Trabalhos aprovados 2026

Ficha do Proponente

Proponente

    Theo Barricelli Pinto (FAAP)

Minicurrículo

    Theo Barricelli Pinto é estudante de Cinema no Centro Universitário Armando Álvares Penteado (FAAP), atualmente no 4º semestre. Em 2024, concluiu o curso Certificate for Higher Education – Preparation for Design, Media & Screen na London College of Communication, da University of the Arts London, com distinção. Já expôs no Museu de Arte Brasileira por ocasião do 55º Anual de Artes da FAAP e é co-fundador do site De Certa Maneira.

Ficha do Trabalho

Título

    Devorando um país: estilo e história em Como Era Gostoso o Meu Francês (1971)

Eixo Temático

    ET 4 – HISTÓRIA E POLÍTICA NO CINEMA E AUDIOVISUAL DAS AMÉRICAS LATINAS E DOS BRASIS

Resumo

    Esta pesquisa pretende analisar o filme Como Era Gostoso o Meu Francês (1971) de Nelson Pereira dos Santos, pelas vias da discussão histórica e de estilo cinematográfico. Para isso, contextualiza o início da carreira ficcional do realizador em 1955 e a crise artística advinda do golpe civil-militar de 1964. Assim, evidencia os impasses políticos e alternativas elaboradas, tendo no filme de 1971 uma obra que dialoga com os anos 1970 assim como repercute no Brasil atual.

Resumo expandido

    Este projeto de pesquisa tem como objetivo a análise do longa-metragem Como Era Gostoso o Meu Francês (1971), de Nelson Pereira dos Santos, pelas vias da discussão histórica e de estilo cinematográfico. O filme é uma adaptação livre do relato de Hans Staden, mercenário e carabineiro alemão que foi prisioneiro dos indígenas tupinambás no século XVI, que descreve sua experiência no território que posteriormente se chamaria Brasil e os hábitos dos indígenas, com destaque para práticas rituais de canibalismo. Nelson Pereira dos Santos parte do relato para então construir uma alegoria histórica de extrema pertinência para o contexto dos anos 1970.

    Para tanto, a pesquisa discute brevemente o contexto cultural do Brasil entre 1955, ano em que Nelson Pereira dos Santos inicia sua obra ficcional, até 1971, ano em que o filme é lançado. Evidentemente, esse esforço será feito sem a pretensão de aprofundamento, mas sim com a intenção de compreender os posicionamentos do realizador ao longo do tempo, tendo em conta a composição de uma obra que navega por diversos estilos e temas e cuja preocupação maior foi a construção engajada de um cinema nacional.

    A intenção é tomar o momento do golpe civil-militar de 1964 e instauração do AI-5 em 1968 como um ponto de maior interesse, considerando o desmantelamento de certa visão de mundo progressista por parte da classe artística, cujo resultado é a busca de alguns grupos e indivíduos por reformulações estéticas e ideológicas como forma de responder às demandas políticas que se mostram ainda mais complexas. A discussão histórica está atrelada à carreira de Nelson Pereira dos Santos, os desdobramentos de sua obra a partir dos impasses colocados.

    Seguido da contextualização histórica, a pesquisa adentra a análise do filme Como Era Gostoso o Meu Francês (1971). A análise discute as escolhas de representação e decupagem do longa-metragem, além de questões próprias do processo de adaptação da obra literária. A alternância entre aspectos estruturais, ou seja, a discussão histórica ligada à carreira do diretor, e aspectos conjunturais, a própria análise fílmica, permitirá um entendimento da capacidade de reinvenção criativa de um realizador profundamente engajado politicamente e interessado no ato de filmar o Brasil, assim como o caráter contemporâneo do filme por ser capaz de olhar para o escuro de sua época, como define Agamben (2009).

Bibliografia

    AGAMBEN, Giorgio. O que é o contemporâneo? e outros ensaios. Tradução de Vinícius Nicastro Honesko. Chapecó: Argos, 2009.
    CARDENUTO, Reinaldo. O cinema político de Leon Hirszman (1976-1981): engajamento e resistência durante o regime militar brasileiro. 2014. Tese (Doutorado em Meios e Processos Audiovisuais) – Escola de Comunicação e Artes, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2014.
    RAMOS, Deise. Nelson Pereira dos Santos e a Invenção do Cinema Nacional. São Paulo: Estação das Letras e Cores, 2023.
    SADLIER, Darlene. Nelson Pereira dos Santos. Campinas: Papirus, 2012.
    SCHWARZ, Roberto. Cultura e Política, 1964 -1969 – Alguns Esquemas. In: SCHWARZ, Roberto. O pai de família e outros estudos, São Paulo: Paz e Terra, 2009, p.61-92.
    STADEN, Hans. Duas Viagens ao Brasil: Primeiros registros sobre o Brasil. Porto Alegre: L&M Pocket:, 2019.
    XAVIER, Ismail. O discurso cinematográfico: a opacidade e a transparência. 4. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2008.