Trabalhos aprovados 2026

Ficha do Proponente

Proponente

    Sandra Regina Rosa Farias (UNEB)

Minicurrículo

    Pós Doutora em Educação pela UFBA. Doutora em Educação pela Universidade Federal da Bahia. Profa. Titular na Universidade do Estado da Bahia. Coordenadora do Núcleo de Educação Especial – NEDE/ UNEB. Coordenadora do Grupo de Pesquisa Acessibilidade & Arte – GA&A/ UNEB. Coordenadora de Acessibilidade, da Diretoria de Museus – Dimus/BA. Membro do Grupo de Pesquisa Geografia da Deficiência.

Ficha do Trabalho

Título

    Poética do roteiro de Audiodescrição para cinema: escolhas estéticas entre tempo e expressividade

Resumo

    O objetivo deste trabalho é refletir sobre as escolhas lexicais e as negociações e tensões, do processo tradutório na construção do roteiro de audiodescrição (AD) para cinema. Através do método biográfico a autora analisa o roteiro de AD não apenas como técnica, mas como imersão sensível. O processo envolve escolhas estéticas para preencher hiatos sonoros sem ferir a obra original. O roteiro de AD depende da bagagem cultural e da sensibilidade reflexiva para criar uma experiência vívida.

Resumo expandido

    A Audiodescrição é uma modalidade de tradução audiovisual intersemiótica Jakobson (1995), que visa transformar signos visuais em verbais. Para as artes, segundo Farias (2017, p.71), “é uma transcriação autoral, artística, na qual, no seu processo, traz à luz, por meio das palavras, a representação de uma imagem. Em se tratando de arte, a AD cria outra arte pelas palavras. Expressiva, cria narrativas, poéticas, tessituras, poesias, prosas, discursos, reflexões.”
    Academicamente, a elaboração deste roteiro é frequentemente analisada sob prismas técnicos; contudo, este estudo adota o método biográfico (Ferraroti, 2010), utilizando roteiros de filmes produzidos pela autora roteirista e a memória reflexiva da mesma como fontes primárias de dados. Um percurso de mais de 20 anos produzindo, questionando e refletindo sobre o fazer roteiros de audiodescrição para o cinema e afins.
    Ao investigar a própria prática, a pesquisadora e profissional, tem como objetivo explicitar as tensões subjetivas, as escolhas lexicais e as negociações estéticas inerentes ao processo tradutório. A fundamentação teórica ancora-se nos Estudos da Tradução e na Acessibilidade Audiovisual (ALVES; ARAÚJO, 2016), mas a lente autobiográfica permite observar o fazer da AD como um fenômeno de imersão.
    Entende-se que a/o roteirista não apenas descreve, mas vivencia a obra, enfrentando o desafio de inserir conteúdo nos hiatos sonoros, sem comprometer a trilha original. A construção do “quê”, “como” e “onde” no roteiro é atravessada pelo repertório pessoal da audiodescritora. Através da narrativa de si, revelam-se os dilemas éticos na tradução de elementos culturais, a busca pelo equilíbrio técnico, principalmente de tempo, a carga emocional da cena e a expressividade.
    Na análise autobiográfica de cenas complexas, como sequências de ação ou planos contemplativos, a pesquisadora documenta o processo de “percepção-tradução”, evidenciando que a escolha de um verbo de ação preciso, por exemplo, é o resultado de uma reflexão interna sobre a intencionalidade do/a roteirista do filme e do/a diretora.
    Conclui-se que a abordagem autobiográfica humaniza o exercício profissional e de pesquisa, apontando que a qualidade da tradução (roteiro de audiodescrição para o cinema), depende do conhecimento; da bagagem artística, cultural, social, intelectual que a autora tem, mas sobretudo, como ela transporta tudo isso, para uma da sensibilidade reflexiva. O roteiro não é um guia técnico, mas um documento de composição estética, onde o texto/roteiro atua como uma ponte sensível, que visa tornar a imagem em uma experiência vívida para quem a acessa.

Bibliografia

    ALVES, Soraya Ferreira; ARAÚJO, Vera Lúcia Santiago. Formação do audiodescritor: a estética cinematográfica como base para o aprendizado da estética da audiodescrição – materiais, métodos e produtos. Cadernos de Tradução, Florianópolis, v. 36, n. 3, p. 34-59, set./dec. 2016. Disponível em:

    FERRAROTTI, Franco. Sobre a autonomia do método biográfico. In: NÓVOA, António; FINGER, Matthias (Org.). O Método (Auto) Biográfico e a Formação. Lisboa: Ministério da Saúde, 1988, p. 31-59.

    JAKOBSON, R. Linguística e comunicação. São Paulo: Cultrix, 1995.

    SANTOS, A.; SILVA, L. M. da; FARIAS, S. R. R. O olhar, a palavra e a audiodescrição (ad). Revista da FAEEBA – Educação e Contemporaneidade, Salvador, v. 26, n. 50, p. 63–76, 2017. DOI: 10.21879/faeeba2358-0194.2017.v26.n50.p63-76. Disponível em: https://www.revistas.uneb.br/faeeba/article/view/4262.