Ficha do Proponente

Proponente

    Laila Melchior Pimentel Francisco (UFRJ)

Minicurrículo

    Pesquisadora, ensaísta e produtora cultural independente. Mestre em Comunicação e Cultura pela Escola de Comunicação da UFRJ; graduada em Rádio e TV pela mesma instituição. Investiga processos estéticos e hibridações artísticas com publicações em veículos especializados. Atualmente leciona no curso de graduação em Cinema e Mídias Digitais do Instituto de Educação Superior de Brasilia.

Ficha do Trabalho

Título

    Notas sobre ensaio e poesia em “Nostalgia da Luz”

Resumo

    Em “Nostalgia da Luz” (2010) Patrício Guzmán realiza um intenso trabalho de escavação e arqueologia, convoca a pensar sobre um tipo específico de possibilidade poética audiovisual. Esta apresentação busca apontar e comentar algumas perspectivas de enunciação que podem contribuir para pensar certas relações entre o verbal e o visual, contemplando a tomada subjetiva que caracteriza o filme na tentativa de uma revisão de certas formas do ensaio e da poesia como seus princípios determinantes.

Resumo expandido

    Ao eleger o Atacama como ponto de partida e chave da realização de “Nostalgia da Luz”, Patrício Guzmán dá início ao intenso trabalho de escavação e arqueologia que caracteriza seu filme, explorando algumas das mais díspares camadas que este deserto pode evocar diante da história e do próprio território chileno. A originalidade e a beleza do filme convocam a reflexão acerca da potência do meio audiovisual para criar um tipo específico de poesia. Mais do que isto, convidam a pensar as operações propriamente poéticas do diretor. Esta apresentação busca apontar e comentar algumas perspectivas de enunciação que podem contribuir para colocar em questão certas relações entre o verbal e o visual, contemplando a tomada subjetiva que caracteriza o filme onde certas formas do ensaio e da poesia serão princípios determinantes.
    Como por metáfora, ou como aviso, uma das primeiras imagens do filme mostra os círculos concêntricos na base da maquinaria de um telescópio, introduzindo um modo de funcionamento em que o próprio filme propõe incessantes paralelismos e similaridades em torno de um mesmo eixo. Abrange-se cada vez mais círculos no emaranhado das relações naturais e históricas que se conectam no território do Atacama: ponto de referência para o estudo da astronomia, da arqueologia e também um lugar onde o clima seco pôde conservar a matéria orgânica dos presos e torturados políticos mortos e ali despejados pela ditadura de Pinochet.
    Guzmán aprofunda a relação entre estes círculos por meio da própria noção de ensaio que, de acordo com uma de suas definições é um gênero entre a literatura e a ciência que se revolta contra a obra maior. No contexto fílmico, o ensaio aponta para alternativas à maneira clássica de fazer documentário, marcando a contingência e a fragilidade. Guzmán vai nesse sentido quando anuncia a intuição que rege a “escritura” de seu filme: a de que o deserto contém segredos. Assim, convida o espectador a seguir com ele e seus métodos as pistas de que dispõe para descobri-los, ainda que, como indicam as falas de vários dos personagens que encontra ao longo do filme, ao segui-las, as perguntas só se multipliquem.
    Descobrimos afinal que a história não pode ser tão facilmente descortinada, restando apenas a possibilidade do apelo à memória. Em sua vocação poética e ensaística, o filme funciona como uma espécie de aparelho de ver, como se fosse um dos telescópios instalados no Atacama, usa de certos métodos, mas também parece estar atento ao fato de que é necessário desconfiar destes. Sem garantias de encontrar a verdade, e consciente do esquecimento ao qual o país parece querer se prender, a narração de Guzmán, os testemunhos e as imagens que o filme dá a ver cumprem a função de guias ali onde é quase impossível descobrir algo ou decodificar as paisagens.
    Os telescópios dos astrônomos não serão, portanto, as únicas máquinas de ver nesse deserto: as lentes do cinema de Guzmán lhe farão companhia, mas não parecem esperar encontrar mais do que pistas díspares, na medida em que o filme se desenrola sob o risco da memória, sem a possibilidade de recuperar o real. Ao se perguntar sobre o Atacama, território tão apropriado para se estudar o passado, o filme faz incursões, como se ruminasse sobre modos possíveis de lidar com o acontecido. Interessado na criação de fórmulas, procedimentos ou dispositivos poéticos para tanto, Guzmán compara o deserto com as superfícies extraterrestres: suas articulações de palavra e imagem contrastam e aproximam céu e solo, ossos e corpos celestes. Dimensões reais e imaginadas da história chilena se cruzarão sem que possamos distingui-las claramente. Dentre elas estão as imagens do universo e da poeira do deserto, tampouco facilmente distinguíveis: trata-se de imagens de um tempo embaralhado onde o passado se faz presente a todo o tempo, em cada relato e em cada uma das pequenas pistas que, por menores que sejam, resistem como um grito de voz coletiva.

