Ficha do Proponente

Proponente

    Lucas Ravazzano de Mattos Batista (UFBA)

Minicurrículo

    Graduado em Relações Públicas e Marketing pela Universidade Católica do Salvador (UCSal), Mestre em Comunição e Cultura Contemporâneas pelo POSCOM/UFBA e Doutorando em Comunicação e Cultura Contemporâneas pelo POSCOM/UFBA

Ficha do Trabalho

Título

    Sem Lembranças: O Revisionismo da Narrativa Policial em Amnésia

Resumo

    Neste trabalho analisaremos o filme Amnésia (2001), dirigido por Christopher Nolan, de modo a demonstrar como o filme questiona elementos tradicionais da narrativa policial, em especial a ideia de objetividade que é constantemente atribuída a este tipo de produto. Primeiramente tentaremos compreender como a narrativa policial tem como elemento central a construção de sentidos que reafirmam o poder da lógica e da racionalidade na resolução de crimes, em seguida partiremos para tratar os modos através dos quais Amnésia questiona esses elementos, em especial a partir da negação da objetividade de evidências físicas.

Resumo expandido

    A narrativa policial é um gênero com uma produção constante e vigorosa dentro da indústria hollywoodiana. Ao longo de sua trajetória dentro desta cinematografia, o gênero experimentou diversas mudanças no modo como abordava o processo investigativo ou o tipo de personagem que protagonizava essas narrativas. Alguns elementos, no entanto, permaneceram constantes na produção deste gênero e apenas nos últimos anos a produção hollywoodiana passou a trazer de maneira mais recorrente produtos que revisavam algumas características que até então. Um desses filmes é Amnésia (2001), de Christopher Nolan, que será analisado no presente trabalho de modo a demonstrar como a obra revisa a ideia de objetividade que é constantemente atribuída a este tipo de produto.

    Primeiramente utilizaremos noções de Rick Altman (2000) e Bordwell e Thompson (2001) sobre o funcionamento dos gêneros cinematográficos na produção hollywoodiana e como sua operação se dá em uma constante disputa entre a conformidade entre as fórmulas já estabelecidas e uma busca por novos elementos. Recorreremos também a Stephen Neale (2000), cujos escritos compreendem que os gêneros contem características estilísticas que transcendem os filmes, e sua construção é verificada pelos realizadores e lida pelos espectadores. Também será utilizado o trabalho de Barry Keith Grant (2007), para compreender como os gêneros funcionariam como um modo de guiar a recepção e a leitura de seus produtos ao usar formatos previamente conhecidos e compreendidos como convencionais reafirmando e endossando certos valores e visões de mundo. Assim sendo, de posse dos trabalhos destes autores, construiremos uma perspectiva de que os gêneros se formam por ciclos de filmes e que novos ciclos são criados ao agregarem novos materiais, formatos ou ideias às perspectivas já existentes.

    Argumentaremos, portanto, que este é o posicionamento da obra analisada, que nos leva a repensar a eficácia da objetividade que costumeiramente é norma nos produtos deste gênero. Recorreremos a trabalhos de autores como Albuquerque (1979), Delamater e Prigozy (1997), Scaggs (2005), P.D James (2012) e Messent (2013) para revelar como a narrativa policial é construída principalmente na racionalidade e na lógica, nos apresentando a um investigador usa do raciocínio lógico-dedutivo para desvendar crimes, bem como para compreender como são trabalhadas as tramas e personagens típicos da narrativa policial.

