Ficha do Proponente

Proponente

    Eduardo dos Santos Oliveira (UFC)

Minicurrículo

    Eduardo dos Santos Oliveira é mestrando no Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal do Ceará (UFC). Possui interesse nas áreas de artes visuais, estudos interseccionais de gênero, sexualidade e performance.

Ficha do Trabalho

Título

    Para ver de perto: o tempo que escorre no cinema de Naomi Kawase

Resumo

    Ao apontarmos a ideia de que algumas produções do cinema contemporâneo e das artes visuais tensionam o nosso modo de estar diante de imagens ao trabalharem com a noção de uma estética do fluxo, tentamos nos aproximar do filme “Carta de Uma Cerejeira Amarela em Flor” (Tsuioku no Dansu, 2003), da realizadora japonesa Naomi Kawase, a fim de perceber na constituição de seus planos alguns caminhos para a experiência do espectador com a obra.

Resumo expandido

    Parece-nos interessante pensar as linhas estéticas do cinema e das artes visuais que desde os anos 1990 apontam para novas possibilidades de construção temporal, de relação entre corpos filmados e temas e de formas de fruição espectatorial. São vertentes que indicam o sensorial e o sensível como processos possíveis para estar com obras audiovisuais em detrimento de uma racionalização teleológica hegemônica. Decidimos, portanto, observar como uma dessas tendências, a da estética do fluxo, opera numa obra audiovisual específica. Esse termo teve origem no começo dos anos 2000, em uma série de artigos publicados por críticos da Cahiers du Cinema, sobretudo por Stephane Bouquet (2002). Para ele, esse emergente modo de fazer cinema aparece sobretudo em contraponto a outra forma, uma que utiliza o plano fílmico como articulação sintática. Ao encontro da ideia de Bouquet, Jean-Marc Lalanne (2002), discorre sobre a possibilidade de identificar essas movimentações estéticas também na dilatação temporal no transcorrer das imagens.

    É como se houvesse uma urgência em pensar esse outro tipo de fazer cinema, diferente do clássico e do moderno. Parte do contemporâneo, mas singular até mesmo nessa esfera. Um cinema que pede uma imersão corpórea na realidade em que se inscreve, que se constrói por blocos sensoriais, que não se mostra essencialmente linearizado ou concatenado sob uma lógica da causalidade. O cinema de fluxo é constituído por narrativas elítpicas e flutuantes, dramas mudos do cotidiano e o não-julgamento das situações e dos personagens, além de dar mais ênfase ao corpo (OLIVEIRA JR, 2008). São modos de elaborar imagens que abrem caminhos para uma reconfiguração na relação entre realizador e obra, e entre espectador e obra, além de indicar novas maneiras de ver e de ouvir, de colocar-se diante de imagens.

    Nessa perspectiva, propomos acompanhar as imagens de “Carta de Uma Cerejeira Amarela em Flor” (Tsuioku no Dansu, 2003), trabalho da realizadora japonesa Naomi Kawase, estar com esse filme, na intenção de investigar como a diretora dá a ver os pequenos gestos de seu amigo, o lento transcorrer dos acontecimentos num quarto de hospital, o “desimportante”. O “Carta” surge a partir de um contato via telefone, de um encontro que se tornou possível em função da presença de uma câmera — ou que ganharia uma outra forma concreta, atual, sem a filmadora. Kazuo Nishii, editor e crítico de fotografia, pede a Kawase que filme os últimos meses de vida dele após ser diagnosticado com câncer. O que vemos na tela por cinquenta e oito minutos, portanto, é o que deriva dessa união.

    Em função do modo que a câmera de Naomi Kawase acompanha o corpo do amigo fotógrafo, vai junto com ele, e de como a diretora dá a ver as suas apostas nas potências subjetivas e nos acasos, optamos por fazer uso do termo fluxo para estar com as imagens do filme. E sobretudo pela possibilidade que a noção do fluxo nos abre para pensar a construção e o processo de fabricação dessas imagens, e não teleologizá-las. De maneira que, operando junto ao conceito, buscaremos circunscrever um comportamento do olhar, e não uma bandeira ou programa a ser seguido. Kawase dá a ver os pormenores, convoca o espectador a perceber o pequeno, a notar parte do encantamento de sua experiência com a câmera e com o outro filmado. Ações que desencadeiam afetos e sensações, não julgamentos. Gestos e expressões mínimas que surgem na (e com a) imagem. Uma mise-en-scène vacilante, trêmula, mas que diz de um cuidado que vai do encontro, do filmar, ao montar e dar a ver. É um desenho conciso do que buscaríamos estender no desenvolvimento deste ensaio.

