Ficha do Proponente

Proponente

    Cristina Teixeira Vieira de Melo (PPGCOM/UFPE)

Minicurrículo

    Professora do Departamento e da Pós-graduação em Comunicação da UFPE. Doutora em linguística pelo IEL/Unicamp. Mestre em linguística pelo PPGL/UFPE.

Ficha do Trabalho

Título

    A bela e a boa morte na TV, transmutações do corpo

Resumo

    Time of death (2013) é uma série documental de seis episódios do Showtime. Câmeras registram os últimos dias de vida e a hora da morte de oito doentes terminais. Analisamos como os procedimentos narrativos utilizados pelo programa demonstram/justificam a sua missão “humanista” e simultaneamente/concorrentemente correspondem às expectativas do espetáculo midiático que necessariamente o é. Para tanto, tensionamos a figura da “boa morte”, ideário da medicina paliativa que está na base conceitual de Time of death, com outras “figuras da morte”, seja a da “bela morte” personificada pelo herói grego ou a morte do herói romântico. Interessa-nos verificar até que ponto o programa convoca cenas típicas do que é considerado uma “bela morte” – “a luta e a morte no campo de batalha”, “a morte junto aos familiares”, “a morte nos “braços da amada”, “a verdade das últimas palavras”, etc. – fazendo-as coincidir com os gestos, as performances, as mise en scène dos personagens.

Resumo expandido

    Time of death (2013) é uma série documental de seis episódios produzida pelo canal de TV por assinatura norte-americano Showtime. As câmeras registram os últimos dias de vida de oito doentes terminais junto a seus familiares, amigos e aos profissionais de saúde que os acompanham. O programa difere por demais de outros gêneros televisivos que costumam representar a morte. Sabe-se que embora pertencentes a campos distintos, respectivamente o da informação e o do entretenimento, os programas policiais e os filmes de terror investem numa superexposição do corpo morto, retratando a morte de forma violenta e, por vezes, grotesca. Os telejornais, por sua vez, costumam suprimir o corpo do cadáver, a exceção é a cobertura que realizam da morte de figuras públicas. As telenovelas e outros programas de cunho melodramático, quando comparados aos telejornais, parecem sofrer menos constrangimentos para mostrar a doença e a morte. Mas, no geral, não costuma-se ver nesse tipo de narrativa a degenerescência do corpo físico. A personagem doente termina se curando ou consegue adaptar-se às suas novas limitações. Já em Time of death todos os protagonistas morrem ao final. O próprio título da série evidencia isso. A morte não é algo incidental na vida das pessoas retratadas; ao contrário, o início da narrativa audiovisual se dá no momento mesmo do anúncio de que a morte de cada uma se aproxima. O horizonte de expectativa de vida é mínimo. Morte anunciada, as câmeras passam a publicizar aquilo que no geral se quer esconder: a decrepitude do corpo e a morte. O programa suscita questionamentos vários de natureza ética: Por que dar a ver algo que para a sociedade contemporânea tornou-se um interdito? Por que mostrar a degradação do corpo e a morte do outro? Por que o outro, por sua vez, se deixa filmar em tal estado? Parte dessas perguntas, os próprios participantes respondem. Na esteira do que preconiza o ideário da medicina paliativa, enfermos, familiares e cuidadores alegam que é necessário tratar a morte como parte da vida, aceita-la, falar sobre ela, torna-la visível. Esse discurso sobre o morrer e a morte se alia a práticas de “humanização” do tratamento de doentes terminais que buscam proporcionar-lhes uma “morte digna”, a chamada “boa morte”. Isso implica ter à disposição do doente uma equipe multidisciplinar que possa cuidar da pessoa como um todo, controlando os sintomas da doença, evitando que sinta dor, dando-lhe suporte emocional, social e espiritual, bem como a seus familiares. A “boa morte” retoma o ritual de se morrer em casa, próximo de parentes e amigos. O moribundo não fica isolado. A medicina paliativa almeja a produção de uma cena tranquila, pacífica e visível em torno da morte. Tal construção consiste numa postura de aceitação do término da vida. Ainda segundo o modelo paliativista, o morto deve deixar uma marca singular para seu círculo social. Nesse contexto, a cena final é construída para se tornar uma lembrança para os que permanecem vivos. A partir dessas considerações sobre a medicina paliativa e sua ideia da “boa morte” (Menezes e Barbosa, 2013), buscamos analisar como os procedimentos narrativos (enquadramentos, planos, montagem, mise en scène, etc.) presentes em Time of death demonstram/justificam a missão “humanista” do programa e simultaneamente/concorrentemente correspondem às expectativas do espetáculo midiático que necessariamente o é. Para tanto, tensionamos a figura da “boa morte” acima descrita com outras “figuras da morte”, seja a “bela morte” personificada pelo herói grego (Vernant, 1977) ou a morte do herói romântico. Enfim, interessa-nos verificar até que ponto Time of death convoca, reivindica cenas típicas do que é considerado uma “bela morte” – “a luta e a morte no campo de batalha”, “a morte junto aos familiares”, “a morte nos “braços da amada”, “a verdade das últimas palavras”, etc. – fazendo-as coincidir com os gestos, as performances, as mise en scène dos personagens.