Bibliografia

    ADORNO, Theodor. O ensaio como forma. In: Notas de Literatura 1. São Paulo: Duas
    Cidades/Editora 34, 2003.
    DELEUZE, Gilles. Imagem-movimento: cinema II. Sao Paulo: Brasiliense, 1990.
    FOUCAULT, Michel. A arqueologia do saber. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2004.
    LINS, Consuelo. A voz, o ensaio, o outro. Catálogo da Retrospectiva de Agnès Varda. RJ,
    SP, Brasília: CCBB, 2006.
    MACHADO, Arlindo. O filme-ensaio. Trabalho apresentado no Núcleo de Comunicação
    Audiovisual, XXVI Congresso Anual em Ciência da Comunicação, Belo Horizonte/MG, 02 a
    06 de setembro de 2003.
    PASOLINI, Pier Paolo. The cinema of poetry. In. NICHOLS, Bill. Movies and Methods: An
    Anthology. CA: University of California Press, 1976

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Manifestamos aqui nossa preocupação e atenção em relação aos recentes acontecimentos políticos no país.

Na área que nos é mais próxima, temos visto duríssimos ataques ao jornalismo que se pauta pela democracia, ética e princípios republicanos. Com objetivos políticos não mais velados, jornalistas que atuam nos grandes meios perderam o respeito não apenas pelas suas profissões, mas pela própria importância de uma mídia equilibrada, democrática e justa.

O que vimos nos últimos dias, sobretudo com as Organizações Globo, atenta contra o grande esforço que nas últimas décadas tantos atores sociais têm feito para que a justiça e uma imprensa livre sejam parte constituinte da república. Não há como defender o fim da corrupção e corromper todos os meios para destruir este ou aquele ator político.

Afirmamos assim que:

– Qualquer atuação dos grandes órgãos de imprensa que atente contra a ordem democrática através de difamações e incitações à instabilidade é inaceitável.

Sobre os recentes acontecimentos, afirmamos ainda que:

– Nenhuma atuação do jurídico ou da polícia federal deve ser feita com fins partidários e com arbitrariedades e abusos de poder.

– Qualquer abuso de poder do poder judiciário deve ser coibido e a igualdade entre indivíduos respeitada.

A crise do país e as importantes investigações sobre corrupção não justificam que certos atores sociais, no poder jurídico ou na grande imprensa, atentem contra a democracia e a ordem republicana.
SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual
diretoria do FORCINE – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual

  1. Prazo de pagamento da anuidade: de 1 a 24 de março; 
  2. Prazo de submissão de propostas de trabalhos para apresentação [XXI Encontro]: de 5 a 31 de março;
  3. Divulgação de propostas aprovadas para apresentação [XXI SOCINE]: 9 de junho;
  4. Período de pagamento das inscrições [XXI SOCINE]:
      • PRIMEIRO PRAZO: 3 a 13 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
      • SEGUNDO PRAZO: 14 a 24 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
      • TERCEIRO PRAZO: 25 de julho a 1 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00
  5. Chamada de candidaturas [Eleições da SOCINE]: 21 de agosto a 22 de setembro;
  6. Inscrição de ouvintes [XXI SOCINE]: a partir de 11 de setembro;
  7. Divulgação da programação [XXI SOCINE]: 19 de setembro;
  8. Divulgação das candidaturas homologadas [Eleições da SOCINE]: 29 de setembro;
  9. XXI Encontro SOCINE, na UFPB, em João Pessoa: de 17 a 20 de outubro;
  10. Eleições da SOCINE: 18 e 19 de outubro;
  11. Assembleia e posse da nova diretoria: 20 de outubro;
  12. Prazo de envio de trabalhos para os Anais de Textos Completos [XXI SOCINE]: a definir.

APENAS TRABALHOS ENVIADOS PARA O E-MAIL ANAIS@SOCINE.ORG.BR SERÃO ACEITOS.

CADA ASSOCIADO PODERÁ ENVIAR APENAS UM ARQUIVO. NO CASO DE ENVIO DE MAIS DE UM ARQUIVO APENAS O ÚLTIMO SERÁ CONSIDERADO.

OS TEXTOS NÃO SERÃO REVISADOS, SENDO DE RESPONSABILIDADE DOS AUTORES OBSERVAREM NORMAS DE CITAÇÃO, REFERÊNCIAS, DIREITOS AUTORAIS, CORREÇÃO ORTOGRÁFICA E GRAMATICAL.

