Ficha do Proponente

Proponente

    Mari Sugai (UFPB)

Minicurrículo

    Graduada em Cinema pela Fundação Armando Álvares Penteado (1998); Mestre pela Universidade de São Paulo – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas – Centro de Estudos Japoneses (2010); Doutoranda da Universidade Federal da Paraíba – Programa de Pós Graduação em Letras – Literatura, Cultura e Tradução. Docente na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (DECOM), e produtora em eventos culturais e projetos audiovisuais Cinema (curtas, médias e longas-metragens), Publicidade e TV.

Ficha do Trabalho

Título

    O “cinema de fluxo” de Seguindo em frente, de Hirokazu Koreeda

Resumo

    O termo ”cinema de fluxo” tem sido utilizado para caracterizar alguns filmes de distintas nacionalidades que possuem pontos em comum. Fazendo uso das teorias de Shuichi Kato, Gastón Bachelard, Emiliano F. Cunha e Luiz C. G. de O. Júnior, a respeito do “cinema de fluxo” e das modalidades de espaço e cotidiano; pretendemos verificar no presente trabalho, como o filme Seguindo em frente, apesar de não se enquadrar integralmente nessa tendência, apresenta aspectos pertencentes à estética do fluxo.

Resumo expandido

    No início do ano 2000, Stéphane Bouquet, crítico da Cahiers du Cinéma, criou o conceito de estética de fluxo para designar a tentativa de compreender o mínimo em comum presente em alguns filmes de diversas regiões e culturas, que apresentam semelhanças na produção de atmosferas com o intuito mais sensorial, valorizando o tempo e ações de pequenas percepções (CUNHA, 2014). A intenção seria explorar o poder do gestual, do cotidiano, dos afetos, despido de excessos e embebido de sentidos originados por outra ordem. De acordo com Emiliano Fischer Cunha (2014), estas obras oferecem uma nova forma sensorial de olhar o dia-a-dia, atenta à possibilidade de produção sensorial a partir dos gestos banais.
    A temática do cotidiano e presença da espacialidade são participantes em diversas obras audiovisuais produzidas atualmente. Alguns possuem o estilo narrativo integrante do “cinema de fluxo”, cuja definição, segundo Luiz Carlos Gonçalves de Oliveira Júnior (2010, p. 1), são “filmes que se apresentam como um fluxo esticado, contínuo, um escorrer de imagens no qual se abismam todos os instrumentos clássicos mantidos pela própria definição da mise-en-scène”. Ele possui, dentre outras características em comum às obras dos cineastas desta tendência, por exemplo, o fato de aceitarem ou se deixarem influenciar e se entregar aos acontecimentos do mundo, à sua natural desorganização, sem buscar manipular de modo rígido, os elementos presentes em uma filmagem (CARVALHO; REINALDO, 2012).
    Estabelece-se, portanto, através do “cinema de fluxo”, um outro modo de captar imagens do cotidiano e dos espaços (internos e externos), uma nova relação com o “real” cinematográfico. Porém, as imagens captadas por essa estética operam no âmbito de uma investigação sutil e em versão macro do cotidiano, como um “real em tom menor” (LOPES, 2007) de poética situada na esfera do comum e do ordinário, com ênfase no habitual, em que é possível identificar a intenção de direcionar a câmera para a contemplação do espaço e tempo fílmicos, em que a percepção habitual é suspensa (VIEIRA JÚNIOR, 2011). Encontra-se, portanto, com essa outra forma de produção fílmica, um estilo mais fluido, que permite uma relação distinta de tempo e espacialidade fílmica.
    Cremos que o cineasta Hirokazu Koreeda possa fazer parte desta tendência, pois tais quais as características citadas, seu trabalho apresenta pontos em comum com os já referidos, além de seus filmes contarem com enredos “simples”, do cotidiano de seus personagens, e que, em alguns momentos a câmera pousa em imagens que mostram uma “insignificância” das coisas, produzindo, conforme Oliveira Junior menciona em relação ao “cinema de fluxo”, “imagens que valem mais por suas modulações do que por seus significados” (2010, p. 92).
    Para este trabalho, o filme corpus de nossa investigação é Seguindo em frente (2008), de Koreeda, obra que retrata durante o período de um pouco mais de um dia, uma reunião familiar para recordar a morte do filho. Apesar do rigor visual apresentado pelos planos, que conta com takes fixos e sem movimento em quase a totalidade da película, existem sequências com silêncios entre os personagens, além de paisagens contemplativas em cenas internas (planos mortos) e externas.
    Para realizarmos a análise fílmica, para a abordagem do cotidiano familiar (e japonês) utilizaremos respectivamente Michel de Certeau (2014 e 2013) e Shuichi Kato (2012), além de Gaston Bachelard (2008) e Giuliana Bruno (2007) para a modalidade referente ao espaço. Sobre o “cinema de fluxo”, nos apoiaremos nas obras de Raiana Soraia de Carvalho e Gabriela Frota Reinaldo, Emiliano Fischer Cunha (2014) e, Luiz Carlos Gonçalves de Oliveira Júnior (2010).
    Seguindo em frente pode não ser um típico filme pertencente ao “cinema de fluxo”, como são os de Hou Hsiao Hsien, Jia Zhang-Ke, Claire Denis, Tsai Ming-Liang e outros; entretanto, mostra-se possível encontrar momentos e elementos que podem caracterizá-lo como tal.

