Ficha do Proponente

Proponente

    Dieison Marconi (UFRGS)

Minicurrículo

    Jornalista e Mestre em Ciências da Comunicação pelo Programa de Pós-graduação em Comunicação da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Doutorando no Programa de Pós-graduação em Comunicação e Informação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Integrante do Grupo de Pesquisa Processos Audiovisuais. (PROAv-UFRGS). Dedica-se aos estudos da cultura audiovisual e seus modos de produção das diferenças de gênero, corpo e sexualidades.

Ficha do Trabalho

Título

    Por um gênero narrativo queer no cinema brasileiro

Seminário

    Cinema Queer e Feminista

Resumo

    Este trabalho reflete sobre a cultura queer no cinema nacional. Sabe-se que o Brasil possui experiências de filmes queer, no entanto, o que ainda persiste é a necessidade de investigar se estas experiências permitem afirmar que há, de fato, um gênero narrativo queer no cinema brasileiro da pós-retomada. Para problematizar este cenário, apresentamos uma cartografia de cineastas LGBT que demonstram, desde o início deste século, uma produção contínua de filmes que tratam das diferenças de gênero, c

Resumo expandido

    O presente trabalho faz parte da atual pesquisa de doutoramento que desenvolvo no Programa de Pós-graduação em Comunicação e Informação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Nos últimos anos, as pesquisas que desenvolvi buscaram alargar a compreensão da cultura audiovisual brasileira e seus modos de produção das diferenças de gênero, corpo e sexualidades. Em minha dissertação de mestrado, por exemplo, busquei compreender as representações das personagens LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais) nos documentários da pós-retomada produzidos na região Sul do Brasil, entre 2000 e 2014. Com isso, também busquei investigar em que medida estes documentários do Sul se aproximavam de uma narrativa queer. Naquele momento, uma das perguntas centrais foi: quais seriam e como seriam as experiências de um documentário queer no Sul do Brasil?
    Mapeados todos os documentários com personagens LGBT dos últimos quatorze anos e, após uma análise dos filmes gerados no “pico de produção da década” (2008/2011), ficou evidente que todos eles estavam comprometidos em representar estes sujeitos abjetos de modo alternativo às representações que os excluem de uma “humanidade possível”. No entanto, muitos desses filmes se valeram de uma representação de cunho militante identitário e recaíram na representação essencialista e higienizada. Por outro lado, foi sim possível identificar experiências de documentários queer. Isto é, aqueles filmes que apostaram em uma estética homo pomo, de resistência, de contraprodução e de contradisciplina sexual/cinematográfica.
    Mas apesar dos objetivos iniciais terem sido alcançados, ao final do trabalho ficou clara a necessidade de investigar se o cinema queer no Brasil existe apenas enquanto produtos fílmicos dispersos ou, então, se existe enquanto um gênero narrativo queer (Altman, 2000). A pergunta que está sendo feita agora (em minha tese de Doutorado) não é se existem experiências de filmes queer no Brasil, mas sim em que medida estas experiências são suficientes para afirmar que existe, de fato, um cinema queer Brasileiro. Quando falamos em Cinema Novo no Brasil, por exemplo, sabemos que este teve a influência de movimentos cinematográficos europeus, como a Novele Vague francesa e o Neorrealismo italiano. Mas e o cinema queer no Brasil? O New queer cinema estadunidense dos anos 1990 influenciou em um cinema queer brasileiro? Quais foram e quais são os nossos realizadores queer? Como eles tem trabalhado não apenas a estética das diferenças sexuais, mas também uma estética das diferenças culturais? A partir de qual momento esses filmes se constituem enquanto um gênero narrativo? Foi a partir da pós-retomada no cinema nacional, como reflete Garcia (2012)? Já Bessa (2014), inspirada em Rich (2013), argumenta que foi o barateamento da produção cinematográfica, o contexto do HIV/AIDS e as disputas por representação que impulsionou um cinema queer no país.
    Problematiza-se, então, que não é mais suficiente estudar os filmes queer que o país produz, ainda mais partindo da ideia de que teríamos uma base histórica/conceitual já resolvida. Fazer isso é reforçar a velha geopolítica do conhecimento: eles produzem e nós aplicamos as teorias. Mas não se trata, também, de afirmar uma receita exata e fechada para qualificar o que seria o cinema queer no Brasil, pois isso é colocar-se contra as proposições dos estudos/movimentos queer. Ainda assim, é preciso enfrentar tudo isso sem deixar de levar em conta que a ideia de gênero narrativo também não pode, de modo algum, ser essencializada. A partir de uma cartografia de realizadores, em sua maioria LGBT e que desde o início deste século apresentam uma produção contínua de filmes com temáticas de gênero, corpo e sexualidades, busca-se compreender como essas trajetórias narrativas nos ajudam a visualizar a constituição de um gênero narrativo queer no cinema brasileiro

Bibliografia

    ALTMAN, Rick. Los gêneros cinematográficos. Barcelona: Edições Paidó Ibérica, 2000.

    BESSA, Karla. A teoria queer e os desafios às molduras do olhar. Cult, São Paulo, nº 193, p. 39-41, ago-2014.

    GARCIA, Wilton. Introdução ao cinema queer no Brasil. In: MACHADO, Rubens. SOARES, Rosana de Lima. ARAÚJO, Lucia Corrêa. (Orgs). VII Estudos de cinema e audiovisual. São Paulo: SOCINE , 2012. p.457- 466.

    RICH, Ruby B. New queer cinema. Duke University PressEUA, 2013.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2016.

