Ficha do Proponente
Proponente
- Natacha Stefanini Canesso (UFBA)
Minicurrículo
- Doutora e mestre pelo PósCom/UFBA. Graduada em Publicidade e Propaganda pela PUC/PR. Professora da Facom/UFBA. Integrante do Grupo de Pesquisa em Comunicação, Política e Redes Midiáticas, com pesquisas relacionadas às políticas de fomento à produção independente brasileira, mercado de streaming, animação e processos criativos no audiovisual. Artista experimental, uma das fundadoras da Coletiva Xiló, que promove espaços para a expressão e visibilidade de mulheres através das artes.
Ficha do Trabalho
Título
- Independentes da animação na Bahia
Resumo
- O artigo destaca os projetos baianos de animação no cenário das políticas públicas para o setor audiovisual nos últimos dez anos. Os dados iniciais foram extraídos dos Mapeamentos da Animação no Brasil e dos Painéis Interativos da Agência Nacional de Cinema. Através de observação participante do mercado indica-se ausência de políticas públicas específicas para o setor; predominância de curtas-metragens em festivais; relevância de festival local e circulação internacional de longas-metragens.
Resumo expandido
- O artigo tem o objetivo de evidenciar os projetos baianos de animação e os fatores que os destacam no cenário da produção independente e das políticas públicas para o setor. O ecossistema da animação é extenso e complexo, composto por atividades e profissionais com vários níveis de especialização voltados à criação, produção, distribuição, promoção e comercialização de conteúdos para mídias tradicionais e digitais. O mercado global, por sua vez, é considerado promissor, movimentou cerca de US$ 371,21 bilhões em 2023 e tem expectativa de crescimento anual de 5,1%, segundo a Zion Market Research (2024). Esses números incluem a variedade de formatos e aplicações da animação: publicidade, games, animação técnico-científica educacional e animação interativa. Já a dinâmica nacional da produção independente, que consiste em projetos de curtas, médias e longas-metragens, realização de feiras de negócios e festivais, depende fortemente de financiamento público e patrocínios. E ainda: está concentrada no sudeste do país. Ao estado de São Paulo coube a emissão de 5.400 Certificados de Registro de Título (CRT) de obras não publicitárias de 2002 a 2025 junto à Agência Nacional de Cinema (Ancine). Em comparação, o estado da Bahia emitiu 45 CRTs. Cabe, portanto, investigar os processos de regionalização e este trabalho propõe-se a ser mais especifico com as seguintes questões: “quais projetos de animação no setor audiovisual independente são alavancados na Bahia, quais fatores contribuem para tal e quais são seus desafios?” O referencial teórico articula a cadeia produtiva do audiovisual e da animação (Gatti Junior; et al., 2013), com reflexões sobre a necessidade de elaboração de políticas públicas (Ferreira; Jambeiro, 2015; Morais, 2020) baseadas em modelos de economia do conhecimento (Cunningham, 2004) e novos modelos de negócio. (Rocha; et al, 2025). Enquanto procedimento metodológico, a análise teve como ponto de partida os relatórios dos Mapeamentos da Animação no Brasil – publicados em 2019 e em 2025 – e os dados dos Painéis Interativos do Observatório Brasileiro do Cinema e do Audiovisual (OCA/Ancine). A observação participante no mercado baiano de animação durante os anos de 2024 e 2025 permitiu o detalhamento do cenário estudado. É possível indicar carência de políticas públicas específicas para o ecossistema da animação e incluir destaques para: (1) incentivos do Programa Nacional Aldir Blanc (PNAB) e Lei Paulo Gustavo (LPG); (2) existência de Núcleos Criativos, como o Mirá, atuante na Escola de Belas Artes da UFBA; (3) produção, circulação e premiação de curtas-metragens em festivais nacionais e internacionais (4) realização do Animaí – Festival Baiano de Animação e Games, que inclui processos de formação – palestras e oficinas; mostra de cinema; encontros de negócios e mostra competitiva; (5) atuação da Origem Produtora de Conteúdo como articuladora do mercado local e responsável pelas séries de animação: “Tadinha”, “Bill, o touro”, “Turma da Harmonia”, “Fábulas de Bulccan”, “Tori, a detetive”, “Belatrix”; e os longas “Meu Tio José”, “Revoada. Versão Steampunk” e “La Marca del Jaguar”.
Bibliografia
- CUNNINGHAM, S. The Creative Industries after Cultural policy: a genealogy and some possible preferred futures. International Journal of Cultural Studies. 7 (1): 105-115. London, Thousand Oaks, 2004.
FERREIRA, F; JAMBEIRO, O. Fomentando as indústrias criativas: Uma análise das políticas federais para o audiovisual no Brasil. Revista Extraprensa 8(1): 90, 2015.
GATTI JUNIOR, Wilian; GONÇALVES, Marilson; BARBOSA, Ana Paula. Um estudo exploratório sobre a indústria brasileira de animação para a TV. Porto Alegre: UFRGS, 2013.
INICIATIVA CULTURAL / GOVERNO DO BRASIL. 2º Mapeamento da Animação no Brasil, 2025.
MORAIS, K. Audiovisual independente: Política de fomento e organização das produtoras no Brasil. EDUNEB, 2020.
OCA/ANCINE. Painéis Interativos, 2026.
ROCHA, S. M. et al. Mercado e produção de ficção seriada para streaming no Brasil: desafios para a regulação, a diversidade e a construção de políticas públicas. Revista Eptic, v. 27, n. 1, jan, 2025.