Ficha do Proponente

Proponente

    Antonio Marcos Aleixo (FFLCH-USP)

Minicurrículo

    Doutor em “Estudos Linguísticos e Literários em Inglês” (FFLCH-USP)
    Participações na SOCINE:
    2009 – “Nashville: a resistência ao espetáculo a partir da apropriação da técnica expressiva”.
    2010 – “A “Hollywood Rennaissance” e o cinema radical de Robert Altman”.
    2013 – “Hillbilly: a persistência de uma imagem no cinema norte-americano”.
    2015 – “Robert Altman: um Van Gogh lúcido no turbilhão hollywoodiano”.

Ficha do Trabalho

Título

    Convergências com a Psicanálise no foco narrativo de Beleza Americana

Resumo

    Em uma convergência entre a psicanálise e as técnicas analíticas oriundas da crítica de cinema, efetuamos, na presente comunicação, a análise do foco narrativo de Beleza Americana (Sam Mendes, 1999), o qual interpretamos como o resultado formal de um “olhar melancólico”. Nosso objetivo é expor alguns passos dessa análise, de modo a ressaltar um “saber” depositado no ponto de vista que o filme constrói.

Resumo expandido

    Lançado em 1999, Beleza Americana (American Beauty, Sam Mendes) retrata uma classe-média norte-americana constituída por relações inter-subjetivas reguladas a partir de valores componentes de um sistema narcisista ampliado em escala social. A célula dramática do tecido ficcional é uma tríade edipiana clássica (pai-mãe-filha), cuja orientação triangular serve de modelo à disposição das outras peças que adensam o tecido da narrativa. No presente trabalho, proponho discutir este sistema de relações, abordando-o em um movimento que transita da estruturação do ponto de vista narrativo para as formas que ele gera, de modo a trazer à tona uma imagem que, a meu ver, constitui um “saber melancólico”.

    Logo na sequência de abertura, descobrimos que nosso contato com o relato será mediado por uma consciência narrativa. Trata-se de um narrador em primeira pessoa, gozando de um considerável nível de onisciência, o que, no plano formal, está registrado como uma relativa liberdade de movimento de seu olhar e de sua voz “sem corpo” e, no plano temático, por uma posição subjetiva peculiar (a revisão de sua biografia no instante mortal), o que lhe confere um conhecimento privilegiado de sua situação presente e futura.

    A relação que se estabelece entre narrador e espectador, no nível do “contrato de leitura”, se sustenta sobre um mecanismo similar à identificação psíquica, por meio do qual o espectador é levado a adotar o ponto de vista do narrador, assimilando suas impressões, seus afetos e seus julgamentos. No que tange à focalização, o relato em primeira pessoa é fortemente distorcido por “projeções fantasmáticas do narrador”, atualizadas na forma de interpolações de devaneios dramatizados na cadeia de enunciados narrativos e da incorporação de elementos simbólicos e metafóricos (as pétalas de rosa e a onipresença da cor vermelha) na composição visual das cenas.

    A multiplicação de tais projeções opera um deslocamento na esfera de interesse do relato, do conteúdo narrado para a situação narrativa. Ou seja, conforme descobrimos que o narrador não apenas distorce seus enunciados para gratificar suas pulsões, mas também que se encontra em uma situação narrativa precária, na qual essas pulsões se tornaram capazes de exercer uma pressão exigente perturbadora, o espectador vai deslocando sua atenção das imagens e cenas apresentadas para o ponto de vista que as constrói.

    A partir de então, cabe questionar o modo de construção e veiculação desse ponto de vista. Uma hipótese possível é oferecida pela teoria psicanalítica de uma relação de identificação melancólica entre sujeito e objeto: enquanto voz e olhar desancorados, o narrador é sujeito da narração, o eu-épico de onde emana a tessitura ficcional; enquanto personagem central do relato, ele pode ser também objeto da narração, sujeito objetivado. Além disso, na medida em que esse ponto de vista não pode, por conta da “não-confiabilidade” auferida por sua situação, aspirar à neutralidade necessária à representação objetiva, ele deve, necessariamente, produzir uma visão parcial, limitada, distorcida, de objetos e acontecimentos. Isso não significa que seu relato não tenha interesse para o espectador; muito pelo contrário, é justamente por isso que ele pode nos ensinar algo: embora o narrador de Beleza Americana não possa construir uma “ciência” da experiência social norte-americana, se por isso entendermos uma tradução rigorosa e metodológica de objetos cientificamente determinados, ele se empenha em construir um discurso a respeito dessa experiência. Enfim, um discurso que busca apossar-se da experiência inconscientemente vivida, elaborando-a associativamente, de modo a encaminhar uma transformação; eis um sentido em que a Psicanálise utiliza a palavra “saber”.

