Ficha do Proponente

Proponente

    Fernando Morais da Costa (UFF)

Minicurrículo

    Fernando Morais da Costa é professor no Departamento de Cinema e Vídeo e no Programa de Pós-graduação em Comunicação da Universidade Federal Fluminense. É autor de O som no cinema brasileiro (Rio de Janeiro: 7 Letras, 2008) e organizador de Som + Imagem (Rio de Janeiro: 7 Letras, 2012).

Ficha do Trabalho

Título

    Vozes, ambientes, mil e uma noites

Seminário

    Teoria e Estética do Som no Audiovisual

Resumo

    A partir dos três longa-metragens do diretor português Miguel Gomes sobre As mil e uma noites (2015), propomos analisar a multiplicidade de vozes presentes na adaptação cinematográfica da coletânea célebre de contos. Propomos ainda estabelecer relações não apenas entre vozes e imagens mas também entre vozes, imagens e os sons ambientes, estes responsáveis pelo envelope sonoro da representação do Portugal contemporâneo sobre a matriz literária árabe.

Resumo expandido

    Para esta proposta de comunicação traremos uma análise da relação das vozes e dos sons ambientes com as imagens presentes no tríptico As mil e uma noites, de Miguel Gomes. Tal objeto está em conformidade não apenas com a sequência de uma análise pregressa de obra anterior do mesmo diretor, Tabu (2012), mas também com a sequência de um projeto de pesquisa que analisa vozes no cinema contemporâneo, e que já deu frutos nestes mesmos congresso e seminário.
    Desta vez, a análise das relações entre vozes e imagens vem acrescida ainda da atenção dada aos sons ambientes, que emolduram, nas três obras assinaladas acima, a representação do Portugal contemporâneo, em relação dialética com a paisagem árabe descrita nos contos organizados sobre a alcunha de As mil e uma noites.
    Nos três episódios da versão portuguesa e cinematográfica de As mil e uma noites, a saber, intitulados Volume 1: o inquieto, Volume 2: o desolado, Volume 3: o encantado, temos vozes acusmáticas várias, como no exemplo radical do início do primeiro episódio, mas que por vezes passam pelo processo que Chion chamou de de-acusmatização. Temos narradores em várias instâncias, não centralizando a voz do narrador, ou da narradora, em Sherazade, diálogos em várias línguas, que povoam o filme de sotaques e prosódias algumas, além dos próprios portugueses. Os três filmes compilam nove histórias derivadas das árabes, e por vezes há histórias dentro das histórias, relatos que se inserem dentro de relatos, como, de resto, também há na versão literária que foi tornada célebre no ocidente, a partir de compilação e tradução francesa para textos que, ao que se sabe, têm base oral advinda de lugares diversos como Ìndia, Pérsia, localidades várias dentro do mundo árabe. A matriz oral teria sido formatada para a escrita, em período e processos correlatos aos que Zumthor descreve na Europa em A Letra e a voz, que citamos em trabalho anterior.
    Sobre a fundamentação teórica desta proposta, seguimos com os pressupostos encontrados em autores previamente analisados no projeto de pesquisa, e demonstrados no seminário, como Barthes, Zumthor, Derrida, Ihde, mas também há o acréscimo de artigos recentes como The Acousmatic Voice and Metaleptic Narration in Inland Empire, de Warren Buckland, que analisa um caso especifico de voz acusmática, seguindo com o modelo espacial proposto por Chion (BUCKLAND, 2013).
    No que tange a análise dos ruídos e sons ambientes, cabe citar textos tão recentes quanto instigantes, a saber: A Noisy Brush with the Infinite: Noise in Enfolding-Unfolding Aesthetics de Laura Marks, no qual há a complexa proposição de uma análise que contrapõe e ao mesmo tempo une luz e ruído (MARKS, 2013), bem como uma aplicação direta dessa teoria sobre o cinema contemporâneo em Dirty Sound – Haptic Noise in New Extremism, de Lisa Coulthard (COULTHARD, 2013).

    Ainda sobre ruídos, cabe também lembrar que seguem existindo aplicações variadas do conceito de paisagem sonora, de Schafer. Para citar duas, a leitura histórica possível das sonoridades da Alemanha do período do regime nazista perpetrada por Carolyn Birdsall, em Nazi Soudscapes – Sound, Technology and Urban Space in Germany, 1933-1945 (BIRDSALL, 2012), e o recente trabalho de Meri Kytö sobre a representação da paisagem sonora de Istambul.

Bibliografia

    BIRDSALL, Carolyn. Nazi Soudscapes – Sound, Technology and Urban Space in Germany, 1933-1945. Amsterdam: Amsterdam University Press, 2012.

    BUCKLAND, Warren. The Acousmatic Voice and Metaleptic Narration in Inland Empire. In: HERZOG, Amy, RICHARDSON, John, VERNALIS, Carol (org.).The Oxford handbook of sound and image in digital media. Oxford: Oxford University Press, 2013.

    COULTHARD, Lisa. Dirty Sound – Haptic Noise in New Extremism. In: HERZOG, Amy, RICHARDSON, John, VERNALIS, Carol (org.).The Oxford handbook of sound and image in digital media. Oxford: Oxford University Press, 2013.

    IHDE, Don. Listening and voice – Phenomenologies of sound. Albany: University of New York Press, 2007.

    MARKS, Laura. A Noisy Brush with the Infinite: Noise in Enfolding-Unfolding Aesthetics. In: HERZOG, Amy, RICHARDSON, John, VERNALIS, Carol (org.).The Oxford handbook of sound and image in digital media. Oxford: Oxford University Press, 2013.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2016.

