Trabalhos aprovados 2026

Ficha do Proponente

Proponente

    FABIO RADDI UCHOA (PPGCOM-UAM)

Minicurrículo

    Doutor em Comunicação pela ECA/USP. Pós-Doutor em Imagem e Som pela UFSCAr. Atualmente é professor do Programa de Pós Graduação em Comunicação da Universidade Anhembi Morumbi.

Ficha do Trabalho

Título

    A colagem em Closed Vision (1954), de Marc’O

Resumo

    A proposta é analisar o filme Closed Vision (1954), de Marc’O, contextualizando-o em relação à cinematografia da vanguarda letrista dos anos 1950. A abordagem se dará por meio do debate da colagem, unindo duas perspectivas teóricas: o desvio (Debord e Wolman) e o gesto dadaísta de Duchamp (Octávio Paz).

Resumo expandido

    Escritor, diretor de teatro e diretor de cinema, Marc-Gilbert Guillaumin (Marc’O) participou do movimento letrista, colaborando especialmente com a realização de Closed Vision (1954), um filme de colagem, bricolado, com traços dadaístas e fortes contrastes entre sons e imagens. Trata-se de um longa-metragem que deve ser contextualizado junto à cinematografia letrista de 1951/1952 – Traité de bave et d’éternité (1951), Le film est déjà commencé? (1951), L’anticoncept (1952) e Hurlements en faveur de Sade (1952); filmes esses que consolidaram o letrismo no cinema, culminando com a ideia de um cinema sem imagens (UCHOA, 2019). Em 1952, com outros artistas letristas, Marc’O publica um capítulo da revista ION (1952), colaborando com a criação de um cinema imaginário – possuindo entre suas características a cisão entre imagens e sons, as intervenções diretas sobre a película (cinzelamento), a colagem e o uso da sala de projeção como espaço de intervenção e transformação. O objetivo dessa fala é analisar Closed Vision (1954), pensando-o como um filme letrista, por sua faixa sonora ter sido construída antes a existência das imagens – que foram adicionadas posteriormente, incluindo trechos de documentários, publicidades e outros materiais audiovisuais da época. Sua composição geral, com a colagem de imagens e sons que tomam novos sentidos, contrapostos aos contextos originais, pode ser aproximada das propostas de Debord e Wolman sobre a noção de desvio (1956), especialmente pela finalidade política da recontextualização, a partir daquilo que denominam de “desvios enganadores”. Por outro lado, o gesto que transpõe objetos entre diferentes contextos, questionando o próprio gênero artístico em questão, aproxima-se do gesto dadaísta de Duchamp, tal como tratado por Octávio Paz (2007), a partir da noção de ready-made. Em termos de análise, a colagem em Closed Vision (1954) será pensada a partir dessa dualidade de perspectivas, entre o desvio e o dadaísmo, para ser posteriormente comparada com as próprias perspectivas da colagem letrista, presente no cinema e na arte letrista do início dos anos 1950.

Bibliografia

    BRENEZ, Nicole. Introduction au cinéma lettriste. Paris: Light Cone, 2020.
    CABAÑAS, K. M. Off-screen cinema: Isidore Isou and the lettrist avant-garde.
    Chicago: University of Chicago Press, 2014.
    DEBORD, G.; WOLMAN, G. “Mode d’emploi du détournement”. Les Levres Nues,
    n. 8, 1956.
    DEVAUX, F. Le cinema lettriste (1951-1991). Paris: Paris Experimental, 1992.
    ION, Céntre de Création, Paris, 1952.
    PAZ, Octavio. Marcel Duchamp ou o castelo da pureza. São Paulo: Perspectiva. 2007.
    UCHOA, Fábio Raddi “Configurações da assincronia audiovisual no cinema letrista de 1951/1952.” Significação-Revista de Cultura Audiovisual, São Paulo, v. 46, 2019, p. 229-250.
    ______. “Cinzelamento: da teoria letrista à prática cinematográfica de Maurice Lemaître, o caso O filme já começou? (1951).” Rebeca, São Paulo, ano 6, v. 1, 2018, p. 1-30.