Ficha do Proponente

Proponente

    Afrânio Mendes Catani (USP)

Minicurrículo

    Afrânio Mendes Catani: mestre, doutor e livre-docente em sociologia (USP). Sócio -fundador da SOCINE, é professor titular na FEUSP e no PROLAM-USP. Pesquisador do CNPq. Autor de A chanchada no cinema brasileiro (1983, com J. I. Melo Sousa); A sombra da outra: a Cinematográfica Maristela e o cinema industrial paulista nos anos 50 (2002); História do Cinema Brasileiro: 4 ensaios (2004) e A revista de cultura Anhembi (1950-62): um projeto elitista para elevar o nível cultural do Brasil (2009).

Ficha do Trabalho

Título

    Vasco Santana: ator, roteirista e comediante português

Seminário

    Cinemas em português: aproximações – relações

Resumo

    Vasco Santana (1898-1958), ator e roteirista português, fez teatro, rádio, tv e cinema, sendo o comediante mais popular do país. Filho de Henrique Santana, diretor e cenógrafo e sobrinho de L. Galhardo, dono de teatros, reinou em sua época: escreveu cerca de 100 obras, dezenas de revistas e atuou em mais de 200 farsas, comédias, revistas e operetas, além de filmes de grande sucesso, como A Canção de Lisboa (1933), O Pai Tirano (1941), O Pátio das Cantigas (1942) e O Costa de África (1954).

Resumo expandido

    Vasco António Rodrigues Santana (1898-1958) ou Vasco Santana , como era conhecido, ator e roteirista português, fez teatro, rádio, televisão e cinema, tornando-se o comediante mais popular do país. Filho de Henrique Santana, diretor e cenógrafo, sobrinho de Luís Galhardo, escritor de teatro ligeiro, jornalista e empresário, dono dos teatros Éden e Avenida, em Lisboa, “nasce rodeado de partituras de músicas para revistas, de desenhos de vestuário, em uma família acomodada economicamente, graças ao avô materno que fez fortuna no Brasil” (Freitas, 2011, p. 758). Desde cedo aprecia literatura, música e a boêmia típica da elite artística da época. Ingressa na Escola de Belas Artes (1916), mas não a conclui, pois ia assistir aos ensaios das obras de seu tio e encenadas pelo pai. Estreia em 25/8/1917, substituindo colega que adoece, fazendo compère (ator que se encarrega de relacionar os distintos quadros da revista portuguesa) em O Beijo. De tanto assistir às encenações, decora as falas. O público e quase toda a crítica gostam de sua atuação, exceto um colunista do Jornal dos Teatros: “o novo compère de ‘O Beijo’ não tirava os olhos do chão. Se calhar perdeu um tostão” (Palma, 2015).
    A partir de então sua carreira engrena, com intensa dedicação às revistas, numa vida agitada em que bebe, fuma, come e namora, tudo em excesso. A estreia profissional deu-se ainda em 1917, no Éden, na peça Ás de Ouros. Aos 22 anos, em 1920, vai em tournée ao Brasil. Quando retorna é contratado para integrar a companhia de operetas de Armando Vasconcelos, com quem trabalha por dez anos, “dando uso à voz afinada que tinha” (Palma, 2015). Voltou da temporada brasileira casado com Arminda Martins, também nascida e criada nos meandros artísticos, filha do maquinista teatral Henrique Martins. O filho de ambos, o primeiro de Vasco (ele teria mais dois, de outras relações), se chamaria Henrique, como os avós, nascendo em 1921. Retornaria ao Brasil em 1925, com Vasconcelos, onde fica vários meses e interpreta 23 peças. Escândalo: apesar de casado e com um filho, se casa com a atriz Aldina de Souza, com quem tem seu segundo filho, José Manuel. Fica viúvo de Aldina e se casa pela terceira vez, com Mirita Casimiro, também atriz e rival de Beatriz Costa. A relação pouco durou; entretanto, continuou a namorar com intensidade.
    A partir de início dos anos 30 faz teatro e, também, cinema, embora tenha debutado na tela grande em 1929, com A Menina Endiabrada (Erich Schonfelder), produção alemã, com cenas rodadas em Portugal dirigidas por António Lopes Ribeiro. Trabalha com os maiores autores e diretores portugueses de seu tempo, escrevendo mais de 100 obras, adaptando comédias de grande êxito, atuando em cerca de 200 farsas, comédias, revistas e operetas, bem como realizando incursões esporádicas no teatro dramático. Faz, igualmente com sucesso, rádio e televisão, protagonizando comédias que se tornaram referência na história destes meios de comunicação.
    Trabalha em Lisboa, Crônica Anedótica (1930, Leitão de Barros) e em A Canção de Lisboa (1933, Cotinelli Telmo). A partir daí, escreve também para cinema, participando na criação de argumentos e diálogos de vários filmes, como Maria Papoila (1937, Leitão de Barros), e em outros que atua – O Pai Tirano (1941, António Lopes Ribeiro), O Pátio das Cantigas (1942, Francisco Ribeiro) e O Costa de África (1954, João Mendes). Com Manoel de Oliveira faz textos e a locução de Famalicão (1940). Prossegue como ator em Camões (1946, Leitão de Barros), Fado, História de Uma Cantadeira (1947, Perdigão Queiroga), Não Há Rapazes Maus (1948, E. Maroto), Ribatejo (1949, Henrique Campos), O Comissário de Polícia (1952, Constantino Esteves), Eram Duzentos Irmãos (1952, Armando Vieira Pinto) e O Dinheiro dos Pobres (1956, Artur Semedo). Sócio de dois times de futebol rivais, Benfica e Sporting, quando de sua morte O Século escreveu que desaparecia “o homem que durante 40 anos fez os portugueses rirem mais” (Freitas, 2011, p. 759).

