Ficha do Proponente

Proponente

    RAFAEL TASSI TEIXEIRA (UTP)

Minicurrículo

    Doutor em Sociologia pela Universidade Complutense de Madrid (2004). Vice-coordenador, docente e pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Linguagens da Universidade Tuiuti do Paraná (UTP), e Professor Adjunto da Universidade Estadual do Paraná (UNESPAR). Seus estudos abrangem a área das mediações culturais, estudos diaspóricos, identidades emergentes e a sociologia dos processos migratórios

Ficha do Trabalho

Título

    Soler: Aportes do Documentarismo Migrante à Teoria dos Cineastas

Seminário

    Teoria dos Cineastas

Resumo

    O trabalho incursiona pela reflexão teórico-analítica das composições fílmicas e bibliográficas de um dos pioneiros do cinema migratório documental, buscando aproximações entre os discursos fílmicos e a análise da obra teórica do cineasta valenciano Llorenç Soler. A proposta de comunicação se concentra em traçar alinhamentos perspectivos sobre a sistemática fílmica\bibliográfica\reflexiva de Soler através de seus livros, ensaios, cadernos de reflexões e manuais de documentarismo.

Resumo expandido

    A proposta da comunicação visa estabelecer pontos de conexão\concordância com os sentidos fílmicos e as reflexões teórico-analíticas de um dos precursores do cinema migratório documental, sobretudo na realidade cinematográfica espanhola – o cineasta espanhol Llorenç Soler. O objetivo central é desenvolver algumas linhas de possibilidades reflexivas entre os discursos fílmicos e a análise da obra teórica do cineasta valenciano, sistematizas em seus dois importantes manuais sobre documentarismo cinematográfico dissecados à luz da ‘Teoria dos Cineastas’: Dunha Beira a Outra (1994) e Los Hilos Secretos de Mis Documentarios (1997). O cinema migratório documental é um movimento reflexivo e inovador na perspectiva de Soler, desenvolvido sobretudo a partir da década de 1980 (FRANCÉS, 2012) estabelecendo-se como um diálogo entre o cinema político espanhol e o cinema do cotidiano; de certa forma, reflete uma argumentação original sobre o campo do documentário e a fronteira entre a fílmico e o pessoal (o autor como um migrante, a migração como a própria vida). Em paralelo a outros cineastas de ‘trincheiras’ na realidade fílmica espanhola (Helena Lumbreras, Marta Arribas, Ana Pérez), o cinema de Soler revela-se significativo para o pensamento sobre a Teoria dos Cineastas, dispondo suas bases, ao mesmo tempo, no profundo sentido biográfico do autor a reverberar em suas obras poéticas, em seus manuais de documentários, e em suas ‘escrituras fílmicas’. Através da análise da vertente ‘errante e desestabilizadora’ de seus escritos sobre o cinema documentário, a proposta é observar os constructos fílmico-textuais de seus pensamentos sobre a concepção da “mirada comprometida” (FRANCÉS, 2012) e dos ‘jogos de realidade e ficção’ (BERZOSA, 2012) em um cinema definido pela intransigência do lugar da imagem e, paralelamente, pelo que Soler chama de ‘silêncio digno de seus personagens’ (SOLER, 1997). A comunicação também se interessa em observar as principais linhas reflexivas da concepção de ‘cinema migratório’ ou cinema da ‘errância’ em um cineasta que pensa, escreve, filma, com forte sentido e confluência individual, sobre o jogo constante da realidade e da ficção, mas, também, que se posiciona de maneira atenta ao microrrelato, a cotidianidade dramática e a economia do pertencimento. Soler se mostra, desse modo, como um cineasta fundamental na tergiversação “inseparável, consubstancial” (SOLER, 1998) de uma concepção de cinema documentário que, antes de documentar qualquer realidade, vertebra-se na diversidade de pontos de vista, e, pela pausa e pela escuta, pela escrita, pelo desenho, pela poesia e pela pintura – o cineasta como autor espelho do artista como documentarista – invade a fronteira, o sentido e a relação, para neles permanecerem, e para assim tratar o processo criativo (indizível) da escrita, da realidade sob múltiplas formas, da crônica social comprometida e sobretudo, do cinema como ‘errância’. Tentando tecer articulações entre as narrativas cinematográficas, as estilísticas documentais e a convergência socio-ficcional das obras do cineasta, a proposta de comunicação, portanto, concentra-se em traçar alinhamentos perspectivos sobre a sistemática fílmica\bibliográfica\reflexiva de Soler através de seus livros, ensaios, cadernos de reflexões e manuais de documentarismo. Ao mesmo tempo, compromete-se em desenvolver um campo de diálogo entre as teorias migratórias contemporâneas no cinema documental migrante e a contribuição de Soler para as Teorias dos Cineastas, vistos a partir de um cineasta\realizador que congrega múltiplas facetas: realizador\diretor, pesquisador, escritor, poeta e professor universitário.

