Trabalhos aprovados 2026

Ficha do Proponente

Proponente

    Érica Gonçalves Soares (UFRJ)

Minicurrículo

    Doutoranda em Comunicação e Cultura, pelo PPGCOM da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Mestre em Educação em Ciências e Saúde, pelo Instituto Nutes de Educação em Ciências e Saúde da UFRJ (2025). Graduada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (2015). Integrante do Atlântica Lab, projeto de extensão da UFRJ.

Ficha do Trabalho

Título

    Taller Internacional Express Sin Frontera BraBo: cinema como formação, memória e integração cultural

Eixo Temático

    ET 5 – ETAPAS DE CRIAÇÃO E PROCESSOS FORMATIVOS EM CINEMA E AUDIOVISUAL

Resumo

    Este trabalho visa relatar e refletir sobre o percurso formativo audiovisual do Taller Internacional Express Sin Frontera BraBo. Reunindo estudantes brasileiros e bolivianos no país andino, a atividade concluiu com a realização de mais de uma dezena de curtas-metragens. A experiência aponta para a força do fazer cinematográfico, não só como um processo técnico, mas também como um espaço reflexivo e, principalmente, como meio de integração cultural e política latino-americana.

Resumo expandido

    O Taller Internacional Sin Frontera BraBo, ou simplesmente BraBo, nasceu em 2008 do encontro entre o cineasta e professor Iván Molina, da Escuela de Cine y Artes Audiovisuales de Bolivia (ECA), e Nilton Rocha, professor da Faculdade de Informação e Comunicação (FIC) da Universidade Federal de Goiás (UFG). Com a cooperação entre as duas instituições, a proposta, desde então, é superar as fronteiras geográficas e realizar formação em cinema com estudantes, profissionais e movimentos sociais (De Souza, 2018).

    Neste relato, apresento a síntese do percurso metodológico do último encontro para pensá-lo para além da técnica audiovisual. Em sua quinta edição, em julho de 2025, o Taller aconteceu em sua versão compacta e levou à capital La Paz, para se somar aos estudantes de cinema da ECA, 14 graduandas e graduandos da FIC (UFG) e esta doutoranda do PPGCOM da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), acompanhados ainda do professor Nilton Rocha.

    A formação iniciou no próprio translado, que aconteceu por terra de Goiás até a parada final na capital boliviana La Paz, permitindo paradas para visitas a museus, aldeia urbana, praças, feiras populares e uma recepção na Universidad Mayor de San Simon, em Cochabamba, onde dialogamos com estudantes e professores de comunicação e cinema, compartilhando experiências e sobre a transformação digital na comunicação das populações. Além disso, é importante destacar a hospedagem em casas de famílias bolivianas, situação de intercâmbio que permitiu uma aproximação e criação de vínculos a fim de desafiar estereótipos (Hall, 2016; hooks, 2019) sobre os povos dos dois países. Para Iván Molina, este aspecto da formação é fundamental porque não se pode produzir cinema coletivamente sem colocar-se junto, sem conhecer, sem sentir e ser afetado.

    As aulas teóricas de documentário aconteceram na sede da ECA, em La Paz, de 15 a 22/07, distribuídas em: o que é um documentário, fotografia para cinema, roteiro, som e montagem. A teoria esteve combinada com atividades práticas, como a produção de uma vídeo-carta a La Paz e a visita à Feira 16 de Julio que resultou em exercícios de produção de roteiro.

    A etapa seguinte consistiu na viagem ao município de Jesús de Machaca para a filmagem dos documentários. Nesta edição, os curtas-metragens foram uma demanda da secretaria de turismo do município autônomo, que desejava promover pontos turísticos naturais e históricos de seus povoados através de imagens que contassem sobre seus usos e costumes a partir de seus pontos de vista e cosmovisão. De 23 a 25/07 foram dias de gravação, com o grupo de estudantes subdivididos em seis, cada um encarregado de documentar dois povoados. Importante destacar a participação das autoridades originárias locais – mulheres e homens com cargos de empoderados –, recepcionando as equipes e também orientando as filmagens, ou a inscrição visual comunitária (Gomes, 2024).

    De volta à ECA, os dias 26, 27 e 28/07 foram dedicados ao inventário das imagens e sons captados, elaboração de roteiro de montagem, montagem, revisão e finalização. Foram concluídos 12 documentários curta-metragem.

    O encerramento aconteceu com o Colóquio BraBo, em La Paz, onde tivemos grupos de trabalho e exibição dos documentários com a presença das autoridades empoderadas que comentaram os curtas-metragens. Além disso, as produções foram exibidas em universidades dos dois países realizadores e também na Muestra Internacional de Cine Canarias Documental, além das promovidas pela secretaria de turismo de Jesús de Machaca.

    O percurso metodológico do Taller BraBo permite afirmar que sua prática cinematográfica se constitui não só de formação técnica audiovisual, mas também de memória e integração política e cultural latino-americana. O fazer cinema aqui é a construção de conhecimento situado e de fortalecimento de vínculos transnacionais, com produção de imagens que se colocam na disputa por imaginários sobre povos e territórios historicamente em luta.

Bibliografia

    DE SOUSA, Ana Lúcia Nunes. Metodologías para la escucha en el audiovisual popular. Imagofagia, n. 17, p. 425-448, 2018.

    GOMES, Janaína Damaceno. Direito a olhar. Direito a ser visto. Direito a existir. In:
    CUNHA, Guilherme (ed.). Retratistas do morro Afonso Pimenta e João Mendes.
    Guarulhos: Sesc, 2024.

    HALL, Stuart. Cultura e representação. [S. l.]: Editora Apicuri, 24 maio 2016. ISBN
    978-85-8317-048-8.

    HOOKS, Bell. Olhares negros: raça e representação. São Paulo: Elefante, 2019.

    HIGH, Chris; ET AL. Defining participatory video from practice. In: Handbook of
    participatory video. Londres: Sage, 2012. p. 35–48.