Ficha do Proponente

Proponente

    Marcos Fabris (FFLCH USP)

Minicurrículo

    Marcos Fabris é doutor pela FFLCH-USP com pós-doutorado na Universidade de Columbia (Nova York), Université Paris Ouest Nanterre (Paris), MAC-USP e FFLCH-USP (São Paulo). Suas publicações e palestras mais significativas incluem reflexões sobre pintura francesa do século XIX e fotografia europeia, norte-americana e latino-americana dos séculos XIX e XX.

Ficha do Trabalho

Título

    Edward Hopper e o cinema

Resumo

    O pintor norte-americano Edward Hopper (1882 – 1967) forjou uma imagística reconhecidamente complexa em sua aparente simplicidade, não raro identificada como icônica do Zeitgeist nos Estados Unidos da primeira metade do século XX. O cinema deste país fez igualmente amplo uso do conjunto de imagens produzidas pelo artista. Esta comunicação almeja não apenas descrever tal imagística mas identificar alguns dos usos mais produtivos que a produção cinematográfica norte-americana fez da “estética Hopper”, considerando com particular atenção o filme Carol (Todd Haynes, 2016).

Resumo expandido

    O pintor norte-americano Edward Hopper (1882 – 1967) adorava cinema. Frequentava com assiduidade as salas de Nova York, local onde passou grande parte da vida, e não tardou a retratá-las: The Balcony, também conhecido por The Movies (1928), foi uma de suas primeiras e mais diretas representações do tipo. Aqui, duas figuras isoladas no balcão superior de uma sala de exibição fixam o olhar numa suposta tela que nós, observadores da obra, não vemos. Mas notemos que mesmo quando não representou diretamente as salas de cinema, sua obra aludiu à estética cinematográfica – as configurações formais em Night shadows (1921), por exemplo, aludem a um sketch de storyboard, que de cunho marcadamente expressionista parece de fato extraído de uma película de Fritz Lang. Esta obra (e não apenas ela!) explicita que não estamos diante de um artista que se restringiu a retratar o cinema meramente no nível do assunto. Hopper incorporou, na fatura formal da obra de arte, procedimentos caros à sétima arte.

    Impactado profundamente pela produção hollywoodiana dos anos trinta e quarenta do século XX, suas pinturas e desenhos serão, nos termos acima descritos, extremamente “cinéticos”. Ao explorar de modo dialético as capacidades cinematográficas de representar tanto o estático como o dinâmico, o pintor articulará uma poderosa reflexão sobre a experiência moderna nas grandes metrópoles, “espionando” a experiência social de seus habitantes em “stills” que não dissimulam seu parentesco com a estética do noir (pensemos, por exemplo, nos paralelos visuais entre os modos de representação da luz em Hopper e a fotografia de Força do mal, filme de 1948 do diretor Abraham Polonsky, ou ainda no Hitchcock de Psicose, de 1960, mais especificamente nas simetrias iconográficas entre a casa de estilo neogótico presente no filme e a pintura House by the railroad, executada por Hopper em 1925). Nesses termos, o voyeurismo que vivencia o frequentador das salas de cinema (e o próprio Hopper, como um deles!) será pictoricamente articulado pelo artista no intuito de aprofundar suas investigações sobre a experiência societária urbana norte-americana sob a égide da modernidade.

    Se Hopper adorava o cinema este, por sua vez, lhe retribui em dobro até hoje sua adoração. Polonsky e Hitchcock não são os únicos que fizeram uso produtivo do que logo se convencionaria chamar de “estética Hopper”, uma poderosa e persistente matriz para as mais diversas gerações de diretores: o George Stevens de Assim caminha a humanidade (1956), o Terrence Malick de Cinzas do paraíso (1978), o Wim Wenders de O fim da violência (1997), O Robert Altman de A última noite (2006), o Todd Haynes de Carol (2016)… (vale lembrar que Haynes assinou a curadoria de uma mostra de cinema na Tate Modern de Londres sobre as relações entre Edward Hopper e o cinema por ocasião da exposição dedicada ao artista no museu em 2004).

    Nos termos acima descritos, esta comunicação pretende expandir a identificação de momentos cruciais na produção artística de Hopper e seus paralelos com o cinema para, em seguida, verificar como este dialoga com a arte do pintor norte-americano, referindo-se a ela para potencializar suas capacidades expressivas no âmbito da produção cinematográfica. Pretende-se considerar com particular atenção o filme Carol, de Todd Haynes (2016).

Bibliografia

    ALBERA, F. Eisenstein e o construtivismo russo. São Paulo: Cosac & Naify, 2002.

    BENJAMIN, W. Charles Baudelaire: um lírico no auge do capitalismo. São Paulo: Brasiliense, 1994.

    HEGEL, G. W. F. Cursos de estética. São Paulo: EDUSP, 1999.

    HOPPER. Paris: Réunion des musées nationaux – Grand Palais, 2012. 367 p. Catálogo de exposição, 10 out. 2012 – 28 jan. 2013, Grand Palais, Paris.

    LAVIN, M. [et alii]. Montage and Modern Life 1919 – 1942. Boston: The MIT Press, Cambridge, Massachusetts, 1992.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2016.

 

Carta aberta ao Ministério da Educação e Ministério da Cultura

 

Assunto: Base Nacional Comum Curricular

 

 

A SOCINE (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) tem acompanhado os esforços de construção da Base Nacional Comum Curricular. Nosso comentário aqui irá se ater à especificidade de nossa área e sua relação com as propostas apresentadas na BNCC.

