Ficha do Proponente

Proponente

    Fernanda Resende Serradourada (Unicamp)

Minicurrículo

    Mestranda em Multimeios na Unicamp

Ficha do Trabalho

Título

    CORPOS E SUBJETIVIDADES ANIMADAS: A ESTÉTICA DE MONIQUE RENAULT

Resumo

    Experimentações quanto à linguagem e representações de corpos eram o mote de Monique Renault e outras animadoras do cinema de animação independente dos anos 70. Filha do Maio de 68 e desejosa de uma estética guiada pelas questões de gêneros, ela resistia ao “Betty Boopismo” e às representações de mulheres com enormes curvas e cílios. O corpo representado era chave nesse processo. Mas no que as singularidades da representação animada contribuíam para a construção desses corpos?

Resumo expandido

    A animação tem a capacidade singular de apresentar questões sociais complexas, tabus e sentimentos em formas subjetivas bem diferentes das que o live-action consegue proporcionar. Singularidades essas que podem dar bastante voz à subjetividade e à expressão pessoal do artista, podendo ser um caminho intenso para entender nosso mundo social sob outra perspectiva, mostrando coisas de uma forma que o “mundo real” não mostra. Representar imageticamente algo que não pode ser visto, representar o invisível e o espaço interno, conceitos abstratos e estados inimagináveis onde a subjetividade se faz muito presente.
    Com a consciência deste poder e impulsionada pelo movimento feminista e pelo movimento dos direitos civis na década de 1970, a animadora feminista franco-holandesa Monique Renault fazia animações em que experimentava e propunha novas formas e corporalidades animadas que transformavam as noções tradicionais de gêneros. Filha do Maio de 68 fugia da representação de corpos com enormes curvas e cílios e ironizava a virilidade da forma animada masculina. Novas corporalidades animadas essas que eram construídas através da ambigüidade, mutabilidade e que representavam as formas femininas como sujeitos e não como objetos narrativos marginais ou espetáculos eróticos, que ao mesmo tempo revelavam a relação de mulheres com seu próprios corpos, as percepções de seus espaços privados e públicos, suas identidades sociais e políticas dentro do espaço doméstico e profissional e relações entre sexualidade, desejo e criatividade. As corporalidades podiam variar desde uma simples linha animada solta no espaço, ambígua e altamente mutável (e que se transforma em diversas outras formas) até em corpos representados com formas mais semelhantes ao nosso “mundo real”.
    A fluidez e performatividade da linha, a criação de um design original, o engajamento com narrativas diferentes que desafiavam narrativas lineares da animação mais tradicional e a adoção de pautas altamente pessoais e sobre questões de gêneros, resultaram na politização direta de Monique Renault e outras animadoras no cinema de animação. A resistência ao “boopismo” (em referência a personagem Betty Boop), como ficou conhecido, era muito mais que apenas uma rejeição ao design altamente sexual do corpo feminino. Era uma resposta direta para as representações feitas através de códigos e formas ortodoxas e tradicionais, associadas aos códigos Disney e masculinos de composição e construção narrativa, pessoal, social e política. Também era o reconhecimento das possibilidades e tecnologias disponíveis para as mulheres na criação de novos corpos, códigos, gêneros e subjetividades uma vez que esses códigos tradicionais estavam sendo derrubados.
    É nesse sentido que a animação como linguagem era vista potencialmente como um vocabulário radical e uma tecnologia formadora de gêneros. Radicalidade, experimentalismo e irreverência eram palavras chaves ao movimento. Uma busca por novas linguagens e estéticas que se utilizavam das particularidades da técnica da animação, como a mutabilidade, a fluidez da forma e o poder de tornar visível o invisível, e que dificilmente são conquistadas através da imagem live-action. A representação do corpo passava então de mero objeto a sujeito, se afastando de representações eróticas e/ou papéis secundários, criando uma nova linguagem, novas formas e subjetividades fluídas e performáticas, criticando as tradições e preenchendo o buraco entre a representação e o referente. A representação não era meramente um processo de transmitir conhecimento ou experiência, mas era em si mesma o coração do dilema.
    É a partir deste parâmetro que pretendemos analisar Swiss Graffitti (1975), curta-metragem de animação de Monique Renault através do relacionamento dos campos teóricos do feminismo, do queer e do cinema de animação por Laura Mulvey, Teresa de Lauretis, Judith Butler, Paul Wells e Jayne Pilling.

Bibliografia

    BUTLER, J. Bodies that Matter: On the Discursive Limits of “Sex”. Nova York e Londres: Routledge, 1993
    LAURETIS, T. Technologies of Gender: Essays on Theory, Film and Fiction. Bloomington: Indiana University Press, 1989.
    MULVEY, L. Visual Pleasure and Narrative Cinema. Londres: Routledge, 1992.
    PILLING, J. Animating the Unconscious: Desire, Sexuality and Animation. Nova York: Columbia University Press, 2012.
    PILLING, J. A Reader in Animation Studies. Sydney: John Libbey & Company Pty Ltd: 1997.
    WELLS, P. Understanding Animation. Londres: Routledge, 1998.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2016.

 

Carta aberta ao Ministério da Educação e Ministério da Cultura

 

Assunto: Base Nacional Comum Curricular

 

 

A SOCINE (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) tem acompanhado os esforços de construção da Base Nacional Comum Curricular. Nosso comentário aqui irá se ater à especificidade de nossa área e sua relação com as propostas apresentadas na BNCC.

