Ficha do Proponente

Proponente

    Luiz Otávio Vieira Pereira (UFJF)

Minicurrículo

    Mestrando em Comunicação pela Universidade Federal de Juiz de Fora. Possui graduação em Comunicação Social também pela UFJF (2007). Pós-graduado no curso de Especialização em Comunicação Empresarial, investigou na conclusão do programa a influência do marketing e da comunicação na Hollywood dos anos 196070. Possui experiência na área de Assessoria de Imprensa e, atualmente, pesquisa o audiovisual e a influência das bases tecnológicas na constituição da imagem cinematográfica.

Coautor

    Carlos Pernisa Júnior (UFJF)

Ficha do Trabalho

Título

    Dos cacos às migalhas: alternativas para a narrativa cinematográfica

Seminário

    Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos

Resumo

    O objetivo do estudo é o de realizar uma análise sobre as transformações da narrativa cinematográfica, sobretudo a partir da chegada da tecnologia digital, resultando em um hibridismo que democratiza o sistema de produção ao mesmo tempo em que valoriza novas formas de significação. O ensaio tem como recorte o movimento mumblecore nos EUA.

Resumo expandido

    Há mais de um século a narrativa cinematográfica atribui significados à experiência humana por meio de suportes específicos como o movimento de câmera, a composição de campo, a edição, a manipulação sonora, dentre outros recursos. No entanto, apesar de ser possível pensar a narrativa como uma linguagem própria dentro do cinema, é preciso também considerar sua construção de maneira flexível, tendo em vista que o fazer cinematográfico ainda é um campo em disputa.
    Essa questão da legitimidade cinematográfica fica clara ao se ponderar o diálogo contemporâneo entre cinema e vídeo, e a inquietação que a democratização tecnológica promove ao alimentar uma transferência de poder: cada vez mais, realizadores, sem qualquer tipo de experiência, deixam de lado o papel de meros consumidores para atuarem ativamente como atores no processo de produção de conteúdo.
    E, se por um lado, esse processo contribui para a fuga de uma narrativa tradicional hegemônica, como tão bem sedimentado pelo velho sistema de Hollywood, por outro, a fragmentação da informação, bem como a valorização de uma enunciação tão singular, provocam um ruído em uma competência até então indissociável do narrar: a capacidade de trocar experiências e de enxergar na história aspectos da imagem que projetamos para nós mesmos.
    Surgido no início do século XXI, entre as conversas de um grupo de amigos e as exibições de um festival de cinema independente, o movimento mumblecore nos EUA é sintomático desta realidade. Caracterizado, desde sua gênese, pelo domínio maquínico que democratiza e desonera a produção cinematográfica, o termo tem origem na expressão inglesa mumbling characters (gente que resmunga), em uma referência a precariedade da captação do áudio nas produções do cinema independente. No entanto, diante de um montante de filmes narrativamente tão desiguais, é, antes de qualquer coisa, um esforço arbitrário da imprensa norte-americana em classificar um movimento que tem se sustentado muito mais a partir da construção da imagem sobre bases tecnológicas do que propriamente em função de experimentações temáticas ou de gênero.
    Além do baixo orçamento e do predomínio do registro da imagem em mídia digital, o movimento é marcado também pelo improviso na construção das cenas, pela dissolução do conceito de autoria, por uma montagem fragmentada em mosaicos que dificilmente se totalizam, pelo uso de atores não-profissionais e por uma urgência temática que, na maioria das vezes, versa sobre um mundo em decomposição em que, de um lado a incomunicabilidade esfacela os relacionamentos pessoais, e de outro, as questões políticas e sociais passam a ser subjugadas pelos prazeres estéticos inaugurados pelas novas possibilidades tecnológicas.
    Nesse contexto, entendendo que o reconhecimento dessas pequenas histórias, outrora invisíveis, demandaria uma reconfiguração da narrativa cinematográfica, este estudo tem por objetivo apontar caminhos para o problema, seja por meio dos prazeres interativos, que dão liberdade à significação dos sujeitos, ou através da construção narrativa em múltiplos suportes midiáticos, permitindo assim a concepção de universos mais abrangentes e inteligíveis.

Bibliografia

    BENTES, Ivana. Vídeo e cinema: rupturas, reações e hibridismo. In: Arlindo Machado (org.). Made in Brasil: três décadas do vídeo brasileiro. São Paulo: Itaú Cultural, 2003.

    COUCHOT, Edmond. Da representação à simulação. In: André Parente (org.). Imagem máquina: a era das tecnologias do virtual. São Paulo: Editora 34, 1999.

    EDGAR-HUNT, Robert; MARLAND, John; RAWLE, Steven. A linguagem do cinema. Tradução: Francine Facchin Esteves. Porto Alegre: Bookman, 2013.

    HUYSSEN, Andreas. Culturas do passado-presente: modernismos, artes visuais, políticas da memória. Rio de Janeiro: Contraponto, 2014.

    JENKINS, Henry. Cultura de convergência. Tradução: Suzana Alexandria. São Paulo: Aleph, 2006.

    MOTTA, Luiz Gonzaga. Análise crítica da narrativa. Brasília: UnB, 2013.

    MURRAY, Janet H. Hamlet no holodeck: o futuro da narrativa no ciberespaço. Tradução: Elissa Khoury Daher, Marcelo Fernandez Cuzziol. São Paulo: Itaú Cultural: Unesp, 2003.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2016.

 

Carta aberta ao Ministério da Educação e Ministério da Cultura

 

Assunto: Base Nacional Comum Curricular

 

 

A SOCINE (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) tem acompanhado os esforços de construção da Base Nacional Comum Curricular. Nosso comentário aqui irá se ater à especificidade de nossa área e sua relação com as propostas apresentadas na BNCC.

