Ficha do Proponente

Proponente

    Priscilla Barbosa Durand (UFPE)

Minicurrículo

    Priscilla Durand é graduada em comunicação social pela Universidade Federal da Paraíba. Mestrado em comunicação em exercício na Universidade Federal de Pernambuco sendo bolsista da Facepe (Fundação da Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco). Pesquisa e trabalha com cinema e novas tecnologias. Dirigiu e produziu um curta em 3D estereoscópico em parceria com o Lavid da UFPB (Laboratório de vídeo digital), já ministrou palestras e oficinas para a prefeitura de João Pessoa sobre audiovisual.

Ficha do Trabalho

Título

    A MISE EN SCÈNE DOS FILMES EM 3D ANAGLIFO COMPARADO AOS POLARIZADOS

Resumo

    O objetivo deste trabalho é analisar a mise-en-scène do filme em 3D anaglifo Disque m para matar realizado na década de 50 – anos dourados do cinema em 3D – comparando com a mis-en-scène do filme em 3D polarizado Adeus à linguagem, a partir disso, defende-se o pressuposto de que essa tecnologia tem o potencial de formar um campo de experimentações cinematográficas, contribuindo para a criação de novas linguagens e experiências estéticas discutindo suas características e sua potencialidade de se tornar uma nova linguagem avaliando o impacto da encenação.

Resumo expandido

    O cinema é a sétima arte, por excelência, da imagem em movimento, porque, além de suas características peculiares – a forma do filme – associa elementos da literatura, da música, da arquitetura, das artes cênicas. Ao tratarmos da observação do filme, leitura e interpretação, é importante lembrarmos que o filme é regido de acordo com técnicas especificas (AUMONT, 1993). Sendo assim, desde os seus primórdios, o cinema é uma arte que se desenvolve em paralelo a sua tecnologia, agregando a sua linguagem – estilo do filme – aspectos tecnológicos. Bordwell (2008) nos dá exemplos sobre como a tecnologia modifica nossa encenação cinematográfica a sua mis-en-scène, ele enfatiza o uso das novas tecnologias utilizadas no cinema, ao citar, por exemplo, a steadicam. O steadicam permitiu trabalhar novas linguagens, planos cinematográficos, explicando assim uma mudança de estilo em determinado grupo de diretores. No cinema, o artista lança mão dos meios tecnológicos que ele tem à disposição para os seus fins artísticos. O 3D é uma forma de arte que absorveu os novos dispositivos tecnológicos na criação artística. Por isso, quando muda o meio, muda também a forma de fazer arte e aparecem novas possibilidades para o artista. Conforme lembra Santaella (2003), quando surge um novo meio, há uma interessante transição: primeiro, ele provoca um impacto sobre as formas e meios mais antigos; segundo, a linguagem que nasce dentro desse novo meio é tomada pelo artista como forma de experimentação. Com o surgimento da tecnologia 3D anaglifa no cinema na década de 50 – Naturalvision – que consistia em uma imagem que passa a ter um efeito estereoscópico (tridimensional) quando visualizada através de uns óculos feitos de cartolina e lentes de plástico azul e vermelho, a arte cinematográfica ganha um novo meio de criação e experimentação (ZONE, 2007). Esse trabalho visa perceber como uma mudança tecnológica estereoscópica foi experimentada e efetivamente utilizada pelas narrativas cinematográficas como procedimento estilístico e narrativo, comparando com os filmes em 3D na atualidade onde se utiliza a técnica polarizada; como é o caso de Adeus à Linguagem (Adieu Au Langage, Jean-Luc Godard, 2014).
    O objetivo deste trabalho é fazer uma comparação da mise-en-scène do filme em 3D anaglifo Disque M para matar (Dial M for murder, Alfred Hitchcock, 1954). Uma das cenas criadas para se ter maior repercussão no filme Disque M para matar, é quando a Grace Kelly está sendo estrangulada e estende sua mão em direção à plateia. Comparando com o filme polarizados atual Adeus à Linguagem, o 3D é explorado no filme com toda profundidade de campo, uma das cenas mais belas são as folhas que flutuam em um tanque onde mãos mergulham para se lavarem. A sensação de intimidade é potencializada pelo 3D, o espectador se torna parte da cena, olhando entre as plantas, abajur e os vasos. Como era a mise-en-scène dos primeiros filmes anaglifos? E como é a mis-en-scène dos filmes polarizados hoje? O que eles ofereciam e oferecem a mais em sua linguagem para atrair ao público? Acrescentava significação à narrativa cinematográfica? O que muda na encenação do filme “normal” para o filme em 3D? Que ajustes um cineasta precisava realizar no seu estilo – na forma de filmar – para utilizar corretamente as possibilidades expressivas do 3D? O papel do diretor na mis-en- scène é criar significado dentro do que acontece em cada plano. A composição dos atores e objetos, suas movimentações dentro do enquadramento, isso deve significar tudo dentro de um filme. As novas tecnologias de imagens dentro da narrativa apontam para essa característica dinâmica, da imagem como ‘’vivo’’ e como tecnologia decisiva de produção de conhecimento, observação e controle (FELINTO, 2010). É interessante perceber como os métodos de visualização em 3D anaglifo e polarizado, proporcionaram a possibilidade de novos usos estéticos nas narrativas cinematográficas, caracterizando, assim, uma mis-en-scène.

