Ficha do Proponente

Proponente

    Mauricio Cardoso (FFLCH-USP)

Minicurrículo

    Formado em História pela USP (1996), finalizou o mestrado em História (USP, 2002) sobre o filme de Leon Hirszman, São Bernardo (1972). Concluiu, em 2007, o doutorado sobre o cinema de Glauber Rocha pela USP e pela Université Paris X-Nanterre. É professor no Departamento de História da USP, onde ministra disciplinas sobre Ensino de História e Narrativas Audiovisuais e realiza pesquisas sobre produção audiovisual brasileira, indústria cultural e história pública.

Ficha do Trabalho

Título

    Percursos do subdesenvolvimento : uma leitura de Paulo Emilio S. Gomes

Mesa

    Atualidades de Paulo Emílio

Resumo

    A comunicação se propõe a analisar o debate em torno do conceito de subdesenvolvimento no cinema brasileiro, formulado por Paulo Emilio Salles Gomes, em 1973, apontando as estratégias e apropriações deste crítico, em relação à “teoria do subdesenvolvimento”. Pretende-se também apontar a atualidade desse debate tendo em vista as reflexões contemporâneas sobre a permanência ou superação do subdesenvolvimento a partir das últimas duas décadas.

Resumo expandido

    A publicação de “Cinema: trajetória no subdesenvolvimento” no primeiro número de Argumento, em outubro de 1973 trouxe à ordem do dia um balanço de grande invergadura sobre a formação do cinema brasileiro. Preocupado com o sentido geral da produção cinematográfica nativa, Paulo Emílio Salles Gomes recorre ao conceito de “subdesenvolvimento”, em voga nas análises econômicas forjadas pelos cepalinos, desde os anos 1950, e difundida, posteriormente, na militância de esquerda, pelo menos até os anos 1980.
    Em Paulo Emílio, o “subdesenvolvimento” técnico-econômico caracterizava, no cinema brasileiro, uma condição até então insuperável que impedia o voo livre e original dos cineastas. Marcados pela “dialética rarefeita entre o não ser e o ser outro”, estaríamos condenados, segundo diagnóstico do autor, a repor a precariedade técnica e a dependência estética, num mercado ocupado pelo colonizador. No entanto, ele apontava em certos gêneros e movimentos cinematográficos, algumas possibilidades históricas de superação: a chanchada, o Cinema Novo, o Cinema Marginal, por razões distintas, refletiam o esforço de criatividade e se lançavam para o embate com o público e o mercado.
    Em que medida, porém, o texto dialogava com a “teoria do subdesenvolvimento”, presente no livro de Celso Furtado, Desenvolvimento e Subdesenvolvimento, publicado em 1961? O artigo de Paulo Emilio, suscinto e denso, não investia em análises sistemáticas, nem tampouco apresentava alguma ancoragem teórica que delineasse o uso dos conceitos. Todavia, o perfil ensaístico do artigo, marcado pelo caráter sintético de inúmeras considerações, desdobrava-se em impasses estruturais que explicitavam as marcas do subdesenvolvimento na produção cinematográfica do país.
    Por outro lado, como apontou Ismail Xavier, o artigo se inspirava, ainda que sem explicitar, na concepção de sistema, formado pela dinâmica autor-obra-público tal como a formulou Antonio Candido, em Formação da Literatura Brasileira, publicado em 1959. Assim, Paulo Emilio identificava o centro neuvrálgico do impasse na constituição de um sistema cultural capaz de se consolidar como indústria cinematográfica, isto é, como veículo de comunicação de massa, com público cativo e continuidade de produção. A reposição de ondas de produção sempre marcadas por crises, falências, interrupções, problemas técnicos de toda ordem compunham o dilema cinematográfico do subdesenvolvimento, vulnerável aos ataques do estrangeiro, inseguro diante do mimetismo e da subordinação cultural e econômica.
    Afinal, teríamos superado aquele diagnóstico sombrio? A continuidade da produção dos últimos anos se apresentaria como norma ou seria apenas uma nova onda cujo declínio estaríamos prestes a verificar com o novo governo e a extinção do Ministério da Cultura? O debate sobre originalidade e criação artística ainda se impõe pelas fronteiras do nacional ou a globalização da cultura definiria a vitalidade de produções locais?
    O conjunto dessas questões conduziu nossa reflexão a suposta superação do subdesenvolvimento, tendo em vista a uma inserção específica do país na economia-mundo. André Singer e Alexandre Barbosa, entre outros autores, defendem, sob enfoques distintos, que apenas uma parcela reduzida da economia se modernizou, enquanto o país permaneceu dependente e subordinado à financeização globalizada. Exclusão social, desigualdades regionais intensas e industrialização sem transferência de tecnologia, associam-se ao esforço de atração de capitais financeiros e a exportação de produtos de baixo valor agregado.
    Nessa comunicação pretende-se, portanto, analisar de que modo o ensaio de Paulo Emilio se apropriou dos conceitos de “subdesenvolvimento” e “sistema literário” e identificar o impacto político do artigo no campo cinematográfico dos anos 1970, bem como sua atualidade na interpretação do cinema brasileiro e, de modo geral, o campo cultural.

