Ficha do Proponente

Proponente

    PEDRO PEREIRA DRUMOND (UFF)

Minicurrículo

    Graduado em Cinema & Audiovisual pela Universidade Federal Fluminense. Mestrando em Comunicação no PPGCOM-UFF. Sua pesquisa de iniciação científica “Documentar o imaginário: Cinema como janela para autoficção” recebeu o 1° Lugar no Prêmio Vasconcellos Torres de Ciência e Tecnologia da UFF na área de Linguística, Letras e Artes em 2014.

Ficha do Trabalho

Título

    Entre o ficcionista de si e o leitor da própria vida

Seminário

    Cinema e literatura, palavra e imagem

Resumo

    Este trabalho propõe pensar a condição ambivalente do não-ator no cinema híbrido contemporâneo, como um lugar que acumularia tanto as operações do autor literário quanto do leitor, segundo a teoria do efeito estético de Wolfgang Iser. O trabalho utilizará conceitos como os de “Atos de fingir” e do “Jogo do texto como ato performativo” como processos vigentes na experiência estética do fazer fílmico deste cinema contemporâneo, ampliando a teoria Iseriana para outros modos de encenação.

Resumo expandido

    É traço marcante do momento contemporâneo do cinema brasileiro um recorrente interesse pela forma híbrida, com filmes que se localizam entre a promoção de uma janela documental para realidades cotidianas de segmentos sociais marginalizados e sua apresentação em uma estrutura ficcionalizante. Filmes como “Morro do Céu” (2010), “O céu sobre os ombros” (2011), “Branco sai, preto fica” (2014) e “A vizinhança do tigre” (2015) são exemplos premiados de um fenômeno que resulta da prática de convocar não-atores para o exercício da Auto-mise-en-scène, como um convite para que suas identidades, memórias e cotidianos sejam a principal matéria prima para as tramas construídas em uma gramática que, no entanto, estabelece procedimentos ficcionalizantes através do ocultamento do aparato cinematográfico e de seu papel interventor.

    Este trabalho se preocupa especificamente com este lugar ambivalente do não-ator nas produções contemporâneas, que integram o diagnóstico de um cinema “pós-industrial”, como proposto por Cezar Migliorin. Neste cenário caracterizado pelo fazer coletivo e pela horizontalidade, estes não-atores convocados para habitar subjetivamente um espaço fílmico ocupam uma posição de co-criadores e, considerando que as tramas derivam diretamente de suas histórias e cotidianos reais, são de fato co-autores, ficcionistas de si. Porém, ao serem responsivos à uma mise-en-scène direcionada pelo realizador, ao performarem uma vida semelhante aos seus cotidianos segundo uma encenação que lhes é proposta enquanto tematização de mundo de um autor outro, tornam-se também uma espécie de espectadores-participantes do dispositivo ficcionalizante do fazer fílmico, leitores da própria vida em ato performativo com um jogo do texto fílmico.

    Ao escrever sobre o cinema de Pedro Costa, que compartilha muito das diretrizes apontadas por este trabalho sobre o cinema híbrido contemporâneo, o filósofo Jacques Ranciére aponta a emergência de um “terceiro personagem” performado pelo não-ator, que “Já não é um personagem de documentário acompanhado em sua atividade cotidiana, nem um personagem de ficção, mas uma pura figura nascida da própria anulação dessa oposição que divide a humanidade em espécies diferentes” (Ranciére, 2012, p. 162). É central para este presente trabalho pensar em como essa conclusão intuitiva de Ranciére é justificável a partir de uma compreensão do fictício enquanto um fenômeno do efeito estético, cujos procedimentos e operações interacionais são os potenciais da encenação enquanto categoria antropológica (Iser, 1996, p. 404) e, especialmente para o autor francês, política. Esta abordagem sobre a encenação está presente na disciplina literária através da teoria estética de Wolfgang Iser, na qual reconheço uma valiosa plataforma reflexiva para pensar também o texto cinematográfico.

