Trabalhos aprovados 2026

Ficha do Proponente

Proponente

    Chrístian Langaro Vaisz (IFRS/UFRGS)

Minicurrículo

    Doutorando em Comunicação pela UFRGS. Mestre em Indústria Criativa pela Universidade Feevale (2018). Graduado em Publicidade e Propaganda pela ULBRA (2014) e Graduado em Produção Audiovisual pela ULBRA (2008). Atualmente é professor no IFRS Campus Alvorada e atua no projeto do Centro Tecnológico Audiovisual do RS – TECNA, vinculado ao IFRS TecnoParque. No mercado audiovisual, atuou durante 17 anos na pós-produção de som de filmes, séries e jogos. Participa dos grupos de pesquisa SIMC e ARTIS.

Ficha do Trabalho

Título

    Ferramentas de Inteligência Artificial no Desenho de Som: reflexões sobre o futuro do cinema sonoro.

Resumo

    Esta pesquisa parte do objetivo de compreender as capacidades das ferramentas de inteligência artificial voltadas para a geração de som e suas aplicabilidades na pós-produção de som no audiovisual. A rápida evolução dessas ferramentas, bem como suas descontinuidades repentinas, dificultam a análise de suas aplicações práticas. O resultado desloca a problemática de “ter ou não ter” capacidade tecnológica para as implicações da relação entre indústria, arte e seus processos de produção.

Resumo expandido

    A chegada de novas tecnologias sempre causam debates acerca dos impactos que elas geram no status quo da sociedade. Em uma visão otimista, as máquinas substituem os trabalhos manuais e repetitivos. Em uma visão pessimista os empregos são perdidos. O campo das artes e comunicação também já passou por diversas transformações, como por exemplo no surgimento da fotografia e o posterior surgimento do cinematógrafo, que consolidou a invenção do cinema nos anos 1890. A possibilidade do registro da imagem em movimento gerou impactos no teatro. No entanto, ao desenvolver uma linguagem própria, o audiovisual abriu espaço para novas possibilidades de manifestação artística e a criação de uma nova indústria. No final dos anos 1920 foi a vez da própria indústria cinematográfica passar por uma mudança tecnológica, com o advento do som sincronizado e os filmes falados. Atores do “cinema silencioso” perderam espaço para quem possuía habilidades de cantar e interpretar falas. Músicos que tocavam ao vivo durante a projeção dos filmes de acordo com a emoção de cada cena foram substituídos por gravações sincronizadas. No entanto, a banda sonora sincronizada também possibilitou novas linguagens estéticas e empregos na área do som para audiovisual. Um manifesto publicado pelos cineastas Eisenstein, Pudovkin e Alexandrov em 1928 discutia o impacto do som sincronizado nos filmes: “E com uma concepção errada com relação às potencialidades deste novo descobrimento técnico pode não apenas impedir o desenvolvimento e aperfeiçoamento do cinema como arte, mas também ameaça destruir todas as suas atuais conquistas formais.” (EISENSTEIN; PUDOVKIN; ALEXANDROV, 1928). O audiovisual, a fonografia e a fotografia também passaram por outras mudanças tecnológicas, principalmente na transição do suporte analógico para as mídias digitais, e recentemente para o streaming. Todas estas mudanças geraram impactos em empregos, mas também na estética e linguagem destas manifestações artísticas. É a partir deste paradigma que situa-se a justificativa desta pesquisa, realizada no âmbito do fomento interno do IFRS. Estamos frente a uma nova mudança tecnológica que também afeta este setor. Para isso, delimitamos o tema de pesquisa nas tecnologias de inteligência artificial voltadas para o desenho de som para compreender de que forma esta área poderá ser impactada. Esta pesquisa não levou em consideração as ferramentas de geração de voz, música ou redução de ruídos, pois estes tópicos já vem sendo abordados por outras pesquisas (SOUZA, 2022. ROMERO; ARROBO-AGILA, JAMARILLO, 2022. RUCĂREANU; LĂZĂRESCU-THOIS, 2024). No entanto, verificou-se uma lacuna de pesquisas sobre efeitos sonoros e foley gerados por Inteligência Artificial a partir da referência visual. Portanto foi realizado um mapeamento onde foram encontradas treze ferramentas de geração de som para vídeo. Destas, quatro ferramentas são geradores de efeitos sonoros, enquanto sete são geradores de foley. (SILVA; VAISZ, 2025) Esta divisão está relacionada com a forma como os algoritmos geram os sons a partir dos elementos que são fornecidos na entrada, como vídeos ou texto. Neste mapeamento, foram analisados os artigos relacionados ao desenvolvimento das ferramentas, bem como os exemplos disponíveis. Concluiu-se que tecnicamente algumas ferramentas de IA conseguem gerar efeitos sonoros sincronizados com os vídeos. No entanto, estes vídeos em geral possuem duração de alguns segundos, consistindo em um único plano e ação. Além disso, os resultados que as ferramentas entregam consistem nos vídeos sonorizados, e os sons gerados são entregues em uma única pista de áudio, inviabilizando os processos de mixagem multi-canal aplicados na indústria audiovisual na atualidade. Este aspecto revela um estágio inicial de desenvolvimento tecnológico, porém ainda não integrado a um fluxo de trabalho de pós-produção de som, o que direciona a problemática para a relação entre indústria, arte e os processos de produção de som.

Bibliografia

    EISENSTEIN, Sergei; PUDOVKIN, Vsevolod; ALEXANDROV, Grigori. Declaração sobre o futuro do cinema sonoro. Disponível em: Acesso em: 26 de abril de 2026.
    ROMERO, Hernán Y.; ARROBO-AGILA, Juan P.; JARAMILLO, Alex R. La inteligencia artificial en la narrativa sonora. Estudio de caso. Anàlisi: Quaderns de Comunicació i Cultura, 66, 9-23. 2022
    RUCĂREANU, Dan-Ștefan; LĂZĂRESCU-THOIS, Laura. The Impact of AI in the Field of Sound for Picture. A Historical, Practical, and Ethical Consideration. 2(29), pp. 112-128, 2024. DOI: https://doi.org/10.37130/bf780v59
    SILVA, Rafael S.; VAISZ, Chrístian L. A geração de foley e efeitos sonoros com inteligência artificial: um mapeamento preliminar. In: Building Up An Academic Research Journey, 2025, Novo Hamburgo. ANAIS DO BAR CONGRESS, 2025. p. 157-165.
    SOUZA, Georgia. C C. Da curadoria ao algoritmo: criação de trilhas por Inteligência Artificial e bibliotecas digitais. Revista Eco-Pós, v.25, n.1, 301 – 319, 2022.