Trabalhos aprovados 2026

Ficha do Proponente

Proponente

    Mario Caillaux Oliveira (IFB)

Minicurrículo

    Doutor pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da UNB, com a tese ”Imagens em movimento na arte contemporânea brasileira: uma análise crítica e historiográfica”. Professor substituto do IFB, também desenvolve trabalhos em audiovisual atuando como produtor e editor.

Ficha do Trabalho

Título

    A videoarte, a televisão e o ruído da condição pós-meio.

Resumo

    Esta comunicação propõe uma revisão crítica da historiografia da videoarte no Brasil, focando em um ruído de tradução do conceito “post-medium condition”, de Rosalind Krauss, frequentemente traduzido como condição pós-midiática. Essa escolha aproximou a videoarte dos meios de comunicação de massa, sobretudo da televisão. Defende-se uma visão mais ampla das imagens em movimento, menos centrada no suporte e no meio.

Resumo expandido

    Esta comunicação propõe uma revisão crítica da historiografia da videoarte no Brasil, focando em um ruído de tradução que ajudou a moldar os estudos e as interpretações dessas manifestações em nosso país. Procuraremos tensionar e problematizar como o conceito “post-medium condition”, formulado por Rosalind Krauss, na grande maioria das vezes foi traduzido para o português como condição pós-midiática, o que criou uma associação quase imediata com os meios de comunicação de massa, principalmente a televisão. Procuraremos defender uma visão mais ampla das imagens em movimento, que não fique tão presa às questões do suporte e do meio pelo qual elas foram produzidas e/ou exibidas.
    Essa proposta parte da ideia de que a ampla circulação do termo “pós-midiático” no Brasil, como tradução de “post-medium”, a partir dos anos 2000, corroborou e ajudou a consolidar essa associação entre a televisão e a videoarte. Grande parte da crítica passou a privilegiar a relação dessas obras com os sistemas de comunicação, buscando uma autonomia crítica do campo da videoarte em relação ao universo audiovisual (cinematográfico) e à própria história da arte. Isso ocorre mesmo que a grande maioria das obras de videoarte brasileiras não dialogue com a questão dos meios de comunicação, tampouco procure um confronto e/ou desconstrução da TV comercial. Como destacou a pesquisadora Patricia Mourão, “ao contrário do que sugere uma boa parte das narrativas centradas na novidade da mídia do vídeo, [a videoarte] põe em linha de continuidade com debates que marcam o campo cultural brasileiro” (Mourão, 2024, p. 2).
    Essa contradição crítica, apontada por Mourão, torna-se visível principalmente quando analisamos os primeiros trabalhos com essa linguagem, da geração que ficou conhecida como pioneira, e a fortuna crítica produzida, sobretudo a partir das décadas de 1990 e 2000. Ao observar trabalhos de artistas como Letícia Parente, Anna Bella Geiger e Ivens Machado, por exemplo, percebe-se uma preocupação maior com questões que já estavam presentes em suas poéticas, como experimentações com a imagem, o corpo e questões conceituais, do que com um questionamento ou problematização dos meios de comunicação de massa.
    Essa comunicação defende que grande parte da produção brasileira dos anos 1970 em diante está mais próxima da condição pós-meio, tal como Rosalind Krauss procura demonstrar, na qual o artista circula entre diversos suportes, como película, vídeo, performance, instalações e outras linguagens, em busca de uma poética própria, do que de um projeto de artemídia diretamente ligado ao sistema de teledifusão e à comunicação de massa. Na realidade, apenas uma pequena parte dessa produção, como, por exemplo, a geração do vídeo independente, articulava essas questões de artemídia. Propomos, então, uma leitura historiográfica que valorize a autonomia da imagem em movimento no campo ampliado das artes, sem tanta ênfase no suporte ou no meio.

Bibliografia

    MOURÃO, Patrícia. O Dialeto da diferença: o início da videoarte no Brasil. In: Anais do 33º Encontro Anual da Compós, 2024, Niterói: Compós/Galoá, 2024. Disponível em: https://proceedings.science/compos/compos-2024/trabalhos/o-dialeto-da-diferenca-o-inicio-da-videoarte-no-brasil?lang=pt-br. Acesso em: 12 out.2025.
    ALMEIDA, Cândido José Mendes de. O que é vídeo. São Paulo: Nova Cultural: Brasiliense, 1985.
    ALZUGARARY, Paula. Universo em contenção: o vídeo na arte contemporânea. in: Videobrasil: Três décadas de vídeo arte, encontros e transformações. São Paulo: Editora Sesc, Videobrasil, 2015.
    ANTIN, David. Video: The Distinctive Features of the Medium. in: Video Art. Philadelphia: Institute of Contemporary Art (ICA) University of Pennsylvania, 1975.
    BERARDI, Franco. Depois do Futuro. São Paulo: Ubu Editora, 2019.
    GUATTARI, Felix. Da Produção de Subjetividade. In: PARENTE, André (org.). Imagem-Máquina – A Era das Tecnologias do Virtual. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1993