Bibliografia

    AUMONT, J; MARIE,M: A análise do filme. Lisboa: Texto e Grafia LTDA, 2004.

    BORDWELL, David. Figuras Traçadas na Luz: A encenação do cinema. Campinas, SP. Papirus, 2008.
    __________________. Sobre a História do Estilo Cinematográfico. Campinas, SP. Editora da Unicamp, 2013.

    CRARY, Jonathan. Técnicas do observador: Visão e modernidade no século XIX. Rio de Janeiro: Contraponto, 2012

    FELINTO, Erick e BENTES, Ivana. Avatar – o futuro do cinema e a ecologia das imagens digitais, Porto Alegre – RS, Editora Sulina, 2010.

    MENDIBURU, Bernard. 3D Movie Making: Stereoscopic Digital Cinema from Script to Screen, Miami, Focal Press 2009.

    SANTAELLA, Lucia. Cultura e Artes do pós-humano: da cultura das mídias à cibercultura. São Paulo: Paulus, 2003.

    TRICART, Celine. 3D Filmmaking: Techniques and Best Practices for Stereoscopic Filmmakers. French: Focal Press, 2016.

    ZONE, Ray. Stereoscopic Cinema & the Origins of 3D Film, 1838-1952. University Press of Kentucky, 2007.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2016.

 

Carta aberta ao Ministério da Educação e Ministério da Cultura

 

Assunto: Base Nacional Comum Curricular

 

 

A SOCINE (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) tem acompanhado os esforços de construção da Base Nacional Comum Curricular. Nosso comentário aqui irá se ater à especificidade de nossa área e sua relação com as propostas apresentadas na BNCC.

Dentro do texto preliminar do BNCC o componente curricular ARTE parte de uma grande área chamada linguagens. Dentro desta área as artes foram divididas em quatro grandes eixos: “artes visuais, dança, teatro e música”, conforme as licenciaturas específicas em arte, desconsiderando a Licenciatura em Cinema e Audiovisual (Resolução do CNE n. 10, de 27 de junho de 2006) e excluindo completamente o cinema como uma arte específica.

Foi essa subdivisão que nos trouxe uma primeira preocupação. Junto à todos esses subcomponentes da área de artes nos parece fundamental que esteja também o cinema. Esta atenção e necessidade não existe apenas porque trabalhamos e pesquisamos cinema e estamos atentos aos seus destinos, mas porque o cinema está intensamente presente na escola e na sociedade e, no momento da construção de uma base nacional para o currículo do ensino infantil, médio e fundamental as questões, contribuições e potencias do cinema na escola não podem ser excluídos.

Diversos componentes curriculares lançam mão de filmes de ficção, seriados, documentários para abordarem temas transversais e específicos de diferentes naturezas. O debate teórico que investigamos apontam para uma necessária vivência no âmbito escolar dos dispositivos cinematográficos desde a tenra idade seja para desenvolver a imaginação na Educação Infantil, na elaboração de cenários para o faz de conta, seja para a construção de identidade pessoal e cultural, seja pela singularidade da experiência sensível que o cinema possibilita.

