Ficha do Proponente

Proponente

    Yasmin Pires Ferreira (UFPA)

Minicurrículo

    Mestranda no Programa de Pós Graduação em Filosofia da Universidade Federal do Pará (UFPA) com linha de pesquisa em Estética e bolsista da CAPES. Graduada em Cinema e Audiovisual pela Universidade Federal do Pará (UFPA) e Comunicação Social com ênfase em Publicidade e Propaganda pela Universidade da Amazônia (UNAMA). Na área prática tem experiência em realização audiovisual com participação profissional em pequenas produções como diretora de fotografia, editora e assistente de produção.

Ficha do Trabalho

Título

    Silêncio e Sinestesia na Narrativa Cinematográfica

Resumo

    A presente pesquisa tem como objetivo investigar o potencial sonoro das imagens tidas como silenciosas do cinema “mudo” e contemporâneo. Assim, através de uma abordagem da sinestesia, o trabalho sugere por meio da análise de exemplos que enquanto os filmes silenciosos lançavam mão de recursos imagéticos para representar o som, os contemporâneos o fazem através de elementos audiovisuais para representar o silêncio.

Resumo expandido

    A estética sonora, em seu percurso de desenvolvimento e compreensão, recebeu atribuições diversas. Em um primeiro momento, foi vista como mero acompanhamento musical para reforçar as emoções postas em cena, ou ainda o simples registro e organização de diálogos e ruídos. Hoje, o nível de complexidade que sua elaboração pode alcançar e o seu papel central na linguagem cinematográfica é fato irrevogável para os pesquisadores da área. Dentre os recursos que compõem esse domínio acústico, destaca-se o silêncio como um elemento peculiar.

    Em busca de uma análise detida dos efeitos que o silêncio fílmico exerce na percepção do espectador, a pesquisa sugere que ele seja portador de potencial sinestésico, ou seja, que ele possa suscitar no público uma experiência multissensorial quando aplicado em certos contextos narrativos, tanto no cinema “mudo” como contemporâneo. Partindo de uma compreensão da construção cultural da escuta (SCHAFER, 2011) e da noção cageana de silêncio (CAGE, 1961), são levantados exemplos capazes de explicitar o fenômeno enfocado, bem como a linguagem audiovisual que o provoca.

    Nessa perspectiva, a começar pelo cinema “mudo”, tem-se como subsídio as investigações propostas por Melinda Szalosky (2002), quem confere uma propriedade sinestésica às imagens silenciosas por meio de uma espécie de visualização dos sons que saltam da tela. A aplicação disso pode ser verificada no trabalho de grandes cineastas do período, como em A Greve de Sergei Eisenstein (1925), onde na cena de um tumulto, é inserido o close de uma sirene repetidas vezes para lembrar o espectador de que ela ressoa constantemente enquanto a ação se desenvolve (MANZANO, 2010). Para a autora, por meio de uma disposição mental, somos capazes de escutar o ressoar da sirene na medida em que a imagem se configura como um estímulo acústico, desencadeando uma percepção auditiva em meio à situação silenciosa.

    O mecanismo através do qual apreendemos o som de imagens silenciosas é intrínseco à noção de sinestesia, uma vez que a percepção de um estimulo visual transmuta-se em uma sensação auditiva. Este forte apelo do silêncio constitui uma possibilidade de expressão que lida com a ausência de banda sonora característica daquele período, seja por meio da montagem, fotografia, atuação, ou mesmo manipulando os grafismos dos intertítulos.

    Diante dessa ideia, alarga-se a proposta de Szalosky no intuito de investigar os modos de utilização do silêncio no cinema para além dos seus primórdios. Atualmente, munidos de sonorização, os filmes buscam o silêncio como uma opção estética, não mais em decorrência de uma limitação técnica (CAMPER, 1985). Para tanto, os cineastas contemporâneos articulam elementos de todos os domínios da linguagem audiovisual para representá-lo imagética e acusticamente. Comumente, reforçar as noções de vazio, solidão e morosidade na mise en scéne comungam com este propósito. Vemos, por exemplo, que em Luz Silenciosa de Carlos Reygadas (2007), o silêncio emerge representado pelo plano sequência, pela luz e flares, pelo laconismo dos personagens, assim como pelos sons pontuais e reverberados na trilha. Esses elementos contém em si qualidades silenciosas que conferem à obra a impressão de suspensão de ruído (TEREZANI, 2013).

    Assim, vê-se que em busca da representação do silêncio, o cinema pode promover uma experiência sinestésica que suscita a dimensão imaginativa do espectador ao propor que ele interprete um conjunto de estímulos visuais como um aspecto sonoro. Logo, o silêncio parece nos convidar a ver os sons e a ouvir as imagens (COSTA, 2000).

