Ficha do Proponente
Proponente
- Malu de Castro Oliveira Lima (USP)
Minicurrículo
- Malu de Castro é mestranda no Programa de Pós-Graduação em Meios e Processos Audiovisuais (ECA – USP) e pesquisa autoria e representação feminina no cinema brasileiro.
Ficha do Trabalho
Título
- Vedetes do teatro de revista e o cinema brasileiro
Eixo Temático
- ET 1 – CINEMA, CORPO E SEUS ATRAVESSAMENTOS ESTÉTICOS E POLÍTICOS
Resumo
- O presente trabalho busca analisar a relação entre as vedetes do teatro de revista e o cinema brasileiro, explorando a carreira da atriz Betty Faria. Para tanto, o estudo é feito com base na análise dos estudos a respeito de estrelato, do pesquisador britânico Richard Dyer, considerando a recepção e espelhamento do público feminino, além da performance e caracterização associada aos papéis da atriz, em comparação com outras atrizes como Leila Diniz (1941-1973) e Norma Bengell (1935-2013).
Resumo expandido
- Tomando como exemplo principal a carreira da atriz Betty Faria (1941-), proponho analisar a influência da figura das vedetes e do teatro de revista no cinema brasileiro. Para além da performance, busco apresentar uma noção de espelhamento e recepção ativa do público feminino em relação ao cinema e à televisão, por meio do fenômeno do estrelato. A amálgama entre ficção cinematográfica e televisiva contribuiu para a criação de um imaginário de modernidade para o público feminino e queer do país, a partir da circulação de temas como liberdade sexual, divórcio, autonomia financeira, etc. O trabalho também leva em conta a trajetória entre cinema e teatro de revista das atrizes como Leila Diniz (1941-1973) e Norma Bengell (1935-2013), que tiveram passagem por espetáculos de teatro de revista, além do cinema.
O teatro de revista foi um gênero popular marcado pelas apresentações de tom satírico e críticas à sociedade. O teatro de revista perdurou no Brasil durante quase cem anos, e durante sua era de ouro, foi protagonizado pelas vedetes. Mesmo com o declínio do espetáculo, é possível observar reverberações deste formato no audiovisual brasileiro. A figura da vedete e a herança do teatro de revista está presente na carreira das atrizes citadas, e é possível levantar semelhanças entre a postura de imagem pública que essas atrizes mantinham, mesmo que suas carreiras sejam particulares em si. A pesquisa busca pensar na prerrogativa do ator ao criar dentro do audiovisual e a reverberação de atrizes-estrelas junto ao público feminino.
Para tanto, será feita revisão bibliográfica relacionada aos estudos de estrelato, do pesquisador britânico Richard Dyer, e análise sociológica desse fenômeno, através do autor francês Edgar Morin, com o intuito de encontrar paralelos entre a experiência brasileira de star system e o equivalente hollywoodiano, usando a história do teatro de revista como um mediador para o imaginário das estrelas de cinema e vedetes brasileiras. Além disso, os estudos de espectatorialidade e pesquisas sobre a história do teatro de revista no Brasil, junto com teoria da inter-midialidade.
O conceito de persona do autor Richard Dyer é fundamental para pensar na carreira de Betty Faria, o elemento da dança como uma característica principal, a partir de uma relação com a tradição do teatro de revista, ou teatro rebolado, gênero que proporcionou seu início na televisão, enquanto vedete.
Através de uma estética próxima ao teatro de revista e aos musicais hollywoodianos, a atriz frequentemente interpretou personagens que encenam números musicais em meio à narrativa dramática, além de seu início de carreira como bailarina, e de protagonizar quatro especiais musicais dentro da Rede Globo, programas destinados à números de dança. Mesmo em papeis nos quais a atriz não realiza esse tipo de performance musical, é possível encontrar marcas desse universo específico dos palcos de espetáculos populares. Ao considerar Betty Faria como uma figura estrelar dentro do audiovisual brasileiro, procuro relacionar as recorrências em suas personagens com sua biografia e aparições públicas.
O diálogo entre cinema e espetáculo ganha uma nuance específica dentro da persona da atriz através da dialética entre glamour, excesso e decadência. Betty Faria se coloca na tela enquanto estrela, mas é comum que suas personagens não sejam propriamente o que se espera de uma figura estelar: entre prostitutas, arrivistas sociais da classe trabalhadora, e outros tipos de mulheres que escapam de uma lógica da heroína, seus papeis comportam um hiato entre um horizonte de fabulação e condições materiais. Essa recorrência nos papeis destaca o papel que o ator tem de criação dentro do audiovisual. Seria esse um gesto, perto da antropofagia tropicalista, de se apropriar da estética hollywoodiana e desordená-la dentro do contexto brasileiro?
Bibliografia
- All that television allows. In SPIGEL, L.; MANN, D. Private Screenings. University of Minnesota Press, 1992.
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MACIEL, Ana Carolina de Moura Delfim. “Yes, nós temos bananas”: cinema industrial paulista : a Companhia Cinematográfica Vera Cruz, atrizes de cinema e Eliane Lage. Alameda Editorial. São Paulo, 2011
MORIN, Edgar. As estrelas: mito e sedução no cinema. Rio de Janeiro: José Olympio, 1989