    A questão central deste trabalho é, portanto, propor o estudo do lugar deste não-ator nas produções contemporâneas, a partir do desdobramento do vocabulário conceitual da teoria Iseriana. Acredito que estes participantes do filme acumulam em simultaneidade tanto as operações outrora vinculadas ao lugar do autor na literatura, quanto do leitor, segundo a teoria de Iser, buscando uma nova perspectiva para conceitos como os de “atos de fingir” e o “jogo do texto como ato performativo”, pensando-os para além da especificidade da literatura, alcançando os modos da encenação como um todo, como parece ter sido também a ambição do autor alemão em seus últimos trabalhos em vida.

    Por vezes acusado de apolítico, é interessante pensar em como o trabalho teórico de Wolfgang Iser pode ser aporte para um objeto estético contemporâneo amplamente referenciado como gesto politicamente engajado, comunitário e reconfigurante da vida social. A mesma teoria que fundou um dos pilares da emancipação do leitor na disciplina literária pode ajudar a compreender o que é, e o que pode aquele que está entre ser um ficcionista de si e um leitor da própria vida no cinema.

Bibliografia

    ISER, Wolfgang. O fictício e o imaginário: Perspectivas de uma Antropologia Literária. Rio de Janeiro: EDUERJ, 1996.
    ______. Os atos de fingir ou o que é fictício no texto ficcional. In: LIMA, L. C. (Org.). Teoria da literatura em suas fontes Vol.2. Trad. de Luiz Costa Lima. 2. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002 p. 955-985.

    KLINGER, D. Escritas de si, escritas do outro: o retorno do autor e a virada etnográfica. Rio de Janeiro:7Letras, 2007.

    MIGLIORIN, Cesar. Por um cinema pós industrial – notas para um debate. In. Cinética, revista virtual. Disponível em 2011. Acesso: 15/05/2016

    RANCIÈRE, Jacques. As distâncias do cinema. Rio de Janeiro: Contraponto, 2012.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2016.

 

Carta aberta ao Ministério da Educação e Ministério da Cultura

 

Assunto: Base Nacional Comum Curricular

 

 

A SOCINE (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) tem acompanhado os esforços de construção da Base Nacional Comum Curricular. Nosso comentário aqui irá se ater à especificidade de nossa área e sua relação com as propostas apresentadas na BNCC.

Dentro do texto preliminar do BNCC o componente curricular ARTE parte de uma grande área chamada linguagens. Dentro desta área as artes foram divididas em quatro grandes eixos: “artes visuais, dança, teatro e música”, conforme as licenciaturas específicas em arte, desconsiderando a Licenciatura em Cinema e Audiovisual (Resolução do CNE n. 10, de 27 de junho de 2006) e excluindo completamente o cinema como uma arte específica.

Foi essa subdivisão que nos trouxe uma primeira preocupação. Junto à todos esses subcomponentes da área de artes nos parece fundamental que esteja também o cinema. Esta atenção e necessidade não existe apenas porque trabalhamos e pesquisamos cinema e estamos atentos aos seus destinos, mas porque o cinema está intensamente presente na escola e na sociedade e, no momento da construção de uma base nacional para o currículo do ensino infantil, médio e fundamental as questões, contribuições e potencias do cinema na escola não podem ser excluídos.

Diversos componentes curriculares lançam mão de filmes de ficção, seriados, documentários para abordarem temas transversais e específicos de diferentes naturezas. O debate teórico que investigamos apontam para uma necessária vivência no âmbito escolar dos dispositivos cinematográficos desde a tenra idade seja para desenvolver a imaginação na Educação Infantil, na elaboração de cenários para o faz de conta, seja para a construção de identidade pessoal e cultural, seja pela singularidade da experiência sensível que o cinema possibilita.

