Ficha do Proponente

Proponente

    Janete da Silva Oliveira (Uerj)

Minicurrículo

    Doutora pela PUC-RJ na área de Literatura, cultura e contemporaneidade e mestre em Comunicação pela Uerj. Atualmente é professora assistente do setor de Japonês do Instituto de Letras da Uerj. Tem experiência na área de Literatura e Lingua Japonesas, com ênfase nas representações literárias no cinema, televisão e teatro, atuando principalmente nos seguintes temas: comunicação, língua e culturas japonesa, interfaces português/japonês e comunicação intercultural.

Ficha do Trabalho

Título

    Diálogos entre cinema e literatura no Japão: o caso de Kanae Minato

Resumo

    Pretendemos analisar o filme adaptado da obra da escritora japonesa Kanae Minato, cujos livros têm passado para as telas de cinema com relativa frequência e sucesso. Essas obras apresentam uma arquitetura de medo que revela aspectos interessantes sobre a organização social japonesa contemporânea, principalmente em relação aos jovens. Para isso, planejamos analisar a produção japonesa de 2014, intitulada Shirayuki hime satsujin jiken (The Snow White Murder Case) dirigido por Yoshihiro Nakamura e baseado em livro homônimo. Discute, ao mesmo tempo, a influência do status social no relacionamento entre as pessoas e a questão da sociedade japonesa entre essência e aparência, questões essas que colocam em cheque, como outras produções do Japão e do ocidente, o quanto aparência e status podem mascarar uma identidade construída e pautada pela sociedade de consumo moderna na qual o “ser” parece ter cedido bastante do seu lugar para o “ter”.

Resumo expandido

    Noriko Miki, uma funcionária de uma empresa de cosméticos é esfaqueada até a morte e seu corpo é queimado, no meio da floresta. Esse incidente é o ponto crucial em torno do qual gira a trama da escritora japonesa que foi transformada em filme em 2014. A partir desse assassinato, a personagem Risako Kano, funcionária da mesma empresa, entra em contato com seu colega de escola, Yuji Akahoshi, funcionário de uma emissora de TV. Yuji então resolve ouvir os colegas de trabalho e descobrir quem era a vítima através desses depoimentos, o motivo do crime e, possivelmente, o criminoso. Descobre no processo, o nome de Miki Shirono, uma funcionária que desaparece no mesmo dia do crime e tinha sido vista correndo na direção da estação de trem naquela noite.
    Yuji, escreve sobre o crime em um chat e transforma Shirono em principal suspeita, e vamos acompanhando o desfile de conversas que vão desenhando linhas de identidade das personagens. Assim como no livro, dividido segundo as visões dos envolvidos com a vítima, o filme vai descrevendo quem era Noriko e Miki, utilizando como contraponto os ideogramas que compõe o nome das duas. A vítima, Noriko Miki tem como nome, os ideogramas de três árvores juntamente com o significado de “aquela que está sempre fazendo descobertas”, a suspeita , Miki Shirono, tem como nome os ideogramas que significariam “a princesa do castelo do campo” . Um ponto destacado no livro, como notamos no seguinte trecho: A mesma Miki, mas o ideograma do sobrenome de Noriko era escrito com o de três árvores e o do nome de Shirono era o de bela princesa. A imagem de ambas era oposta e, por ser ambíguo, todos chamavam Noriko Miki de Noriko e Miki Shirono de Shirono. (MINATO, 2014, p.12)
    Esse é o enredo da película dirigida por Yoshihiro Nakamura intitulado Shirayuki hime satsujin jiken (em inglês The Snow White Murder Case) inspirado no livro homônimo de Kanae Minato. O filme estrutura-se em como o suspense e medo podem servir com estratégias para pensar alguns dramas contemporâneos. Para o pensador polonês Zigmunt Bauman, existiriam três tipos básicos de medo: ameaça ao corpo ou propriedades (posses); ameaça à durabilidade da ordem social e à confiabilidade dela; ameaça ao lugar da pessoa no mundo (posição na hierarquia social, identidade, degradação e exclusão social). Kanae Minato, a autora do livro no qual o filme é baseado, trabalha com esse último em seus romances, expondo os medos da sociedade japonesa, que tem sido posta à prova com vários questionamentos na atualidade. O ambiente social japonês é caracterizado por um forte sentimento e espírito de coletividade, encontramos nele provérbios como: ”prego que sobressai é martelado” ou pensamentos como “não causar inconveniente aos outros”. Esses são denotadores de um forte sentimento de grupo e do desejo de manter a todo custo a harmonia do mesmo. E esse sentimento deriva diretamente do chamado espírito wa que se confundiria exatamente com o próprio “ser japonês”. Tal vocábulo está no dicionário japonês Daijisen como: “dar-se bem com, ambos preocuparem-se um com o outro, um relacionamento no qual há colaboração mútua” “algo harmonioso”. Um outro conceito, muito importante para o estabelecimento dessa harmonia para os japoneses, é o de honne e tatemae, no qual. honne seria a essência e tatemae, a aparência.
    Recorrendo a autores como Anthony Giddens, Muniz Sodré e Zigmunt Bauman, que refletem sobre as questões da identidade, consumo e redes de comunicação na contemporaneidade, tentaremos apresentar essa mesma temática em um filme de suspense policial que se utiliza da redes sociais em contraponto com “realidades líquidas”, as quais constróem uma realidade paralela e, mais do que a identidade do assassino, enfatizam a construção/desconstrução das identidades de suspeita/vítima em confronto com as tensões da sociedade nipônica contemporânea. Uma narrativa própria da sociedade japonesa em diál