 

Carta aberta ao Ministério da Educação e Ministério da Cultura

 

Assunto: Base Nacional Comum Curricular

 

 

A SOCINE (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) tem acompanhado os esforços de construção da Base Nacional Comum Curricular. Nosso comentário aqui irá se ater à especificidade de nossa área e sua relação com as propostas apresentadas na BNCC.

Dentro do texto preliminar do BNCC o componente curricular ARTE parte de uma grande área chamada linguagens. Dentro desta área as artes foram divididas em quatro grandes eixos: “artes visuais, dança, teatro e música”, conforme as licenciaturas específicas em arte, desconsiderando a Licenciatura em Cinema e Audiovisual (Resolução do CNE n. 10, de 27 de junho de 2006) e excluindo completamente o cinema como uma arte específica.

Foi essa subdivisão que nos trouxe uma primeira preocupação. Junto à todos esses subcomponentes da área de artes nos parece fundamental que esteja também o cinema. Esta atenção e necessidade não existe apenas porque trabalhamos e pesquisamos cinema e estamos atentos aos seus destinos, mas porque o cinema está intensamente presente na escola e na sociedade e, no momento da construção de uma base nacional para o currículo do ensino infantil, médio e fundamental as questões, contribuições e potencias do cinema na escola não podem ser excluídos.

Diversos componentes curriculares lançam mão de filmes de ficção, seriados, documentários para abordarem temas transversais e específicos de diferentes naturezas. O debate teórico que investigamos apontam para uma necessária vivência no âmbito escolar dos dispositivos cinematográficos desde a tenra idade seja para desenvolver a imaginação na Educação Infantil, na elaboração de cenários para o faz de conta, seja para a construção de identidade pessoal e cultural, seja pela singularidade da experiência sensível que o cinema possibilita.

Vale notar alguns fatos que sustentam nossa preocupação. Primeiramente o cinema é hoje obrigatório na escola. Graças à lei 13006/14, há uma obrigação de exibição de pelo menos duas horas de filmes brasileiros nas escolas. Esta lei, em vias de regulamentação, também exigirá que espaços físicos e materiais sejam garantidos nas escolas para sua efetivação, além da necessidade de uma real inclusão do cinema nas questões que tocam o currículo como um todo, transcendendo mesmo as linguagens específicas. Além de oferecer uma ampla versatilidade de conteúdo, a leitura de filmes e a própria produção audiovisual – inclusive com dispositivos móveis de comunicação – permite a professores e estudantes olhar para a realidade para descobri-la e inventá-la – gestos essenciais na produção de conhecimento.

Como bem é lembrado na proposta de BNC, “a formação em Arte acontece em licenciaturas específicas (artes visuais, dança, teatro e música)”, pois, também em licenciaturas de cinema. Embora talvez se presuma que “artes visuais” inclua de algum modo ao cinema, ele tem uma especificidade na formação do professor. Desde 2012 a Universidade Federal Fluminense possui uma licenciatura em cinema e a mobilização de outras universidade no mesmo caminho é evidente. Devemos ainda atentar à intensa contribuição que diversos programas de pós-graduação vêm dando às relações entre cinema e educação, algo que se evidência nos próprios encontros da sociedade que representamos, onde a cada ano temos diversos trabalhos e comunicações dedicados às relações do cinema com a educação.

Além da materialidade legal, de formação e de pesquisa que evidencia a íntima relação entre o cinema e a escola, a Rede Kino: Rede Latinoamericana de Educação, Cinema e Audiovisual, formada por professores e pesquisadores que trabalham na interface entre cinema e educação, vem mapeando projetos e iniciativas que se dedicam à essa interface, desde 2008. Projetos que acontecem em todo o país e que mobilizam centenas de escolas. Por fim, sabemos que o cinema é amplamente presente nas escolas por conta da contribuição que ele traz em tantas áreas, conteúdos e debates, da matemática às ciências, passando pelas histórias, geografias e humanidades em geral. Por todos esses motivos, pela intensa força pedagógica do cinema na escola, nos preocupa que no momento de construção de uma Base Curricular tão pouca atenção tenho sido dada ao cinema.

No nosso entender, a BNC deveria incluir um eixo Cinema e Audiovisual dentro do componente curricular artes, só assim garantiremos uma formação consistente em uma área decisiva da cultura contemporânea, além de uma experiência e uma habilidade em uma dimensão central das linguagens no mundo atual.

 

Atenciosamente

 

 

Cezar Migliorin

Presidente da SOCINE

  1. Prazo de pagamento da anuidade: de 1 a 24 de março; 
  2. Prazo de submissão de propostas de trabalhos para apresentação [XXI Encontro]: de 5 a 31 de março;
  3. Divulgação de propostas aprovadas para apresentação [XXI SOCINE]: 9 de junho;
  4. Período de pagamento das inscrições [XXI SOCINE]:
      • PRIMEIRO PRAZO: 3 a 13 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
      • SEGUNDO PRAZO: 14 a 24 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
      • TERCEIRO PRAZO: 25 de julho a 1 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00
  5. Chamada de candidaturas [Eleições da SOCINE]: 21 de agosto a 22 de setembro;
  6. Inscrição de ouvintes [XXI SOCINE]: a partir de 11 de setembro;
  7. Divulgação da programação [XXI SOCINE]: 19 de setembro;
  8. Divulgação das candidaturas homologadas [Eleições da SOCINE]: 29 de setembro;
  9. XXI Encontro SOCINE, na UFPB, em João Pessoa: de 17 a 20 de outubro;
  10. Eleições da SOCINE: 18 e 19 de outubro;
  11. Assembleia e posse da nova diretoria: 20 de outubro;
  12. Prazo de envio de trabalhos para os Anais de Textos Completos [XXI SOCINE]: a definir.