Ficha do Proponente

Proponente

    Carlos Eduardo Japiassú de Queiroz (UFS)

Minicurrículo

    Possui graduação em Comunicação Social – habilitação em Jornalismo, pela Universidade Federal de Pernambuco; mestrado e doutorado em Teoria da Literatura, pela Universidade Federal de Pernambuco(2007); Professor Adjunto do Departamento de Letras Vernáculas da Universidade Federal de Sergipe(2009). Bolsista da Capes em estágio pós-doutoral na Universidade do Algarve, concluído em dez/ 2015. É integrante do Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Cinema da Universidade Federal de Sergipe.

Ficha do Trabalho

Título

    Uma análise do tempo na narrativa do romance e do filme São Bernardo.

Resumo

    Este artigo tem como objetivo uma análise comparativa entre o romance São Bernardo, de Graciliano Ramos, e sua adaptação homônima para o cinema, realizada pelo diretor Leon Hirszman, elegendo como recorte investigativo um estudo acerca da configuração do tempo na estrutura narrativa das duas obras. O artigo visa analisar a estrutura temporal do romance, para, assim, contemplar a adaptação para o cinema, no sentido de uma conclusão acerca do projeto de adaptação adotado pelo diretor-roteirista.

Resumo expandido

    Quando do lançamento do filme São Bernardo, em 1972, dois projetos modernos se entrecruzaram; ou, dada à forma final tomada pela peça cinematográfica, seria mais preciso dizer, imbricaram-se. Quanto ao primeiro, correspondia à obra literária do escritor alagoano Graciliano Ramos; quanto ao segundo, à obra fílmica do diretor carioca Leon Hirszman; e ao encontro dos dois, quando da adaptação homônima para o cinema do romance São Bernardo. É como se Hirszman, vislumbrasse no romance de G. Ramos, uma solução de continuidade à opção estético/ideológica que fundou o movimento cinemanovista brasileiro.
    Neste âmbito, esse trabalho pretende realizar uma análise comparativa do romance e do filme acima referidos. No entanto, pensamos ser necessário para depuração do nosso objeto, um recorte temático. A escolha recaiu num elemento de fundamental importância para a interpretação do romance, a saber, o uso e a concepção do Tempo enquanto construção de sentido para a história e a estrutura narrativa. Tratamento este que, na passagem para o cinema, fará com que o “fenômeno do tempo”, agora sob os ditames do signo imagético, assuma uma função estética que atribuirá ao filme de Hirszman um caráter plenamente autoral. Não se trata apenas de verificar como o tempo é disposto na narrativa ficcional do romance São Bernardo, mas como o autor concebe as dimensões temporais como cortes anacrônicos de significação. Ou seja, os blocos de capítulos que situam a história no passado, no presente e no futuro, sem uma obrigatoriedade diacrônica, funcionam de modo a se atribuírem significados não apenas perspectivos como retrospectivos. Numa espécie de “convivência” entre os modos temporais que propiciará o próprio sentido compreensivo da narrativa; como também da visão de mundo subjacente a ela. Visão de mundo que se perfaz pela marcada consciência do estilo literário de Graciliano Ramos. Marca estilística que, a cada momento, transborda um anseio ético, compartilhado com o leitor e/ou intérprete pela força da concepção de seu projeto estético.
    No tocante à transposição realizada para o cinema, observaríamos que ela obteve uma concepção estética de cunho assaz autoral por parte do diretor L. Hirszman; concepção esta que iria inserir-se no âmbito do que se postulou como segundo momento do Cinema Novo Brasileiro – originado após o AI-5, o qual recorreria a adaptações de obras clássicas da literatura nacional, repensando-as de forma a criar novos caminhos de afirmação de um projeto de identidade cultural brasileira.
    Neste sentido, impor-se-á como hipótese teórica do artigo o desenvolvimento da seguinte reflexão: se a subserviência da adaptação cinematográfica em relação à estrutura do romance atenderia aos anseios estético-formais do diretor? E, continuando a indagação, como a questão do tempo por nós apontada em relação ao romance estaria coadunada à concepção estética do filme de L. Hirszman?
    Para concluir, gostaríamos de observar que, bem mais enfaticamente que as vanguardas cinematográficas européias do pós-guerra, o Cinema Novo Brasileiro, assim como o de outras cinematografias latino-americanas marcantes daquele período histórico, só poderia afirmar um projeto estético se vinculado a um claro sentido político de emancipação social. Sendo, pois, um dos nomes que mais encarnou este ímpeto de transformação social, é que supomos a escolha feita por Leon Hirszman pela adaptação do romance São Bernardo de Graciliano Ramos.