Bibliografia

    BAUMAN, Zigmunt. Medo líquido. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editora, 2008.
    _________________. Vidas para consumo. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editora, 2008
    BARBOSA, Lívia; CAMPBELL, Colin. Cultura Consumo e identidade. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2006
    GIDDENS, Anthony. O mundo em descontrole: o que a globalização está fazendo de nós. Rio de Janeiro: Record, 2000.
    __________________.Modernidade e identidade.Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editora, 2002.
    GONDA, Manji. Gendai suiri shousetsuron. Tóquio: Daisan bunmeisha, 1985.
    MINATO, Kanae. Shirayuki hime satsujin jiken. Tóquio: Shūeisha bunko, 2014.
    NAPIER, Susan. The Fantastic in Modern Japanese Literature. Londres e Nova Yorque: Routledge, 1995.
    SODRÉ, Muniz. A ciência do comum: notas para o método comunicacional. Petrópolis: Editora Vozes, 2014.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2016.

 

Carta aberta ao Ministério da Educação e Ministério da Cultura

 

Assunto: Base Nacional Comum Curricular

 

 

A SOCINE (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) tem acompanhado os esforços de construção da Base Nacional Comum Curricular. Nosso comentário aqui irá se ater à especificidade de nossa área e sua relação com as propostas apresentadas na BNCC.

Dentro do texto preliminar do BNCC o componente curricular ARTE parte de uma grande área chamada linguagens. Dentro desta área as artes foram divididas em quatro grandes eixos: “artes visuais, dança, teatro e música”, conforme as licenciaturas específicas em arte, desconsiderando a Licenciatura em Cinema e Audiovisual (Resolução do CNE n. 10, de 27 de junho de 2006) e excluindo completamente o cinema como uma arte específica.

Foi essa subdivisão que nos trouxe uma primeira preocupação. Junto à todos esses subcomponentes da área de artes nos parece fundamental que esteja também o cinema. Esta atenção e necessidade não existe apenas porque trabalhamos e pesquisamos cinema e estamos atentos aos seus destinos, mas porque o cinema está intensamente presente na escola e na sociedade e, no momento da construção de uma base nacional para o currículo do ensino infantil, médio e fundamental as questões, contribuições e potencias do cinema na escola não podem ser excluídos.

Diversos componentes curriculares lançam mão de filmes de ficção, seriados, documentários para abordarem temas transversais e específicos de diferentes naturezas. O debate teórico que investigamos apontam para uma necessária vivência no âmbito escolar dos dispositivos cinematográficos desde a tenra idade seja para desenvolver a imaginação na Educação Infantil, na elaboração de cenários para o faz de conta, seja para a construção de identidade pessoal e cultural, seja pela singularidade da experiência sensível que o cinema possibilita.

