Ficha do Proponente

Proponente

    Luíza Beatriz Amorim Melo Alvim (UFRJ)

Minicurrículo

    Doutora em Comunicação pela ECO-UFRJ (tese: Robert Bresson e a música), com período sanduíche na universidade Paris 3, sob orientação de Michel Chion. Em 2013-2014 fez pós-doutorado em Música na UNIRIO e, em 2014–2015, foi professora substituta da ECO-UFRJ. Atualmente, faz novo pós-doutorado em Música na UFRJ sobre a música preexistente no cinema moderno. Participa da SOCINE desde 2007,foi membro do Conselho Deliberativo em 2013-2015 e tem várias publicações sobre música no cinema.

Ficha do Trabalho

Título

    Ecos musicais no começo e no fim do filme: 03 casos do Cinema Moderno

Seminário

    Teoria e Estética do Som no Audiovisual

Resumo

    Pretendemos analisar uma característica comum a três filmes dos cinemas modernos francês e brasileiro dos anos 1967-1969: a reutilização da mesma música no começo e no final do filme, geralmente durante ou em continuidade com os créditos. Além da unidade formal, essa repetição implica variações reconsiderações do filme como um todo. São analisados: “Mouchette” (Robert Bresson, 1967), “Terra em transe” (Glauber Rocha, 1967) e “A besta deve morrer” (“Que la bête meure”, Claude Chabrol, 1969).

Resumo expandido

    O começo e o fim são muito importantes num filme: se o começo traz objetivos como conquistar o espectador e ancorá-lo na história/proposta do filme, o final dá sentido de obra acabada. Mesmo em finais ambíguos ou abertos, o filme termina.
    Dentro dessa perspectiva e levando em conta as suas características de alteridade e intermedialidade pela presença da palavra escrita (STRAW, 2010), os créditos representam momentos especiais. Considerando o filme como um “texto”, seriam, partindo da conceituação de Genette (1987), um “paratexto” (elementos no limiar do texto) e promovem para o espectador uma transição entre o mundo extratextual da “vida real” para o mundo textual do filme (STRAW, 2010).
    Uma convenção bastante respeitada nos cinemas clássico e moderno foi a presença da música nos créditos, que Gorbman (1987) considerou como um código cinemático, próprio do cinema Até então, os créditos iniciais geralmente continham todas as informações do filme e os créditos finais muitas vezes só tinham a palavra “fim”, ao contrário do que acontece na maioria dos filmes contemporâneos.
    Em relação a outros códigos e modos de utilização da música no cinema, Gorbman (1987) observa que um princípio importante é o da unidade, representado, no cinema clássico, pelo leitmotiv. Porém, mesmo com o desejo de diretores do cinema moderno de questionarem as convenções do cinema clássico, a música permanece um elemento que traz unidade ao filme, por exemplo, quando utilizada no início e no final deles, em especial, nos créditos iniciais e finais. Analisaremos esse tropos da repetição da musica no começo e no fim do filme em três casos: “Mouchette” (Robert Bresson, 1967), “A besta deve morrer” (“Que la bête meure”, Claude Chabrol, 1969), “Terra em transe” (Glauber Rocha, 1967).
    Em “Mouchette”, Bresson – diretor bastante conhecido pela parcimônia com que utilizou a música – aproveita os momentos altamente codificados dos créditos para incluir música extradiegética no filme, que, exceto aí, só tem música diegética. A música dos créditos iniciais e do final do filme é representada por duas partes da mesma peça, as Vésperas de Monteverdi. A letra da música e o conteúdo do último plano do filme (o lago em que Mouchette se afoga, seguindo com a tela preta) funcionam como uma resposta à pergunta do personagem da mãe da protagonista (“O que será deles sem mim?”) à qual se seguiram os créditos iniciais (ALVIM, 2013).
    Em “Terra em transe”, embora os créditos estejam logo em seu início, poderíamos considerar o filme em si recomeçando a partir do momento em que o protagonista Paulo Martins dá início ao seu longo flashback, marcado pelo Prelúdio das Bachianas n.3 de Villa-Lobos, do qual só voltará ao final do filme, quando ouvimos a mesma música, junto com sons de tiros e sirenes, tudo continuando durante os créditos finais. Nesse “envelope” do flashback de Paulo, há um processo de repetição e variação dos planos imagéticos e do som (XAVIER, 1993; ALVIM, 2015).
    “A besta deve morrer” conta com música original de Pierre Jansen, porém um dos Quatro Cantos Sérios de Brahms é ouvido nas primeiras imagens, num prólogo que antecede os créditos iniciais (que ocorrem sem música). Neste prólogo, a música vem do rádio de um carro e é constantemente interrompida em montagem alternada com planos de um garoto até o atropelamento da criança, fato que desencadeia toda a vingança do pai. No final bastante ambíguo, a voz over deste personagem evoca a música de Brahms, que passamos a ouvir extradiegética até o princípio dos créditos finais. Estes, como os iniciais, ocorrem sem música.
    A evocação da mesma música do início pelo personagem, a pergunta da mãe de Mouchette e a ação da menina ao final, assim como a repetição variada de planos ao som do mesmo prelúdio de Villa-Lobos em “Terra em transe” proporcionam reconsiderações do filme como um todo pela repetição da mesma música do começo.

