Trabalhos aprovados 2026

Ficha do Proponente

Proponente

    Larissa Santos de Andrade (UFBA)

Minicurrículo

    Larissa Fulana de Tal tem os olhos de uma criança mesmo já sendo gente grande. Diretora de criação na Olhos Abertos Audiovisual. Mestranda em Artes Visuais na linha Processos Criativos pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Idealizadora do Cineclube Zoinho focado em público infantil.

Ficha do Trabalho

Título

    Mochila de Vento: Uma pesquisa poética para o desenvolvimento do roteiro cinematográfico

Seminário

    Teoria de Cineastas: dos processos de criação à dimensão política do cinema

Resumo

    Iku, a morte, estava assolando toda uma comunidade e orixá Ibejis, as crianças gêmeas, são convocadas para detê-la,. Assim, os Ibejis assumem este desafio, e com seus pequenos tambores, vão até Iku, a morte, tocando, encantam-a e fazendo ela dançar. O mito registrado como ”Os Ibejis enganam a morte” (PRANDI, 2001, p. 66) nos revela o estado brincante que as crianças gêmeas assumem diante da morte, e é desta mesma maneira que a artista-pesquisadora conduz a criação do roteiro Mochila de Vento

Resumo expandido

    Iku, a morte, estava assolando toda uma comunidade e orixá Ibejis, as crianças gêmeas, são convocadas para detê-la, porém todos ficam bastante preocupados. Como aquelas pequenas crianças iriam enfrentar a poderosa morte? Assim, os Ibejis assumem este desafio, e com seus pequenos tambores, vão até Iku, a morte, tocando, encantam-a e fazendo ela dançar. O mito registrado como ”Os Ibejis enganam a morte” (PRANDI, 2001, p. 66) nos revela o estado brincante que as crianças gêmeas assumem diante da morte, e é desta mesma maneira que a artista-pesquisadora conduz a investigação e criação do roteiro, com rascunhos e storyboard de imagens na linguagem cinematográfica.
    A partir de uma busca de uma possível reconstrução e ressignificação da memória infantil, afinal, a artista pesquisadora não a possui. A dialética entre lembrar e esquecer, será evidenciada, pois nessa relação que haverá desenvolvimento desta obra, como podemos conferir nos escritos e reflexões de Wanner (2006), Salles (2009), Samain (2012), e por fim, Halbwachs (1990). A imagem em movimento nos conecta com a memória nas diversas dimensões sensoriais, buscando materializar a metáfora do “brincar com a morte”.
    A presente pesquisa propõe a construção de uma poética alicerçada na “Cosmoperspectiva” yorubana para trabalhar com os aspectos simbólicos do luto, da infância e da memória, a partir da dimensão de uma narrativa pessoal experienciada por documentos de arquivo e da elaboração de autoficções que se estruturam no decorrer da pesquisa. Deste modo, investiga-se as recordações e os esquecimentos causados por um episódio traumático a partir da perda do pai e de como as imagens passam a mediar a possível reconstrução da memória de infância da artista.
    Assumindo a “Cosmoperspectiva” Yorubá, a investigação poética parte do mito em que ”Os Ibejis enganam a morte” (PRANDI, 2001, p. 66). Os orixás Ibejis simbolizados pelas crianças gêmeas são as únicas entidades que detêm Iku, a morte, fazendo-a dançar incansavelmente. Essa condução brincante que os Ibejis assumem diante da morte será abordado enquanto perspectiva para investigar a imagem e as materialidades com o objetivo de trabalhar, em ateliê, com as linguagens visuais desde a fotográfica e audiovisual, desdobrando a dinâmica de narrativa/contação de histórias na exploração de intervenções em fotografias analógicas com foco na imagem em movimento, no roteiro e no storyboard como elementos primevos do objeto audiovisual.
    O processo de criação e pesquisa se desenvolve a partir da dialética da memória, entre o lembrar e o esquecer, assim como algumas referências artísticas que permeiam esse universo como o Christian Boltanski (1944-2021), Rosana Paulino, Aline Motta, Rosângela Rennó, Aislane Nobre, Aline Brune e Silvana Mendes, que utilizam variadas técnicas e linguagens na relação com a imagem de reconstruções e ressignificações da memória e significados. Destaca-se neste projeto, a artista Aline Mota, ao conceber outros formatos de documentos de memória, como o corpo, a experiência e as emoções de famílias negras, em obras que integram a fotografia, o texto e o audiovisual para reconstrução. Evidencia-se, também, a produção do artista Christian Boltanski, com uma infância marcada pela sombra do holocaustro, que, por meio de instalações, fotografias e pinturas cria um diálogo entre suas experiências, a vida e a morte, se nomeando como “artesão da memória”.
    Diante disso, a artista-pesquisadora desenvolve o roteiro de um longa-metragem, ao mesmo tempo em que explicita o percurso criativo, poético e acadêmico que sustenta a construção da obra.

Bibliografia

    MACHADO, Arlindo. Pós cinema e pré cinemas. Campinas: São Paulo – Papirus, 1997 – (Coleção Campo Imagético)
    NOGUEIRA, Renato. O poder da infância: espiritualidade e política em perspectiva afro. In: Momento: diálogos em educação, v. 28, n. 1, p. 127-142, jan./abr., 2019.
    PRANDI, Reginaldo. Mitologia dos orixás. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.
    SALLES, Cecília A. Gesto inacabado: processo de criação artística. São Paulo: Annablume, 2009.
    . Redes da criação: construção da obra de arte. São Paulo: Horizonte, 2008.
    SAMAIN, Etienne. As peles da fotografia: fenômeno, memória/arquivo, desejo. Revista do Programa de Mestrado em Cultura Visual. Visualidades.. Goiânia v.10 n.1 p. 151-164, jan-jun 2012.
    WANNER, Maria Celeste de Almeida. Artes Visuais – Método Autobiográfico: Possíveis Contaminações. In: 15º Encontro Nacional da ANPAP – Arte: Limites e contaminações. Salvador, 2006.
    ZAMBONI, Silvio. A pesquisa em arte: um paralelo entre arte e ciência. São Paulo: Autores Associados,