Trabalhos aprovados 2026

Ficha do Proponente

Proponente

    Dafne Reis Pedroso da Silva (UFSM)

Minicurrículo

    Pós-doutoranda em Comunicação Social (POSCOM/UFSM) e bolsista FAPERGS, doutora em Comunicação Social pela PUCRS, mestre em Ciências da Comunicação (UNISINOS), especialista e bacharel em Comunicação Social pela UFSM. Possui experiência docente, de pesquisa e profissional nas áreas de recepção audiovisual, documentarismo e consumo midiático. e-mail: dafne.pedroso@acad.ufsm.br

Ficha do Trabalho

Título

    Marcas da Chuva: realização de série sobre desastre climático de 2024 na Quarta Colônia (RS)

Resumo

    O trabalho analisa a série audiovisual “Marcas da Chuva”, resultado de pesquisa aplicada sobre o desastre climático de 2024 na região da Quarta Colônia (RS). As condições de produção configuram o roteiro processual, a definição da equipe, as lógicas de gravações, de edição e as janelas de difusão. O contexto científico forma pesquisadores-realizadores que aprendem o manuseio das tecnicidades, assim como desenvolvem as sensibilidades necessárias para o registro de eventos climáticos extremos.

Resumo expandido

    O trabalho discute o processo de desenvolvimento da série documental “Marcas da Chuva: memórias da Quarta Colônia”, resultado de pesquisa aplicada realizada no contexto dos projetos “Governança e multidimensionalidade dos riscos climáticos […]” (UFSM/UNIPAMPA/UFRGS LITORAL/FAPERGS) e “Comunicação de proximidade […]” (UFSM/PROEXT-CAPES). A série é composta por 10 episódios de 7 minutos sobre as histórias de moradores das pequenas cidades da Quarta Colônia, região central do Rio Grande do Sul, que vivenciaram o evento climático extremo em 2024. A lógica da série fundamenta-se na escuta sensível das narrativas sobre inundações, enchentes, escorregamentos e fortes chuvas num Brasil profundo. A equipe, formada por 6 pesquisadores que assumiram múltiplas funções, viajou para 6 municípios e entrevistou 20 moradores. Posteriormente, partindo de um roteiro processual que se adapta às entrevistas, foram iniciadas as etapas de montagem. A narrativa foi construída na decupagem do material bruto, nas planilhas e no primeiro corte. Entende-se que o processo produtivo está configurado por diferentes contextos, tais como: instituições, pesquisa científica, municípios, financiamentos, temporalidades, e equipamentos. Os episódios carregam as lógicas da luz natural, dos poucos equipamentos disponíveis, do ruído da chuva e da emoção do encontro, por exemplo. Esse fazer audiovisual assume também um papel pedagógico, colaborando para a formação de realizadores em uma região onde não há cursos de graduação em Cinema. A prática da pesquisa aplicada permite que estudantes-pesquisadores desenvolvam práticas de tecnicidade, ao unirem a pesquisa acadêmica à produção audiovisual. Assim como permite que desenvolvam as sensibilidades necessárias para o registro de eventos climáticos extremos de forma humanizada. A difusão da série é pensada para além dos circuitos tradicionais de cineclubes e festivais, de modo a alcançar o cotidiano das comunidades, o que é potencializado pelas mediações sociais (Martín-Barbero, 2009). O acesso aos dispositivos móveis é significativo pelos sujeitos da Quarta Colônia, sendo assim, a estratégia de circulação prioriza janelas como o Instagram, Facebook e Youtube, além da distribuição pelo Whatsapp, garantindo que o conteúdo chegue às comunidades. Desse modo, a produção cumpre seu papel no âmbito da comunicação de proximidade (Correia, 2012). Nesse cenário, entendemos que essa produção audiovisual insere-se no fluxo do contexto comunicacional digital e as plataformas de mídias sociais promovem a difusão e a expansão da linguagem do cinema no cotidiano (Odin, 2010). Por fim, destacam-se as imagens de arquivo do evento extremo feitas pelos sujeitos entrevistados, o que faz com que o acervo visual da série consolide-se inclusive como uma documentação do impensável. A coleta desses registros domésticos, muitas vezes precários e trêmulos, confere uma verossimilhança (Polydoro, 2016) à narrativa. Ao preservar esses arquivos que seriam perdidos pelo descarte ou falta de memória dos celulares, o projeto constrói, inclusive, um patrimônio audiovisual.

Bibliografia

    CORREIA, J. C. Comunicação de proximidade e cidadania. Covilhã: UBI, 2012.

    MARTÍN-BARBERO, J. Dos meios às mediações. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 2009.

    POLYDORO, F. S. Vídeos amadores de acontecimentos: realismo, evidência e política na cultura visual contemporânea. 2016. Tese (Doutorado em Meios e Processos Audiovisuais) – ECA, USP, 2016. Disponível em: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/27/27161/tde-13092016-104618/publico/FELIPEDASILVAPOLYDORO.pdf. Acesso em: 24 fev. 2026

    ODIN, R. A linguagem cinematográfica como linguagem cotidiana. Rumores, São Paulo, v. 15, n. 30, p. 203-225, jul./dez. 2021. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/Rumores/article/view/190295. Acesso em: 30 set. 2025.