Bibliografia

    CHATMAN, Seymour. Story and Discourse: narrative structure in fiction and film. New York: Cornell University, 1978.

    CHION, Michel. Audio-Vision: sound on screen. Trad. Claudia Gorbman. New York: Columbia University Press, 1990.

    FREUD, Sigmund. Formulações sobre os dois princípios do funcionamento mental (1911). In:_________ O Caso Schreber, Artigos Sobre Técnica e outros trabalhos (1911 – 1913). Rio de Janeiro: Imago, 1996. p. 231 – 244

    FREUD, Sigmund. Luto e Melancolia (1917 [1915]). In:_______ A História do Movimento Psicanalítico, Artigos sobre a Metapsicologia e outros trabalhos (1914 – 1916). Rio de Janeiro: Imago, 1996. p. 243 – 263

    FREUD, Sigmund. Psicologia de grupo e análise do ego (1921). In:________ Além do Princípio de Prazer, Psicologia de Grupo e outros trabalhos (1920 – 1922). Rio de Janeiro: Imago, 1996. p. 78 – 154

    LEITE, Ligia Chiappini Moraes. O Foco Narrativo (ou a polêmica em torno da ilusão). São Paulo: Ática, 2006.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Manifestamos aqui nossa preocupação e atenção em relação aos recentes acontecimentos políticos no país.

Na área que nos é mais próxima, temos visto duríssimos ataques ao jornalismo que se pauta pela democracia, ética e princípios republicanos. Com objetivos políticos não mais velados, jornalistas que atuam nos grandes meios perderam o respeito não apenas pelas suas profissões, mas pela própria importância de uma mídia equilibrada, democrática e justa.

O que vimos nos últimos dias, sobretudo com as Organizações Globo, atenta contra o grande esforço que nas últimas décadas tantos atores sociais têm feito para que a justiça e uma imprensa livre sejam parte constituinte da república. Não há como defender o fim da corrupção e corromper todos os meios para destruir este ou aquele ator político.

Afirmamos assim que:

– Qualquer atuação dos grandes órgãos de imprensa que atente contra a ordem democrática através de difamações e incitações à instabilidade é inaceitável.

Sobre os recentes acontecimentos, afirmamos ainda que:

– Nenhuma atuação do jurídico ou da polícia federal deve ser feita com fins partidários e com arbitrariedades e abusos de poder.

– Qualquer abuso de poder do poder judiciário deve ser coibido e a igualdade entre indivíduos respeitada.

A crise do país e as importantes investigações sobre corrupção não justificam que certos atores sociais, no poder jurídico ou na grande imprensa, atentem contra a democracia e a ordem republicana.
SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual
diretoria do FORCINE – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual

  1. Prazo de pagamento da anuidade: de 1 a 24 de março; 
  2. Prazo de submissão de propostas de trabalhos para apresentação [XXI Encontro]: de 5 a 31 de março;
  3. Divulgação de propostas aprovadas para apresentação [XXI SOCINE]: 9 de junho;
  4. Período de pagamento das inscrições [XXI SOCINE]:
      • PRIMEIRO PRAZO: 3 a 13 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
      • SEGUNDO PRAZO: 14 a 24 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
      • TERCEIRO PRAZO: 25 de julho a 1 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00
  5. Chamada de candidaturas [Eleições da SOCINE]: 21 de agosto a 22 de setembro;
  6. Inscrição de ouvintes [XXI SOCINE]: a partir de 11 de setembro;
  7. Divulgação da programação [XXI SOCINE]: 19 de setembro;
  8. Divulgação das candidaturas homologadas [Eleições da SOCINE]: 29 de setembro;
  9. XXI Encontro SOCINE, na UFPB, em João Pessoa: de 17 a 20 de outubro;
  10. Eleições da SOCINE: 18 e 19 de outubro;
  11. Assembleia e posse da nova diretoria: 20 de outubro;
  12. Prazo de envio de trabalhos para os Anais de Textos Completos [XXI SOCINE]: a definir.

APENAS TRABALHOS ENVIADOS PARA O E-MAIL ANAIS@SOCINE.ORG.BR SERÃO ACEITOS.

CADA ASSOCIADO PODERÁ ENVIAR APENAS UM ARQUIVO. NO CASO DE ENVIO DE MAIS DE UM ARQUIVO APENAS O ÚLTIMO SERÁ CONSIDERADO.

OS TEXTOS NÃO SERÃO REVISADOS, SENDO DE RESPONSABILIDADE DOS AUTORES OBSERVAREM NORMAS DE CITAÇÃO, REFERÊNCIAS, DIREITOS AUTORAIS, CORREÇÃO ORTOGRÁFICA E GRAMATICAL.