Vale notar alguns fatos que sustentam nossa preocupação. Primeiramente o cinema é hoje obrigatório na escola. Graças à lei 13006/14, há uma obrigação de exibição de pelo menos duas horas de filmes brasileiros nas escolas. Esta lei, em vias de regulamentação, também exigirá que espaços físicos e materiais sejam garantidos nas escolas para sua efetivação, além da necessidade de uma real inclusão do cinema nas questões que tocam o currículo como um todo, transcendendo mesmo as linguagens específicas. Além de oferecer uma ampla versatilidade de conteúdo, a leitura de filmes e a própria produção audiovisual – inclusive com dispositivos móveis de comunicação – permite a professores e estudantes olhar para a realidade para descobri-la e inventá-la – gestos essenciais na produção de conhecimento.

Como bem é lembrado na proposta de BNC, “a formação em Arte acontece em licenciaturas específicas (artes visuais, dança, teatro e música)”, pois, também em licenciaturas de cinema. Embora talvez se presuma que “artes visuais” inclua de algum modo ao cinema, ele tem uma especificidade na formação do professor. Desde 2012 a Universidade Federal Fluminense possui uma licenciatura em cinema e a mobilização de outras universidade no mesmo caminho é evidente. Devemos ainda atentar à intensa contribuição que diversos programas de pós-graduação vêm dando às relações entre cinema e educação, algo que se evidência nos próprios encontros da sociedade que representamos, onde a cada ano temos diversos trabalhos e comunicações dedicados às relações do cinema com a educação.

Além da materialidade legal, de formação e de pesquisa que evidencia a íntima relação entre o cinema e a escola, a Rede Kino: Rede Latinoamericana de Educação, Cinema e Audiovisual, formada por professores e pesquisadores que trabalham na interface entre cinema e educação, vem mapeando projetos e iniciativas que se dedicam à essa interface, desde 2008. Projetos que acontecem em todo o país e que mobilizam centenas de escolas. Por fim, sabemos que o cinema é amplamente presente nas escolas por conta da contribuição que ele traz em tantas áreas, conteúdos e debates, da matemática às ciências, passando pelas histórias, geografias e humanidades em geral. Por todos esses motivos, pela intensa força pedagógica do cinema na escola, nos preocupa que no momento de construção de uma Base Curricular tão pouca atenção tenho sido dada ao cinema.

No nosso entender, a BNC deveria incluir um eixo Cinema e Audiovisual dentro do componente curricular artes, só assim garantiremos uma formação consistente em uma área decisiva da cultura contemporânea, além de uma experiência e uma habilidade em uma dimensão central das linguagens no mundo atual.

 

Atenciosamente

 

 

Cezar Migliorin

Presidente da SOCINE

  1. Prazo de pagamento da anuidade: de 1 a 24 de março; 
  2. Prazo de submissão de propostas de trabalhos para apresentação [XXI Encontro]: de 5 a 31 de março;
  3. Divulgação de propostas aprovadas para apresentação [XXI SOCINE]: 9 de junho;
  4. Período de pagamento das inscrições [XXI SOCINE]:
      • PRIMEIRO PRAZO: 3 a 13 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
      • SEGUNDO PRAZO: 14 a 24 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
      • TERCEIRO PRAZO: 25 de julho a 1 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00
  5. Chamada de candidaturas [Eleições da SOCINE]: 21 de agosto a 22 de setembro;
  6. Inscrição de ouvintes [XXI SOCINE]: a partir de 11 de setembro;
  7. Divulgação da programação [XXI SOCINE]: 19 de setembro;
  8. Divulgação das candidaturas homologadas [Eleições da SOCINE]: 29 de setembro;
  9. XXI Encontro SOCINE, na UFPB, em João Pessoa: de 17 a 20 de outubro;
  10. Eleições da SOCINE: 18 e 19 de outubro;
  11. Assembleia e posse da nova diretoria: 20 de outubro;
  12. Prazo de envio de trabalhos para os Anais de Textos Completos [XXI SOCINE]: a definir.