Bibliografia

    COSTA, B. Quando os Vascos não eram Santanas…e Não Só. Lisboa: Europa-América, 1977.
    COSTA, H.A. Breve História do Cinema Português: 1962-88. Lisboa: Caminho, 1989.
    COSTA, J. B. O Cinema Português nunca existiu. Lisboa: Clube do Colecionador/CTT, 1996.
    COUTINHO e COSTA, J. ; COSTA, J. M. (coords.). A Comédia Clássica Portuguesa. A Coruña: CGAI/Xunta de Galicia/Cinemateca Portuguesa, 1994.
    FREITAS, M. de. Santana, Vasco. In; CASARES RODICIO, E. (Editor y Coordinador). Diccionario del Cine Iberoamericano: España, Portugal y América. Madrid: SGAE/Fundación Autor, v. 7, 2011, p. 758-9.
    GARCIA, A. O Actor Vasco Santana. Lisboa: Hora que Passa, 1958.
    PALMA, T. Vasco Santana. Bem Amado, mulherengo e boêmio. In: OBSERVADOR.pt/.Acesso: 06.05.2016.
    PINA, L. História do Cinema Português. Lisboa: Europa-América, 1986.
    REIS, P. Vasco Santana – o Bem Amado. Lisboa: Dom Quixote

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2016.

 

Carta aberta ao Ministério da Educação e Ministério da Cultura

 

Assunto: Base Nacional Comum Curricular

 

 

A SOCINE (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) tem acompanhado os esforços de construção da Base Nacional Comum Curricular. Nosso comentário aqui irá se ater à especificidade de nossa área e sua relação com as propostas apresentadas na BNCC.

Dentro do texto preliminar do BNCC o componente curricular ARTE parte de uma grande área chamada linguagens. Dentro desta área as artes foram divididas em quatro grandes eixos: “artes visuais, dança, teatro e música”, conforme as licenciaturas específicas em arte, desconsiderando a Licenciatura em Cinema e Audiovisual (Resolução do CNE n. 10, de 27 de junho de 2006) e excluindo completamente o cinema como uma arte específica.

Foi essa subdivisão que nos trouxe uma primeira preocupação. Junto à todos esses subcomponentes da área de artes nos parece fundamental que esteja também o cinema. Esta atenção e necessidade não existe apenas porque trabalhamos e pesquisamos cinema e estamos atentos aos seus destinos, mas porque o cinema está intensamente presente na escola e na sociedade e, no momento da construção de uma base nacional para o currículo do ensino infantil, médio e fundamental as questões, contribuições e potencias do cinema na escola não podem ser excluídos.

