Ficha do Proponente

Proponente

    Theo Costa Duarte (USP)

Minicurrículo

    Doutorando do Programa de Meios e Processos Audiovisuais da ECA/USP com pesquisa sobre as relações entre cinema experimental e artes visuais. Defendeu o mestrado no Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFF com a dissertação “Marcas do experimental no cinema: um estudo sobre Câncer”. Graduado em Comunicação Social pela UFMG, foi programador do Cine Humberto Mauro (2010-2011) em Belo Horizonte.

Ficha do Trabalho

Título

    Lágrima Pantera (Fragmento): entre cinema e quase-cinema

Seminário

    Interseções Cinema e Arte

Resumo

    Pretende-se apresentar os resultados da análise do filme Lágrima Pantera, a míssil, de Júlio Bressane, filmado em 1971 na cidade de Nova York e remontado pelo diretor em 2006. O foco da análise, que faz parte de uma investigação mais ampla sobre a aproximação entre os parâmetros das artes visuais e dos cinemas experimentais ao fim dos anos 1960 e início dos 1970, estará nos modos como o realizador buscou transcriar elementos dos primeiros filmes em Super-8 de Hélio Oiticica.

Resumo expandido

    Ao fim dos anos 1960 e início dos 1970 encontra-se um dos últimos períodos em que os cinemas experimentais estabeleceram fecundo diálogo com as artes visuais tendo ainda em vista a exibição e circulação dos filmes em cinema. Neste mesmo período via-se a ascensão da chamada videoarte e de outros esforços audiovisuais direcionados para exibição em demais espaços.
    No Brasil, em obras do que ficou conhecido como “cinema marginal”, encontra-se algumas dessas aproximações com questões provindas da vanguarda das artes visuais. Alguns desses filmes dialogaram com conceitos e proposições até então incomuns no cinema nacional, provenientes de práticas experimentais do cinema e das artes visuais. Pode-se apontar para certas propostas compartilhadas, tais como: o interesse por formas que exigiriam uma participação ativa dos espectadores, seja pela interpelação, agressão e participação, buscando-se romper com uma possível relação contemplativa; o elogio do “amador”, da informalidade e de práticas, técnicas e suportes anti-industriais que possibilitavam a experimentação e maior aproximação com o acaso; a abertura para colaborações e para a criação coletiva; a proeminência de uma dinâmica processual na composição; a atenção e incentivo ao gesto e as performances dos corpos.
    “Lágrima Pantera”, de Júlio Bressane, se insere nesse contexto e compartilha de parte considerável das caraterísticas acima relacionadas. Filmado no exílio do diretor em 1971 o filme foi montado no ano seguinte e perdido; resta um fragmento remontado pelo próprio diretor em 2006.
    Bressane ambicionava com “Lágrima Pantera” mimetizar os filmes Super-8 de Hélio Oiticica. Interessava-lhe a aproximação selvagem do artista com a forma cinema, semi-amadora, com uma sensibilidade artística distinta da profissional. Como descreve:
    “Ele me mostrou uma porção de filmes em super-8 que eu achei espetaculares justamente porque estava buscando uma coisa que eu também buscava, o cinema fora do cinema. E ali eu tinha achado uma pessoa que estava buscando fazer um cinema, estava buscando se aproximar do que era imagem em movimento e foi com isso que eu fiquei fascinado. Então eu fiz um filme parodiando e imitando o processo dessa natureza: se aproximar de uma coisa que para você é muito conhecida, e ir justamente até a dobra onde ela é desconhecida. O “Lágrima Pantera” é uma impressão dessa impressão do que eu senti do Hélio buscando uma imagem. (…) “Lágrima Pantera” é isso, eu fiz em cima dessa conversa e dessa minha visão desses filmes super-8 experimentais do Hélio, que mais tarde chamou-se de quase-cinema.” (2002:18)
    Como no restante de sua obra Bressane buscava transpor o método e alguns procedimentos estilísticos de outros meios artísticos; tratava-se de “buscar homologias no plano do método construtivo” (Xavier, 2006:17). Nesse filme a busca voltaria aos traços de invenção desse novo campo de experiência artística que então interessava Oiticica, misto de cinema experimental, artes visuais, performance e cinema amador que apenas futuramente nomearia como quase-cinema.
    Nessa aproximação encontra-se uma das razões para a fragmentação de “Lágrima Pantera”. Segundo Bressane o material filmado “não era para ser montado de maneira alguma, era como um super-8, feito em 16mm. […] Era como um super-8, era uma imagem atrás da outra” (2002:18). Em comum com a prática do cinema amador e com os primeiros experimentos cinematográficos do artista nesse formato, “Lágrima Pantera” se constituía de planos descontínuos, não se articulando em função de elaboração de uma intriga, do desenvolvimento de personagens etc. Apesar de ser característica da obra bressaneana a estrutura paratática, a tendência à fragmentação e ao amadorismo é radicalizada em “Lágrima Pantera”. De modo semelhante aos filmes de Oiticica o filme se apresenta como um processo não acabado, em que prevalece o caráter espontâneo da criação, no limiar entre cinema e outros meios como a fotografia e o filme de família.