Dentro do texto preliminar do BNCC o componente curricular ARTE parte de uma grande área chamada linguagens. Dentro desta área as artes foram divididas em quatro grandes eixos: “artes visuais, dança, teatro e música”, conforme as licenciaturas específicas em arte, desconsiderando a Licenciatura em Cinema e Audiovisual (Resolução do CNE n. 10, de 27 de junho de 2006) e excluindo completamente o cinema como uma arte específica.

Foi essa subdivisão que nos trouxe uma primeira preocupação. Junto à todos esses subcomponentes da área de artes nos parece fundamental que esteja também o cinema. Esta atenção e necessidade não existe apenas porque trabalhamos e pesquisamos cinema e estamos atentos aos seus destinos, mas porque o cinema está intensamente presente na escola e na sociedade e, no momento da construção de uma base nacional para o currículo do ensino infantil, médio e fundamental as questões, contribuições e potencias do cinema na escola não podem ser excluídos.

Diversos componentes curriculares lançam mão de filmes de ficção, seriados, documentários para abordarem temas transversais e específicos de diferentes naturezas. O debate teórico que investigamos apontam para uma necessária vivência no âmbito escolar dos dispositivos cinematográficos desde a tenra idade seja para desenvolver a imaginação na Educação Infantil, na elaboração de cenários para o faz de conta, seja para a construção de identidade pessoal e cultural, seja pela singularidade da experiência sensível que o cinema possibilita.

Vale notar alguns fatos que sustentam nossa preocupação. Primeiramente o cinema é hoje obrigatório na escola. Graças à lei 13006/14, há uma obrigação de exibição de pelo menos duas horas de filmes brasileiros nas escolas. Esta lei, em vias de regulamentação, também exigirá que espaços físicos e materiais sejam garantidos nas escolas para sua efetivação, além da necessidade de uma real inclusão do cinema nas questões que tocam o currículo como um todo, transcendendo mesmo as linguagens específicas. Além de oferecer uma ampla versatilidade de conteúdo, a leitura de filmes e a própria produção audiovisual – inclusive com dispositivos móveis de comunicação – permite a professores e estudantes olhar para a realidade para descobri-la e inventá-la – gestos essenciais na produção de conhecimento.

Como bem é lembrado na proposta de BNC, “a formação em Arte acontece em licenciaturas específicas (artes visuais, dança, teatro e música)”, pois, também em licenciaturas de cinema. Embora talvez se presuma que “artes visuais” inclua de algum modo ao cinema, ele tem uma especificidade na formação do professor. Desde 2012 a Universidade Federal Fluminense possui uma licenciatura em cinema e a mobilização de outras universidade no mesmo caminho é evidente. Devemos ainda atentar à intensa contribuição que diversos programas de pós-graduação vêm dando às relações entre cinema e educação, algo que se evidência nos próprios encontros da sociedade que representamos, onde a cada ano temos diversos trabalhos e comunicações dedicados às relações do cinema com a educação.

Além da materialidade legal, de formação e de pesquisa que evidencia a íntima relação entre o cinema e a escola, a Rede Kino: Rede Latinoamericana de Educação, Cinema e Audiovisual, formada por professores e pesquisadores que trabalham na interface entre cinema e educação, vem mapeando projetos e iniciativas que se dedicam à essa interface, desde 2008. Projetos que acontecem em todo o país e que mobilizam centenas de escolas. Por fim, sabemos que o cinema é amplamente presente nas escolas por conta da contribuição que ele traz em tantas áreas, conteúdos e debates, da matemática às ciências, passando pelas histórias, geografias e humanidades em geral. Por todos esses motivos, pela intensa força pedagógica do cinema na escola, nos preocupa que no momento de construção de uma Base Curricular tão pouca atenção tenho sido dada ao cinema.

No nosso entender, a BNC deveria incluir um eixo Cinema e Audiovisual dentro do componente curricular artes, só assim garantiremos uma formação consistente em uma área decisiva da cultura contemporânea, além de uma experiência e uma habilidade em uma dimensão central das linguagens no mundo atual.

 

Atenciosamente

 

 

Cezar Migliorin

Presidente da SOCINE

  1. Prazo de pagamento da anuidade: de 1 a 24 de março; 
  2. Prazo de submissão de propostas de trabalhos para apresentação [XXI Encontro]: de 5 a 31 de março;
  3. Divulgação de propostas aprovadas para apresentação [XXI SOCINE]: 9 de junho;
  4. Período de pagamento das inscrições [XXI SOCINE]:
      • PRIMEIRO PRAZO: 3 a 13 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
      • SEGUNDO PRAZO: 14 a 24 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
      • TERCEIRO PRAZO: 25 de julho a 1 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00
  5. Chamada de candidaturas [Eleições da SOCINE]: 21 de agosto a 22 de setembro;
  6. Inscrição de ouvintes [XXI SOCINE]: a partir de 11 de setembro;
  7. Divulgação da programação [XXI SOCINE]: 19 de setembro;
  8. Divulgação das candidaturas homologadas [Eleições da SOCINE]: 29 de setembro;
  9. XXI Encontro SOCINE, na UFPB, em João Pessoa: de 17 a 20 de outubro;
  10. Eleições da SOCINE: 18 e 19 de outubro;
  11. Assembleia e posse da nova diretoria: 20 de outubro;
  12. Prazo de envio de trabalhos para os Anais de Textos Completos [XXI SOCINE]: a definir.