Ficha do Proponente

Proponente

    Estevão de Pinho Garcia (USP / IFG)

Minicurrículo

    Doutorando em Meios e Processos Audiovisuais pela Escola de Comunicações e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP). Professor do Bacharelado em Cinema e Audiovisual e do Curso Técnico Integrado em Áudio e Vídeo do Instituto Federal de Goiás (IFG). Mestre em Estudos Cinematográficos pela Universidade de Guadalajara (UdG), México. Graduado em Cinema pela Universidade Federal Fluminense (UFF).

Ficha do Trabalho

Título

    Frantz Fanon e o cinema latino-americano moderno pós-1968

Seminário

    Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais

Resumo

    Quando se destaca a contribuição do pensamento de Frantz Fanon e, principalmente, de sua obra Os condenados da terra, ao cinema latino-americano moderno, logo pensamos nos cineastas envolvidos pela esfera do Nuevo Cine Latinoamericano. De fato, é bem nítida a influência de Fanon nos manifestos A estética da fome, de Glauber Rocha e Hacia un tercer cine, de Fernando Solanas e Octávio Getino. Assim como é clara a sintonia ao autor antilhano nos filmes desses realizadores diretamente vinculados a e

Resumo expandido

    Quando se destaca a contribuição do pensamento de Frantz Fanon e, principalmente, de sua obra Os condenados da terra, ao cinema latino-americano moderno, logo pensamos nos cineastas que giram em torno da órbita do Nuevo Cine Latinoamericano (NCL). De fato, é possível perceber a influência de Fanon nos manifestos A estética da fome, de Glauber Rocha e Hacia un Tercer Cine, de Fernando Solanas e Octávio Getino. Assim como também é clara a sintonia ao autor antilhano nos filmes desses realizadores diretamente vinculados a esses manifestos: Terra em transe (1967) e La hora de los Hornos (1966-1968). No entanto, o que não foi percebido como tão evidente é a conexão entre as ideias expostas em Os condenados da terra e a produção fílmica de um outro cinema latino-americano moderno, ignorado pela crítica do período.
    Os cineastas desse outro cinema moderno iniciaram-se no cinema após o emblemático ano de 1968 e foram chamados de “marginais” no Brasil e de “subterrâneos” na Argentina. Classificados como experimentais, vanguardistas ou contraculturais não foram posicionados pela crítica no mesmo patamar dos cineastas carimbados como pertencentes ao NCL. Deste modo, é importante verificar os conceitos de “política” e de “cinema político” utilizado por essa crítica para então sim questionar a sua operacionalidade no que tange a abordagem do cinema latino-americano moderno surgido após 1968. O simples fato de não considerar esses novos cineastas e seus filmes como políticos já denuncia a associação a paradigmas reconhecidos como ultrapassados já no final dos anos 1960.
    Tais paradigmas identificavam como politico apenas o cinema que aposta na comunicabilidade direta com o espectador, que enuncia o seu discurso de forma clara e didática e que apresenta como fim último convencer o seu interlocutor. Não por acaso o filme aclamado pela crítica latino-americana e europeia simpática ao NCL foi o La hora de los hornos. No final dos anos 1960 o Cinema Novo já não era mais a coqueluche dos festivais internacionais como tinha sido no início da década. A preferência da crítica estava agora em um cinema abertamente de agitação e assumidamente militante. Em outras palavras: no cinema de intervenção política cujo grande paradigma era o filme de Solanas e Getino.
    Se o verdadeiro cinema político era o cinema de intervenção política podemos supor como essa crítica enxergava os “marginais” brasileiros ou os “subterrâneos” argentinos. Na verdade, na maioria das vezes, tais críticos sequer sabiam da existência desses cineastas. De qualquer forma, caso conhecessem ou tivessem travado contato com os seus filmes, sem sombra de dúvida os classificariam como diametralmente opostos aos do “cinema político”. Assim, hoje, com o distanciamento histórico necessário podemos nos perguntar: esses filmes são realmente opostos entre si? Além da visível ruptura entre os filmes modernos pós e pré 1968 também não poderia ser detectada uma possível continuidade ou um latente traço em comum?
    Um desses elos entre os “vanguardistas” do pós-1968 e os “comprometidos” da velha esquerda é justamente Frantz Fanon. O psiquiatra e pensador antilhano e o seu emblemático Os condenados da terra construíram, juntamente com outros autores e obras, uma espécie de moldura do período. A dicotomia criada pelo autor, que divide o mundo em duas categorias: a do colonizador e a do colonizado, obteve uma ressonância fora do comum. Em filmes como Cuidado madame (Júlio Bressane, 1970), Copacabana mon amour (Rogério Sganzerla, 1970) e Alianza para el progreso (Julio Ludueña, 1971) observamos a existência de um universo maniqueísta intensamente violento em que se situam em lados contrários exploradores e explorados. A violência extrema presente nesses filmes, além de apresentar uma raiz vanguardista sedimentada pela estética do choque, também possui uma matriz fanoniana.