Bibliografia

    BARBOSA, Alexandre de Freitas . O Anti-Herói Desenvolvimentista. Novos Estudos CEBRAP, v. 94, p. 1, 2012.
    CANDIDO, Antonio. Formação da Literatura Brasileira: momentos decisivos. 5a ed. Belo Horizonte, Itatiaia, São Paulo, EDUSP, 1975.
    FURTADO, Celso. Desenvolvimento e subdesenvolvimento. 3a ed. RJ: Fundo de Cultura, 1965.
    GOMES, Paulo Emilio Salles. Cinema: trajetória no subdesenvolvimento. In: Argumento. no. 1, out 1973.
    SINGER, André. Os sentidos do lulismo. Reforma gradual e pacto conservador. SP: Companhia das Letras, 2010.
    XAVIER, Ismail. O cinema moderno brasileiro. RJ: Paz e Terra, 2001.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Manifestamos aqui nossa preocupação e atenção em relação aos recentes acontecimentos políticos no país.

Na área que nos é mais próxima, temos visto duríssimos ataques ao jornalismo que se pauta pela democracia, ética e princípios republicanos. Com objetivos políticos não mais velados, jornalistas que atuam nos grandes meios perderam o respeito não apenas pelas suas profissões, mas pela própria importância de uma mídia equilibrada, democrática e justa.

O que vimos nos últimos dias, sobretudo com as Organizações Globo, atenta contra o grande esforço que nas últimas décadas tantos atores sociais têm feito para que a justiça e uma imprensa livre sejam parte constituinte da república. Não há como defender o fim da corrupção e corromper todos os meios para destruir este ou aquele ator político.

Afirmamos assim que:

– Qualquer atuação dos grandes órgãos de imprensa que atente contra a ordem democrática através de difamações e incitações à instabilidade é inaceitável.

Sobre os recentes acontecimentos, afirmamos ainda que:

– Nenhuma atuação do jurídico ou da polícia federal deve ser feita com fins partidários e com arbitrariedades e abusos de poder.

– Qualquer abuso de poder do poder judiciário deve ser coibido e a igualdade entre indivíduos respeitada.

A crise do país e as importantes investigações sobre corrupção não justificam que certos atores sociais, no poder jurídico ou na grande imprensa, atentem contra a democracia e a ordem republicana.
SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual
diretoria do FORCINE – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual

  1. Prazo de pagamento da anuidade: de 1 a 24 de março; 
  2. Prazo de submissão de propostas de trabalhos para apresentação [XXI Encontro]: de 5 a 31 de março;
  3. Divulgação de propostas aprovadas para apresentação [XXI SOCINE]: 9 de junho;
  4. Período de pagamento das inscrições [XXI SOCINE]:
      • PRIMEIRO PRAZO: 3 a 13 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
      • SEGUNDO PRAZO: 14 a 24 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
      • TERCEIRO PRAZO: 25 de julho a 1 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00
  5. Chamada de candidaturas [Eleições da SOCINE]: 21 de agosto a 22 de setembro;
  6. Inscrição de ouvintes [XXI SOCINE]: a partir de 11 de setembro;
  7. Divulgação da programação [XXI SOCINE]: 19 de setembro;
  8. Divulgação das candidaturas homologadas [Eleições da SOCINE]: 29 de setembro;
  9. XXI Encontro SOCINE, na UFPB, em João Pessoa: de 17 a 20 de outubro;
  10. Eleições da SOCINE: 18 e 19 de outubro;
  11. Assembleia e posse da nova diretoria: 20 de outubro;
  12. Prazo de envio de trabalhos para os Anais de Textos Completos [XXI SOCINE]: a definir.

APENAS TRABALHOS ENVIADOS PARA O E-MAIL ANAIS@SOCINE.ORG.BR SERÃO ACEITOS.

CADA ASSOCIADO PODERÁ ENVIAR APENAS UM ARQUIVO. NO CASO DE ENVIO DE MAIS DE UM ARQUIVO APENAS O ÚLTIMO SERÁ CONSIDERADO.

OS TEXTOS NÃO SERÃO REVISADOS, SENDO DE RESPONSABILIDADE DOS AUTORES OBSERVAREM NORMAS DE CITAÇÃO, REFERÊNCIAS, DIREITOS AUTORAIS, CORREÇÃO ORTOGRÁFICA E GRAMATICAL.

