Trabalhos aprovados 2026

Ficha do Proponente

Proponente

    Juliane Peixoto Medeiros (IFB)

Minicurrículo

    Juliane Peixoto Medeiros é mestra em Estudos Contemporâneos das Artes pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e graduada em Cinema pela mesma instituição. É professora do Instituto Federal de Brasília – Campus Recanto das Emas, onde atua na formação técnica e tecnológica em audiovisual e cinematografia. É coordenadora do curso superior de Tecnologia em Produção audiovisual. Sua pesquisa investiga as relações entre curadoria, território e educação.

Ficha do Trabalho

Título

    Caminhos pedagógicos curatoriais e práticas de experimentação no Festival Recanto do Cinema

Seminário

    Festivais e Mostras de Cinema e Audiovisual

Resumo

    Esta comunicação analisa as práticas curatoriais do Festival Recanto do Cinema, buscando traçar pedagogias que priorizam a experimentação e a radicalidade em oposição à lógica industrial e à instrumentalização do trabalho. Aproximar das experiências que abrem brechas de ‘fugitividade’, permitindo práticas coletivas e futuros não conformes. A questão central reside em como sustentar esses possíveis espaços de autonomia radical sem a cooptação a favor dos ritos e normas institucionais.

Resumo expandido

    Esta comunicação tem como proposta apresentar experiências curatoriais e ações de exibição audiovisual desenvolvidas em três diferentes edições do Festival Recanto do Cinema – Audiovisual na Periferia, iniciativa do Núcleo de Práticas Integradoras Recanto do Cinema e o Núcleo de Práticas Integradoras Zonas de Ressonância (IFB – Recanto das Emas). O objetivo é rascunhar possíveis caminhos pedagógicos de curadorias cinematográficas que priorizam exercícios artísticos experimentais, distantes dos modelos industriais e da instrumentalização do trabalho. Tais práticas abrem brechas fundamentais de fugitividade e resistência às normativas da formação técnica e tecnológica, onde a docência pode sonhar em abrigar o trabalho que produz uma outra face do ensino: de práticas proféticas, coletivas e orientadas a futuros não conformes. Diante destes desejos e experiências, a questão central se impõe: como construir, ampliar e preservar esses espaços coletivos, radicais e de autonomia sem permitir sua constante cooptação institucional?

    Programar e exibir filmes em espaços públicos não legitimados configura uma experiência de ‘ver junto’ que fortalece o audiovisual brasileiro ausente dos circuitos hegemônicos. Esse gesto expande as noções de tela e de circulação de filmes, contribuindo para a memória e preservação do cinema brasileiro. No Recanto das Emas (DF), território periférico de relevante produção cultural, mas sem salas de cinema ou equipamentos culturais, essas ações conectam-se a um tecido político voltado à emancipação e ao direito à cidade com possibilidades de invenção de outros modos que resistem às saídas negociadoras para as crises ligadas ao trabalho e a precarização dos modelos industriais vigentes. Os processos pedagógicos dos Núcleos Recanto do Cinema e Zonas de Ressonância e suas ações: como o Festival Recanto do Cinema – audiovisual na periferia (que realiza sua sexta edição este ano) podem ser compreendidos como experiências de fazer cinema em sala de aula, considerando suas especificidades. Nesse momento de criação, a proposta inicial é que se faça com tudo aquilo que nos cerca, ruas, pessoas, coisas e memórias – uma cena onde professores e estudantes buscam ou inventam pontos conhecidos e desconhecidos de seus territórios e subjetividades junto com os filmes. Uma radicalidade costurada a experimentações que se dão em uma relação distante do que se espera do curador profissional: um ser que parte do não ser como um farol e um abandono da tentativa de um certo domínio e organização diante da presença uns dos outros, o processo pedagógico aqui é o próprio convívio.

    Curar como dar um corpo às forças tensionadoras deste mapa em resistência às existências programadas e as ideações excludentes. Como já afirma Modzain, que o conceito de radicalidade não tenha como projeto se tornar um programa, e sim aquilo que fundamenta os afetos construídos deste grupo e que possa intensificar as experiências coletivas de curadoria para assim vislumbrar esconderijos e refúgios de criação. Mas como sustentar as práticas fugitivas dentro de um espaço de legitimação de ordens do mercado de trabalho? Como sustentar uma posição anti profissional de uma formação sempre inacabada em um projeto que é, antes de tudo, profissionalizante?

Bibliografia

    CESAR, A.; MAIA, C.; ALMEDA, C.; PATRIOTA, I.; MELO, I. Curadoria em Cinema: do pensamento à ação. Salvador: UFBA, 2025.
    COMOLLI, J-L. Ver e poder – a inocência perdida: cinema, televisão, ficção, documentário. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2008.
    LIMA, D. (org.). Negros na piscina: arte contemporânea, curadoria e educação. São Paulo: editora fósforo, 2023.
    MIGLIORIN, C. Ensaios sobre a presença: cenas de um cotidiano político. Rio de Janeiro: Casa Jangada, PPGCINE UFF, 2026.
    MODZAIN, M. Confiscação: das palavras, das imagens e do tempo [por uma outra radicalidade]. São Paulo: relicários edições, 2022.
    MOTEN, F.; HARNEY, S. Sobcomuns: planejamento fugitivo e estudo negro. São Paulo: Ubu editora, 2024.
    RANCIÈRE, J. A partilha do sensível: Estética e Política. São Paulo: Editora 34, 2009.
    RECANTO DO CINEMA. Recanto do Cinema. [s.d.]. Disponível em: https://www.recantodocinema.com.br/. Acesso em: 26 abr. 2026.