Trabalhos aprovados 2026

Ficha do Proponente

Proponente

    Luiza Meirelles Rosa Brasil (UFF)

Minicurrículo

    Mestranda pelo PPGCine – UFF e bacharel em Cinema e Audiovisual pela ESPM Rio. Trabalha nas áreas de direção de arte, produção de mostras e festivais, produção audiovisual e pesquisa. No campo da prática audiovisual, atua como assistente de arte e de produção de objetos em projetos de cinema nacional independente e na direção de arte de curtas-metragens. Assinou a direção geral do curta-metragem “Cinzas da Alvorada” (2025). É coordenadora do Festival Beta de Cinema Universitário desde 2023.

Ficha do Trabalho

Título

    Poéticas do fazer: Processos criativos e o “feminino” na direção de arte brasileira

Seminário

    Estética e Teoria da Direção de Arte Audiovisual

Resumo

    Este artigo visa refletir sobre a relação de diretoras de arte do audiovisual brasileiro com os seus processos criativos, observando tanto as competências práticas quanto subjetivas que constroem esse ofício. A partir de um referencial teórico multidisciplinar, analisaremos relatos concedidos por profissionais da área em entrevistas sobre o tema. A hipótese defendida é que, em todo processo, a maior atribuição para o trabalho da direção de arte é a investigação sensível da realidade.

Resumo expandido

    O presente trabalho propõe a elaboração de um primeiro recorte da pesquisa de mestrado que está sendo desenvolvida atualmente no PPGCine UFF, cujo objetivo maior é traçar uma morfologia dos processos criativos da direção de arte no cinema brasileiro contemporâneo, tendo como o foco de análise a atuação de mulheres dentro deste departamento. Trata-se de uma busca por compreender como competências práticas, contextos sociopolíticos e experiências subjetivas se entrelaçam e estruturam a base da criação da direção de arte, partindo do entendimento de que criar representa “uma intensificação do viver, um vivenciar-se no fazer” (OSTROWER, 2014).

    A partir de um referencial teórico que mescla estudos sobre direção de arte, conceitos da crítica genética e processos criativos, e debates sobre o “feminino”, a proposta da dissertação em questão gira em torno de uma investigação dos vestígios de processos de criação de uma seleção de diretoras de arte integrantes da BRA.DA, coletivo de Diretoras de Arte do Brasil. Por meio de uma análise dos documentos de memória (diários, rascunhos, fotografias, pranchas visuais, croquis, entre outros) e entrevistas semiestruturadas, temos como objetivo identificar padrões e singularidades na tessitura dos processos dessas realizadoras, assim como refletir sobre as atribuições práticas e subjetivas que compõem o fazer da direção de arte. Ao relacionar os registros da experiência empírica das diretoras de arte em seus processos com a fundamentação teórica que estabelecemos como base, temos o intuito de apresentar novas ferramentas para a interpretação da criação artística desse ofício, principalmente quando observada pela ótica da performatividade “feminina”.

    No recorte proposto especificamente para este artigo, teremos como objeto principal alguns relatos de diretoras de arte sobre a lida com os seus processos, ainda sem abarcar a análise efetiva dos vestígios/documentos de memória dos projetos, focando apenas no material produzido a partir de entrevistas concedidas sobre o assunto. Nesse primeiro momento, buscamos entender questões que vão desde como se manifestam as subjetividades de cada profissional em suas criações e como suas experiências pessoais se relacionam com o trabalho, até um levantamento importante para o desenvolvimento da pesquisa onde entenderemos como é feito o registro dos processos no decorrer dos projetos dos quais as entrevistadas fizeram parte: se há o armazenamento dos documentos de memória, como acontece essa organização, qual o tempo que geralmente é posto para que a criação se desdobre, entre outros aspectos que envolvem os desafios da atividade prática da direção de arte.

    O interesse da pesquisa, portanto, é seguir dando continuidade às reflexões acerca do universo da direção de arte, optando por direcionar o olhar para os movimentos de investigação sensível da realidade que compõem esse fazer. Trata-se de uma tentativa de decodificar o ato criador específico dessa função e de mapear a tessitura de tais processos. Estamos partindo de um embasamento teórico que estabelece que a construção artística acontece, de maneira geral, em uma rede de operações lógicas e sensíveis (SALLES, 2013, p. 59). Quando aplicamos essa interpretação do “criar” à nossa análise, defendemos que a direção de arte opera constantemente no limiar entre o objetivo e o subjetivo, onde as competências práticas necessariamente se encontram com as significações pessoais do criador. Exprimimos, assim, um interesse em esmiuçar os processos da direção de arte por entender esse ofício como uma maneira também de sentir, ver e viver, e por reconhecer a importância de consolidar uma memória sobre o trabalho que é feito pelas profissionais desse departamento no audiovisual brasileiro.

Bibliografia

    BUTRUCE, Débora; BOUILLET, Rodrigo (orgs.). A direção de arte no cinema brasileiro. Rio de Janeiro: Caixa Cultural, 2017

    FERREIRA, Benedito (org.) et al. Dimensões da direção de arte na experiência audiovisual. Rio de Janeiro: NAU Editora, 2023.

    FERREIRA, Benedito. Agora e pouco antes: direção de arte e cinema brasileiro. Goiânia: Rebellium Coletiva, 2025.

    MARTINS, India Mara; XAVIER, Tainá. A presença do “feminino” na direção de arte no cinema brasileiro. In: TEDESCO, Marina Cavalcanti (org.). Trabalhadoras do cinema brasileiro: Mulheres muito além da direção. Rio de Janeiro: NAU Editora, p. 37-57, 2021.

    OSTROWER, Fayga. Criatividade e Processos de Criação. 30. ed. Petrópolis: Vozes, 2014.

    SALLES, Cecília Almeida. Gesto Inacabado: processo de criação artística. 6. ed. São Paulo: Intermeios, 2013.