o cinema possibilita.

Vale notar alguns fatos que sustentam nossa preocupação. Primeiramente o cinema é hoje obrigatório na escola. Graças à lei 13006/14, há uma obrigação de exibição de pelo menos duas horas de filmes brasileiros nas escolas. Esta lei, em vias de regulamentação, também exigirá que espaços físicos e materiais sejam garantidos nas escolas para sua efetivação, além da necessidade de uma real inclusão do cinema nas questões que tocam o currículo como um todo, transcendendo mesmo as linguagens específicas. Além de oferecer uma ampla versatilidade de conteúdo, a leitura de filmes e a própria produção audiovisual – inclusive com dispositivos móveis de comunicação – permite a professores e estudantes olhar para a realidade para descobri-la e inventá-la – gestos essenciais na produção de conhecimento.

Como bem é lembrado na proposta de BNC, “a formação em Arte acontece em licenciaturas específicas (artes visuais, dança, teatro e música)”, pois, também em licenciaturas de cinema. Embora talvez se presuma que “artes visuais” inclua de algum modo ao cinema, ele tem uma especificidade na formação do professor. Desde 2012 a Universidade Federal Fluminense possui uma licenciatura em cinema e a mobilização de outras universidade no mesmo caminho é evidente. Devemos ainda atentar à intensa contribuição que diversos programas de pós-graduação vêm dando às relações entre cinema e educação, algo que se evidência nos próprios encontros da sociedade que representamos, onde a cada ano temos diversos trabalhos e comunicações dedicados às relações do cinema com a educação.

Além da materialidade legal, de formação e de pesquisa que evidencia a íntima relação entre o cinema e a escola, a Rede Kino: Rede Latinoamericana de Educação, Cinema e Audiovisual, formada por professores e pesquisadores que trabalham na interface entre cinema e educação, vem mapeando projetos e iniciativas que se dedicam à essa interface, desde 2008. Projetos que acontecem em todo o país e que mobilizam centenas de escolas. Por fim, sabemos que o cinema é amplamente presente nas escolas por conta da contribuição que ele traz em tantas áreas, conteúdos e debates, da matemática às ciências, passando pelas histórias, geografias e humanidades em geral. Por todos esses motivos, pela intensa força pedagógica do cinema na escola, nos preocupa que no momento de construção de uma Base Curricular tão pouca atenção tenho sido dada ao cinema.

No nosso entender, a BNC deveria incluir um eixo Cinema e Audiovisual dentro do componente curricular artes, só assim garantiremos uma formação consistente em uma área decisiva da cultura contemporânea, além de uma experiência e uma habilidade em uma dimensão central das linguagens no mundo atual.

 

Atenciosamente

 

 

Cezar Migliorin

Presidente da SOCINE

  1. Prazo de pagamento da anuidade: de 1 a 24 de março; 
  2. Prazo de submissão de propostas de trabalhos para apresentação [XXI Encontro]: de 5 a 31 de março;
  3. Divulgação de propostas aprovadas para apresentação [XXI SOCINE]: 9 de junho;
  4. Período de pagamento das inscrições [XXI SOCINE]:
      • PRIMEIRO PRAZO: 3 a 13 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
      • SEGUNDO PRAZO: 14 a 24 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
      • TERCEIRO PRAZO: 25 de julho a 1 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00
  5. Chamada de candidaturas [Eleições da SOCINE]: 21 de agosto a 22 de setembro;
  6. Inscrição de ouvintes [XXI SOCINE]: a partir de 11 de setembro;
  7. Divulgação da programação [XXI SOCINE]: 19 de setembro;
  8. Divulgação das candidaturas homologadas [Eleições da SOCINE]: 29 de setembro;
  9. XXI Encontro SOCINE, na UFPB, em João Pessoa: de 17 a 20 de outubro;
  10. Eleições da SOCINE: 18 e 19 de outubro;
  11. Assembleia e posse da nova diretoria: 20 de outubro;
  12. Prazo de envio de trabalhos para os Anais de Textos Completos [XXI SOCINE]: a definir.