Ficha do Proponente

Proponente

    Sérgio Eduardo Alpendre de Oliveira (UAM)

Minicurrículo

    Doutorando em comunicação pela Universidade Anhembi-Morumbi; Mestre em Meios e Processos Audiovisuais pela ECA-USP, graduado em Comunicação Social na FAAP. É colaborador da Folha de S.Paulo e editor da Revista Interlúdio (www.revistainterludio.com.br) e do blog sobre cinema sergioalpendre.com. Ministra oficinas de crítica e aulas de história do cinema por todo o Brasil.

Ficha do Trabalho

Título

    A religiosidade ultrajada: o cinema crítico de João Cesar Monteiro

Seminário

    Cinemas em português: aproximações – relações

Resumo

    A presente proposta visa investigar o cinema de João César Monteiro e o porquê desse cineasta ser chamado de anticlerical. Procuraremos entender o percurso desse cineasta português, se é justa a qualificação de anticlerical, ou se o questionamento à religiosidade está dentro de um contexto mais amplo de crítica ao mundo e à sociedade.

Resumo expandido

    Em As Bodas de Deus (1998), de João César Monteiro (1939-2003), o alter-ego do diretor, João de Deus, recebe da Madre de um convento uma moeda de cem escudos, como recompensa por ter salvado a vida de uma moça que se afogava. A Madre ainda lhe faz a seguinte recomendação: “mas não gaste tudo em vinho”. Logo adiante, João de Deus dá cem dólares ao homem que o ajudou a carregar a moça, e satiriza a fala da Madre, que já não lhe pode mais ouvir: “mas não vá gastar em freiras”. Pouco antes da doação da Madre, esta lhe diz: “Graças à sua boa ação, os anjos e serafins rejubilam no reino dos céus”. João de Deus responde, causticamente: “Madre, não transforme um pequeno impulso aquático numa orgia celestial”. Na despedida, a Madre profere o tradicional “que Deus o acompanhe”, e João rebate, concluindo a série de provocações: “Mais vale só… que mal acompanhado”. Esses são alguns momentos localizados em um determinado filme, o antepenúltimo, da carreira de Monteiro. Existem muitos outros da mesma estirpe provocadora, espalhados em obras como Veredas (1978), Silvestre (1981), O Último Mergulho (1992) ou Vai e Vem (2003), seu testamento cinematográfico, e sobretudo na trilogia com o personagem João de Deus (vivido pelo próprio César Monteiro), formada por Recordações da Casa Amarela (1989), A Comédia de Deus (1995) e o supracitado As Bodas de Deus (1998). Momentos de uma postura que pode ser chamada de anticlerical.
    Lucia Nagib escreveu que Monteiro “adota apaixonadamente o furor anticlerical de Bataille pela longa tendência portuguesa de tradições anticlericais e de um humor tipicamente pornográfico”. (NAGIB, 2011, p. 237). Georges Bataille foi um escritor cujos ensaios e romances, segundo Carol King em verbete para o livro 501 writers, “derrubaram tabus sexuais, enquanto exploravam o conceito de sagrado dentro do êxtase dionisíaco e do erótico” (KING, 2008, p. 339). Por isso a associação entre Bataille e Monteiro feita por Nagib é totalmente justificada. A ideia de “sagrado dentro do êxtase dionisíaco e do erótico” pode ser aplicada tranquilamente aos seus filmes.
    Mas seria mesmo anticlerical sua obra? Lembremos que Luis Buñuel, que para muitos era anticlerical, foi homenageado pela igreja católica por seu Nazarin (1958), longa que mostrava, entre outras imagens ambíguas do clero, um padre altruísta carregando um abacaxi no desfecho. O mesmo diretor, em O Fantasma da Liberdade (1974), vai mais longe e mostra padres jogando e bebendo uísque, e no começo da carreira, em A Idade do Ouro (1930), flagra Jesus Cristo saindo de uma orgia. São provocações que justificam tal epíteto. Mas a que ponto essas provocações, que revelam um anticlericalismo da parte do diretor, não fariam parte de uma crítica maior, contra as limitações da sociedade burguesa? Não seriam tentativas de provocar as pessoas, de fazê-las pensar? Poderíamos então dizer que Monteiro, como Buñuel, não chega a ser anticlerical, apesar de preencher seus filmes com alguns momentos anticlericais? Ou o viés anticlerical estaria na frente, como motor principal das provocações dos cineastas? Monteiro, vale lembrar, exerceu por um bom tempo o papel de crítico cinematográfico. Natural que em sua obra o espírito crítico estivesse presente, como deve ser em toda grande obra de arte.

