Ficha do Proponente
Proponente
- Lindolfo Roberto Nascimento (PUC-SP)
Minicurrículo
- Lindolfo Roberto Nascimento é multiartista e pesquisador de São Paulo. Doutorando, desenvolve o conceito de “Contra-ataque”, investigando funk paulistano, decolonialidade e práticas curatoriais. Atua também com o vulgo “Macna”, explorando de forma experimental o vídeo e a sonoridade do funk e da música urbana, com foco em lírica, batida e identidade periférica.
Coautor
- Christine Pires Nelson de Mello (PUC-SP)
Ficha do Trabalho
Título
- Análise do videoclipe ‘Desabafo 2’ de MC Poze do Rodo
Mesa
- Corpos nas extremidades: ressignificações do cinema e outras imagens de mundo
Resumo
- Desabafo 2 (2025), de MC Poze do Rodo, é analisado pela abordagem das extremidades (Mello, 2025) como manifesto contra o racismo institucional, midiático e algoritmico. O clipe emerge da criminalização do funk e reinscreve imagens da prisão como disputa de narrativa. Ao tensionar visibilidades com Achille Mbembe (racismo como produção de simulacros) e Tarcízio Silva (racismo algoritmico) ativa contranarrativas que reconstroem o sujeito negro como dimensão coletiva, nas brechas das redes.
Resumo expandido
- Desabafo 2 (2025) de MC Poze do Rodo (Rio de Janeiro, 1999) – (Apresentação de Christine Mello e Lindolfo Roberto Nascimento) – O videoclipe é analisado como um manifesto contra o racismo institucional, algorítmico, midiático. Partindo da “abordagem das extremidades”, destacamos que a obra emerge em um “fim de mundo”, instaurado pela criminalização racializada do funk e de seus corpos periféricos. Ao rearticular imagens de sua própria prisão e soltura (amplamente difundidas pelas redes) sob um regime de urgência, Poze do Rodo tenciona os regimes de visibilidade que produzem o funkeiro como figura criminosa. Dialogando com Achille Mbembe (racismo como produção de simulacros), o videoclipe ativa, através de sons e imagens, contranarrativas que reconstroem o sujeito negro em sua dimensão coletiva e humana. É um gesto de reinvenção de mundo que emerge nas brechas dos compartilhamentos existentes nas plataformas digitais em rede, onde corpos negros assumem o controle dos discursos sobre si e criam suas próprias narrativas.
Bibliografia
- CYMROT, Danilo. O funk na batida: baile, rua e parlamento. São Paulo: Edições Sesc, 2022.
MBEMBE, Achille. Crítica da Razão Negra. São Paulo: N-1 Edições, 2018.
MC POZE DO RODO. Desabafo 2. Direção: Igor Vargas. Produção musical: Portugal no Beat. Mainstreet Records; Maze Company, 2025. Videoclipe (4min30s). Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=XXXXXXX
Acesso em: 22 jun. 2025.
MELLO, Christine. Abordagem das extremidades entre linguagens e mundos. Extremidades.art, 7 nov. 2024. Disponível em: https://extremidades.art/x/christinemello/2024/11/07/abordagem-das-extremidades- entre-linguagens-e-mundos/. Acesso em: 22 jun. 2025.
MELLO, Christine. Extremidades do vídeo. São Paulo: Senac São Paulo, 2008.
SILVA, Tarcízio. Racismo algorítmico: inteligência artificial e discriminação nas redes digitais. São Paulo: Editorial Medusa, 2022.