OS TEXTOS DEVEM APRESENTAR TÍTULO EM PORTUGUÊS E EM INGLÊS, RESUMO E ABSTRACT COM NO MÁXIMO 500 CARACTERES COM ESPAÇO CADA E PALAVRAS-CHAVE E KEYWORDS (MÁXIMO DE 5, SEPARADAS POR VÍRGULAS E COM PONTO FINAL).

OS TEXTOS NÃO PODEM ULTRAPASSAR O VOLUME DE 17.000 CARACTERES CONTANDO OS ESPAÇOS, INCLUÍDOS NESSE TOTAL TODOS OS ELEMENTOS TEXTUAIS COMO TÍTULO, TITLE, RESUMO, ABSTRACT, PALAVRAS-CHAVE, KEYWORDS, REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS, NOTAS, LEGENDAS E CITAÇÕES.

TEXTOS FORA DAS NORMAS NÃO SERÃO PUBLICADOS E NÃO HAVERÁ NOVA CHAMADA PARA CORREÇÃO OU ADEQUAÇÃO ÀS NORMAS.

OS TEXTOS DEVEM SER ENTREGUES DE ACORDO COM A ORDEM DE ELEMENTOS E O PADRÃO APRESENTADOS NO ARQUIVO MODELO. A FALTA DE QUALQUER ELEMENTO TEXTUAL, OU DESACORDO COM O VOLUME TEXTUAL APONTADO, IMPLICARÁ NA NÃO PUBLICAÇÃO DO TEXTO, SEM AVISO PRÉVIO.

PADRONIZAÇÃO:

Os textos deverão ser padronizados da seguinte forma (conforme arquivo modelo):

  1. Arquivo em formato .doc ou .docx;
  2. Arquivo nomeado da seguinte forma: NOME_SOBRENOME_DATADEENVIO.doc
  3. Espaçamento entre linhas 2, formato A4, fonte Arial, tamanho 10;
  4. Título e title destacados em negrito, em fonte Arial ,tamanho 14;
  5. Autor destacado em negrito, fonte Arial, tamanho 10;
  6. Subtítulos destacados em negrito (com espaço entre linhas adicional antes), fonte Arial tamanho 10;
  7. Destaques ao longo do texto devem ser feitos em itálico;
  8. Notas de rodapé em fonte Arial, tamanho 9, e numeradas em sequência.
  9. As citações referenciais não vão em nota de rodapé, devendo ser identificadas (entre parênteses) no texto, logo após o trecho citado, colocando o sobrenome do autor (com todas as letras em maiúsculo), o ano e, quando necessário, a página.Exemplos:
    • Um autor: (WENTH, 1998, p. 12);
    • Dois autores: (LAMARE; SOARES, 1990, p. 134-135);
    • Três ou mais autores: (HARRIS et al, 1998, p. 26).
  10. Citações com mais de quatro linhas deverão vir em parágrafo específico, com recuo de 4 cm, em espaçamento 1, tamanho de fonte 10 e espaço simples antes e depois das citações. Não usar Idem ou Ibidem.
  11. A lista de referências bibliográficas deve estar em ordem alfabética, de acordo com as normas ABNT (6023 e 10520).Exemplos:
    • Formato para livros:
      CALDWELL, J. T. Televisuality: style, crisis, and authority in American television. New Jersey: Rutgers, 1995. (Subtítulo em minúscula e depois de dois pontos, sem itálico.
      – Prenomes dos autores abreviados; maiúscula apenas na primeira letra do título; não utilizar prenomes em editoras, desde que isso não comprometa a identificação).
    • Formato para teses e dissertações:
      MUANIS, F. As metaimagens na televisão contemporânea: as vinhetas da Rede Globo e MTV. Tese (Doutorado) – Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2010.
    • Formato para artigos:
      PAIVA, S. “A propósito do gênero road movie no Brasil: um romance, uma série de TV e um filme de estrada”. Rumores:, São Paulo, v. 1, n. 6, set.-dez. 2009.
    • Formato para trabalhos apresentados em eventos:
      REGUILLO, R. “El lenguaje e los narcos”. In: SEMINARIO NARCOTRÁFICO Y VIOLENCIA EN CIUDADES DE AMÉRICA LATINA: retos para un nuevo periodismo, 2009, México. Anais eletrônicos:… México: FNPI, 2009. Disponível em: . Acesso em: 15 ago. 2011.
  12. Caso o trabalho contenha imagens, quadros ou tabelas, é necessário incluí-los ao longo do texto, de modo compatível com o arquivo. As legendas devem estar imediatamente abaixo das figuras e dos gráficos e os títulos imediatamente acima dos quadros e das tabelas. Todos deverão estar numerados consecutivamente, em arábico. De acordo com a lei de direitos autorais, as fotos e os desenhos devem vir acompanhados dos nomes de seus autores.