Ficha do Proponente

Proponente

    Dayane de Andrade (UNICAMP)

Minicurrículo

    Dayane de Andrade, graduada em comunicação-social, com habilitação em publicidade e propaganda, pela Universidade Estadual do Centro-Oeste, atualmente é mestranda no programa de pós-graduação em Multimeios, pela Universidade Estadual de Campinas, sob a orientação do professor Dr. Fábio Nauras Akhras. Pesquisadora pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, realiza atualmente pesquisas sobre encenação no cinema documental.

Ficha do Trabalho

Título

    Errol Morris: análise da encenação em Gates of Heaven e The Fog of war

Resumo

    Propomos analisar a questão da encenação documentária em dois filmes do cineasta Errol Morris. Tendo em vista que a encenação documentária parte da relação entre personagem e sujeito da câmera, fazemos uma breve análise do corpo do personagem no documentário, verificando como sua movimentação corporal configura-se na cena, diante do sujeito-da-câmera e de seu aparato fílmico. E como a presença do aparato fílmico deste cineasta, chamado por ele de Interrotron, pode interferir na questão corporal.

Resumo expandido

    O conceito de mise-en-scène, trazido para o cinema na década de 50 pelos teóricos da Nouvelle Vague, passou a figurar um novo parâmetro para o cinema de autor. De acordo com Bordwell (2008), a concepção de mise-en-scène na política dos autores se referia a aspectos como interpretação, enquadramento, iluminação, posicionamento da câmera, e também a maneira como os atores entram na composição do quadro e o modo como as ações se enrolam.
    A encenação no cinema de ficção, porém, difere da encenação que pretendemos no documentário. Ramos (2012) articula o conceito de encenação para o documentário, ao especificar o movimento e as expressões do corpo na cena, enquanto interagem com o sujeito-da-câmera, como ponto central da encenação documentária. O corpo do sujeito no documentário encena para outro, no caso o diretor, e por consequência para o espectador, através da câmera. Essa encenação acontece no ambiente da tomada, enquanto há o embate entre diretor e o personagem. É necessário pensarmos então como a presença do aparato fílmico interage também com o personagem documental.
    Errol Morris é um cineasta que parte do método da entrevista na construção de seus documentários, e para seu método desenvolveu um aparelho de filmagem, denominado Interrotron, que consiste em uma variação do teleprompter, permitindo que o entrevistado olhe diretamente para a lente da câmera enquanto fala, e ao olhar para a lente da câmera veja a imagem do diretor. Este aparelho modifica o embate do personagem com o cineasta na tomada.
    Enquanto em Gates of heaven (1978), documentário não mediado pelo Interrotron, temos planos mais longos e a câmera passeando pelos ambientes internos e externos, em The fog of war (2003), já mediado pelo aparelho, a câmera é fixa e frontal o tempo todo. Em Gates of heaven percebemos maior mobilidade dos personagens, diferentes ações em diferentes ambientes como em casa e no trabalho, percebemos que alguns personagens parecem desconfortáveis diante da câmera, não gesticulam muito, não se movimentam muito, e o principal, não conseguem encarar a câmera.
    Em The fog of war a câmera fixa e a configuração do Interroton “obrigam” o personagem a olhar para a câmera, os planos em sua grande maioria são mais fechados trazendo à tona principalmente as expressões e olhares do personagem, diferente de Gates of Heaven, em que as ações e o ambiente também têm seu lugar.
    A principal característica que o Intrerrotron modifica nas formas de encenar é com relação ao olhar do personagem. Quando uma pessoa está sendo filmada, está sendo entrevistada diante de uma câmera, muitas vezes ela se sente desconfortável, por estar sendo filmada e por ter que falar olhando para uma máquina funcional, fria, sem vida, e por diversas vezes os personagens desviam seu olhar da lente da câmera.
    Ao colocar seu rosto diretamente em frente ao Interrotron, Morris encarna a própria câmera no momento da tomada, ele e a câmera tornam-se um só, ele deixa de ser apenas o sujeito que opera a câmera para transfigurar-se no próprio sujeito-câmera.
    Isso interfere também na relação de intimidade dentro da tomada, em dois níveis, no nível diretor-personagem e no nível personagem-espectador. Isso pois, quando Morris se insere “dentro” da câmera, ela deixa de ser apenas um elemento funcional, desprovido de vida, e inaugura na tomada uma intimidade na relação diretor-personagem que antes não existia. Em consequência, a intimidade na relação personagem-espectador também aumenta.
    Por fim, a presença do Interrotron não interfere apenas nos gestos, expressões e olhares dos personagens. Mas a partir dessa interferência também constatamos uma mudança na encenação dos personagens, o que configura uma recepção completamente diferente por parte do espectador.