Bibliografia

    Basualdo, Carlos. (org). Hélio Oiticica: Quasi-cinemas. Kolnischer Kunstverein, New Museum of Contemporary Art, The Ohio State University, 2001.
    Bressane, Julio. Alguns. Rio de Janeiro: Imago, 1996.
    Bressane, Julio. “Julio Bressane: trajetória”. In: Gardnier, Ruy (org.) Julio Bressane Cinema Inocente. Rio de Janeiro: CCBB/RJ, 2002. pp. 9-29.
    Favaretto, Celso. A invenção de Hélio Oiticica. São Paulo: Edusp, 1992.
    Machado Jr., Rubens. Agrippina é Roma-Manhattan, um quase-filme de Oiticica. In: Alves, Cauê (org.) Oiticica: a pureza é um mito. São Paulo: Itaú Cultural, 2010. pp.18-23.
    Oiticica, César. (org.). Museu é o mundo. Rio de Janeiro: Azougue, 2011.
    Xavier, Ismail. Alegorias do subdesenvolvimento. São Paulo: Brasiliense, 1993.
    Xavier, Ismail. “Roteiro de Júlio Bressane: apresentação de uma poética”. In: Alceu, v. 6, n. 12. São Paulo, jan. jun. 2006. pp. 5-26.
    Vorobow, Bernardo; Adriano, Carlos (orgs.). Cinepoética: Júlio Bressane. São Paulo: Massao Ohno, 1995.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2016.

 

Carta aberta ao Ministério da Educação e Ministério da Cultura

 

Assunto: Base Nacional Comum Curricular

 

 

A SOCINE (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) tem acompanhado os esforços de construção da Base Nacional Comum Curricular. Nosso comentário aqui irá se ater à especificidade de nossa área e sua relação com as propostas apresentadas na BNCC.

Dentro do texto preliminar do BNCC o componente curricular ARTE parte de uma grande área chamada linguagens. Dentro desta área as artes foram divididas em quatro grandes eixos: “artes visuais, dança, teatro e música”, conforme as licenciaturas específicas em arte, desconsiderando a Licenciatura em Cinema e Audiovisual (Resolução do CNE n. 10, de 27 de junho de 2006) e excluindo completamente o cinema como uma arte específica.

Foi essa subdivisão que nos trouxe uma primeira preocupação. Junto à todos esses subcomponentes da área de artes nos parece fundamental que esteja também o cinema. Esta atenção e necessidade não existe apenas porque trabalhamos e pesquisamos cinema e estamos atentos aos seus destinos, mas porque o cinema está intensamente presente na escola e na sociedade e, no momento da construção de uma base nacional para o currículo do ensino infantil, médio e fundamental as questões, contribuições e potencias do cinema na escola não podem ser excluídos.

Diversos componentes curriculares lançam mão de filmes de ficção, seriados, documentários para abordarem temas transversais e específicos de diferentes naturezas. O debate teórico que investigamos apontam para uma necessária vivência no âmbito escolar dos dispositivos cinematográficos desde a tenra idade seja para desenvolver a imaginação na Educação Infantil, na elaboração de cenários para o faz de conta, seja para a construção de identidade pessoal e cultural, seja pela singularidade da experiência sensível que o cinema possibilita.