    Uma vez conseguindo compreender como as convenções do gênero exaltam o raciocínio lógico, buscaremos demonstrar como Amnésia dialoga com essas longevas convenções de narrativa e construção de personagem ao tecer uma narrativa na qual todas as fotografias, relatórios e diários apenas servem para comprovar mentiras e não verdades como era de costume ocorrer, denotando como o gênero consegue absorver novas abordagens para continuar despertando interesse em seu público. Na construção do exercício analítico usaremos os trabalhos de Gaudreault e Jost (2009) para falar da enunciação do discurso fílmico. Trataremos dos usos da música e dos sons a partir de Michel Chion (2011) e Claudia Gorbman (1987), usaremos noções de Vincent Amiel (2011) e Ken Dancyger (2003) para tratar dos usos da montagem. Bordwell (2009) será usado para tratar de enquadramentos e movimentos de câmera. A partir desse conjunto de referências iniciais o presente trabalho buscará dar conta do funcionamento dos diferentes elementos do cinema no filme analisado de modo a compreender como estes são mobilizados de modo revisar as premissas do gênero no qual está inserido.

Bibliografia

    ALBUQUERQUE, Paulo de Medeiros e. O Mundo Emocionante do Romance Policial. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1979
    ALTMAN, Rick. Los Géneros Cinematográficos. Barcelona. Paidós, 2000
    AMIEL, Vincent. A Estética da Montagem. Lisboa: Edições Texto e Grafia. 2011.
    BORDWELL, David; THOMPSON, Kristin. Film Art: An Introduction. New York: McGraw-Hill, 2001
    DELAMETER, Jerome H; PRIGOZY, Ruth (Orgs). Theory and Practice of Classic Detective Fiction. New York: Greenwood Press. 1997.
    GAUDREAULT, Andre; JOST, François. A Narrativa Cinematográfica. Brasília: Editora UnB, 2009.
    GRANT, Barry Keith. Film Genres: From Iconography to Ideology. Londres: Wallflower Press. 2007
    JAMES, P. D. Segredos do Romance Policial: Histórias das Histórias de Detetive. São Paulo: Três Estrelas. 2012
    MESSENT, Peter. The Crime Fiction Handbook.New Jersey: Wiley. 2013
    NEALE, Stephen. Genre and Hollywood. Londres: Routledge. 2000
    SCAGGS, John. Crime Fiction. New York: Routledge. 2005

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2016.

 

Carta aberta ao Ministério da Educação e Ministério da Cultura

 

Assunto: Base Nacional Comum Curricular

 

 

A SOCINE (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) tem acompanhado os esforços de construção da Base Nacional Comum Curricular. Nosso comentário aqui irá se ater à especificidade de nossa área e sua relação com as propostas apresentadas na BNCC.

Dentro do texto preliminar do BNCC o componente curricular ARTE parte de uma grande área chamada linguagens. Dentro desta área as artes foram divididas em quatro grandes eixos: “artes visuais, dança, teatro e música”, conforme as licenciaturas específicas em arte, desconsiderando a Licenciatura em Cinema e Audiovisual (Resolução do CNE n. 10, de 27 de junho de 2006) e excluindo completamente o cinema como uma arte específica.

Foi essa subdivisão que nos trouxe uma primeira preocupação. Junto à todos esses subcomponentes da área de artes nos parece fundamental que esteja também o cinema. Esta atenção e necessidade não existe apenas porque trabalhamos e pesquisamos cinema e estamos atentos aos seus destinos, mas porque o cinema está intensamente presente na escola e na sociedade e, no momento da construção de uma base nacional para o currículo do ensino infantil, médio e fundamental as questões, contribuições e potencias do cinema na escola não podem ser excluídos.

Diversos componentes curriculares lançam mão de filmes de ficção, seriados, documentários para abordarem temas transversais e específicos de diferentes naturezas. O debate teórico que investigamos apontam para uma necessária vivência no âmbito escolar dos dispositivos cinematográficos desde a tenra idade seja para desenvolver a imaginação na Educação Infantil, na elaboração de cenários para o faz de conta, seja para a construção de identidade pessoal e cultural, seja pela singularidade da experiência sensível que o cinema possibilita.

