Trabalhos aprovados 2026

Ficha do Proponente

Proponente

    Pedro Augusto Beiler de Siqueira Garcia (UFF)

Minicurrículo

    Pedro B. Garcia é graduado em Audiovisual pela Universidade de Brasília e mestre em Cinema e Audiovisual pela Universidade Federal Fluminense, onde a defendeu a dissertação “Rastros da Luta: entre o documentário e as insurgências de junho de 2013”. Atua no cinema entre a realização e a educação. Seus filmes perpassam questões como território, juventude e rebelião. Entre 2022 e 2024 foi professor do Instituto Federal de Brasília – Campus Recanto das Emas.

Ficha do Trabalho

Título

    Realismo Industrial: Três cenas de um conflito

Resumo

    Partindo de três cenas vivenciadas em ambientes escolares no Distrito Federal, o presente trabalho busca olhar para os modos pelos quais a ideia de indústria cinematográfica avança nos espaços dedicados à formação em cinema e na produção de desejos, de forma mais ampla. Mobilizado pela ideia de realismo capitalista de Mark Fisher, o texto nota a presença de um realismo industrial na construção de imaginário do que é cinema dentro de ambientes educacionais e propõe formas de escape a este.

Resumo expandido

    O presente trabalho observa a cada vez mais notável retomada territorial de uma visão exclusivista do cinema brasileiro como indústria, especialmente no período pós-pandemia de COVID-19. Partindo de três cenas vivenciadas em ambientes escolares no Distrito Federal, o texto busca olhar para os processos e modos pelos quais a ideia de indústria cinematográfica avança em espaços dedicados à formação em cinema e na produção/inibição de desejos, de forma mais ampla.

    Em festivais grandes e pequenos, nos laboratórios e ambientes de mercado, nas turmas de graduação, nos gabinetes do congresso e, principalmente, no fomento público, é o dito cinema industrial que se impõe como modo de produção orientador. É, porém, em experiências específicas que vamos traçar um caminho sensível de embate com o recorrente realismo industrial do cinema brasileiro. No encalce da ideia de que “o realismo capitalista só pode ser ameaçado se for de alguma forma exposto como inconsistente ou insustentável” (FISHER, p.33-34), propõe-se aqui destacar, no cotidiano educacional, o insustentável do realismo industrial em nosso cinema.

    As cenas que participam dessa elaboração são: (1) Uma conversa com profissionais do audiovisual em uma escola de ensino médio no Paranoá/DF; (2) Um cineclube realizado durante uma greve de técnicos e professores de um Instituto Federal no Recanto das Emas/DF; (3) O encontro de um grupo voltado a pensar o papel pedagógico da exibição de filmes e imagens, também no Recanto das Emas/DF.

    O espaço formativo, como aqui é trazido, não está isolado das diferentes forças atuantes no campo, é na verdade ambiente privilegiado para perceber estas. Os momentos destacados mostram as reverberações e contaminações subjetivas com o fora, que inevitavelmente se manifestam dentro de uma sala de aula. Através dos cortes propostos, o trabalho se pergunta sobre os processos subjetivos pelos quais se aproxima ou escapa de um realismo imobilizador nas práticas formativas em cinema, em especial no Distrito Federal.

Bibliografia

    CID, Viviane; MEDRADO, Arthur; MIGLIORIN, Cezar; RESENDE, Douglas. Cinema de grupo: notas de uma prática entre educação e cuidado. In: MIGLIORIN, Cezar et al. (orgs). Modos de fazer e experimentar cinema e educação. Niterói: PPGCine/UFF, 2022.
    FISHER, Mark. Realismo capitalista: é mais fácil imaginar o fim do mundo do que o fim do capitalismo? São Paulo: Autonomia Literária, 2020.
    FISHER, Mark. Desejo pós-capitalista. São Paulo: Autonomia Literária, 2021.
    MIGLIORIN, Cezar. “Por um cinema pós-industrial: notas para um debate” In: HALLAK, Raquel et al. (orgs.). Cinema sem fronteiras. Reflexões sobre o cinema brasileiro 1998-2012. Belo Horizonte: Universo, 2012.