Bibliografia

    BRUNO, G. Atlas of emotion. Journeys in art, architecture, and film. Londres: Verso, 2007.
    CARVALHO, R. S.; REINALDO, G. F. Cinema, fluxos e imersão: um olhar sobre os filmes Gerry e Last days. Disponível em: . Acesso em 07 abr. 2016.
    CERTEAU, M. A invenção do cotidiano 1-Artes de Fazer. Petrópolis: Ed. Vozes, 2014.
    CERTEAU, M; GIARD, L.; MAYOL, P. A invenção do cotidiano 2-Morar, cozinhar. Petrópolis: Ed. Vozes, 2013.
    CUNHA, E. F. Cinema de fluxo no Brasil: filmes que pensam o sensível. 171 f. PUCRS, Porto Alegre, 2014.
    KATO, S. Tempo e espaço na cultura japonesa. Trad.: Neide Nagae e Fernando Chamas. São Paulo: Estação Liberdade, 2012.
    OLIVEIRA JÚNIOR, L. C. G. O cinema de fluxo e a mise en scène. 2010. 162 f. Meios e Processos Audiovisuais-USP, São Paulo.
    SANTOS, F. H. R. Cinema de fluxo no âmbito contemporâneo. In: ANAIS DO SEMINÁRIO NACIONAL CINEMA EM PERSPECTIVA, Vol. 1, Curitiba: FAP, 2012.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2016.

 

Carta aberta ao Ministério da Educação e Ministério da Cultura

 

Assunto: Base Nacional Comum Curricular

 

 

A SOCINE (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) tem acompanhado os esforços de construção da Base Nacional Comum Curricular. Nosso comentário aqui irá se ater à especificidade de nossa área e sua relação com as propostas apresentadas na BNCC.

Dentro do texto preliminar do BNCC o componente curricular ARTE parte de uma grande área chamada linguagens. Dentro desta área as artes foram divididas em quatro grandes eixos: “artes visuais, dança, teatro e música”, conforme as licenciaturas específicas em arte, desconsiderando a Licenciatura em Cinema e Audiovisual (Resolução do CNE n. 10, de 27 de junho de 2006) e excluindo completamente o cinema como uma arte específica.

Foi essa subdivisão que nos trouxe uma primeira preocupação. Junto à todos esses subcomponentes da área de artes nos parece fundamental que esteja também o cinema. Esta atenção e necessidade não existe apenas porque trabalhamos e pesquisamos cinema e estamos atentos aos seus destinos, mas porque o cinema está intensamente presente na escola e na sociedade e, no momento da construção de uma base nacional para o currículo do ensino infantil, médio e fundamental as questões, contribuições e potencias do cinema na escola não podem ser excluídos.

Diversos componentes curriculares lançam mão de filmes de ficção, seriados, documentários para abordarem temas transversais e específicos de diferentes naturezas. O debate teórico que investigamos apontam para uma necessária vivência no âmbito escolar dos dispositivos cinematográficos desde a tenra idade seja para desenvolver a imaginação na Educação Infantil, na elaboração de cenários para o faz de conta, seja para a construção de identidade pessoal e cultural, seja pela singularidade da experiência sensível que o cinema possibilita.