Bibliografia

    ARIÈS, Philippe. História da Morte no Ocidente. Rio de Janeiro: Ediouro, 2003.

    ELIAS, Norbert. A solidão dos moribundos seguido de envelhecer e morrer. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001.

    MENEZES, Rachel Aisengart; BARBOSA, Patrícia de Castro. A construção da “boa morte” em diferentes etapas da vida: reflexões em torno do ideário paliativista para adultos e crianças. In: Ciência & Saúde Coletiva, 18(9): 2653-2662, 2013.

    VERNANT, Jean-Pierre. A bela morte e o cadáver ultrajado. São Paulo: USP. 1977.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2016.

 

Carta aberta ao Ministério da Educação e Ministério da Cultura

 

Assunto: Base Nacional Comum Curricular

 

 

A SOCINE (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) tem acompanhado os esforços de construção da Base Nacional Comum Curricular. Nosso comentário aqui irá se ater à especificidade de nossa área e sua relação com as propostas apresentadas na BNCC.

Dentro do texto preliminar do BNCC o componente curricular ARTE parte de uma grande área chamada linguagens. Dentro desta área as artes foram divididas em quatro grandes eixos: “artes visuais, dança, teatro e música”, conforme as licenciaturas específicas em arte, desconsiderando a Licenciatura em Cinema e Audiovisual (Resolução do CNE n. 10, de 27 de junho de 2006) e excluindo completamente o cinema como uma arte específica.

Foi essa subdivisão que nos trouxe uma primeira preocupação. Junto à todos esses subcomponentes da área de artes nos parece fundamental que esteja também o cinema. Esta atenção e necessidade não existe apenas porque trabalhamos e pesquisamos cinema e estamos atentos aos seus destinos, mas porque o cinema está intensamente presente na escola e na sociedade e, no momento da construção de uma base nacional para o currículo do ensino infantil, médio e fundamental as questões, contribuições e potencias do cinema na escola não podem ser excluídos.

Diversos componentes curriculares lançam mão de filmes de ficção, seriados, documentários para abordarem temas transversais e específicos de diferentes naturezas. O debate teórico que investigamos apontam para uma necessária vivência no âmbito escolar dos dispositivos cinematográficos desde a tenra idade seja para desenvolver a imaginação na Educação Infantil, na elaboração de cenários para o faz de conta, seja para a construção de identidade pessoal e cultural, seja pela singularidade da experiência sensível que o cinema possibilita.