Bibliografia

    Obras de Graciliano Ramos:

    ______. São Bernardo. Rio de Janeiro: Record, 2005.

    ______. Vidas secas. Rio de Janeiro: Record, 1991.

    Filmes de Leon Hirszman:

    A FALECIDA. Direção de: Leon Hirszman. Roteiro: Leon Hirszman; Eduardo Coutinho. Rio de Janeiro: Videofilmes, 1965.

    SÃO Bernardo. Direção e roteiro: Leon Hirszman. Rio de Janeiro: 1972.

    Geral:

    ARISTÓTELES. Arte poética. São Paulo: Martin Claret, 2007.

    BAZIN, André. O que é o cinema?. São Paulo: Cosac Naify, 2014.

    _____. Orson Welles. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2006.

    DELEUZE, Gilles. A imagem-movimento: cinema 1. Lisboa: Assírio e Alvim, 2004.

    _____. A imagem-tempo: cinema 2. São Paulo: Brasiliense, 2005.

    _____. Bergsonismo. São Paulo: Editora 34, 1999.

    TARKOVSKI, Andrei. Esculpir o tempo. São Paulo: Martins Fontes, 1990.

    XAVIER, Ismail. Cinema brasileiro moderno. São Paulo: Paz e Terra, 2006.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2016.

 

Carta aberta ao Ministério da Educação e Ministério da Cultura

 

Assunto: Base Nacional Comum Curricular

 

 

A SOCINE (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) tem acompanhado os esforços de construção da Base Nacional Comum Curricular. Nosso comentário aqui irá se ater à especificidade de nossa área e sua relação com as propostas apresentadas na BNCC.

Dentro do texto preliminar do BNCC o componente curricular ARTE parte de uma grande área chamada linguagens. Dentro desta área as artes foram divididas em quatro grandes eixos: “artes visuais, dança, teatro e música”, conforme as licenciaturas específicas em arte, desconsiderando a Licenciatura em Cinema e Audiovisual (Resolução do CNE n. 10, de 27 de junho de 2006) e excluindo completamente o cinema como uma arte específica.

Foi essa subdivisão que nos trouxe uma primeira preocupação. Junto à todos esses subcomponentes da área de artes nos parece fundamental que esteja também o cinema. Esta atenção e necessidade não existe apenas porque trabalhamos e pesquisamos cinema e estamos atentos aos seus destinos, mas porque o cinema está intensamente presente na escola e na sociedade e, no momento da construção de uma base nacional para o currículo do ensino infantil, médio e fundamental as questões, contribuições e potencias do cinema na escola não podem ser excluídos.

Diversos componentes curriculares lançam mão de filmes de ficção, seriados, documentários para abordarem temas transversais e específicos de diferentes naturezas. O debate teórico que investigamos apontam para uma necessária vivência no âmbito escolar dos dispositivos cinematográficos desde a tenra idade seja para desenvolver a imaginação na Educação Infantil, na elaboração de cenários para o faz de conta, seja para a construção de identidade pessoal e cultural, seja pela singularidade da experiência sensível que o cinema possibilita.