Bibliografia

    GARCIA, Estevão. Esa es violenta: las películas de Júlio Bressane hechas en la productora Belair in VILLARROEL, Mónica (Org.) Memorias y representaciones en el Cine Chileno y Latinoamericano. Santiago de Chile: Lom Ediciones / Fundación Cultural Palacio La Moneda, 2016.
    FANON, Frantz. Os condenados da terra. Juiz de Fora: Ed. UFJF, 2005.
    LUDUEÑA, Julio. La ficción de la ficción es la realidad, Hablemos de cine n.65, Lima: 1973.
    MESTMAN, Mariano. (Org.). Las rupturas del 68 en el cine de América Latina: contracultura, experimentación y política. Buenos Aires: Akal, 2016.
    SGANZERLA, Rogério. Projeto Rogério Sganzerla. IGNEZ, Helena; DRUMOND, Mario (Orgs.). Joinville: Letra d’água, 2005.
    WOLKOWIKS, Paula. Escenas del under porteño. Experimentación y vanguardia en el cine argentino de los años 60 y 70 in TORRES, Alejandra; GARAVELLI, Clara (Orgs.). Poéticas del movimiento. Aproximaciones al cine y video experimental argentino. Buenos Aires: Libraria, 2015.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2016.

 

Carta aberta ao Ministério da Educação e Ministério da Cultura

 

Assunto: Base Nacional Comum Curricular

 

 

A SOCINE (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) tem acompanhado os esforços de construção da Base Nacional Comum Curricular. Nosso comentário aqui irá se ater à especificidade de nossa área e sua relação com as propostas apresentadas na BNCC.

Dentro do texto preliminar do BNCC o componente curricular ARTE parte de uma grande área chamada linguagens. Dentro desta área as artes foram divididas em quatro grandes eixos: “artes visuais, dança, teatro e música”, conforme as licenciaturas específicas em arte, desconsiderando a Licenciatura em Cinema e Audiovisual (Resolução do CNE n. 10, de 27 de junho de 2006) e excluindo completamente o cinema como uma arte específica.

Foi essa subdivisão que nos trouxe uma primeira preocupação. Junto à todos esses subcomponentes da área de artes nos parece fundamental que esteja também o cinema. Esta atenção e necessidade não existe apenas porque trabalhamos e pesquisamos cinema e estamos atentos aos seus destinos, mas porque o cinema está intensamente presente na escola e na sociedade e, no momento da construção de uma base nacional para o currículo do ensino infantil, médio e fundamental as questões, contribuições e potencias do cinema na escola não podem ser excluídos.

Diversos componentes curriculares lançam mão de filmes de ficção, seriados, documentários para abordarem temas transversais e específicos de diferentes naturezas. O debate teórico que investigamos apontam para uma necessária vivência no âmbito escolar dos dispositivos cinematográficos desde a tenra idade seja para desenvolver a imaginação na Educação Infantil, na elaboração de cenários para o faz de conta, seja para a construção de identidade pessoal e cultural, seja pela singularidade da experiência sensível que o cinema possibilita.