Bibliografia

    BOUQUET, Stephane. Plan contre flux. In: Cahiérs du Cinema, n. 566, março de 2002. Paris: 2002, pp. 46-47

    COMOLLI, Jean-Louis. Ver e poder. A inocência perdida: cinema, televisão, ficção, documentário. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2008.

    DELEUZE, Gilles. A Imagem-tempo. São Paulo: Brasiliense, 2005.

    LALLANE, Jean Marc. C’est quoi ce plan?. In: Cahiérs du Cinema, n. 569, junho de 2002. Paris:2002, pp.26-27.

    OLIVEIRA JR, Luiz Carlos. Rotterdam 2008: o cinema sob o paradoxo do contemporâneo. In: Contracampo, n. 91, 03/2008. Rio de Janeiro: 2008. Disponível em: Acesso em 22/10/2015.

    VIEIRA JR, Erly. Marcas de um realismo sensório no cinema contemporâneo​. 2012. 242p. Tese apresentada ao Programa de Pós­Graduação em Comunicação e Cultura da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Defendida em março de 2012.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Manifestamos aqui nossa preocupação e atenção em relação aos recentes acontecimentos políticos no país.

Na área que nos é mais próxima, temos visto duríssimos ataques ao jornalismo que se pauta pela democracia, ética e princípios republicanos. Com objetivos políticos não mais velados, jornalistas que atuam nos grandes meios perderam o respeito não apenas pelas suas profissões, mas pela própria importância de uma mídia equilibrada, democrática e justa.

O que vimos nos últimos dias, sobretudo com as Organizações Globo, atenta contra o grande esforço que nas últimas décadas tantos atores sociais têm feito para que a justiça e uma imprensa livre sejam parte constituinte da república. Não há como defender o fim da corrupção e corromper todos os meios para destruir este ou aquele ator político.

Afirmamos assim que:

– Qualquer atuação dos grandes órgãos de imprensa que atente contra a ordem democrática através de difamações e incitações à instabilidade é inaceitável.

Sobre os recentes acontecimentos, afirmamos ainda que:

– Nenhuma atuação do jurídico ou da polícia federal deve ser feita com fins partidários e com arbitrariedades e abusos de poder.

– Qualquer abuso de poder do poder judiciário deve ser coibido e a igualdade entre indivíduos respeitada.

A crise do país e as importantes investigações sobre corrupção não justificam que certos atores sociais, no poder jurídico ou na grande imprensa, atentem contra a democracia e a ordem republicana.
SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual
diretoria do FORCINE – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual

  1. Prazo de pagamento da anuidade: de 1 a 24 de março; 
  2. Prazo de submissão de propostas de trabalhos para apresentação [XXI Encontro]: de 5 a 31 de março;
  3. Divulgação de propostas aprovadas para apresentação [XXI SOCINE]: 9 de junho;
  4. Período de pagamento das inscrições [XXI SOCINE]:
      • PRIMEIRO PRAZO: 3 a 13 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
      • SEGUNDO PRAZO: 14 a 24 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
      • TERCEIRO PRAZO: 25 de julho a 1 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00
  5. Chamada de candidaturas [Eleições da SOCINE]: 21 de agosto a 22 de setembro;
  6. Inscrição de ouvintes [XXI SOCINE]: a partir de 11 de setembro;
  7. Divulgação da programação [XXI SOCINE]: 19 de setembro;
  8. Divulgação das candidaturas homologadas [Eleições da SOCINE]: 29 de setembro;
  9. XXI Encontro SOCINE, na UFPB, em João Pessoa: de 17 a 20 de outubro;
  10. Eleições da SOCINE: 18 e 19 de outubro;
  11. Assembleia e posse da nova diretoria: 20 de outubro;
  12. Prazo de envio de trabalhos para os Anais de Textos Completos [XXI SOCINE]: a definir.

APENAS TRABALHOS ENVIADOS PARA O E-MAIL ANAIS@SOCINE.ORG.BR SERÃO ACEITOS.

CADA ASSOCIADO PODERÁ ENVIAR APENAS UM ARQUIVO. NO CASO DE ENVIO DE MAIS DE UM ARQUIVO APENAS O ÚLTIMO SERÁ CONSIDERADO.

OS TEXTOS NÃO SERÃO REVISADOS, SENDO DE RESPONSABILIDADE DOS AUTORES OBSERVAREM NORMAS DE CITAÇÃO, REFERÊNCIAS, DIREITOS AUTORAIS, CORREÇÃO ORTOGRÁFICA E GRAMATICAL.