 

Carta aberta ao Ministério da Educação e Ministério da Cultura

 

Assunto: Base Nacional Comum Curricular

 

 

A SOCINE (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) tem acompanhado os esforços de construção da Base Nacional Comum Curricular. Nosso comentário aqui irá se ater à especificidade de nossa área e sua relação com as propostas apresentadas na BNCC.

Dentro do texto preliminar do BNCC o componente curricular ARTE parte de uma grande área chamada linguagens. Dentro desta área as artes foram divididas em quatro grandes eixos: “artes visuais, dança, teatro e música”, conforme as licenciaturas específicas em arte, desconsiderando a Licenciatura em Cinema e Audiovisual (Resolução do CNE n. 10, de 27 de junho de 2006) e excluindo completamente o cinema como uma arte específica.

Foi essa subdivisão que nos trouxe uma primeira preocupação. Junto à todos esses subcomponentes da área de artes nos parece fundamental que esteja também o cinema. Esta atenção e necessidade não existe apenas porque trabalhamos e pesquisamos cinema e estamos atentos aos seus destinos, mas porque o cinema está intensamente presente na escola e na sociedade e, no momento da construção de uma base nacional para o currículo do ensino infantil, médio e fundamental as questões, contribuições e potencias do cinema na escola não podem ser excluídos.

Diversos componentes curriculares lançam mão de filmes de ficção, seriados, documentários para abordarem temas transversais e específicos de diferentes naturezas. O debate teórico que investigamos apontam para uma necessária vivência no âmbito escolar dos dispositivos cinematográficos desde a tenra idade seja para desenvolver a imaginação na Educação Infantil, na elaboração de cenários para o faz de conta, seja para a construção de identidade pessoal e cultural, seja pela singularidade da experiência sensível que o cinema possibilita.

Vale notar alguns fatos que sustentam nossa preocupação. Primeiramente o cinema é hoje obrigatório na escola. Graças à lei 13006/14, há uma obrigação de exibição de pelo menos duas horas de filmes brasileiros nas escolas. Esta lei, em vias de regulamentação, também exigirá que espaços físicos e materiais sejam garantidos nas escolas para sua efetivação, além da necessidade de uma real inclusão do cinema nas questões que tocam o currículo como um todo, transcendendo mesmo as linguagens específicas. Além de oferecer uma ampla versatilidade de conteúdo, a leitura de filmes e a própria produção audiovisual – inclusive com dispositivos móveis de comunicação – permite a professores e estudantes olhar para a realidade para descobri-la e inventá-la – gestos essenciais na produção de conhecimento.

Como bem é lembrado na proposta de BNC, “a formação em Arte acontece em licenciaturas específicas (artes visuais, dança, teatro e música)”, pois, também em licenciaturas de cinema. Embora talvez se presuma que “artes visuais” inclua de algum modo ao cinema, ele tem uma especificidade na formação do professor. Desde 2012 a Universidade Federal Fluminense possui uma licenciatura em cinema e a mobilização de outras universidade no mesmo caminho é evidente. Devemos ainda atentar à intensa contribuição que diversos programas de pós-graduação vêm dando às relações entre cinema e educação, algo que se evidência nos próprios encontros da sociedade que representamos, onde a cada ano temos diversos trabalhos e comunicações dedicados às relações do cinema com a educação.

Além da materialidade legal, de formação e de pesquisa que evidencia a íntima relação entre o cinema e a escola, a Rede Kino: Rede Latinoamericana de Educação, Cinema e Audiovisual, formada por professores e pesquisadores que trabalham na interface entre cinema e educação, vem mapeando projetos e iniciativas que se dedicam à essa interface, desde 2008. Projetos que acontecem em todo o país e que mobilizam centenas de escolas. Por fim, sabemos que o cinema é amplamente presente nas escolas por conta da contribuição que ele traz em tantas áreas, conteúdos e debates, da matemática às ciências, passando pelas histórias, geografias e humanidades em geral. Por todos esses motivos, pela intensa força pedagógica do cinema na escola, nos preocupa que no momento de construção de uma Base Curricular tão pouca atenção tenho sido dada ao cinema.

No nosso entender, a BNC deveria incluir um eixo Cinema e Audiovisual dentro do componente curricular artes, só assim garantiremos uma formação consistente em uma área decisiva da cultura contemporânea, além de uma experiência e uma habilidade em uma dimensão central das linguagens no mundo atual.

 

Atenciosamente

 

 

Cezar Migliorin

Presidente da SOCINE

  1. Prazo de pagamento da anuidade: de 1 a 24 de março; 
  2. Prazo de submissão de propostas de trabalhos para apresentação [XXI Encontro]: de 5 a 31 de março;
  3. Divulgação de propostas aprovadas para apresentação [XXI SOCINE]: 9 de junho;
  4. Período de pagamento das inscrições [XXI SOCINE]:
      • PRIMEIRO PRAZO: 3 a 13 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
      • SEGUNDO PRAZO: 14 a 24 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
      • TERCEIRO PRAZO: 25 de julho a 1 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00
  5. Chamada de candidaturas [Eleições da SOCINE]: 21 de agosto a 22 de setembro;
  6. Inscrição de ouvintes [XXI SOCINE]: a partir de 11 de setembro;
  7. Divulgação da programação [XXI SOCINE]: 19 de setembro;
  8. Divulgação das candidaturas homologadas [Eleições da SOCINE]: 29 de setembro;
  9. XXI Encontro SOCINE, na UFPB, em João Pessoa: de 17 a 20 de outubro;
  10. Eleições da SOCINE: 18 e 19 de outubro;
  11. Assembleia e posse da nova diretoria: 20 de outubro;
  12. Prazo de envio de trabalhos para os Anais de Textos Completos [XXI SOCINE]: a definir.