Trabalhos aprovados 2026

Ficha do Proponente

Proponente

    Camila Carneiro Bahia Braga (UFMG)

Minicurrículo

    Bacharel em Comunicação Social pela UFMG. Apresentou como TCC o documentário “Meu filme que nunca vi”, orientado pela professora Cláudia Mesquita. Pós-graduada em Escrita e Criação pela Universidade de Fortaleza (Unifor). Desenvolve a pesquisa de mestrado “Pomba Gira em cena: performances filmadas da entidade de umbanda” na linha de pesquisa Pragmáticas da Imagem, do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da UFMG, sob orientação do professor César Guimarães.

Ficha do Trabalho

Título

    Pomba Gira em cena: performances filmadas da entidade de umbanda

Eixo Temático

    ET 1 – CINEMA, CORPO E SEUS ATRAVESSAMENTOS ESTÉTICOS E POLÍTICOS

Resumo

    A apresentação seria organizada em quatro seções:

    Chão umbanda: visões a partir do livro “O que é umbanda”, de Patrícia Birman.

    Filmografia de terreiro: comentário sobre três filmes que retratam comunidades de umbanda e candomblé, com foco nas aparições de Pomba Gira nas obras.

    Imagens circuladas: imagens estáticas de Pomba Gira na literatura e na fotografia.

    Mulheres de axé na pesquisa: abordagens do pensamento da autora Claudia Alexandre em “Exu-Mulher e o matriarcado Nagô”.

Resumo expandido

    Proponho apresentar o andamento da pesquisa de mestrado “Pomba Gira em cena: performances filmadas da entidade de umbanda”, acolhida na linha de pesquisa Pragmáticas da Imagem, do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da UFMG, sob a orientação do professor César Guimarães.

    Para dar um chão comum à conversa sobre Pomba Gira, que passa necessariamente pelos conhecimentos em torno da umbanda, vamos iniciar abordando brevemente os estudos de Patrícia Birman no livro “O que é umbanda?” (1983).

    A seção seguinte seria dedicada a apresentar uma filmografia levantada que retrata comunidades de terreiro e candomblé, trazendo conhecimentos de suas lideranças, mestres e mestras, assim como imagens dos ritos que operam a cultura de terreiro, com suas entidades, santos, Orixás, Nkisis, com foco na aparição de Pomba Gira nas obras. O comentário seria focado em três obras: “7 Luas de Maria Mulambo” (disponível em https://www.youtube.com/watch?v=TDFDwUj1zpU), “Exú no Reino de Ogum” (disponível em https://vimeo.com/789339811/bd4912bd87) e “Umbanda – A New Religion with Ancient Roots” (disponível em https://vimeo.com/789339970/347af9a540). A proposta é uma abordagem metodológica alicerçada na análise fílmica das obras combinada aos estudos da imagem e em investigações acerca da Pomba Gira e dos saberes tradicionais que a sustentam.

    As mesmas borragens da umbanda entre o visível (médiuns incorporados em transe e os aparatos ao redor) e o invisível (as entidades e seus sistemas de magia operando) estão nas imagens filmadas, que têm como impossibilidade definir as cenas gravadas como totalidade da experiência filmada. O visível e o invisível constroem juntos os sentidos; interessa fabular sobre os trânsitos entre esses campos. Para conduzir esses estudos de “processos de trânsito sígnico, interações e interseções”, podemos nomear a encruzilhada “como conceito e como operação semiótica que nos permite clivar as formas que daí emergem.” (MARTINS, 2021, p. 50). Na cosmogonia das religiões afro brasileiras, é na encruzilhada que Pomba Gira mora e manifesta sua força, como contam os pontos de umbanda: Deu meia-noite, a Lua se escondeu / Lá na encruzilhada, dando a sua gargalhada / Pomba Gira apareceu / É Laroyê, é Laroyê, é Laroyê / É Mojubá, é Mojubá, é Mojubá / Ela é odara, quem tem fé nessa Lebara / É só pedir que ela dá.

    A terceira parte se dedicaria a compartilhar imagens reunidas de algumas representações estáticas de Pomba Gira em livros, filmes, artigos religiosos, na fotografia e nas artes plásticas, passando pelas obras de Rosana Paulino e Carybé, por exemplo.

    É importante para essa pesquisa estar a par das discussões propostas por mulheres de axé que se dedicam aos estudos das comunidades de terreiro. Neste sentido será apresentado o pensamento de Claudia Alexandre na obra “Exu-mulher e o matriarcado nagô: sobre masculinização, demonização e tensões de gênero na formação dos candomblés”.

    É uma premissa não somente o cuidado com as imagens (o respeito ao sagrado, ao mistério), mas também o cuidado com as pessoas – e os espíritos – filmados. As obras escolhidas trazem elementos que nos possibilitam investigar essas relações e interações, dialogar sobre elas e perseguir caminhos do sentido. Uma direção desta encruzilhada está apontada na seguinte questão: “como criar uma cena fílmica coabitada pelos sujeitos das comunidades de terreiro e por aqueles que os filmam, permeada pela polissemia e pela abertura de sentido, longe das visões reducionistas acerca da umbanda e do candomblé?” (GUIMARÃES, 2019, p. 25)

Bibliografia

    BRASIL, André. A performance: entre o vivido e o imaginado. 2014

    GUIMARÃES, César. Filmar os terreiros, ontem e hoje. 2019

    MARTINS, Leda Maria. Performances do tempo espiralar: Poéticas do corpo-tela. Editora Cobogó, 2021.

    SIMAS, Luiz Antônio. Umbandas: uma História do Brasil. 2021
    _________________. O corpo encantado das ruas. 2019

    SOUZA DOS ANJOS, Jean. Amor, festa, devoção: a Rainha Pombagira Sete Encruzilhadas. Dissertação de mestrado, Universidade Federal do Ceará e Universidade da Integração da Lusofonia Afrobrasileira. Programa Associado de Pós-Graduação em Antropologia, 2019.

    Catálogo forumdoc.bh 2018 – 22º Festival do Filme Documentário e Etnográfico. “Ebó Ejé: cinema brasileiro e afro-religiões”.

    Altivo, Bárbara Regina. Rosário dos kamburekos [manuscrito]: espirais de cura da ferida colonial pelas crianças negras no Reinadinho (Oliveira-MG) / Bárbara Regina Altivo.- 2019. Tese de doutorado PPGCOM UFMG.