Bibliografia

    AREAL, Leonor. Cinema Português – Um País Imaginado (em dois volumes). Edições 70, 2009.
    COSTA, João Bénard da. Portugal 45-95 nas Artes, nas Letras e nas Ideias. Centro Nacional de Cultura, 1998.
    D’ALLONES, Fabrice Revault (org.). Pour João César Monteiro. Yellow Now, 2004.
    GIARUSSO, Francesco; LOFFREDA, Pierpaolo; MORSIANI, Alberto (org.). João Giullare di Dio. Ets, 2007.
    MADEIRA, Maria João (org). As Folhas da Cinemateca: João César Monteiro. Cinemateca Portuguesa. Lisboa, 2010.
    MANSO, Angélica García. João César Monteiro: El Cine Frente al Espejo. Universidad de Extremadura, 2010.
    MONTEIRO, João César. Morituri Te Salutant (coletânea de artigos). & etc. e Arcádia, 1974.
    NAGIB, Lúcia. World Cinema and the Ethics of Realism. The Continuum International Publishing Group. New York, 2011.
    NICOLAU, João (org.). João César Monteiro. Catálogo da Cinemateca Portuguesa (com muitos dos textos que Monteiro escreveu). Lisboa, 2005.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Manifestamos aqui nossa preocupação e atenção em relação aos recentes acontecimentos políticos no país.

Na área que nos é mais próxima, temos visto duríssimos ataques ao jornalismo que se pauta pela democracia, ética e princípios republicanos. Com objetivos políticos não mais velados, jornalistas que atuam nos grandes meios perderam o respeito não apenas pelas suas profissões, mas pela própria importância de uma mídia equilibrada, democrática e justa.

O que vimos nos últimos dias, sobretudo com as Organizações Globo, atenta contra o grande esforço que nas últimas décadas tantos atores sociais têm feito para que a justiça e uma imprensa livre sejam parte constituinte da república. Não há como defender o fim da corrupção e corromper todos os meios para destruir este ou aquele ator político.

Afirmamos assim que:

– Qualquer atuação dos grandes órgãos de imprensa que atente contra a ordem democrática através de difamações e incitações à instabilidade é inaceitável.

Sobre os recentes acontecimentos, afirmamos ainda que:

– Nenhuma atuação do jurídico ou da polícia federal deve ser feita com fins partidários e com arbitrariedades e abusos de poder.

– Qualquer abuso de poder do poder judiciário deve ser coibido e a igualdade entre indivíduos respeitada.

A crise do país e as importantes investigações sobre corrupção não justificam que certos atores sociais, no poder jurídico ou na grande imprensa, atentem contra a democracia e a ordem republicana.
SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual
diretoria do FORCINE – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual

  1. Prazo de pagamento da anuidade: de 1 a 24 de março; 
  2. Prazo de submissão de propostas de trabalhos para apresentação [XXI Encontro]: de 5 a 31 de março;
  3. Divulgação de propostas aprovadas para apresentação [XXI SOCINE]: 9 de junho;
  4. Período de pagamento das inscrições [XXI SOCINE]:
      • PRIMEIRO PRAZO: 3 a 13 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
      • SEGUNDO PRAZO: 14 a 24 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
      • TERCEIRO PRAZO: 25 de julho a 1 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00
  5. Chamada de candidaturas [Eleições da SOCINE]: 21 de agosto a 22 de setembro;
  6. Inscrição de ouvintes [XXI SOCINE]: a partir de 11 de setembro;
  7. Divulgação da programação [XXI SOCINE]: 19 de setembro;
  8. Divulgação das candidaturas homologadas [Eleições da SOCINE]: 29 de setembro;
  9. XXI Encontro SOCINE, na UFPB, em João Pessoa: de 17 a 20 de outubro;
  10. Eleições da SOCINE: 18 e 19 de outubro;
  11. Assembleia e posse da nova diretoria: 20 de outubro;
  12. Prazo de envio de trabalhos para os Anais de Textos Completos [XXI SOCINE]: a definir.

APENAS TRABALHOS ENVIADOS PARA O E-MAIL ANAIS@SOCINE.ORG.BR SERÃO ACEITOS.

CADA ASSOCIADO PODERÁ ENVIAR APENAS UM ARQUIVO. NO CASO DE ENVIO DE MAIS DE UM ARQUIVO APENAS O ÚLTIMO SERÁ CONSIDERADO.

OS TEXTOS NÃO SERÃO REVISADOS, SENDO DE RESPONSABILIDADE DOS AUTORES OBSERVAREM NORMAS DE CITAÇÃO, REFERÊNCIAS, DIREITOS AUTORAIS, CORREÇÃO ORTOGRÁFICA E GRAMATICAL.