Bibliografia

    BORDWELL, David. Figuras traçadas na luz: a encenação no cinema. Campinas: Papirus, 2008.
    NICHOLS, Bill. Introdução ao Documentário. Campinas: Papirus, 3ª ed., 2005.
    PLANTINGA, Carl. The Philosophy of Errol Morris: Ten Lessons. In: ROTHMAN, William. Three Documentary Filmmakers: Errol Morris, Ross McElwee, Jean Rouch. New York: State University of New York Press, 2009.
    RAMOS, Fernão Pessoa. A Mise-en-scène do Documentário: Eduardo Coutinho e João Moreira Salles. 2012. Disponível em: http://www.bocc.ubi.pt/. Acesso em: 20 de Maio de 2015
    ______. Mas afinal… O que é mesmo documentário?. São Paulo: Senac, 2008.
    ______. Teoria Contemporânea do Cinema. Vol. 2: Documentário e Narrativa Ficcional. São Paulo: Senac, 2005.
    ROTHMAN, William. Three Documentary Filmmakers: Errol Morris, Ross McElwee, Jean Rouch. New York: State University of New York Press, 2009.
    TEIXEIRA, Francisco Elinaldo (org.). Documentário no Brasil: tradição e transformação. São Paulo: Summus, 2004

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Manifestamos aqui nossa preocupação e atenção em relação aos recentes acontecimentos políticos no país.

Na área que nos é mais próxima, temos visto duríssimos ataques ao jornalismo que se pauta pela democracia, ética e princípios republicanos. Com objetivos políticos não mais velados, jornalistas que atuam nos grandes meios perderam o respeito não apenas pelas suas profissões, mas pela própria importância de uma mídia equilibrada, democrática e justa.

O que vimos nos últimos dias, sobretudo com as Organizações Globo, atenta contra o grande esforço que nas últimas décadas tantos atores sociais têm feito para que a justiça e uma imprensa livre sejam parte constituinte da república. Não há como defender o fim da corrupção e corromper todos os meios para destruir este ou aquele ator político.

Afirmamos assim que:

– Qualquer atuação dos grandes órgãos de imprensa que atente contra a ordem democrática através de difamações e incitações à instabilidade é inaceitável.

Sobre os recentes acontecimentos, afirmamos ainda que:

– Nenhuma atuação do jurídico ou da polícia federal deve ser feita com fins partidários e com arbitrariedades e abusos de poder.

– Qualquer abuso de poder do poder judiciário deve ser coibido e a igualdade entre indivíduos respeitada.

A crise do país e as importantes investigações sobre corrupção não justificam que certos atores sociais, no poder jurídico ou na grande imprensa, atentem contra a democracia e a ordem republicana.
SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual
diretoria do FORCINE – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual

  1. Prazo de pagamento da anuidade: de 1 a 24 de março; 
  2. Prazo de submissão de propostas de trabalhos para apresentação [XXI Encontro]: de 5 a 31 de março;
  3. Divulgação de propostas aprovadas para apresentação [XXI SOCINE]: 9 de junho;
  4. Período de pagamento das inscrições [XXI SOCINE]:
      • PRIMEIRO PRAZO: 3 a 13 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
      • SEGUNDO PRAZO: 14 a 24 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
      • TERCEIRO PRAZO: 25 de julho a 1 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00
  5. Chamada de candidaturas [Eleições da SOCINE]: 21 de agosto a 22 de setembro;
  6. Inscrição de ouvintes [XXI SOCINE]: a partir de 11 de setembro;
  7. Divulgação da programação [XXI SOCINE]: 19 de setembro;
  8. Divulgação das candidaturas homologadas [Eleições da SOCINE]: 29 de setembro;
  9. XXI Encontro SOCINE, na UFPB, em João Pessoa: de 17 a 20 de outubro;
  10. Eleições da SOCINE: 18 e 19 de outubro;
  11. Assembleia e posse da nova diretoria: 20 de outubro;
  12. Prazo de envio de trabalhos para os Anais de Textos Completos [XXI SOCINE]: a definir.

APENAS TRABALHOS ENVIADOS PARA O E-MAIL ANAIS@SOCINE.ORG.BR SERÃO ACEITOS.

CADA ASSOCIADO PODERÁ ENVIAR APENAS UM ARQUIVO. NO CASO DE ENVIO DE MAIS DE UM ARQUIVO APENAS O ÚLTIMO SERÁ CONSIDERADO.

OS TEXTOS NÃO SERÃO REVISADOS, SENDO DE RESPONSABILIDADE DOS AUTORES OBSERVAREM NORMAS DE CITAÇÃO, REFERÊNCIAS, DIREITOS AUTORAIS, CORREÇÃO ORTOGRÁFICA E GRAMATICAL.