Vale notar alguns fatos que sustentam nossa preocupação. Primeiramente o cinema é hoje obrigatório na escola. Graças à lei 13006/14, há uma obrigação de exibição de pelo menos duas horas de filmes brasileiros nas escolas. Esta lei, em vias de regulamentação, também exigirá que espaços físicos e materiais sejam garantidos nas escolas para sua efetivação, além da necessidade de uma real inclusão do cinema nas questões que tocam o currículo como um todo, transcendendo mesmo as linguagens específicas. Além de oferecer uma ampla versatilidade de conteúdo, a leitura de filmes e a própria produção audiovisual – inclusive com dispositivos móveis de comunicação – permite a professores e estudantes olhar para a realidade para descobri-la e inventá-la – gestos essenciais na produção de conhecimento.

Como bem é lembrado na proposta de BNC, “a formação em Arte acontece em licenciaturas específicas (artes visuais, dança, teatro e música)”, pois, também em licenciaturas de cinema. Embora talvez se presuma que “artes visuais” inclua de algum modo ao cinema, ele tem uma especificidade na formação do professor. Desde 2012 a Universidade Federal Fluminense possui uma licenciatura em cinema e a mobilização de outras universidade no mesmo caminho é evidente. Devemos ainda atentar à intensa contribuição que diversos programas de pós-graduação vêm dando às relações entre cinema e educação, algo que se evidência nos próprios encontros da sociedade que representamos, onde a cada ano temos diversos trabalhos e comunicações dedicados às relações do cinema com a educação.

Além da materialidade legal, de formação e de pesquisa que evidencia a íntima relação entre o cinema e a escola, a Rede Kino: Rede Latinoamericana de Educação, Cinema e Audiovisual, formada por professores e pesquisadores que trabalham na interface entre cinema e educação, vem mapeando projetos e iniciativas que se dedicam à essa interface, desde 2008. Projetos que acontecem em todo o país e que mobilizam centenas de escolas. Por fim, sabemos que o cinema é amplamente presente nas escolas por conta da contribuição que ele traz em tantas áreas, conteúdos e debates, da matemática às ciências, passando pelas histórias, geografias e humanidades em geral. Por todos esses motivos, pela intensa força pedagógica do cinema na escola, nos preocupa que no momento de construção de uma Base Curricular tão pouca atenção tenho sido dada ao cinema.

No nosso entender, a BNC deveria incluir um eixo Cinema e Audiovisual dentro do componente curricular artes, só assim garantiremos uma formação consistente em uma área decisiva da cultura contemporânea, além de uma experiência e uma habilidade em uma dimensão central das linguagens no mundo atual.

 

Atenciosamente

 

 

Cezar Migliorin

Presidente da SOCINE

  1. Prazo de pagamento da anuidade: de 1 a 24 de março; 
  2. Prazo de submissão de propostas de trabalhos para apresentação [XXI Encontro]: de 5 a 31 de março;
  3. Divulgação de propostas aprovadas para apresentação [XXI SOCINE]: 9 de junho;
  4. Período de pagamento das inscrições [XXI SOCINE]:
      • PRIMEIRO PRAZO: 3 a 13 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
      • SEGUNDO PRAZO: 14 a 24 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
      • TERCEIRO PRAZO: 25 de julho a 1 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00
  5. Chamada de candidaturas [Eleições da SOCINE]: 21 de agosto a 22 de setembro;
  6. Inscrição de ouvintes [XXI SOCINE]: a partir de 11 de setembro;
  7. Divulgação da programação [XXI SOCINE]: 19 de setembro;
  8. Divulgação das candidaturas homologadas [Eleições da SOCINE]: 29 de setembro;
  9. XXI Encontro SOCINE, na UFPB, em João Pessoa: de 17 a 20 de outubro;
  10. Eleições da SOCINE: 18 e 19 de outubro;
  11. Assembleia e posse da nova diretoria: 20 de outubro;
  12. Prazo de envio de trabalhos para os Anais de Textos Completos [XXI SOCINE]: a definir.