Ficha do Proponente
Proponente
- Guilherme Rezende Landim (Unicamp)
Minicurrículo
- Guih Landim é doutorande no PPG Multimeios (Unicamp) e articuladore do coletivo turvo. Atua como realizadore, curadore e pesquisadore de imagens. Sua filmografia inclui Corte-seco, Transmutações Latinas, INsustentáveis, Camburi Resiste, Peixinho da Horta dentre outros. Integra grupos na Unicamp como NEPAM, TERRAMÃE, Cine Pagu, Lágrima (IFCH), LAP, Ateliê TRANSmoras, GP Ecossistemas audiovisuais: teorias, histórias e poéticas e, desde 2026, compõe a Comissão Organizadora do Prêmio Pierre Verger.
Ficha do Trabalho
Título
- Ouvir as pedras: fabulações críticas para imargear mundos possíveis no curso Meio Ambiente, Questão
Resumo
- Propomos com esta comunicação um percurso fílmico em experiências comunitárias em distintos trabalhos de campo, por meio dos filmes “Entrevivências” (2023), Camburi Resiste (2023), “Anhumas, a voz dos rios” (2023), “Marielle: refazer, replantar, resistir” (2024), compreendendo aspectos técno-poéticos das criações nas comunidades e no campo da comunicação e divulgação científica, pensando fabulações críticas (Hartman, 2022), contravisualidades (Mirzoeff, 2011) e imagens-sementes (Landim, 2026).
Resumo expandido
- Esta comunicação articula um percurso fílmico calcado em experiências audiovisuais comunitárias, analisando as obras Entrevivências (2023), Camburi Resiste (2023), Anhumas, a voz dos rios (2023) e Marielle, refazer, replantar, resistir (2024). O objetivo central é investigar as dimensões tecnopoéticas e os impactos dessas criações tanto no interior das comunidades quanto no campo da comunicação e divulgação científica no âmbito da disciplina Meio Ambiente, Questão Agrária e Multimeios da Unicamp. Ancorado na materialidade sensível dos filmes e em seus processos de feitura, o trabalho propõe um gesto analítico que compreende o cinema e audiovisual como dispositivos de intervenção indissociáveis dos modos de vida e das lutas territoriais. Partindo da premissa de Ana Mumbuca (2023) de que “é preciso ouvir as pedras”, a investigação aposta na necessidade de uma invenção metodológica fundamentada em escutas qualitativas, capazes de deslocar o fazer cinematográfico tradicional em direção a uma pluralidade epistêmica de co-criação. Nesse sentido, mobiliza-se o conceito de fabulações críticas (Hartman, 2022) para tensionar os limites do visível e do narrável, operando o audiovisual como ferramenta de reparação e projeção de mundos possíveis. Tais obras são aqui compreendidas sob a ótica das contravisualidades (Mirzoeff, 2011), desafiando as hegemonias ópticas coloniais ao reivindicar a soberania do olhar de povos tradicionais. Consolida-se, assim, a noção de imagens-sementes (Landim, 2026), que define produções cujas potências políticas e poéticas germinam nos territórios, fortalecendo redes de interlocução e associações profundas entre a realização audiovisual, a questão agrária e os engajamentos investigativos. Ao imargear (Cantarino, 2026) esses contextos de formação e resistência, a pesquisa sistematiza como o vínculo entre filmes e territórios produz deslocamentos ontológicos no campo da comunicação, transformando a tela em solo fértil para o florescimento de novas realidades sociopolíticas.
Bibliografia
- CANTARINO, Carolina. Mesa de Encerramento: O La’grima – olhar distanciado. Tanto a carne quanto a terra, matéria do mundo em fragmentos geopoéticos e pequenos circuitos de redistribuição de energia. In: 10 ANOS DO LA’GRIMA. Campinas: IFCH/Unicamp, 2026. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=uG-u7QGTDHo. Acesso em: 18 abr. 2026.
HARTMAN, Saidiya. Vidas rebeldes, belos experimentos: histórias íntimas de meninas negras desordeiras, mulheres encrenqueiras e queers radicais. São Paulo: Fósforo, 2022.
LANDIM, Guilherme. Cine-território. 2026. Simpósio Latino-Americano de Agroecologia e Questão Agrária / XIII JURA – Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária, SESC Piracicaba, 2026.
MIRZOEFF, Nicholas. The Right to Look: A Radical Grammar of Visibility. Durham: Duke University Press, 2011.
MUMBUCA, Ana. Produção de Conhecimento Antropológico, Localidades, Corpos e Trânsitos. 2023. Mesa apresentada na Jornada John Monteiro, Auditório Fausto Castilho, IFCH/Unicamp, 30 out. 2023.