Trabalhos aprovados 2026

Ficha do Proponente

Proponente

    Gisella Cardoso Franco (UFF)

Minicurrículo

    Gisella é Mestre em Cinema pelo PPGCine e Graduada em Comunicação na UFF . Produtora Cultural e Gerente de Gestão de projetos Incentivados na Fabrica Filmes. Foi Gerente de Lançamentos na Vitrine Filmes. Foi gerente de lançamentos na H2O Films, onde gerenciou o lançamento de filmes brasileiros como “Tarsilinha”, “Nós não vamos pagar nada” e “De perto ela não é normal”. Assinou a Produção e Coordenação de conteúdo da série “O País do Cinema”, nas suas 7 temporadas produzidas para o Canal Brasil.

Ficha do Trabalho

Título

    Distribuir filmes, inaugurar mundos

Resumo

    Pensar a distribuição de filmes é reconhecer que, diante de crises históricas, o cinema nacional segue se reinventando. Enquanto muitos filmes autorais e regionais enfrentam barreiras para circular, distribuidoras independentes como Vitrine, Embaúba e outras criam novos caminhos entre obra e público. A distribuição torna-se, assim, mais que mercado: é ferramenta de resistência, diversidade e construção de futuros.

Resumo expandido

    “Distribuir filmes, inaugurar mundos”
    Pensar o mercado de distribuição de filmes brasileiros a partir do tema “Fins do mundo, mundos sem fim” significa observar como o cinema nacional resiste, se transforma e projeta futuros mesmo diante de crises recorrentes. Em diferentes momentos, o audiovisual brasileiro conviveu com previsões de colapso: falta de investimento, concentração de mercado, fechamento de salas, descontinuidade de políticas públicas e domínio do produto estrangeiro. São muitos os “fins do mundo” que atravessam historicamente nossa cinematografia.
    Paradoxalmente, em meio a essas ameaças, o cinema brasileiro viveu também alguns de seus momentos mais vigorosos. Houve crescimento da produção, surgimento de novos realizadores e ampliação estética e regional das obras produzidas no país. Filmes autorais, experimentais e realizados fora do eixo Rio-São Paulo passaram a ocupar espaço criativo relevante, revelando um país múltiplo, diverso e distante de qualquer modelo único de cinema nacional.
    Entretanto, grande parte dessa produção encontrava dificuldades para circular. Muitos filmes permaneciam restritos a mostras e festivais, sem acesso consistente ao circuito comercial. O problema deixava de ser apenas produzir e passava a ser existir publicamente. Nesse ponto, a distribuição aparece como fronteira decisiva entre invisibilidade e encontro com o público.
    É justamente nesse cenário que surgem novas distribuidoras independentes, como Vitrine Filmes, Embaúba, Descoloniza, Lira Filmes e Filmes do Estação. Essas empresas passam a construir caminhos para obras que escapavam dos modelos tradicionais de mercado, geralmente dominados por lançamentos de grande apelo comercial e por estruturas concentradas. Mais do que empresas, tornam-se agentes de reorganização simbólica do setor.
    Entre elas, a Vitrine Filmes ocupa papel central. Fundada em 2010 por Silvia Cruz, a distribuidora representa uma inflexão importante no mercado brasileiro ao demonstrar que filmes de perfil artístico e autoral também podem alcançar circulação comercial relevante. Ao lançar obras antes limitadas ao circuito de festivais, a Vitrine ajudou a redefinir o que se entendia como potencial de mercado para o cinema brasileiro contemporâneo.
    Sua presença posterior entre distribuidoras de destaque em bilheteria reforça uma percepção essencial: cinema autoral e resultado comercial não são campos incompatíveis. Ao contrário, podem coexistir e se fortalecer mutuamente quando há estratégia, investimento e leitura sensível de público. Essa constatação desmonta antigas divisões entre “cinema de arte” e “cinema popular”, abrindo espaço para modelos mais complexos e inclusivos.
    Assim, relacionar a distribuição cinematográfica ao tema “Fins do mundo, mundos sem fim” é reconhecer que, sempre que determinadas estruturas parecem esgotadas, novas formas de circulação emergem. Quando um sistema fecha portas, outros agentes inventam entradas. Quando certos filmes parecem condenados ao desaparecimento, novas redes de distribuição lhes devolvem presença e permanência.
    No cinema brasileiro, os fins costumam ser anunciados com frequência. Mas a história recente mostra que, a cada crise, surgem novos mundos possíveis: novos realizadores, novos públicos, novas empresas e novas formas de fazer os filmes chegarem às pessoas. A distribuição, nesse sentido, não é apenas etapa econômica — é também prática de imaginação, resistência e futuro.
    No presente trabalho vamos investigar os caminhos, práticas e conceitos que embasam e sustentam essa forma de distribuir Cinema e Cultura.

Bibliografia

    Bibliografia
    ARRUDA, Talita: “Beneficiários da Exceção: Distribuição dos Filmes Selecionados
    no Edital Sav/Minc/Fsa No03/2016 – Longa Metragem de Baixo Orçamento Afirmativo79

    Universidade Federal do Recôncavo Da Bahia/ Centro De Artes, Humanidades e Letras /
    Programa de Pós-Graduação em Comunicação Mestrado em Comunicação, Mídia e Formatos Narrativos

    ALMEIRA, Paulo Sérgio e BUTCHER, Pedro: “Cinema, Desenvolvimento e Mercado”. (2003), Aeroplano.

    BAHIA, Lia: “Discursos, políticas e ações: processos de industrialização do campo
    cinematográfico brasileiro”. / organização da coleção Lia Calabre. – São Paulo : Itaú Cultural :Iluminuras, 2012.

    GOMES, Paulo Emílio Salles. Cinema: trajetória no subdesenvolvimento (1973). Paz
    e Terra. Coleção leitura.

    LAGE, Adhemar Soares. Impactos da pandemia na distribuição cinematográfica:
    estudo de caso das estreias de dois longas-metragens da Vitrine Filmes. Dissertação (mestrado Interdisciplinar em Cinema) – Universidade Federal de Sergipe, 2023.