OS TEXTOS DEVEM APRESENTAR TÍTULO EM PORTUGUÊS E EM INGLÊS, RESUMO E ABSTRACT COM NO MÁXIMO 500 CARACTERES COM ESPAÇO CADA E PALAVRAS-CHAVE E KEYWORDS (MÁXIMO DE 5, SEPARADAS POR VÍRGULAS E COM PONTO FINAL).

OS TEXTOS NÃO PODEM ULTRAPASSAR O VOLUME DE 17.000 CARACTERES CONTANDO OS ESPAÇOS, INCLUÍDOS NESSE TOTAL TODOS OS ELEMENTOS TEXTUAIS COMO TÍTULO, TITLE, RESUMO, ABSTRACT, PALAVRAS-CHAVE, KEYWORDS, REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS, NOTAS, LEGENDAS E CITAÇÕES.

TEXTOS FORA DAS NORMAS NÃO SERÃO PUBLICADOS E NÃO HAVERÁ NOVA CHAMADA PARA CORREÇÃO OU ADEQUAÇÃO ÀS NORMAS.

OS TEXTOS DEVEM SER ENTREGUES DE ACORDO COM A ORDEM DE ELEMENTOS E O PADRÃO APRESENTADOS NO ARQUIVO MODELO. A FALTA DE QUALQUER ELEMENTO TEXTUAL, OU DESACORDO COM O VOLUME TEXTUAL APONTADO, IMPLICARÁ NA NÃO PUBLICAÇÃO DO TEXTO, SEM AVISO PRÉVIO.

PADRONIZAÇÃO:

Os textos deverão ser padronizados da seguinte forma (conforme arquivo modelo):

  1. Arquivo em formato .doc ou .docx;
  2. Arquivo nomeado da seguinte forma: NOME_SOBRENOME_DATADEENVIO.doc
  3. Espaçamento entre linhas 2, formato A4, fonte Arial, tamanho 10;
  4. Título e title destacados em negrito, em fonte Arial ,tamanho 14;
  5. Autor destacado em negrito, fonte Arial, tamanho 10;
  6. Subtítulos destacados em negrito (com espaço entre linhas adicional antes), fonte Arial tamanho 10;
  7. Destaques ao longo do texto devem ser feitos em itálico;
  8. Notas de rodapé em fonte Arial, tamanho 9, e numeradas em sequência.
  9. As citações referenciais não vão em nota de rodapé, devendo ser identificadas (entre parênteses) no texto, logo após o trecho citado, colocando o sobrenome do autor (com todas as letras em maiúsculo), o ano e, quando necessário, a página.Exemplos:
    • Um autor: (WENTH, 1998, p. 12);
    • Dois autores: (LAMARE; SOARES, 1990, p. 134-135);
    • Três ou mais autores: (HARRIS et al, 1998, p. 26).
  10. Citações com mais de quatro linhas deverão vir em parágrafo específico, com recuo de 4 cm, em espaçamento 1, tamanho de fonte 10 e espaço simples antes e depois das citações. Não usar Idem ou Ibidem.
  11. A lista de referências bibliográficas deve estar em ordem alfabética, de acordo com as normas ABNT (6023 e 10520).Exemplos:
    • Formato para livros:
      CALDWELL, J. T. Televisuality: style, crisis, and authority in American television. New Jersey: Rutgers, 1995. (Subtítulo em minúscula e depois de dois pontos, sem itálico.
      – Prenomes dos autores abreviados; maiúscula apenas na primeira letra do título; não utilizar prenomes em editoras, desde que isso não comprometa a identificação).
    • Formato para teses e dissertações:
      MUANIS, F. As metaimagens na televisão contemporânea: as vinhetas da Rede Globo e MTV. Tese (Doutorado) – Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2010.
    • Formato para artigos:
      PAIVA, S. “A propósito do gênero road movie no Brasil: um romance, uma série de TV e um filme de estrada”. Rumores:, São Paulo, v. 1, n. 6, set.-dez. 2009.
    • Formato para trabalhos apresentados em eventos:
      REGUILLO, R. “El lenguaje e los narcos”. In: SEMINARIO NARCOTRÁFICO Y VIOLENCIA EN CIUDADES DE AMÉRICA LATINA: retos para un nuevo periodismo, 2009, México. Anais eletrônicos:… México: FNPI, 2009. Disponível em: . Acesso em: 15 ago. 2011.
  12. Caso o trabalho contenha imagens, quadros ou tabelas, é necessário incluí-los ao longo do texto, de modo compatível com o arquivo. As legendas devem estar imediatamente abaixo das figuras e dos gráficos e os títulos imediatamente acima dos quadros e das tabelas. Todos deverão estar numerados consecutivamente, em arábico. De acordo com a lei de direitos autorais, as fotos e os desenhos devem vir acompanhados dos nomes de seus autores.