OS TEXTOS DEVEM APRESENTAR TÍTULO EM PORTUGUÊS E EM INGLÊS, RESUMO E ABSTRACT COM NO MÁXIMO 500 CARACTERES COM ESPAÇO CADA E PALAVRAS-CHAVE E KEYWORDS (MÁXIMO DE 5, SEPARADAS POR VÍRGULAS E COM PONTO FINAL).

OS TEXTOS NÃO PODEM ULTRAPASSAR O VOLUME DE 17.000 CARACTERES CONTANDO OS ESPAÇOS, INCLUÍDOS NESSE TOTAL TODOS OS ELEMENTOS TEXTUAIS COMO TÍTULO, TITLE, RESUMO, ABSTRACT, PALAVRAS-CHAVE, KEYWORDS, REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS, NOTAS, LEGENDAS E CITAÇÕES.

TEXTOS FORA DAS NORMAS NÃO SERÃO PUBLICADOS E NÃO HAVERÁ NOVA CHAMADA PARA CORREÇÃO OU ADEQUAÇÃO ÀS NORMAS.

OS TEXTOS DEVEM SER ENTREGUES DE ACORDO COM A ORDEM DE ELEMENTOS E O PADRÃO APRESENTADOS NO ARQUIVO MODELO. A FALTA DE QUALQUER ELEMENTO TEXTUAL, OU DESACORDO COM O VOLUME TEXTUAL APONTADO, IMPLICARÁ NA NÃO PUBLICAÇÃO DO TEXTO, SEM AVISO PRÉVIO.

PADRONIZAÇÃO:

Os textos deverão ser padronizados da seguinte forma (conforme arquivo modelo):

  1. Arquivo em formato .doc ou .docx;
  2. Arquivo nomeado da seguinte forma: NOME_SOBRENOME_DATADEENVIO.doc
  3. Espaçamento entre linhas 2, formato A4, fonte Arial, tamanho 10;
  4. Título e title destacados em negrito, em fonte Arial ,tamanho 14;
  5. Autor destacado em negrito, fonte Arial, tamanho 10;
  6. Subtítulos destacados em negrito (com espaço entre linhas adicional antes), fonte Arial tamanho 10;
  7. Destaques ao longo do texto devem ser feitos em itálico;
  8. Notas de rodapé em fonte Arial, tamanho 9, e numeradas em sequência.
  9. As citações referenciais não vão em nota de rodapé, devendo ser identificadas (entre parênteses) no texto, logo após o trecho citado, colocando o sobrenome do autor (com todas as letras em maiúsculo), o ano e, quando necessário, a página.Exemplos:
    • Um autor: (WENTH, 1998, p. 12);
    • Dois autores: (LAMARE; SOARES, 1990, p. 134-135);
    • Três ou mais autores: (HARRIS et al, 1998, p. 26).
  10. Citações com mais de quatro linhas deverão vir em parágrafo específico, com recuo de 4 cm, em espaçamento 1, tamanho de fonte 10 e espaço simples antes e depois das citações. Não usar Idem ou Ibidem.
  11. A lista de referências bibliográficas deve estar em ordem alfabética, de acordo com as normas ABNT (6023 e 10520).Exemplos:
    • Formato para livros:
      CALDWELL, J. T. Televisuality: style, crisis, and authority in American television. New Jersey: Rutgers, 1995. (Subtítulo em minúscula e depois de dois pontos, sem itálico.
      – Prenomes dos autores abreviados; maiúscula apenas na primeira letra do título; não utilizar prenomes em editoras, desde que isso não comprometa a identificação).
    • Formato para teses e dissertações:
      MUANIS, F. As metaimagens na televisão contemporânea: as vinhetas da Rede Globo e MTV. Tese (Doutorado) – Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2010.
    • Formato para artigos:
      PAIVA, S. “A propósito do gênero road movie no Brasil: um romance, uma série de TV e um filme de estrada”. Rumores:, São Paulo, v. 1, n. 6, set.-dez. 2009.
    • Formato para trabalhos apresentados em eventos:
      REGUILLO, R. “El lenguaje e los narcos”. In: SEMINARIO NARCOTRÁFICO Y VIOLENCIA EN CIUDADES DE AMÉRICA LATINA: retos para un nuevo periodismo, 2009, México. Anais eletrônicos:… México: FNPI, 2009. Disponível em: . Acesso em: 15 ago. 2011.
  12. Caso o trabalho contenha imagens, quadros ou tabelas, é necessário incluí-los ao longo do texto, de modo compatível com o arquivo. As legendas devem estar imediatamente abaixo das figuras e dos gráficos e os títulos imediatamente acima dos quadros e das tabelas. Todos deverão estar numerados consecutivamente, em arábico. De acordo com a lei de direitos autorais, as fotos e os desenhos devem vir acompanhados dos nomes de seus autores.