Bibliografia

    CAGE, John. Silence. Ed 1. Connecticut: Wesleyan University Press, 1961.


    CAMPER, Fred. Sound and Silence in Narrative and Nonnarrative Cinema. In: WEIS E. e BELTON, J. Film Sound: theory and practice. New York: Columbia University Press, 1985.

    COSTA, Luís C. Cinema Brasileiro (60-70): dissimetria, oscilação e simulacro. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2000.

    GREVE, A. Direção: Sergei Eisenstein. 1h35min, p&b. URSS, 1925.

    LUZ SILENCIOSA. Direção: Carlos Reygadas. 136min, cor. México/França, 2007.

    MANZANO, Luiz. Som-Imagem no Cinema. São Paulo: Perspectiva, 2010.

    SCHAFER, R. Murray. A Afinação do Mundo. 2 ed. São Paulo: Editora Unesp, 2011.

    SZALOSKY, Melinda. Sounding Images In Silent Films: visual acoustics in Murnau’s “Sunrise”. Cinema Journal. Texas, v. 41, n. 2, p. 109-131, 2002.

    TEREZANI, João H. T. Ouvindo Vazios: reflexões sobre o silêncio no cinema. Anais do II Seminário Nacional Cinema em Perspectiva. Curitiba, n. 1, v.1, 2013.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Manifestamos aqui nossa preocupação e atenção em relação aos recentes acontecimentos políticos no país.

Na área que nos é mais próxima, temos visto duríssimos ataques ao jornalismo que se pauta pela democracia, ética e princípios republicanos. Com objetivos políticos não mais velados, jornalistas que atuam nos grandes meios perderam o respeito não apenas pelas suas profissões, mas pela própria importância de uma mídia equilibrada, democrática e justa.

O que vimos nos últimos dias, sobretudo com as Organizações Globo, atenta contra o grande esforço que nas últimas décadas tantos atores sociais têm feito para que a justiça e uma imprensa livre sejam parte constituinte da república. Não há como defender o fim da corrupção e corromper todos os meios para destruir este ou aquele ator político.

Afirmamos assim que:

– Qualquer atuação dos grandes órgãos de imprensa que atente contra a ordem democrática através de difamações e incitações à instabilidade é inaceitável.

Sobre os recentes acontecimentos, afirmamos ainda que:

– Nenhuma atuação do jurídico ou da polícia federal deve ser feita com fins partidários e com arbitrariedades e abusos de poder.

– Qualquer abuso de poder do poder judiciário deve ser coibido e a igualdade entre indivíduos respeitada.

A crise do país e as importantes investigações sobre corrupção não justificam que certos atores sociais, no poder jurídico ou na grande imprensa, atentem contra a democracia e a ordem republicana.
SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual
diretoria do FORCINE – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual

  1. Prazo de pagamento da anuidade: de 1 a 24 de março; 
  2. Prazo de submissão de propostas de trabalhos para apresentação [XXI Encontro]: de 5 a 31 de março;
  3. Divulgação de propostas aprovadas para apresentação [XXI SOCINE]: 9 de junho;
  4. Período de pagamento das inscrições [XXI SOCINE]:
      • PRIMEIRO PRAZO: 3 a 13 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
      • SEGUNDO PRAZO: 14 a 24 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
      • TERCEIRO PRAZO: 25 de julho a 1 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00
  5. Chamada de candidaturas [Eleições da SOCINE]: 21 de agosto a 22 de setembro;
  6. Inscrição de ouvintes [XXI SOCINE]: a partir de 11 de setembro;
  7. Divulgação da programação [XXI SOCINE]: 19 de setembro;
  8. Divulgação das candidaturas homologadas [Eleições da SOCINE]: 29 de setembro;
  9. XXI Encontro SOCINE, na UFPB, em João Pessoa: de 17 a 20 de outubro;
  10. Eleições da SOCINE: 18 e 19 de outubro;
  11. Assembleia e posse da nova diretoria: 20 de outubro;
  12. Prazo de envio de trabalhos para os Anais de Textos Completos [XXI SOCINE]: a definir.

APENAS TRABALHOS ENVIADOS PARA O E-MAIL ANAIS@SOCINE.ORG.BR SERÃO ACEITOS.

CADA ASSOCIADO PODERÁ ENVIAR APENAS UM ARQUIVO. NO CASO DE ENVIO DE MAIS DE UM ARQUIVO APENAS O ÚLTIMO SERÁ CONSIDERADO.

OS TEXTOS NÃO SERÃO REVISADOS, SENDO DE RESPONSABILIDADE DOS AUTORES OBSERVAREM NORMAS DE CITAÇÃO, REFERÊNCIAS, DIREITOS AUTORAIS, CORREÇÃO ORTOGRÁFICA E GRAMATICAL.

