Ficha do Proponente
Proponente
- Matheus P. Dias (UFOB)
Minicurrículo
- Matheus P. Dias é graduando em Publicidade e Propaganda pela Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB) e bolsista de iniciação científica. Pesquisa cultura visual, audiovisual brasileiro, direção de fotografia, circulação de imagens e políticas da representação, com interesse nas relações entre técnica, memória, raça, território e visibilidade.
Ficha do Trabalho
Título
- Estrangeirismo na direção de fotografia do cinema brasileiro (2000–2020)
Eixo Temático
- ET 4 – HISTÓRIA E POLÍTICA NO CINEMA E AUDIOVISUAL DAS AMÉRICAS LATINAS E DOS BRASIS
Resumo
- O artigo apresenta os resultados do mapeamento do estrangeirismo na direção de fotografia do cinema brasileiro entre 2000 e 2020. A pesquisa é do tipo exploratória e reúne dados de festivais, prêmios, associações, currículos e filmografias. Foram mapeados 65 profissionais: 47 brasileiros/as com formação ou experiência internacional e 18 estrangeiros/as atuantes no Brasil. O estudo aprofunda o caso de Lilis Soares e sua cinematografia afro-diaspórica.
Resumo expandido
- Este artigo apresenta os resultados do mapeamento do estrangeirismo na direção de fotografia da cinematografia brasileira, referente ao período de 2000 a 2020, compreendido como fenômeno de circulação transnacional de saberes técnicos, estéticos e políticos na produção de imagens em movimento (COSTA, 2024). A pesquisa parte do conceito de estrangeirismo formulado por Aline Caldas dos Santos, entendido não apenas como presença de profissionais estrangeiros no Brasil, mas como confluência entre técnica importada, formação em escolas de prestígio global, circulação internacional e oportunidade de realização no campo audiovisual brasileiro. Em diálogo com a noção de carisma proposta por Goethe, observa-se como determinadas trajetórias adquirem valor simbólico no cinema nacional a partir do prestígio associado à formação, à nacionalidade, ao trânsito institucional e à inserção em circuitos de festivais, premiações e coproduções.
A pesquisa é do tipo exploratória e articula abordagem quantitativa e qualitativa, com revisão bibliográfica e documental, levantamento de dados em bases de diretores e diretoras de fotografia, associações profissionais, festivais, mostras, premiações, sites institucionais, entrevistas, currículos profissionais e filmografias. O corpus não se restringe às obras lançadas comercialmente em salas de cinema, considerando também documentários, curtas-metragens, séries, televisão, publicidade, cinema indígena, videodança e produções vinculadas a circuitos alternativos de circulação audiovisual.
Foram mapeados, em etapa preliminar, 65 diretores e diretoras de fotografia vinculados ao cinema brasileiro por nacionalidade, atuação ou circulação profissional. Desse total, 47 são brasileiros/as com formação, carreira, experiência ou vínculo internacional, e 18 são estrangeiros/as que atuaram em filmes, séries ou projetos brasileiros. Entre as matrizes internacionais mais recorrentes, destacam-se França, Cuba, Estados Unidos, Espanha e Portugal, além de redes latino-americanas associadas à Argentina, Uruguai, Chile e Peru. Em termos de atuação, o levantamento concentra-se principalmente em longas-metragens de ficção, documentários, cinema de autor, cinema indígena, produções de festivais, publicidade, televisão e séries. Territorialmente, os dados indicam forte presença nos eixos Rio de Janeiro e São Paulo, mas também apontam deslocamentos relevantes para o Nordeste, o Centro-Oeste, a Amazônia e circuitos transnacionais latino-americanos.
O estudo aprofunda um caso específico, atento à cinematografia afro-diaspórica de Lilis Soares, a fim de observar como o estrangeirismo pode ser lido não apenas pela formação ou circulação internacional, mas também pela construção estética de imagens atravessadas por memória, raça, território e disputa de visibilidade. Nesse sentido, a análise busca compreender como a direção de fotografia elabora regimes de luz, cor, enquadramento e presença capazes de tensionar repertórios hegemônicos e produzir outras formas de inscrição visual de corpos, histórias e experiências negras.
Os resultados indicam que o estrangeirismo não se manifesta como simples importação de repertórios visuais, mas como processo de reconfiguração crítica de saberes cinematográficos. Ele aparece no retorno de brasileiros formados ou profissionalizados no exterior, na radicação de profissionais estrangeiros no Brasil, na circulação por festivais e escolas internacionais e na incorporação de matrizes estéticas diversas à imagem brasileira. Desse modo, a direção de fotografia se apresenta como campo atravessado por deslocamentos, alteridades e disputas de reconhecimento, revelando a cinematografia brasileira como espaço de negociação entre técnica, território, mercado, memória e imaginação visual.
Bibliografia
- ABCINE. Sócios. São Paulo: Associação Brasileira de Cinematografia, s.d. Disponível em: https://abcine.org.br/socios/. Acesso em: 06 fev.2026.
ANCINE. Observatório Brasileiro do Cinema e do Audiovisual. Brasília: ANCINE, s.d. Disponível em: https://oca.ancine.gov.br/. Acesso em: 06 fev. 2026.
CINEMATECA BRASILEIRA. Base de dados. São Paulo: Cinemateca Brasileira, s.d. Disponível em: https://bases.cinemateca.org.br/. Acesso em: 06 fev.. 2026.
COSTA, Aline Caldas Costa dos Santos. O “estrangeirismo” na formação da cinematografia brasileira. In: SCANSANI, Andréia et al. (Orgs.). Anais do I MOVI – A direção de fotografia no Brasil. Florianópolis: GPCEP, 2021. p. 64-71.
INTERNET MOVIE DATABASE. Filmografias de diretores e diretoras de fotografia. Disponível em: https://www.imdb.com/. Acesso em: 06 fev. 2026.
PORTA CURTAS. Catálogo de filmes brasileiros. Disponível em: https://portacurtas.org.br/. Acesso em: 06 fev. 2026.