OS TEXTOS DEVEM APRESENTAR TÍTULO EM PORTUGUÊS E EM INGLÊS, RESUMO E ABSTRACT COM NO MÁXIMO 500 CARACTERES COM ESPAÇO CADA E PALAVRAS-CHAVE E KEYWORDS (MÁXIMO DE 5, SEPARADAS POR VÍRGULAS E COM PONTO FINAL).

OS TEXTOS NÃO PODEM ULTRAPASSAR O VOLUME DE 17.000 CARACTERES CONTANDO OS ESPAÇOS, INCLUÍDOS NESSE TOTAL TODOS OS ELEMENTOS TEXTUAIS COMO TÍTULO, TITLE, RESUMO, ABSTRACT, PALAVRAS-CHAVE, KEYWORDS, REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS, NOTAS, LEGENDAS E CITAÇÕES.

TEXTOS FORA DAS NORMAS NÃO SERÃO PUBLICADOS E NÃO HAVERÁ NOVA CHAMADA PARA CORREÇÃO OU ADEQUAÇÃO ÀS NORMAS.

OS TEXTOS DEVEM SER ENTREGUES DE ACORDO COM A ORDEM DE ELEMENTOS E O PADRÃO APRESENTADOS NO ARQUIVO MODELO. A FALTA DE QUALQUER ELEMENTO TEXTUAL, OU DESACORDO COM O VOLUME TEXTUAL APONTADO, IMPLICARÁ NA NÃO PUBLICAÇÃO DO TEXTO, SEM AVISO PRÉVIO.

PADRONIZAÇÃO:

Os textos deverão ser padronizados da seguinte forma (conforme arquivo modelo):

  1. Arquivo em formato .doc ou .docx;
  2. Arquivo nomeado da seguinte forma: NOME_SOBRENOME_DATADEENVIO.doc
  3. Espaçamento entre linhas 2, formato A4, fonte Arial, tamanho 10;
  4. Título e title destacados em negrito, em fonte Arial ,tamanho 14;
  5. Autor destacado em negrito, fonte Arial, tamanho 10;
  6. Subtítulos destacados em negrito (com espaço entre linhas adicional antes), fonte Arial tamanho 10;
  7. Destaques ao longo do texto devem ser feitos em itálico;
  8. Notas de rodapé em fonte Arial, tamanho 9, e numeradas em sequência.
  9. As citações referenciais não vão em nota de rodapé, devendo ser identificadas (entre parênteses) no texto, logo após o trecho citado, colocando o sobrenome do autor (com todas as letras em maiúsculo), o ano e, quando necessário, a página.Exemplos:
    • Um autor: (WENTH, 1998, p. 12);
    • Dois autores: (LAMARE; SOARES, 1990, p. 134-135);
    • Três ou mais autores: (HARRIS et al, 1998, p. 26).
  10. Citações com mais de quatro linhas deverão vir em parágrafo específico, com recuo de 4 cm, em espaçamento 1, tamanho de fonte 10 e espaço simples antes e depois das citações. Não usar Idem ou Ibidem.
  11. A lista de referências bibliográficas deve estar em ordem alfabética, de acordo com as normas ABNT (6023 e 10520).Exemplos:
    • Formato para livros:
      CALDWELL, J. T. Televisuality: style, crisis, and authority in American television. New Jersey: Rutgers, 1995. (Subtítulo em minúscula e depois de dois pontos, sem itálico.
      – Prenomes dos autores abreviados; maiúscula apenas na primeira letra do título; não utilizar prenomes em editoras, desde que isso não comprometa a identificação).
    • Formato para teses e dissertações:
      MUANIS, F. As metaimagens na televisão contemporânea: as vinhetas da Rede Globo e MTV. Tese (Doutorado) – Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2010.
    • Formato para artigos:
      PAIVA, S. “A propósito do gênero road movie no Brasil: um romance, uma série de TV e um filme de estrada”. Rumores:, São Paulo, v. 1, n. 6, set.-dez. 2009.
    • Formato para trabalhos apresentados em eventos:
      REGUILLO, R. “El lenguaje e los narcos”. In: SEMINARIO NARCOTRÁFICO Y VIOLENCIA EN CIUDADES DE AMÉRICA LATINA: retos para un nuevo periodismo, 2009, México. Anais eletrônicos:… México: FNPI, 2009. Disponível em: . Acesso em: 15 ago. 2011.
  12. Caso o trabalho contenha imagens, quadros ou tabelas, é necessário incluí-los ao longo do texto, de modo compatível com o arquivo. As legendas devem estar imediatamente abaixo das figuras e dos gráficos e os títulos imediatamente acima dos quadros e das tabelas. Todos deverão estar numerados consecutivamente, em arábico. De acordo com a lei de direitos autorais, as fotos e os desenhos devem vir acompanhados dos nomes de seus autores.