Dentro do texto preliminar do BNCC o componente curricular ARTE parte de uma grande área chamada linguagens. Dentro desta área as artes foram divididas em quatro grandes eixos: “artes visuais, dança, teatro e música”, conforme as licenciaturas específicas em arte, desconsiderando a Licenciatura em Cinema e Audiovisual (Resolução do CNE n. 10, de 27 de junho de 2006) e excluindo completamente o cinema como uma arte específica.

Foi essa subdivisão que nos trouxe uma primeira preocupação. Junto à todos esses subcomponentes da área de artes nos parece fundamental que esteja também o cinema. Esta atenção e necessidade não existe apenas porque trabalhamos e pesquisamos cinema e estamos atentos aos seus destinos, mas porque o cinema está intensamente presente na escola e na sociedade e, no momento da construção de uma base nacional para o currículo do ensino infantil, médio e fundamental as questões, contribuições e potencias do cinema na escola não podem ser excluídos.

Diversos componentes curriculares lançam mão de filmes de ficção, seriados, documentários para abordarem temas transversais e específicos de diferentes naturezas. O debate teórico que investigamos apontam para uma necessária vivência no âmbito escolar dos dispositivos cinematográficos desde a tenra idade seja para desenvolver a imaginação na Educação Infantil, na elaboração de cenários para o faz de conta, seja para a construção de identidade pessoal e cultural, seja pela singularidade da experiência sensível que o cinema possibilita.

Vale notar alguns fatos que sustentam nossa preocupação. Primeiramente o cinema é hoje obrigatório na escola. Graças à lei 13006/14, há uma obrigação de exibição de pelo menos duas horas de filmes brasileiros nas escolas. Esta lei, em vias de regulamentação, também exigirá que espaços físicos e materiais sejam garantidos nas escolas para sua efetivação, além da necessidade de uma real inclusão do cinema nas questões que tocam o currículo como um todo, transcendendo mesmo as linguagens específicas. Além de oferecer uma ampla versatilidade de conteúdo, a leitura de filmes e a própria produção audiovisual – inclusive com dispositivos móveis de comunicação – permite a professores e estudantes olhar para a realidade para descobri-la e inventá-la – gestos essenciais na produção de conhecimento.

Como bem é lembrado na proposta de BNC, “a formação em Arte acontece em licenciaturas específicas (artes visuais, dança, teatro e música)”, pois, também em licenciaturas de cinema. Embora talvez se presuma que “artes visuais” inclua de algum modo ao cinema, ele tem uma especificidade na formação do professor. Desde 2012 a Universidade Federal Fluminense possui uma licenciatura em cinema e a mobilização de outras universidade no mesmo caminho é evidente. Devemos ainda atentar à intensa contribuição que diversos programas de pós-graduação vêm dando às relações entre cinema e educação, algo que se evidência nos próprios encontros da sociedade que representamos, onde a cada ano temos diversos trabalhos e comunicações dedicados às relações do cinema com a educação.

Além da materialidade legal, de formação e de pesquisa que evidencia a íntima relação entre o cinema e a escola, a Rede Kino: Rede Latinoamericana de Educação, Cinema e Audiovisual, formada por professores e pesquisadores que trabalham na interface entre cinema e educação, vem mapeando projetos e iniciativas que se dedicam à essa interface, desde 2008. Projetos que acontecem em todo o país e que mobilizam centenas de escolas. Por fim, sabemos que o cinema é amplamente presente nas escolas por conta da contribuição que ele traz em tantas áreas, conteúdos e debates, da matemática às ciências, passando pelas histórias, geografias e humanidades em geral. Por todos esses motivos, pela intensa força pedagógica do cinema na escola, nos preocupa que no momento de construção de uma Base Curricular tão pouca atenção tenho sido dada ao cinema.

No nosso entender, a BNC deveria incluir um eixo Cinema e Audiovisual dentro do componente curricular artes, só assim garantiremos uma formação consistente em uma área decisiva da cultura contemporânea, além de uma experiência e uma habilidade em uma dimensão central das linguagens no mundo atual.

 

Atenciosamente

 

 

Cezar Migliorin

Presidente da SOCINE

  1. Prazo de pagamento da anuidade: de 1 a 24 de março; 
  2. Prazo de submissão de propostas de trabalhos para apresentação [XXI Encontro]: de 5 a 31 de março;
  3. Divulgação de propostas aprovadas para apresentação [XXI SOCINE]: 9 de junho;
  4. Período de pagamento das inscrições [XXI SOCINE]:
      • PRIMEIRO PRAZO: 3 a 13 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
      • SEGUNDO PRAZO: 14 a 24 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
      • TERCEIRO PRAZO: 25 de julho a 1 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00
  5. Chamada de candidaturas [Eleições da SOCINE]: 21 de agosto a 22 de setembro;
  6. Inscrição de ouvintes [XXI SOCINE]: a partir de 11 de setembro;
  7. Divulgação da programação [XXI SOCINE]: 19 de setembro;
  8. Divulgação das candidaturas homologadas [Eleições da SOCINE]: 29 de setembro;
  9. XXI Encontro SOCINE, na UFPB, em João Pessoa: de 17 a 20 de outubro;
  10. Eleições da SOCINE: 18 e 19 de outubro;
  11. Assembleia e posse da nova diretoria: 20 de outubro;
  12. Prazo de envio de trabalhos para os Anais de Textos Completos [XXI SOCINE]: a definir.