Bibliografia

    ALVIM, L. Robert Bresson e a música. Tese (Doutorado em Comunicação) – UFRJ, 2013.
    _____. A música de Villa-Lobos nos filmes de Glauber Rocha dos anos 60: alegoria da pátria e retalho de colcha tropicalista. Significação, v.42, n.44, 2015.
    BRAUCOURT, G. Claude Chabrol, Que la bête meure: comment écraser un cafard. Les Lettres Françaises, 3 sept. 1969.
    CHION, M. L´écrit au cinéma. Paris: Armand Colin, 2013.
    GENETTE, G. Seuils. Paris: Seuil, 1987.
    GORBMAN, C. Unheard melodies: Narrative film music. London: BFI, 1987.
    PHILIPPE, C.-J. Que la bête meure…ainsi que l´homme. Télérama, 31 août 1969.
    STRAW, W. Letters of introduction: film credits and cityscapes. Design and culture, v.2, n.2, July 2010.
    ______. Palavras, canções e carros: músicas de abertura e as sequências de créditos nos filmes. In: SÁ, S.; COSTA, F. (org.). Som+Imagem. Rio de Janeiro: 7Letras, 2012.
    XAVIER, I. Alegorias do subdesenvolvimento: Cinema Novo, Tropicalismo, Cinema Marginal. São Paulo:Brasiliense, 1993.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2016.

 

Carta aberta ao Ministério da Educação e Ministério da Cultura

 

Assunto: Base Nacional Comum Curricular

 

 

A SOCINE (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) tem acompanhado os esforços de construção da Base Nacional Comum Curricular. Nosso comentário aqui irá se ater à especificidade de nossa área e sua relação com as propostas apresentadas na BNCC.

Dentro do texto preliminar do BNCC o componente curricular ARTE parte de uma grande área chamada linguagens. Dentro desta área as artes foram divididas em quatro grandes eixos: “artes visuais, dança, teatro e música”, conforme as licenciaturas específicas em arte, desconsiderando a Licenciatura em Cinema e Audiovisual (Resolução do CNE n. 10, de 27 de junho de 2006) e excluindo completamente o cinema como uma arte específica.

Foi essa subdivisão que nos trouxe uma primeira preocupação. Junto à todos esses subcomponentes da área de artes nos parece fundamental que esteja também o cinema. Esta atenção e necessidade não existe apenas porque trabalhamos e pesquisamos cinema e estamos atentos aos seus destinos, mas porque o cinema está intensamente presente na escola e na sociedade e, no momento da construção de uma base nacional para o currículo do ensino infantil, médio e fundamental as questões, contribuições e potencias do cinema na escola não podem ser excluídos.

Diversos componentes curriculares lançam mão de filmes de ficção, seriados, documentários para abordarem temas transversais e específicos de diferentes naturezas. O debate teórico que investigamos apontam para uma necessária vivência no âmbito escolar dos dispositivos cinematográficos desde a tenra idade seja para desenvolver a imaginação na Educação Infantil, na elaboração de cenários para o faz de conta, seja para a construção de identidade pessoal e cultural, seja pela singularidade da experiência sensível que o cinema possibilita.