Vale notar alguns fatos que sustentam nossa preocupação. Primeiramente o cinema é hoje obrigatório na escola. Graças à lei 13006/14, há uma obrigação de exibição de pelo menos duas horas de filmes brasileiros nas escolas. Esta lei, em vias de regulamentação, também exigirá que espaços físicos e materiais sejam garantidos nas escolas para sua efetivação, além da necessidade de uma real inclusão do cinema nas questões que tocam o currículo como um todo, transcendendo mesmo as linguagens específicas. Além de oferecer uma ampla versatilidade de conteúdo, a leitura de filmes e a própria produção audiovisual – inclusive com dispositivos móveis de comunicação – permite a professores e estudantes olhar para a realidade para descobri-la e inventá-la – gestos essenciais na produção de conhecimento.

Como bem é lembrado na proposta de BNC, “a formação em Arte acontece em licenciaturas específicas (artes visuais, dança, teatro e música)”, pois, também em licenciaturas de cinema. Embora talvez se presuma que “artes visuais” inclua de algum modo ao cinema, ele tem uma especificidade na formação do professor. Desde 2012 a Universidade Federal Fluminense possui uma licenciatura em cinema e a mobilização de outras universidade no mesmo caminho é evidente. Devemos ainda atentar à intensa contribuição que diversos programas de pós-graduação vêm dando às relações entre cinema e educação, algo que se evidência nos próprios encontros da sociedade que representamos, onde a cada ano temos diversos trabalhos e comunicações dedicados às relações do cinema com a educação.

Além da materialidade legal, de formação e de pesquisa que evidencia a íntima relação entre o cinema e a escola, a Rede Kino: Rede Latinoamericana de Educação, Cinema e Audiovisual, formada por professores e pesquisadores que trabalham na interface entre cinema e educação, vem mapeando projetos e iniciativas que se dedicam à essa interface, desde 2008. Projetos que acontecem em todo o país e que mobilizam centenas de escolas. Por fim, sabemos que o cinema é amplamente presente nas escolas por conta da contribuição que ele traz em tantas áreas, conteúdos e debates, da matemática às ciências, passando pelas histórias, geografias e humanidades em geral. Por todos esses motivos, pela intensa força pedagógica do cinema na escola, nos preocupa que no momento de construção de uma Base Curricular tão pouca atenção tenho sido dada ao cinema.

No nosso entender, a BNC deveria incluir um eixo Cinema e Audiovisual dentro do componente curricular artes, só assim garantiremos uma formação consistente em uma área decisiva da cultura contemporânea, além de uma experiência e uma habilidade em uma dimensão central das linguagens no mundo atual.

 

Atenciosamente

 

 

Cezar Migliorin

Presidente da SOCINE

  1. Prazo de pagamento da anuidade: de 1 a 24 de março; 
  2. Prazo de submissão de propostas de trabalhos para apresentação [XXI Encontro]: de 5 a 31 de março;
  3. Divulgação de propostas aprovadas para apresentação [XXI SOCINE]: 9 de junho;
  4. Período de pagamento das inscrições [XXI SOCINE]:
      • PRIMEIRO PRAZO: 3 a 13 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
      • SEGUNDO PRAZO: 14 a 24 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
      • TERCEIRO PRAZO: 25 de julho a 1 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00
  5. Chamada de candidaturas [Eleições da SOCINE]: 21 de agosto a 22 de setembro;
  6. Inscrição de ouvintes [XXI SOCINE]: a partir de 11 de setembro;
  7. Divulgação da programação [XXI SOCINE]: 19 de setembro;
  8. Divulgação das candidaturas homologadas [Eleições da SOCINE]: 29 de setembro;
  9. XXI Encontro SOCINE, na UFPB, em João Pessoa: de 17 a 20 de outubro;
  10. Eleições da SOCINE: 18 e 19 de outubro;
  11. Assembleia e posse da nova diretoria: 20 de outubro;
  12. Prazo de envio de trabalhos para os Anais de Textos Completos [XXI SOCINE]: a definir.