Ficha do Proponente

Proponente

    Júlio César Alves da Luz (UNISUL)

Minicurrículo

    Júlio César Alves da Luz é doutorando no curso de Ciências da Linguagem da Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL), com pesquisa dedicada ao estudo do cinema brasileiro contemporâneo. Atua como professor de história na rede pública municipal de Cocal do Sul-SC.

Ficha do Trabalho

Título

    Fábulas fílmicas do povo: A cidade é uma só? e Branco sai, preto fica

Resumo

    Procuramos analisar, neste trabalho, o gesto crítico com que Adirley Queirós, em A cidade é uma só? (2011) e em Branco sai, preto fica (2014), ao tensionar documento e ficção na tessitura de suas tramas, investe na fabulação fílmica como potência reveladora a fim de questionar a fratura que divide a cidade e o povo, marcando o reverso de exclusão que cinde a comunidade política e revolvendo um história silenciada, ou mal contada, de modo a recuperá-la e reescrevê-la a partir de baixo.

Resumo expandido

    Sob o cenário comum do aparthaid social que assinala a cisão entre Brasília e o seu entorno, A cidade é uma só? (2011) e Branco sai, preto fica (2014) são filmes nos quais Adirley Queirós – goiano de nascimento, mas que viveu desde a infância na Ceilândia – busca o avesso de exclusão que marca a história de um povo banido da capital federal, segregado ainda hoje nas periferias de suas cidades-satélites. Questionando, de entrada, já pelo próprio título, o verso de um jingle que teria sido veiculado em Brasília no início dos anos 1970, o qual afirmava – sob o contexto da Campanha de Erradicação das Invasões – que “A cidade é uma só!”, o filme de 2011 empenhava-se por mostrar como, pelo contrário, tal campanha aprofundou ainda mais o abismo que dividia a cidade. Afinal, a “erradicação das invasões” resultou na remoção das pessoas pobres e seus barracos das imediações da cidade, um violento processo de higienização da capital que levou à expulsão daquela população marginalizada, deslocada para uma região mais distante, onde se formaria a Ceilândia.
    Ali, no território de exclusão de sua periferia, é onde vivem os personagens de ambos os filmes, um povo proscrito cuja condição, já em Branco sai, preto fica, chega ao limite do impedimento de entrar em Brasília. Assim como no filme anterior, Adirley volta ao passado, ao histórico caso do baile de black music de 1986 que acabou em tiroteio, quando a polícia invadiu o lugar e gritou justamente as palavras de que o cineasta se serve para intitular obra. O aparthaid social explode, assim, intimamente ligado à questão racial, e a cesura que vinca a partilha desigual da cidade acirra-se na guetização desse povo expulso da pólis.
    Porém, se à fratura que divide a cidade e o povo corresponde uma história oficial que reitera as exclusões ao silenciar os testemunhos dos povos oprimidos, o trabalho de Adirley Queirós consiste justamente em “escová-la a contrapelo” (BENJAMIN, 1994) a fim de, revolvendo-a, recontá-la a partir de baixo. Se o trabalho do diretor, sobretudo em A cidade é uma só?, transita tanto entre o documento e a ficção, nesse movimento o seu interesse é o de um questionamento que, aos documentos de uma história “oficial” – isto é, daquela história que, segundo Jacques Rancière, “é feita com os vestígios que os homens de memória haviam decidido em nos legar” –, opõe uma história interessada pelos “testemunhos mudos da vida ordinária” (RANCIÈRE, 2004, pp. 166-167). Trata-se de um esforço no sentido de um movimento contra-histórico, de modo a chegar àquele outro lado de que falava Walter Benjamin, à “tradição dos oprimidos”, e que, para tanto, contra a hipóstase de uma história mal contada, reescreve-a pelos meios próprios da arte, pela fábula cinematográfica (RANCIÈRE, 2013). Um trabalho cuja força política reside justamente aí, em investir na potência reveladora da fabulação fílmica contra os discursos do poder, processos históricos e uma realidade social presente excludentes, numa estratégia que procuramos analisar no modo como constrói sua complexa trama de deslocamentos entretecendo documento e ficção, passado e presente, tensionando, nesse movimento, os sentidos
    de inclusão e exclusão, e questionando, dessa maneira, a fissura que está no fundamento da cidade política e do povo.

Bibliografia

    BENJAMIN, Walter. Magia e técnica, arte e política: ensaios sobre literatura e história da cultura. Tradução de: ROUANET, Sérgio Paulo. 7. ed. São Paulo: Brasiliense, 1994.

    RANCIÈRE, Jacques. A Fábula cinematográfica. Traduzido por Christian Pierre Kasper. Campinas: Papirus, 2013.

    ______. Lo inolvidable. In: YOEL, Gerardo (org.). Pensar el cine 1: imagen, ética y filosofía. Buenos Aires: Manantial, 2004, pp. 157-184.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2016.

 

Carta aberta ao Ministério da Educação e Ministério da Cultura

 

Assunto: Base Nacional Comum Curricular

 

 

A SOCINE (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) tem acompanhado os esforços de construção da Base Nacional Comum Curricular. Nosso comentário aqui irá se ater à especificidade de nossa área e sua relação com as propostas apresentadas na BNCC.