OS TEXTOS DEVEM APRESENTAR TÍTULO EM PORTUGUÊS E EM INGLÊS, RESUMO E ABSTRACT COM NO MÁXIMO 500 CARACTERES COM ESPAÇO CADA E PALAVRAS-CHAVE E KEYWORDS (MÁXIMO DE 5, SEPARADAS POR VÍRGULAS E COM PONTO FINAL).

OS TEXTOS NÃO PODEM ULTRAPASSAR O VOLUME DE 17.000 CARACTERES CONTANDO OS ESPAÇOS, INCLUÍDOS NESSE TOTAL TODOS OS ELEMENTOS TEXTUAIS COMO TÍTULO, TITLE, RESUMO, ABSTRACT, PALAVRAS-CHAVE, KEYWORDS, REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS, NOTAS, LEGENDAS E CITAÇÕES.

TEXTOS FORA DAS NORMAS NÃO SERÃO PUBLICADOS E NÃO HAVERÁ NOVA CHAMADA PARA CORREÇÃO OU ADEQUAÇÃO ÀS NORMAS.

OS TEXTOS DEVEM SER ENTREGUES DE ACORDO COM A ORDEM DE ELEMENTOS E O PADRÃO APRESENTADOS NO ARQUIVO MODELO. A FALTA DE QUALQUER ELEMENTO TEXTUAL, OU DESACORDO COM O VOLUME TEXTUAL APONTADO, IMPLICARÁ NA NÃO PUBLICAÇÃO DO TEXTO, SEM AVISO PRÉVIO.

PADRONIZAÇÃO:

Os textos deverão ser padronizados da seguinte forma (conforme arquivo modelo):

  1. Arquivo em formato .doc ou .docx;
  2. Arquivo nomeado da seguinte forma: NOME_SOBRENOME_DATADEENVIO.doc
  3. Espaçamento entre linhas 2, formato A4, fonte Arial, tamanho 10;
  4. Título e title destacados em negrito, em fonte Arial ,tamanho 14;
  5. Autor destacado em negrito, fonte Arial, tamanho 10;
  6. Subtítulos destacados em negrito (com espaço entre linhas adicional antes), fonte Arial tamanho 10;
  7. Destaques ao longo do texto devem ser feitos em itálico;
  8. Notas de rodapé em fonte Arial, tamanho 9, e numeradas em sequência.
  9. As citações referenciais não vão em nota de rodapé, devendo ser identificadas (entre parênteses) no texto, logo após o trecho citado, colocando o sobrenome do autor (com todas as letras em maiúsculo), o ano e, quando necessário, a página.Exemplos:
    • Um autor: (WENTH, 1998, p. 12);
    • Dois autores: (LAMARE; SOARES, 1990, p. 134-135);
    • Três ou mais autores: (HARRIS et al, 1998, p. 26).
  10. Citações com mais de quatro linhas deverão vir em parágrafo específico, com recuo de 4 cm, em espaçamento 1, tamanho de fonte 10 e espaço simples antes e depois das citações. Não usar Idem ou Ibidem.
  11. A lista de referências bibliográficas deve estar em ordem alfabética, de acordo com as normas ABNT (6023 e 10520).Exemplos:
    • Formato para livros:
      CALDWELL, J. T. Televisuality: style, crisis, and authority in American television. New Jersey: Rutgers, 1995. (Subtítulo em minúscula e depois de dois pontos, sem itálico.
      – Prenomes dos autores abreviados; maiúscula apenas na primeira letra do título; não utilizar prenomes em editoras, desde que isso não comprometa a identificação).
    • Formato para teses e dissertações:
      MUANIS, F. As metaimagens na televisão contemporânea: as vinhetas da Rede Globo e MTV. Tese (Doutorado) – Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2010.
    • Formato para artigos:
      PAIVA, S. “A propósito do gênero road movie no Brasil: um romance, uma série de TV e um filme de estrada”. Rumores:, São Paulo, v. 1, n. 6, set.-dez. 2009.
    • Formato para trabalhos apresentados em eventos:
      REGUILLO, R. “El lenguaje e los narcos”. In: SEMINARIO NARCOTRÁFICO Y VIOLENCIA EN CIUDADES DE AMÉRICA LATINA: retos para un nuevo periodismo, 2009, México. Anais eletrônicos:… México: FNPI, 2009. Disponível em: . Acesso em: 15 ago. 2011.
  12. Caso o trabalho contenha imagens, quadros ou tabelas, é necessário incluí-los ao longo do texto, de modo compatível com o arquivo. As legendas devem estar imediatamente abaixo das figuras e dos gráficos e os títulos imediatamente acima dos quadros e das tabelas. Todos deverão estar numerados consecutivamente, em arábico. De acordo com a lei de direitos autorais, as fotos e os desenhos devem vir acompanhados dos nomes de seus autores.