OS TEXTOS DEVEM APRESENTAR TÍTULO EM PORTUGUÊS E EM INGLÊS, RESUMO E ABSTRACT COM NO MÁXIMO 500 CARACTERES COM ESPAÇO CADA E PALAVRAS-CHAVE E KEYWORDS (MÁXIMO DE 5, SEPARADAS POR VÍRGULAS E COM PONTO FINAL).

OS TEXTOS NÃO PODEM ULTRAPASSAR O VOLUME DE 17.000 CARACTERES CONTANDO OS ESPAÇOS, INCLUÍDOS NESSE TOTAL TODOS OS ELEMENTOS TEXTUAIS COMO TÍTULO, TITLE, RESUMO, ABSTRACT, PALAVRAS-CHAVE, KEYWORDS, REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS, NOTAS, LEGENDAS E CITAÇÕES.

TEXTOS FORA DAS NORMAS NÃO SERÃO PUBLICADOS E NÃO HAVERÁ NOVA CHAMADA PARA CORREÇÃO OU ADEQUAÇÃO ÀS NORMAS.

OS TEXTOS DEVEM SER ENTREGUES DE ACORDO COM A ORDEM DE ELEMENTOS E O PADRÃO APRESENTADOS NO ARQUIVO MODELO. A FALTA DE QUALQUER ELEMENTO TEXTUAL, OU DESACORDO COM O VOLUME TEXTUAL APONTADO, IMPLICARÁ NA NÃO PUBLICAÇÃO DO TEXTO, SEM AVISO PRÉVIO.

PADRONIZAÇÃO:

Os textos deverão ser padronizados da seguinte forma (conforme arquivo modelo):

  1. Arquivo em formato .doc ou .docx;
  2. Arquivo nomeado da seguinte forma: NOME_SOBRENOME_DATADEENVIO.doc
  3. Espaçamento entre linhas 2, formato A4, fonte Arial, tamanho 10;
  4. Título e title destacados em negrito, em fonte Arial ,tamanho 14;
  5. Autor destacado em negrito, fonte Arial, tamanho 10;
  6. Subtítulos destacados em negrito (com espaço entre linhas adicional antes), fonte Arial tamanho 10;
  7. Destaques ao longo do texto devem ser feitos em itálico;
  8. Notas de rodapé em fonte Arial, tamanho 9, e numeradas em sequência.
  9. As citações referenciais não vão em nota de rodapé, devendo ser identificadas (entre parênteses) no texto, logo após o trecho citado, colocando o sobrenome do autor (com todas as letras em maiúsculo), o ano e, quando necessário, a página.Exemplos:
    • Um autor: (WENTH, 1998, p. 12);
    • Dois autores: (LAMARE; SOARES, 1990, p. 134-135);
    • Três ou mais autores: (HARRIS et al, 1998, p. 26).
  10. Citações com mais de quatro linhas deverão vir em parágrafo específico, com recuo de 4 cm, em espaçamento 1, tamanho de fonte 10 e espaço simples antes e depois das citações. Não usar Idem ou Ibidem.
  11. A lista de referências bibliográficas deve estar em ordem alfabética, de acordo com as normas ABNT (6023 e 10520).Exemplos:
    • Formato para livros:
      CALDWELL, J. T. Televisuality: style, crisis, and authority in American television. New Jersey: Rutgers, 1995. (Subtítulo em minúscula e depois de dois pontos, sem itálico.
      – Prenomes dos autores abreviados; maiúscula apenas na primeira letra do título; não utilizar prenomes em editoras, desde que isso não comprometa a identificação).
    • Formato para teses e dissertações:
      MUANIS, F. As metaimagens na televisão contemporânea: as vinhetas da Rede Globo e MTV. Tese (Doutorado) – Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2010.
    • Formato para artigos:
      PAIVA, S. “A propósito do gênero road movie no Brasil: um romance, uma série de TV e um filme de estrada”. Rumores:, São Paulo, v. 1, n. 6, set.-dez. 2009.
    • Formato para trabalhos apresentados em eventos:
      REGUILLO, R. “El lenguaje e los narcos”. In: SEMINARIO NARCOTRÁFICO Y VIOLENCIA EN CIUDADES DE AMÉRICA LATINA: retos para un nuevo periodismo, 2009, México. Anais eletrônicos:… México: FNPI, 2009. Disponível em: . Acesso em: 15 ago. 2011.
  12. Caso o trabalho contenha imagens, quadros ou tabelas, é necessário incluí-los ao longo do texto, de modo compatível com o arquivo. As legendas devem estar imediatamente abaixo das figuras e dos gráficos e os títulos imediatamente acima dos quadros e das tabelas. Todos deverão estar numerados consecutivamente, em arábico. De acordo com a lei de direitos autorais, as fotos e os desenhos devem vir acompanhados dos nomes de seus autores.