Vale notar alguns fatos que sustentam nossa preocupação. Primeiramente o cinema é hoje obrigatório na escola. Graças à lei 13006/14, há uma obrigação de exibição de pelo menos duas horas de filmes brasileiros nas escolas. Esta lei, em vias de regulamentação, também exigirá que espaços físicos e materiais sejam garantidos nas escolas para sua efetivação, além da necessidade de uma real inclusão do cinema nas questões que tocam o currículo como um todo, transcendendo mesmo as linguagens específicas. Além de oferecer uma ampla versatilidade de conteúdo, a leitura de filmes e a própria produção audiovisual – inclusive com dispositivos móveis de comunicação – permite a professores e estudantes olhar para a realidade para descobri-la e inventá-la – gestos essenciais na produção de conhecimento.

Como bem é lembrado na proposta de BNC, “a formação em Arte acontece em licenciaturas específicas (artes visuais, dança, teatro e música)”, pois, também em licenciaturas de cinema. Embora talvez se presuma que “artes visuais” inclua de algum modo ao cinema, ele tem uma especificidade na formação do professor. Desde 2012 a Universidade Federal Fluminense possui uma licenciatura em cinema e a mobilização de outras universidade no mesmo caminho é evidente. Devemos ainda atentar à intensa contribuição que diversos programas de pós-graduação vêm dando às relações entre cinema e educação, algo que se evidência nos próprios encontros da sociedade que representamos, onde a cada ano temos diversos trabalhos e comunicações dedicados às relações do cinema com a educação.

Além da materialidade legal, de formação e de pesquisa que evidencia a íntima relação entre o cinema e a escola, a Rede Kino: Rede Latinoamericana de Educação, Cinema e Audiovisual, formada por professores e pesquisadores que trabalham na interface entre cinema e educação, vem mapeando projetos e iniciativas que se dedicam à essa interface, desde 2008. Projetos que acontecem em todo o país e que mobilizam centenas de escolas. Por fim, sabemos que o cinema é amplamente presente nas escolas por conta da contribuição que ele traz em tantas áreas, conteúdos e debates, da matemática às ciências, passando pelas histórias, geografias e humanidades em geral. Por todos esses motivos, pela intensa força pedagógica do cinema na escola, nos preocupa que no momento de construção de uma Base Curricular tão pouca atenção tenho sido dada ao cinema.

No nosso entender, a BNC deveria incluir um eixo Cinema e Audiovisual dentro do componente curricular artes, só assim garantiremos uma formação consistente em uma área decisiva da cultura contemporânea, além de uma experiência e uma habilidade em uma dimensão central das linguagens no mundo atual.

 

Atenciosamente

 

 

Cezar Migliorin

Presidente da SOCINE

  1. Prazo de pagamento da anuidade: de 1 a 24 de março; 
  2. Prazo de submissão de propostas de trabalhos para apresentação [XXI Encontro]: de 5 a 31 de março;
  3. Divulgação de propostas aprovadas para apresentação [XXI SOCINE]: 9 de junho;
  4. Período de pagamento das inscrições [XXI SOCINE]:
      • PRIMEIRO PRAZO: 3 a 13 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
      • SEGUNDO PRAZO: 14 a 24 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
      • TERCEIRO PRAZO: 25 de julho a 1 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00
  5. Chamada de candidaturas [Eleições da SOCINE]: 21 de agosto a 22 de setembro;
  6. Inscrição de ouvintes [XXI SOCINE]: a partir de 11 de setembro;
  7. Divulgação da programação [XXI SOCINE]: 19 de setembro;
  8. Divulgação das candidaturas homologadas [Eleições da SOCINE]: 29 de setembro;
  9. XXI Encontro SOCINE, na UFPB, em João Pessoa: de 17 a 20 de outubro;
  10. Eleições da SOCINE: 18 e 19 de outubro;
  11. Assembleia e posse da nova diretoria: 20 de outubro;
  12. Prazo de envio de trabalhos para os Anais de Textos Completos [XXI SOCINE]: a definir.