Diversos componentes curriculares lançam mão de filmes de ficção, seriados, documentários para abordarem temas transversais e específicos de diferentes naturezas. O debate teórico que investigamos apontam para uma necessária vivência no âmbito escolar dos dispositivos cinematográficos desde a tenra idade seja para desenvolver a imaginação na Educação Infantil, na elaboração de cenários para o faz de conta, seja para a construção de identidade pessoal e cultural, seja pela singularidade da experiência sensível que o cinema possibilita.

Vale notar alguns fatos que sustentam nossa preocupação. Primeiramente o cinema é hoje obrigatório na escola. Graças à lei 13006/14, há uma obrigação de exibição de pelo menos duas horas de filmes brasileiros nas escolas. Esta lei, em vias de regulamentação, também exigirá que espaços físicos e materiais sejam garantidos nas escolas para sua efetivação, além da necessidade de uma real inclusão do cinema nas questões que tocam o currículo como um todo, transcendendo mesmo as linguagens específicas. Além de oferecer uma ampla versatilidade de conteúdo, a leitura de filmes e a própria produção audiovisual – inclusive com dispositivos móveis de comunicação – permite a professores e estudantes olhar para a realidade para descobri-la e inventá-la – gestos essenciais na produção de conhecimento.

Como bem é lembrado na proposta de BNC, “a formação em Arte acontece em licenciaturas específicas (artes visuais, dança, teatro e música)”, pois, também em licenciaturas de cinema. Embora talvez se presuma que “artes visuais” inclua de algum modo ao cinema, ele tem uma especificidade na formação do professor. Desde 2012 a Universidade Federal Fluminense possui uma licenciatura em cinema e a mobilização de outras universidade no mesmo caminho é evidente. Devemos ainda atentar à intensa contribuição que diversos programas de pós-graduação vêm dando às relações entre cinema e educação, algo que se evidência nos próprios encontros da sociedade que representamos, onde a cada ano temos diversos trabalhos e comunicações dedicados às relações do cinema com a educação.

Além da materialidade legal, de formação e de pesquisa que evidencia a íntima relação entre o cinema e a escola, a Rede Kino: Rede Latinoamericana de Educação, Cinema e Audiovisual, formada por professores e pesquisadores que trabalham na interface entre cinema e educação, vem mapeando projetos e iniciativas que se dedicam à essa interface, desde 2008. Projetos que acontecem em todo o país e que mobilizam centenas de escolas. Por fim, sabemos que o cinema é amplamente presente nas escolas por conta da contribuição que ele traz em tantas áreas, conteúdos e debates, da matemática às ciências, passando pelas histórias, geografias e humanidades em geral. Por todos esses motivos, pela intensa força pedagógica do cinema na escola, nos preocupa que no momento de construção de uma Base Curricular tão pouca atenção tenho sido dada ao cinema.

No nosso entender, a BNC deveria incluir um eixo Cinema e Audiovisual dentro do componente curricular artes, só assim garantiremos uma formação consistente em uma área decisiva da cultura contemporânea, além de uma experiência e uma habilidade em uma dimensão central das linguagens no mundo atual.

 

Atenciosamente

 

 

Cezar Migliorin

Presidente da SOCINE

  1. Prazo de pagamento da anuidade: de 1 a 24 de março; 
  2. Prazo de submissão de propostas de trabalhos para apresentação [XXI Encontro]: de 5 a 31 de março;
  3. Divulgação de propostas aprovadas para apresentação [XXI SOCINE]: 9 de junho;
  4. Período de pagamento das inscrições [XXI SOCINE]:
      • PRIMEIRO PRAZO: 3 a 13 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
      • SEGUNDO PRAZO: 14 a 24 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
      • TERCEIRO PRAZO: 25 de julho a 1 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00
  5. Chamada de candidaturas [Eleições da SOCINE]: 21 de agosto a 22 de setembro;
  6. Inscrição de ouvintes [XXI SOCINE]: a partir de 11 de setembro;
  7. Divulgação da programação [XXI SOCINE]: 19 de setembro;
  8. Divulgação das candidaturas homologadas [Eleições da SOCINE]: 29 de setembro;
  9. XXI Encontro SOCINE, na UFPB, em João Pessoa: de 17 a 20 de outubro;
  10. Eleições da SOCINE: 18 e 19 de outubro;
  11. Assembleia e posse da nova diretoria: 20 de outubro;
  12. Prazo de envio de trabalhos para os Anais de Textos Completos [XXI SOCINE]: a definir.