Vale notar alguns fatos que sustentam nossa preocupação. Primeiramente o cinema é hoje obrigatório na escola. Graças à lei 13006/14, há uma obrigação de exibição de pelo menos duas horas de filmes brasileiros nas escolas. Esta lei, em vias de regulamentação, também exigirá que espaços físicos e materiais sejam garantidos nas escolas para sua efetivação, além da necessidade de uma real inclusão do cinema nas questões que tocam o currículo como um todo, transcendendo mesmo as linguagens específicas. Além de oferecer uma ampla versatilidade de conteúdo, a leitura de filmes e a própria produção audiovisual – inclusive com dispositivos móveis de comunicação – permite a professores e estudantes olhar para a realidade para descobri-la e inventá-la – gestos essenciais na produção de conhecimento.

Como bem é lembrado na proposta de BNC, “a formação em Arte acontece em licenciaturas específicas (artes visuais, dança, teatro e música)”, pois, também em licenciaturas de cinema. Embora talvez se presuma que “artes visuais” inclua de algum modo ao cinema, ele tem uma especificidade na formação do professor. Desde 2012 a Universidade Federal Fluminense possui uma licenciatura em cinema e a mobilização de outras universidade no mesmo caminho é evidente. Devemos ainda atentar à intensa contribuição que diversos programas de pós-graduação vêm dando às relações entre cinema e educação, algo que se evidência nos próprios encontros da sociedade que representamos, onde a cada ano temos diversos trabalhos e comunicações dedicados às relações do cinema com a educação.

Além da materialidade legal, de formação e de pesquisa que evidencia a íntima relação entre o cinema e a escola, a Rede Kino: Rede Latinoamericana de Educação, Cinema e Audiovisual, formada por professores e pesquisadores que trabalham na interface entre cinema e educação, vem mapeando projetos e iniciativas que se dedicam à essa interface, desde 2008. Projetos que acontecem em todo o país e que mobilizam centenas de escolas. Por fim, sabemos que o cinema é amplamente presente nas escolas por conta da contribuição que ele traz em tantas áreas, conteúdos e debates, da matemática às ciências, passando pelas histórias, geografias e humanidades em geral. Por todos esses motivos, pela intensa força pedagógica do cinema na escola, nos preocupa que no momento de construção de uma Base Curricular tão pouca atenção tenho sido dada ao cinema.

No nosso entender, a BNC deveria incluir um eixo Cinema e Audiovisual dentro do componente curricular artes, só assim garantiremos uma formação consistente em uma área decisiva da cultura contemporânea, além de uma experiência e uma habilidade em uma dimensão central das linguagens no mundo atual.

 

Atenciosamente

 

 

Cezar Migliorin

Presidente da SOCINE

  1. Prazo de pagamento da anuidade: de 1 a 24 de março; 
  2. Prazo de submissão de propostas de trabalhos para apresentação [XXI Encontro]: de 5 a 31 de março;
  3. Divulgação de propostas aprovadas para apresentação [XXI SOCINE]: 9 de junho;
  4. Período de pagamento das inscrições [XXI SOCINE]:
      • PRIMEIRO PRAZO: 3 a 13 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
      • SEGUNDO PRAZO: 14 a 24 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
      • TERCEIRO PRAZO: 25 de julho a 1 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00
  5. Chamada de candidaturas [Eleições da SOCINE]: 21 de agosto a 22 de setembro;
  6. Inscrição de ouvintes [XXI SOCINE]: a partir de 11 de setembro;
  7. Divulgação da programação [XXI SOCINE]: 19 de setembro;
  8. Divulgação das candidaturas homologadas [Eleições da SOCINE]: 29 de setembro;
  9. XXI Encontro SOCINE, na UFPB, em João Pessoa: de 17 a 20 de outubro;
  10. Eleições da SOCINE: 18 e 19 de outubro;
  11. Assembleia e posse da nova diretoria: 20 de outubro;
  12. Prazo de envio de trabalhos para os Anais de Textos Completos [XXI SOCINE]: a definir.