Vale notar alguns fatos que sustentam nossa preocupação. Primeiramente o cinema é hoje obrigatório na escola. Graças à lei 13006/14, há uma obrigação de exibição de pelo menos duas horas de filmes brasileiros nas escolas. Esta lei, em vias de regulamentação, também exigirá que espaços físicos e materiais sejam garantidos nas escolas para sua efetivação, além da necessidade de uma real inclusão do cinema nas questões que tocam o currículo como um todo, transcendendo mesmo as linguagens específicas. Além de oferecer uma ampla versatilidade de conteúdo, a leitura de filmes e a própria produção audiovisual – inclusive com dispositivos móveis de comunicação – permite a professores e estudantes olhar para a realidade para descobri-la e inventá-la – gestos essenciais na produção de conhecimento.

Como bem é lembrado na proposta de BNC, “a formação em Arte acontece em licenciaturas específicas (artes visuais, dança, teatro e música)”, pois, também em licenciaturas de cinema. Embora talvez se presuma que “artes visuais” inclua de algum modo ao cinema, ele tem uma especificidade na formação do professor. Desde 2012 a Universidade Federal Fluminense possui uma licenciatura em cinema e a mobilização de outras universidade no mesmo caminho é evidente. Devemos ainda atentar à intensa contribuição que diversos programas de pós-graduação vêm dando às relações entre cinema e educação, algo que se evidência nos próprios encontros da sociedade que representamos, onde a cada ano temos diversos trabalhos e comunicações dedicados às relações do cinema com a educação.

Além da materialidade legal, de formação e de pesquisa que evidencia a íntima relação entre o cinema e a escola, a Rede Kino: Rede Latinoamericana de Educação, Cinema e Audiovisual, formada por professores e pesquisadores que trabalham na interface entre cinema e educação, vem mapeando projetos e iniciativas que se dedicam à essa interface, desde 2008. Projetos que acontecem em todo o país e que mobilizam centenas de escolas. Por fim, sabemos que o cinema é amplamente presente nas escolas por conta da contribuição que ele traz em tantas áreas, conteúdos e debates, da matemática às ciências, passando pelas histórias, geografias e humanidades em geral. Por todos esses motivos, pela intensa força pedagógica do cinema na escola, nos preocupa que no momento de construção de uma Base Curricular tão pouca atenção tenho sido dada ao cinema.

No nosso entender, a BNC deveria incluir um eixo Cinema e Audiovisual dentro do componente curricular artes, só assim garantiremos uma formação consistente em uma área decisiva da cultura contemporânea, além de uma experiência e uma habilidade em uma dimensão central das linguagens no mundo atual.

 

Atenciosamente

 

 

Cezar Migliorin

Presidente da SOCINE

  1. Prazo de pagamento da anuidade: de 1 a 24 de março; 
  2. Prazo de submissão de propostas de trabalhos para apresentação [XXI Encontro]: de 5 a 31 de março;
  3. Divulgação de propostas aprovadas para apresentação [XXI SOCINE]: 9 de junho;
  4. Período de pagamento das inscrições [XXI SOCINE]:
      • PRIMEIRO PRAZO: 3 a 13 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
      • SEGUNDO PRAZO: 14 a 24 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
      • TERCEIRO PRAZO: 25 de julho a 1 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00
  5. Chamada de candidaturas [Eleições da SOCINE]: 21 de agosto a 22 de setembro;
  6. Inscrição de ouvintes [XXI SOCINE]: a partir de 11 de setembro;
  7. Divulgação da programação [XXI SOCINE]: 19 de setembro;
  8. Divulgação das candidaturas homologadas [Eleições da SOCINE]: 29 de setembro;
  9. XXI Encontro SOCINE, na UFPB, em João Pessoa: de 17 a 20 de outubro;
  10. Eleições da SOCINE: 18 e 19 de outubro;
  11. Assembleia e posse da nova diretoria: 20 de outubro;
  12. Prazo de envio de trabalhos para os Anais de Textos Completos [XXI SOCINE]: a definir.