Vale notar alguns fatos que sustentam nossa preocupação. Primeiramente o cinema é hoje obrigatório na escola. Graças à lei 13006/14, há uma obrigação de exibição de pelo menos duas horas de filmes brasileiros nas escolas. Esta lei, em vias de regulamentação, também exigirá que espaços físicos e materiais sejam garantidos nas escolas para sua efetivação, além da necessidade de uma real inclusão do cinema nas questões que tocam o currículo como um todo, transcendendo mesmo as linguagens específicas. Além de oferecer uma ampla versatilidade de conteúdo, a leitura de filmes e a própria produção audiovisual – inclusive com dispositivos móveis de comunicação – permite a professores e estudantes olhar para a realidade para descobri-la e inventá-la – gestos essenciais na produção de conhecimento.

Como bem é lembrado na proposta de BNC, “a formação em Arte acontece em licenciaturas específicas (artes visuais, dança, teatro e música)”, pois, também em licenciaturas de cinema. Embora talvez se presuma que “artes visuais” inclua de algum modo ao cinema, ele tem uma especificidade na formação do professor. Desde 2012 a Universidade Federal Fluminense possui uma licenciatura em cinema e a mobilização de outras universidade no mesmo caminho é evidente. Devemos ainda atentar à intensa contribuição que diversos programas de pós-graduação vêm dando às relações entre cinema e educação, algo que se evidência nos próprios encontros da sociedade que representamos, onde a cada ano temos diversos trabalhos e comunicações dedicados às relações do cinema com a educação.

Além da materialidade legal, de formação e de pesquisa que evidencia a íntima relação entre o cinema e a escola, a Rede Kino: Rede Latinoamericana de Educação, Cinema e Audiovisual, formada por professores e pesquisadores que trabalham na interface entre cinema e educação, vem mapeando projetos e iniciativas que se dedicam à essa interface, desde 2008. Projetos que acontecem em todo o país e que mobilizam centenas de escolas. Por fim, sabemos que o cinema é amplamente presente nas escolas por conta da contribuição que ele traz em tantas áreas, conteúdos e debates, da matemática às ciências, passando pelas histórias, geografias e humanidades em geral. Por todos esses motivos, pela intensa força pedagógica do cinema na escola, nos preocupa que no momento de construção de uma Base Curricular tão pouca atenção tenho sido dada ao cinema.

No nosso entender, a BNC deveria incluir um eixo Cinema e Audiovisual dentro do componente curricular artes, só assim garantiremos uma formação consistente em uma área decisiva da cultura contemporânea, além de uma experiência e uma habilidade em uma dimensão central das linguagens no mundo atual.

 

Atenciosamente

 

 

Cezar Migliorin

Presidente da SOCINE

  1. Prazo de pagamento da anuidade: de 1 a 24 de março; 
  2. Prazo de submissão de propostas de trabalhos para apresentação [XXI Encontro]: de 5 a 31 de março;
  3. Divulgação de propostas aprovadas para apresentação [XXI SOCINE]: 9 de junho;
  4. Período de pagamento das inscrições [XXI SOCINE]:
      • PRIMEIRO PRAZO: 3 a 13 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
      • SEGUNDO PRAZO: 14 a 24 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
      • TERCEIRO PRAZO: 25 de julho a 1 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00
  5. Chamada de candidaturas [Eleições da SOCINE]: 21 de agosto a 22 de setembro;
  6. Inscrição de ouvintes [XXI SOCINE]: a partir de 11 de setembro;
  7. Divulgação da programação [XXI SOCINE]: 19 de setembro;
  8. Divulgação das candidaturas homologadas [Eleições da SOCINE]: 29 de setembro;
  9. XXI Encontro SOCINE, na UFPB, em João Pessoa: de 17 a 20 de outubro;
  10. Eleições da SOCINE: 18 e 19 de outubro;
  11. Assembleia e posse da nova diretoria: 20 de outubro;
  12. Prazo de envio de trabalhos para os Anais de Textos Completos [XXI SOCINE]: a definir.