Bibliografia

    AUMONT, Jacques. As Teorias dos Cineastas. São Paulo: Papirus, 2002
    BERZOSA, Alberto. “Juegos de Realidad y Ficción en la Obra de Llorenç Soler”, IN: FRANCÉS, Miquel (org.). La Mirada Comprometida. Madrid: Biblioteca Nueva, 2012.
    FRANCÉS, Miquel (org.). La Mirada Comprometida. Madrid: Biblioteca Nueva, 2012.
    MONTERDE, José Enrique. El Sueño de Europa: Cine y Migraciones desde el Sur. Andalucia: Junta de Andalucia, 2008.
    SOLER, Llorenç. Llorenç Soler: Dunha Beira a Outra. Galícia: Universidad de Santiago, 1994.
    SOLER, Llorenç. Los Hilos Secretos de Mis Documentarios. Editorial CIMS, 1997.
    V.V.V.A. Llorenç Soler: La Mirada Comprometida. Barcelona: Biblioteca Nueva, 2012.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2016.

 

Carta aberta ao Ministério da Educação e Ministério da Cultura

 

Assunto: Base Nacional Comum Curricular

 

 

A SOCINE (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) tem acompanhado os esforços de construção da Base Nacional Comum Curricular. Nosso comentário aqui irá se ater à especificidade de nossa área e sua relação com as propostas apresentadas na BNCC.

Dentro do texto preliminar do BNCC o componente curricular ARTE parte de uma grande área chamada linguagens. Dentro desta área as artes foram divididas em quatro grandes eixos: “artes visuais, dança, teatro e música”, conforme as licenciaturas específicas em arte, desconsiderando a Licenciatura em Cinema e Audiovisual (Resolução do CNE n. 10, de 27 de junho de 2006) e excluindo completamente o cinema como uma arte específica.

Foi essa subdivisão que nos trouxe uma primeira preocupação. Junto à todos esses subcomponentes da área de artes nos parece fundamental que esteja também o cinema. Esta atenção e necessidade não existe apenas porque trabalhamos e pesquisamos cinema e estamos atentos aos seus destinos, mas porque o cinema está intensamente presente na escola e na sociedade e, no momento da construção de uma base nacional para o currículo do ensino infantil, médio e fundamental as questões, contribuições e potencias do cinema na escola não podem ser excluídos.

Diversos componentes curriculares lançam mão de filmes de ficção, seriados, documentários para abordarem temas transversais e específicos de diferentes naturezas. O debate teórico que investigamos apontam para uma necessária vivência no âmbito escolar dos dispositivos cinematográficos desde a tenra idade seja para desenvolver a imaginação na Educação Infantil, na elaboração de cenários para o faz de conta, seja para a construção de identidade pessoal e cultural, seja pela singularidade da experiência sensível que o cinema possibilita.

