Trabalhos aprovados 2026

Ficha do Proponente

Proponente

    Caroline Sousa de Carvalho (UFS)

Minicurrículo

    Mestranda no Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Cinema e Narrativas Sociais (PPGCINE/UFS). Possui Graduação em Artes Visuais (UFMS). Especialização em Ações Poéticas e Educacionais na Contemporaneidade (UEL). Integra o Núcleo Interdisciplinar de Cinema e Educação (NICE), o grupo de pesquisa LAPPA – Laboratório de Pesquisa e Produção Audiovisual e o Coletivo Arcazul de Preservação Audiovisual.

Ficha do Trabalho

Título

    Essa é uma foto que não foi feita para um filme: práticas com arquivos familiares no cinema

Eixo Temático

    ET 5 – ETAPAS DE CRIAÇÃO E PROCESSOS FORMATIVOS EM CINEMA E AUDIOVISUAL

Resumo

    O trabalho reflete sobre práticas com arquivos familiares no cinema a partir de um levantamento exploratório de filmes que mobilizam esses materiais. A análise foca nos gestos de criação que ativam imagens de arquivo, considerando seus suportes e materialidades. Ao serem deslocados do contexto doméstico e rearticulados pelo cinema, esses arquivos passam a operar em uma dimensão poética (Lissovsky, 2004), tornando-se matéria de criação e memória.

Resumo expandido

    Este trabalho busca apresentar as práticas com arquivos familiares no cinema contemporâneo, propondo um olhar para o uso poético dessas imagens a partir dos filmes Caixa D’Água Qui’Lombo é esse? (2013) de Everlane Moraes, e São Seus Olhos Tristes (2022) de Antônio Rafael. A investigação é orientada pelas seguintes questões: de que formas os arquivos familiares são mobilizados nesses filmes? Como essas imagens aparecem na tela? Que sentidos poéticos e políticos emergem de seus usos?
    A análise do uso do arquivo insere-se no âmbito da pesquisa de mestrado em andamento, que investiga as práticas com arquivos familiares a partir de sua dimensão poética (Lissovsky, 2004). Nesse sentido, o estudo busca compreender como esses arquivos são ativados nos filmes, atentando para suas formas de aparição, para as operações e gestos que os atravessam e para os modos de criação que emergem de seu uso.
    Como etapa fundamental, foi realizado um levantamento filmográfico orientado pelo critério amplo de obras que mobilizam arquivos familiares. Conduzido inicialmente de forma exploratória, sem um recorte rígido, esse mapeamento abrangeu filmes de diferentes contextos nacionais e internacionais e permitiu identificar distintos modos de uso desses materiais. Observam-se, por exemplo, filmes em que o arquivo é incorporado à montagem e assume função estruturante na narrativa, e outros em que aparece em cena, sendo manipulado e observado pelos próprios personagens.
    A partir dessa diversidade de procedimentos, foram construídas categorias de análise que passaram a orientar a investigação. No entanto, para a delimitação do corpus desta pesquisa, optou-se por um recorte específico: a seleção de dois filmes sergipanos, em consonância com a inserção territorial da pesquisa de mestrado. Essa escolha busca articular o debate mais amplo, evidenciado no levantamento, com uma análise situada, capaz de aprofundar a compreensão das práticas com arquivos familiares no contexto local, sem perder de vista sua relação com produções de diferentes territórios.
    Para a observação do uso do arquivo nas obras, o referencial teórico que sustenta este trabalho articula estudos sobre o arquivo e suas múltiplas dimensões (França & Andueza, 2019; Derrida, 2001; Farge, 2009; Lissovsky, 2004; Costa, 2022), bem como investigações sobre narrativas pessoais produzidas a partir de materiais de família no cinema (Blank, 2012, 2020; Machado, 2023; Leite, 2005; Silva, 2008). A partir de Farge (2009), Derrida (2001) e Azoulay (2024), busco delinear caminhos para pensar o arquivo até chegar ao arquivo familiar como eixo central da pesquisa.
    Por fim, o trabalho procura compreender o que a análise dos arquivos familiares revela acerca da dimensão poética das imagens domésticas quando ativadas pelo cinema.

Bibliografia

    AZOULAY, Ariella Aïsha. História potencial: desaprender o imperialismo. São Paulo: Ubu Editora, 2024.
    BLANK, Thais. Do cinema ao arquivo: traçando o percurso migratório dos filmes de família. Revista Digital de Cinema Documentário, 5-20, 2012.
    ___________. Cinema doméstico brasileiro (1920-1965). Rio de Janeiro: Appris, 2020.
    DERRIDA, J. Mal de arquivo: uma impressão freudiana. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 2001.
    FARGE, Arlette. O Sabor do Arquivo. Trad. Fátima Murad. São Paulo: Edusp, 2009.
    LEITE, Miriam M. Retratos de família: imagem paradigmática no passado e no presente. In: SAMAIN, Étienne (org.). O fotográfico. 2ª ed. São Paulo: Hucitec, 2005.
    LISSOVSKY, Mauricio. Quatro + uma dimensões do arquivo. In: MATTAR, Eliana (org.). Acesso à informação e política de arquivos. Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 2004. p. 47-63.
    SILVA, Armando. Álbum de família: A imagem de nós mesmos. São Paulo: Editora Senac, 2008.