Vale notar alguns fatos que sustentam nossa preocupação. Primeiramente o cinema é hoje obrigatório na escola. Graças à lei 13006/14, há uma obrigação de exibição de pelo menos duas horas de filmes brasileiros nas escolas. Esta lei, em vias de regulamentação, também exigirá que espaços físicos e materiais sejam garantidos nas escolas para sua efetivação, além da necessidade de uma real inclusão do cinema nas questões que tocam o currículo como um todo, transcendendo mesmo as linguagens específicas. Além de oferecer uma ampla versatilidade de conteúdo, a leitura de filmes e a própria produção audiovisual – inclusive com dispositivos móveis de comunicação – permite a professores e estudantes olhar para a realidade para descobri-la e inventá-la – gestos essenciais na produção de conhecimento.

Como bem é lembrado na proposta de BNC, “a formação em Arte acontece em licenciaturas específicas (artes visuais, dança, teatro e música)”, pois, também em licenciaturas de cinema. Embora talvez se presuma que “artes visuais” inclua de algum modo ao cinema, ele tem uma especificidade na formação do professor. Desde 2012 a Universidade Federal Fluminense possui uma licenciatura em cinema e a mobilização de outras universidade no mesmo caminho é evidente. Devemos ainda atentar à intensa contribuição que diversos programas de pós-graduação vêm dando às relações entre cinema e educação, algo que se evidência nos próprios encontros da sociedade que representamos, onde a cada ano temos diversos trabalhos e comunicações dedicados às relações do cinema com a educação.

Além da materialidade legal, de formação e de pesquisa que evidencia a íntima relação entre o cinema e a escola, a Rede Kino: Rede Latinoamericana de Educação, Cinema e Audiovisual, formada por professores e pesquisadores que trabalham na interface entre cinema e educação, vem mapeando projetos e iniciativas que se dedicam à essa interface, desde 2008. Projetos que acontecem em todo o país e que mobilizam centenas de escolas. Por fim, sabemos que o cinema é amplamente presente nas escolas por conta da contribuição que ele traz em tantas áreas, conteúdos e debates, da matemática às ciências, passando pelas histórias, geografias e humanidades em geral. Por todos esses motivos, pela intensa força pedagógica do cinema na escola, nos preocupa que no momento de construção de uma Base Curricular tão pouca atenção tenho sido dada ao cinema.

No nosso entender, a BNC deveria incluir um eixo Cinema e Audiovisual dentro do componente curricular artes, só assim garantiremos uma formação consistente em uma área decisiva da cultura contemporânea, além de uma experiência e uma habilidade em uma dimensão central das linguagens no mundo atual.

 

Atenciosamente

 

 

Cezar Migliorin

Presidente da SOCINE

  1. Prazo de pagamento da anuidade: de 1 a 24 de março; 
  2. Prazo de submissão de propostas de trabalhos para apresentação [XXI Encontro]: de 5 a 31 de março;
  3. Divulgação de propostas aprovadas para apresentação [XXI SOCINE]: 9 de junho;
  4. Período de pagamento das inscrições [XXI SOCINE]:
      • PRIMEIRO PRAZO: 3 a 13 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
      • SEGUNDO PRAZO: 14 a 24 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
      • TERCEIRO PRAZO: 25 de julho a 1 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00
  5. Chamada de candidaturas [Eleições da SOCINE]: 21 de agosto a 22 de setembro;
  6. Inscrição de ouvintes [XXI SOCINE]: a partir de 11 de setembro;
  7. Divulgação da programação [XXI SOCINE]: 19 de setembro;
  8. Divulgação das candidaturas homologadas [Eleições da SOCINE]: 29 de setembro;
  9. XXI Encontro SOCINE, na UFPB, em João Pessoa: de 17 a 20 de outubro;
  10. Eleições da SOCINE: 18 e 19 de outubro;
  11. Assembleia e posse da nova diretoria: 20 de outubro;
  12. Prazo de envio de trabalhos para os Anais de Textos Completos [XXI SOCINE]: a definir.