Ficha do Proponente
Proponente
- Helena Albert Bachur (USP)
Minicurrículo
- Diretora, assistente de direção, atriz e dançarina. Graduada em Letras pela Universidade de São Paulo, em Produção Cultural pela Universidade Cruzeiro do Sul e formada em atuação pela SP Escola de Teatro. Suas videodanças “Cavalo” (2022) e “Arroz” (2024) estão, desde 2023, circulando em festivais no Brasil e na Europa. Atualmente, trabalha nas áreas de produção e direção audiovisual, além de ser mestranda no PPGAC da ECA – USP.
Ficha do Trabalho
Título
- Brincar de desaparecer: a dança como cinema em Le P’tit Bal
Eixo Temático
- ET 2 – INTERMIDIALIDADES, TECNOLOGIAS E MATERIALIDADES FÍLMICAS E EPISTÊMICAS DO AUDIOVISUAL
Resumo
- Por meio da análise do filme de dança Le P’tit Bal (1994), o trabalho reflete sobre a transposição espacial da dança cênica para a dança fílmica e as consequentes zonas de invisibilidade geradas por esse trânsito. Para tal, o estudo parte da contextualização da obra e de seu diretor – explicitando a lógica coreográfica da produção – e, em seguida, aprofunda-se nas especificidades da decupagem e da montagem, concentrando-se nas características materiais da imagem fílmica que concernem ao espaço.
Resumo expandido
- Se a composição do espaço em uma cena de dança presencial se estrutura pela maneira (concreta) como estão dispostos e como se movimentam os dançarinos (os corpos dançantes), seus figurinos, os elementos do cenário, os objetos com os quais contracenam e os dispositivos de iluminação, observamos que a composição espacial dos quadros fílmicos, por outro lado, não se mostra de modo pleno e inequívoco à nossa audiovisão. Destarte, compreendemos que o espaço no cinema apresenta-se sempre fragmentado, demandando, como consequência, que o espectador o construa a partir dos fragmentos que lhe são exibidos.
Diante disso, o objetivo do presente trabalho é investigar, nos filmes de dança, a invisibilidade – interna e externa ao quadro – engendrada pelo espaço cinematográfico: esse local de transfigurações em que o corpo se oferece modificado e recriado para o exercício da percepção.
Para tanto, analisaremos o filme de dança Le P’tit Bal (1994), de Philippe Decouflé, no qual o próprio coreógrafo, acompanhado de Pascale Houbin, realiza uma espécie de mímica da letra da canção “C’était bien” de Robert Nyel e Gabi Verlor, interpretada por Bourvil, em uma coreografia minimalista inspirada na linguagem de sinais.
Aproximando-nos, assim, dos conceitos de quadro, fora-de quadro, campo, fora-de-campo e desenquadramento, verificamos que Decouflé – consciente das possibilidades espaço-temporais da imagem cinematográfica – trabalhe para compor uma espécie de caricatura bem-humorada, tanto da canção popular francesa, quanto das possibilidades composicionais da dança quando “limitada” à bidimensionalidade da tela.
Dessa maneira, somos capazes de observar alternativas de organização do espaço conferidas à dança pelas propriedades espaciais da imagem, enquanto Le P’tit Bal nos afirma, reiteradamente, que estamos diante de uma dança essencialmente cinematográfica, isto é, de uma dança impossível de existir fora daquele filme.
Bibliografia
- AUMONT, Jacques. O Olho Interminável. São Paulo: Cosac Naify, 2004.
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BONITZER, Pascal. Décadrages: peinture et cinéma. Paris: Cahiers du Cinéma, 1987.
BORGES, Cristian. A DANÇA COMO CINEMA: sua sobrevida na tela, entre corpórea e conceitual. In: ANAIS DO 31° ENCONTRO ANUAL DA COMPÓS, 2022. Campinas: Galoá, 2022.
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