Vale notar alguns fatos que sustentam nossa preocupação. Primeiramente o cinema é hoje obrigatório na escola. Graças à lei 13006/14, há uma obrigação de exibição de pelo menos duas horas de filmes brasileiros nas escolas. Esta lei, em vias de regulamentação, também exigirá que espaços físicos e materiais sejam garantidos nas escolas para sua efetivação, além da necessidade de uma real inclusão do cinema nas questões que tocam o currículo como um todo, transcendendo mesmo as linguagens específicas. Além de oferecer uma ampla versatilidade de conteúdo, a leitura de filmes e a própria produção audiovisual – inclusive com dispositivos móveis de comunicação – permite a professores e estudantes olhar para a realidade para descobri-la e inventá-la – gestos essenciais na produção de conhecimento.

Como bem é lembrado na proposta de BNC, “a formação em Arte acontece em licenciaturas específicas (artes visuais, dança, teatro e música)”, pois, também em licenciaturas de cinema. Embora talvez se presuma que “artes visuais” inclua de algum modo ao cinema, ele tem uma especificidade na formação do professor. Desde 2012 a Universidade Federal Fluminense possui uma licenciatura em cinema e a mobilização de outras universidade no mesmo caminho é evidente. Devemos ainda atentar à intensa contribuição que diversos programas de pós-graduação vêm dando às relações entre cinema e educação, algo que se evidência nos próprios encontros da sociedade que representamos, onde a cada ano temos diversos trabalhos e comunicações dedicados às relações do cinema com a educação.

Além da materialidade legal, de formação e de pesquisa que evidencia a íntima relação entre o cinema e a escola, a Rede Kino: Rede Latinoamericana de Educação, Cinema e Audiovisual, formada por professores e pesquisadores que trabalham na interface entre cinema e educação, vem mapeando projetos e iniciativas que se dedicam à essa interface, desde 2008. Projetos que acontecem em todo o país e que mobilizam centenas de escolas. Por fim, sabemos que o cinema é amplamente presente nas escolas por conta da contribuição que ele traz em tantas áreas, conteúdos e debates, da matemática às ciências, passando pelas histórias, geografias e humanidades em geral. Por todos esses motivos, pela intensa força pedagógica do cinema na escola, nos preocupa que no momento de construção de uma Base Curricular tão pouca atenção tenho sido dada ao cinema.

No nosso entender, a BNC deveria incluir um eixo Cinema e Audiovisual dentro do componente curricular artes, só assim garantiremos uma formação consistente em uma área decisiva da cultura contemporânea, além de uma experiência e uma habilidade em uma dimensão central das linguagens no mundo atual.

 

Atenciosamente

 

 

Cezar Migliorin

Presidente da SOCINE

  1. Prazo de pagamento da anuidade: de 1 a 24 de março; 
  2. Prazo de submissão de propostas de trabalhos para apresentação [XXI Encontro]: de 5 a 31 de março;
  3. Divulgação de propostas aprovadas para apresentação [XXI SOCINE]: 9 de junho;
  4. Período de pagamento das inscrições [XXI SOCINE]:
      • PRIMEIRO PRAZO: 3 a 13 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
      • SEGUNDO PRAZO: 14 a 24 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
      • TERCEIRO PRAZO: 25 de julho a 1 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00
  5. Chamada de candidaturas [Eleições da SOCINE]: 21 de agosto a 22 de setembro;
  6. Inscrição de ouvintes [XXI SOCINE]: a partir de 11 de setembro;
  7. Divulgação da programação [XXI SOCINE]: 19 de setembro;
  8. Divulgação das candidaturas homologadas [Eleições da SOCINE]: 29 de setembro;
  9. XXI Encontro SOCINE, na UFPB, em João Pessoa: de 17 a 20 de outubro;
  10. Eleições da SOCINE: 18 e 19 de outubro;
  11. Assembleia e posse da nova diretoria: 20 de outubro;
  12. Prazo de envio de trabalhos para os Anais de Textos Completos [XXI SOCINE]: a definir.