Vale notar alguns fatos que sustentam nossa preocupação. Primeiramente o cinema é hoje obrigatório na escola. Graças à lei 13006/14, há uma obrigação de exibição de pelo menos duas horas de filmes brasileiros nas escolas. Esta lei, em vias de regulamentação, também exigirá que espaços físicos e materiais sejam garantidos nas escolas para sua efetivação, além da necessidade de uma real inclusão do cinema nas questões que tocam o currículo como um todo, transcendendo mesmo as linguagens específicas. Além de oferecer uma ampla versatilidade de conteúdo, a leitura de filmes e a própria produção audiovisual – inclusive com dispositivos móveis de comunicação – permite a professores e estudantes olhar para a realidade para descobri-la e inventá-la – gestos essenciais na produção de conhecimento.

Como bem é lembrado na proposta de BNC, “a formação em Arte acontece em licenciaturas específicas (artes visuais, dança, teatro e música)”, pois, também em licenciaturas de cinema. Embora talvez se presuma que “artes visuais” inclua de algum modo ao cinema, ele tem uma especificidade na formação do professor. Desde 2012 a Universidade Federal Fluminense possui uma licenciatura em cinema e a mobilização de outras universidade no mesmo caminho é evidente. Devemos ainda atentar à intensa contribuição que diversos programas de pós-graduação vêm dando às relações entre cinema e educação, algo que se evidência nos próprios encontros da sociedade que representamos, onde a cada ano temos diversos trabalhos e comunicações dedicados às relações do cinema com a educação.

Além da materialidade legal, de formação e de pesquisa que evidencia a íntima relação entre o cinema e a escola, a Rede Kino: Rede Latinoamericana de Educação, Cinema e Audiovisual, formada por professores e pesquisadores que trabalham na interface entre cinema e educação, vem mapeando projetos e iniciativas que se dedicam à essa interface, desde 2008. Projetos que acontecem em todo o país e que mobilizam centenas de escolas. Por fim, sabemos que o cinema é amplamente presente nas escolas por conta da contribuição que ele traz em tantas áreas, conteúdos e debates, da matemática às ciências, passando pelas histórias, geografias e humanidades em geral. Por todos esses motivos, pela intensa força pedagógica do cinema na escola, nos preocupa que no momento de construção de uma Base Curricular tão pouca atenção tenho sido dada ao cinema.

No nosso entender, a BNC deveria incluir um eixo Cinema e Audiovisual dentro do componente curricular artes, só assim garantiremos uma formação consistente em uma área decisiva da cultura contemporânea, além de uma experiência e uma habilidade em uma dimensão central das linguagens no mundo atual.

 

Atenciosamente

 

 

Cezar Migliorin

Presidente da SOCINE

  1. Prazo de pagamento da anuidade: de 1 a 24 de março; 
  2. Prazo de submissão de propostas de trabalhos para apresentação [XXI Encontro]: de 5 a 31 de março;
  3. Divulgação de propostas aprovadas para apresentação [XXI SOCINE]: 9 de junho;
  4. Período de pagamento das inscrições [XXI SOCINE]:
      • PRIMEIRO PRAZO: 3 a 13 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
      • SEGUNDO PRAZO: 14 a 24 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
      • TERCEIRO PRAZO: 25 de julho a 1 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00
  5. Chamada de candidaturas [Eleições da SOCINE]: 21 de agosto a 22 de setembro;
  6. Inscrição de ouvintes [XXI SOCINE]: a partir de 11 de setembro;
  7. Divulgação da programação [XXI SOCINE]: 19 de setembro;
  8. Divulgação das candidaturas homologadas [Eleições da SOCINE]: 29 de setembro;
  9. XXI Encontro SOCINE, na UFPB, em João Pessoa: de 17 a 20 de outubro;
  10. Eleições da SOCINE: 18 e 19 de outubro;
  11. Assembleia e posse da nova diretoria: 20 de outubro;
  12. Prazo de envio de trabalhos para os Anais de Textos Completos [XXI SOCINE]: a definir.