Vale notar alguns fatos que sustentam nossa preocupação. Primeiramente o cinema é hoje obrigatório na escola. Graças à lei 13006/14, há uma obrigação de exibição de pelo menos duas horas de filmes brasileiros nas escolas. Esta lei, em vias de regulamentação, também exigirá que espaços físicos e materiais sejam garantidos nas escolas para sua efetivação, além da necessidade de uma real inclusão do cinema nas questões que tocam o currículo como um todo, transcendendo mesmo as linguagens específicas. Além de oferecer uma ampla versatilidade de conteúdo, a leitura de filmes e a própria produção audiovisual – inclusive com dispositivos móveis de comunicação – permite a professores e estudantes olhar para a realidade para descobri-la e inventá-la – gestos essenciais na produção de conhecimento.

Como bem é lembrado na proposta de BNC, “a formação em Arte acontece em licenciaturas específicas (artes visuais, dança, teatro e música)”, pois, também em licenciaturas de cinema. Embora talvez se presuma que “artes visuais” inclua de algum modo ao cinema, ele tem uma especificidade na formação do professor. Desde 2012 a Universidade Federal Fluminense possui uma licenciatura em cinema e a mobilização de outras universidade no mesmo caminho é evidente. Devemos ainda atentar à intensa contribuição que diversos programas de pós-graduação vêm dando às relações entre cinema e educação, algo que se evidência nos próprios encontros da sociedade que representamos, onde a cada ano temos diversos trabalhos e comunicações dedicados às relações do cinema com a educação.

Além da materialidade legal, de formação e de pesquisa que evidencia a íntima relação entre o cinema e a escola, a Rede Kino: Rede Latinoamericana de Educação, Cinema e Audiovisual, formada por professores e pesquisadores que trabalham na interface entre cinema e educação, vem mapeando projetos e iniciativas que se dedicam à essa interface, desde 2008. Projetos que acontecem em todo o país e que mobilizam centenas de escolas. Por fim, sabemos que o cinema é amplamente presente nas escolas por conta da contribuição que ele traz em tantas áreas, conteúdos e debates, da matemática às ciências, passando pelas histórias, geografias e humanidades em geral. Por todos esses motivos, pela intensa força pedagógica do cinema na escola, nos preocupa que no momento de construção de uma Base Curricular tão pouca atenção tenho sido dada ao cinema.

No nosso entender, a BNC deveria incluir um eixo Cinema e Audiovisual dentro do componente curricular artes, só assim garantiremos uma formação consistente em uma área decisiva da cultura contemporânea, além de uma experiência e uma habilidade em uma dimensão central das linguagens no mundo atual.

 

Atenciosamente

 

 

Cezar Migliorin

Presidente da SOCINE

  1. Prazo de pagamento da anuidade: de 1 a 24 de março; 
  2. Prazo de submissão de propostas de trabalhos para apresentação [XXI Encontro]: de 5 a 31 de março;
  3. Divulgação de propostas aprovadas para apresentação [XXI SOCINE]: 9 de junho;
  4. Período de pagamento das inscrições [XXI SOCINE]:
      • PRIMEIRO PRAZO: 3 a 13 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
      • SEGUNDO PRAZO: 14 a 24 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
      • TERCEIRO PRAZO: 25 de julho a 1 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00
  5. Chamada de candidaturas [Eleições da SOCINE]: 21 de agosto a 22 de setembro;
  6. Inscrição de ouvintes [XXI SOCINE]: a partir de 11 de setembro;
  7. Divulgação da programação [XXI SOCINE]: 19 de setembro;
  8. Divulgação das candidaturas homologadas [Eleições da SOCINE]: 29 de setembro;
  9. XXI Encontro SOCINE, na UFPB, em João Pessoa: de 17 a 20 de outubro;
  10. Eleições da SOCINE: 18 e 19 de outubro;
  11. Assembleia e posse da nova diretoria: 20 de outubro;
  12. Prazo de envio de trabalhos para os Anais de Textos Completos [XXI SOCINE]: a definir.