Dentro do texto preliminar do BNCC o componente curricular ARTE parte de uma grande área chamada linguagens. Dentro desta área as artes foram divididas em quatro grandes eixos: “artes visuais, dança, teatro e música”, conforme as licenciaturas específicas em arte, desconsiderando a Licenciatura em Cinema e Audiovisual (Resolução do CNE n. 10, de 27 de junho de 2006) e excluindo completamente o cinema como uma arte específica.

Foi essa subdivisão que nos trouxe uma primeira preocupação. Junto à todos esses subcomponentes da área de artes nos parece fundamental que esteja também o cinema. Esta atenção e necessidade não existe apenas porque trabalhamos e pesquisamos cinema e estamos atentos aos seus destinos, mas porque o cinema está intensamente presente na escola e na sociedade e, no momento da construção de uma base nacional para o currículo do ensino infantil, médio e fundamental as questões, contribuições e potencias do cinema na escola não podem ser excluídos.

Diversos componentes curriculares lançam mão de filmes de ficção, seriados, documentários para abordarem temas transversais e específicos de diferentes naturezas. O debate teórico que investigamos apontam para uma necessária vivência no âmbito escolar dos dispositivos cinematográficos desde a tenra idade seja para desenvolver a imaginação na Educação Infantil, na elaboração de cenários para o faz de conta, seja para a construção de identidade pessoal e cultural, seja pela singularidade da experiência sensível que o cinema possibilita.

Vale notar alguns fatos que sustentam nossa preocupação. Primeiramente o cinema é hoje obrigatório na escola. Graças à lei 13006/14, há uma obrigação de exibição de pelo menos duas horas de filmes brasileiros nas escolas. Esta lei, em vias de regulamentação, também exigirá que espaços físicos e materiais sejam garantidos nas escolas para sua efetivação, além da necessidade de uma real inclusão do cinema nas questões que tocam o currículo como um todo, transcendendo mesmo as linguagens específicas. Além de oferecer uma ampla versatilidade de conteúdo, a leitura de filmes e a própria produção audiovisual – inclusive com dispositivos móveis de comunicação – permite a professores e estudantes olhar para a realidade para descobri-la e inventá-la – gestos essenciais na produção de conhecimento.

Como bem é lembrado na proposta de BNC, “a formação em Arte acontece em licenciaturas específicas (artes visuais, dança, teatro e música)”, pois, também em licenciaturas de cinema. Embora talvez se presuma que “artes visuais” inclua de algum modo ao cinema, ele tem uma especificidade na formação do professor. Desde 2012 a Universidade Federal Fluminense possui uma licenciatura em cinema e a mobilização de outras universidade no mesmo caminho é evidente. Devemos ainda atentar à intensa contribuição que diversos programas de pós-graduação vêm dando às relações entre cinema e educação, algo que se evidência nos próprios encontros da sociedade que representamos, onde a cada ano temos diversos trabalhos e comunicações dedicados às relações do cinema com a educação.

Além da materialidade legal, de formação e de pesquisa que evidencia a íntima relação entre o cinema e a escola, a Rede Kino: Rede Latinoamericana de Educação, Cinema e Audiovisual, formada por professores e pesquisadores que trabalham na interface entre cinema e educação, vem mapeando projetos e iniciativas que se dedicam à essa interface, desde 2008. Projetos que acontecem em todo o país e que mobilizam centenas de escolas. Por fim, sabemos que o cinema é amplamente presente nas escolas por conta da contribuição que ele traz em tantas áreas, conteúdos e debates, da matemática às ciências, passando pelas histórias, geografias e humanidades em geral. Por todos esses motivos, pela intensa força pedagógica do cinema na escola, nos preocupa que no momento de construção de uma Base Curricular tão pouca atenção tenho sido dada ao cinema.

No nosso entender, a BNC deveria incluir um eixo Cinema e Audiovisual dentro do componente curricular artes, só assim garantiremos uma formação consistente em uma área decisiva da cultura contemporânea, além de uma experiência e uma habilidade em uma dimensão central das linguagens no mundo atual.

 

Atenciosamente

 

 

Cezar Migliorin

Presidente da SOCINE

  1. Prazo de pagamento da anuidade: de 1 a 24 de março; 
  2. Prazo de submissão de propostas de trabalhos para apresentação [XXI Encontro]: de 5 a 31 de março;
  3. Divulgação de propostas aprovadas para apresentação [XXI SOCINE]: 9 de junho;
  4. Período de pagamento das inscrições [XXI SOCINE]:
      • PRIMEIRO PRAZO: 3 a 13 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
      • SEGUNDO PRAZO: 14 a 24 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
      • TERCEIRO PRAZO: 25 de julho a 1 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00
  5. Chamada de candidaturas [Eleições da SOCINE]: 21 de agosto a 22 de setembro;
  6. Inscrição de ouvintes [XXI SOCINE]: a partir de 11 de setembro;
  7. Divulgação da programação [XXI SOCINE]: 19 de setembro;
  8. Divulgação das candidaturas homologadas [Eleições da SOCINE]: 29 de setembro;
  9. XXI Encontro SOCINE, na UFPB, em João Pessoa: de 17 a 20 de outubro;
  10. Eleições da SOCINE: 18 e 19 de outubro;
  11. Assembleia e posse da nova diretoria: 20 de outubro;
  12. Prazo de envio de trabalhos para os Anais de Textos Completos [XXI SOCINE]: a definir.