OS TEXTOS DEVEM APRESENTAR TÍTULO EM PORTUGUÊS E EM INGLÊS, RESUMO E ABSTRACT COM NO MÁXIMO 500 CARACTERES COM ESPAÇO CADA E PALAVRAS-CHAVE E KEYWORDS (MÁXIMO DE 5, SEPARADAS POR VÍRGULAS E COM PONTO FINAL).

OS TEXTOS NÃO PODEM ULTRAPASSAR O VOLUME DE 17.000 CARACTERES CONTANDO OS ESPAÇOS, INCLUÍDOS NESSE TOTAL TODOS OS ELEMENTOS TEXTUAIS COMO TÍTULO, TITLE, RESUMO, ABSTRACT, PALAVRAS-CHAVE, KEYWORDS, REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS, NOTAS, LEGENDAS E CITAÇÕES.

TEXTOS FORA DAS NORMAS NÃO SERÃO PUBLICADOS E NÃO HAVERÁ NOVA CHAMADA PARA CORREÇÃO OU ADEQUAÇÃO ÀS NORMAS.

OS TEXTOS DEVEM SER ENTREGUES DE ACORDO COM A ORDEM DE ELEMENTOS E O PADRÃO APRESENTADOS NO ARQUIVO MODELO. A FALTA DE QUALQUER ELEMENTO TEXTUAL, OU DESACORDO COM O VOLUME TEXTUAL APONTADO, IMPLICARÁ NA NÃO PUBLICAÇÃO DO TEXTO, SEM AVISO PRÉVIO.

PADRONIZAÇÃO:

Os textos deverão ser padronizados da seguinte forma (conforme arquivo modelo):

  1. Arquivo em formato .doc ou .docx;
  2. Arquivo nomeado da seguinte forma: NOME_SOBRENOME_DATADEENVIO.doc
  3. Espaçamento entre linhas 2, formato A4, fonte Arial, tamanho 10;
  4. Título e title destacados em negrito, em fonte Arial ,tamanho 14;
  5. Autor destacado em negrito, fonte Arial, tamanho 10;
  6. Subtítulos destacados em negrito (com espaço entre linhas adicional antes), fonte Arial tamanho 10;
  7. Destaques ao longo do texto devem ser feitos em itálico;
  8. Notas de rodapé em fonte Arial, tamanho 9, e numeradas em sequência.
  9. As citações referenciais não vão em nota de rodapé, devendo ser identificadas (entre parênteses) no texto, logo após o trecho citado, colocando o sobrenome do autor (com todas as letras em maiúsculo), o ano e, quando necessário, a página.Exemplos:
    • Um autor: (WENTH, 1998, p. 12);
    • Dois autores: (LAMARE; SOARES, 1990, p. 134-135);
    • Três ou mais autores: (HARRIS et al, 1998, p. 26).
  10. Citações com mais de quatro linhas deverão vir em parágrafo específico, com recuo de 4 cm, em espaçamento 1, tamanho de fonte 10 e espaço simples antes e depois das citações. Não usar Idem ou Ibidem.
  11. A lista de referências bibliográficas deve estar em ordem alfabética, de acordo com as normas ABNT (6023 e 10520).Exemplos:
    • Formato para livros:
      CALDWELL, J. T. Televisuality: style, crisis, and authority in American television. New Jersey: Rutgers, 1995. (Subtítulo em minúscula e depois de dois pontos, sem itálico.
      – Prenomes dos autores abreviados; maiúscula apenas na primeira letra do título; não utilizar prenomes em editoras, desde que isso não comprometa a identificação).
    • Formato para teses e dissertações:
      MUANIS, F. As metaimagens na televisão contemporânea: as vinhetas da Rede Globo e MTV. Tese (Doutorado) – Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2010.
    • Formato para artigos:
      PAIVA, S. “A propósito do gênero road movie no Brasil: um romance, uma série de TV e um filme de estrada”. Rumores:, São Paulo, v. 1, n. 6, set.-dez. 2009.
    • Formato para trabalhos apresentados em eventos:
      REGUILLO, R. “El lenguaje e los narcos”. In: SEMINARIO NARCOTRÁFICO Y VIOLENCIA EN CIUDADES DE AMÉRICA LATINA: retos para un nuevo periodismo, 2009, México. Anais eletrônicos:… México: FNPI, 2009. Disponível em: . Acesso em: 15 ago. 2011.
  12. Caso o trabalho contenha imagens, quadros ou tabelas, é necessário incluí-los ao longo do texto, de modo compatível com o arquivo. As legendas devem estar imediatamente abaixo das figuras e dos gráficos e os títulos imediatamente acima dos quadros e das tabelas. Todos deverão estar numerados consecutivamente, em arábico. De acordo com a lei de direitos autorais, as fotos e os desenhos devem vir acompanhados dos nomes de seus autores.