Dentro do texto preliminar do BNCC o componente curricular ARTE parte de uma grande área chamada linguagens. Dentro desta área as artes foram divididas em quatro grandes eixos: “artes visuais, dança, teatro e música”, conforme as licenciaturas específicas em arte, desconsiderando a Licenciatura em Cinema e Audiovisual (Resolução do CNE n. 10, de 27 de junho de 2006) e excluindo completamente o cinema como uma arte específica.

Foi essa subdivisão que nos trouxe uma primeira preocupação. Junto à todos esses subcomponentes da área de artes nos parece fundamental que esteja também o cinema. Esta atenção e necessidade não existe apenas porque trabalhamos e pesquisamos cinema e estamos atentos aos seus destinos, mas porque o cinema está intensamente presente na escola e na sociedade e, no momento da construção de uma base nacional para o currículo do ensino infantil, médio e fundamental as questões, contribuições e potencias do cinema na escola não podem ser excluídos.

Diversos componentes curriculares lançam mão de filmes de ficção, seriados, documentários para abordarem temas transversais e específicos de diferentes naturezas. O debate teórico que investigamos apontam para uma necessária vivência no âmbito escolar dos dispositivos cinematográficos desde a tenra idade seja para desenvolver a imaginação na Educação Infantil, na elaboração de cenários para o faz de conta, seja para a construção de identidade pessoal e cultural, seja pela singularidade da experiência sensível que o cinema possibilita.

Vale notar alguns fatos que sustentam nossa preocupação. Primeiramente o cinema é hoje obrigatório na escola. Graças à lei 13006/14, há uma obrigação de exibição de pelo menos duas horas de filmes brasileiros nas escolas. Esta lei, em vias de regulamentação, também exigirá que espaços físicos e materiais sejam garantidos nas escolas para sua efetivação, além da necessidade de uma real inclusão do cinema nas questões que tocam o currículo como um todo, transcendendo mesmo as linguagens específicas. Além de oferecer uma ampla versatilidade de conteúdo, a leitura de filmes e a própria produção audiovisual – inclusive com dispositivos móveis de comunicação – permite a professores e estudantes olhar para a realidade para descobri-la e inventá-la – gestos essenciais na produção de conhecimento.

Como bem é lembrado na proposta de BNC, “a formação em Arte acontece em licenciaturas específicas (artes visuais, dança, teatro e música)”, pois, também em licenciaturas de cinema. Embora talvez se presuma que “artes visuais” inclua de algum modo ao cinema, ele tem uma especificidade na formação do professor. Desde 2012 a Universidade Federal Fluminense possui uma licenciatura em cinema e a mobilização de outras universidade no mesmo caminho é evidente. Devemos ainda atentar à intensa contribuição que diversos programas de pós-graduação vêm dando às relações entre cinema e educação, algo que se evidência nos próprios encontros da sociedade que representamos, onde a cada ano temos diversos trabalhos e comunicações dedicados às relações do cinema com a educação.

Além da materialidade legal, de formação e de pesquisa que evidencia a íntima relação entre o cinema e a escola, a Rede Kino: Rede Latinoamericana de Educação, Cinema e Audiovisual, formada por professores e pesquisadores que trabalham na interface entre cinema e educação, vem mapeando projetos e iniciativas que se dedicam à essa interface, desde 2008. Projetos que acontecem em todo o país e que mobilizam centenas de escolas. Por fim, sabemos que o cinema é amplamente presente nas escolas por conta da contribuição que ele traz em tantas áreas, conteúdos e debates, da matemática às ciências, passando pelas histórias, geografias e humanidades em geral. Por todos esses motivos, pela intensa força pedagógica do cinema na escola, nos preocupa que no momento de construção de uma Base Curricular tão pouca atenção tenho sido dada ao cinema.

No nosso entender, a BNC deveria incluir um eixo Cinema e Audiovisual dentro do componente curricular artes, só assim garantiremos uma formação consistente em uma área decisiva da cultura contemporânea, além de uma experiência e uma habilidade em uma dimensão central das linguagens no mundo atual.

 

Atenciosamente

 

 

Cezar Migliorin

Presidente da SOCINE

  1. Prazo de pagamento da anuidade: de 1 a 24 de março; 
  2. Prazo de submissão de propostas de trabalhos para apresentação [XXI Encontro]: de 5 a 31 de março;
  3. Divulgação de propostas aprovadas para apresentação [XXI SOCINE]: 9 de junho;
  4. Período de pagamento das inscrições [XXI SOCINE]:
      • PRIMEIRO PRAZO: 3 a 13 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
      • SEGUNDO PRAZO: 14 a 24 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
      • TERCEIRO PRAZO: 25 de julho a 1 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00
  5. Chamada de candidaturas [Eleições da SOCINE]: 21 de agosto a 22 de setembro;
  6. Inscrição de ouvintes [XXI SOCINE]: a partir de 11 de setembro;
  7. Divulgação da programação [XXI SOCINE]: 19 de setembro;
  8. Divulgação das candidaturas homologadas [Eleições da SOCINE]: 29 de setembro;
  9. XXI Encontro SOCINE, na UFPB, em João Pessoa: de 17 a 20 de outubro;
  10. Eleições da SOCINE: 18 e 19 de outubro;
  11. Assembleia e posse da nova diretoria: 20 de outubro;
  12. Prazo de envio de trabalhos para os Anais de Textos Completos [XXI SOCINE]: a definir.