Trabalhos aprovados 2026

Ficha do Proponente

Proponente

    Marco Antonio Moreira Carvalho (UFPA)

Minicurrículo

    Doutor em Artes e professor do Curso de Cinema e Audiovisual da Universidade Federal do Pará (UFPA), crítico de cinema desde 1978 e pesquisador da história do cinema no Pará. Foi gestor da programação do Cine Olympia (2006-2020). É presidente da Associação de Críticos de Cinema do Pará (ACCPA), membro fundador da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (ABRACCINE) e da Academia Paraense de Cinema (APC) e coordenador do Centro de Estudos de Cinema (CEC). Atua em atividades cineclubistas.

Ficha do Trabalho

Título

    Entre Fins do Mundo e Mundos sem Fim: o cinema como criação do possível

Resumo

    “Entre Fins do Mundo e Mundos sem Fim: o cinema como criação do possível” procura questões vinculadas à sociedade contemporânea por meio do Cinema como arte que apresenta filmes como questionamentos e criações de novos mundos diante do espectador para geração de outros pensamentos e ações transformadoras nesta sociedade. A complexidade da obra fílmica de cineastas será abordada neste artigo como uma ação inconformista à sociedade contemporânea, na busca de colaborar com debates sobre este tema.

Resumo expandido

    Entre Fins do Mundo e Mundos sem Fim: o cinema como criação do possível é um texto que procura entender questões vinculadas à sociedade contemporânea, que expressa, de modo frequente, sinais de retrocesso humano por meio de um senso comum vinculado e determinado a conduzir a maioria das pessoas a consumir coisas, e não a ser humano no sentido pleno de uma existência percebida como empatia, perspectivas e percepção das multiplicidades das pessoas.
    A partir de memórias de esperança em tantos projetos progressistas, especialmente a partir do século XX, revelados pela arte, é necessário rever premissas impostas aos cidadãos do século XXI para entender a necessidade de testemunhar, com maturidade, diversos fins do mundo, de modo coletivo e individual, para perceber com intensidade a existência de mundos infinitos nascidos da barbárie, da desesperança, das frustrações e dos retrocessos humanos que, diariamente, surgem pelo cotidiano real ou fictício, este expresso de modo ambíguo pela internet e suas amplas plataformas de expressão.
    O cinema, como meio artístico de expressiva influência no século XX, apresentado por meio de filmes como uma possibilidade de questionar, duvidar, criticar e criar novos mundos diante do espectador, tem necessária participação na sua história para procurar expandir as possibilidades do ser humano em relação a novas aspirações sobre seu futuro existencial de modo ativo, ao contrário do viés consumista passivo presente no cotidiano, que vincula ser a ter, ou seja, existir é consumir, ser conformista e aceitar regras e normas do cotidiano capitalista sem pensar que novos mundos, coletivos ou individuais, podem gerar derivações que apresentem possibilidades de esperança que nos direcionem a outros tempos de avanço, a uma sociedade humanista e, talvez, revolucionária.
    Muitos artistas que escolheram expressar seu talento, incômodo, revolta ou inconformismo conseguiram, de algum modo, alterar a perspectiva retrógrada em questões humanas por meio de obras fílmicas. Cineastas como Ingmar Bergman em Gritos e Sussurros (1972), Andrei Tarkovsky em O Sacrifício (1986), Jean-Luc Godard em Histórias do Cinema (1995), Pier Paolo Pasolini em O Evangelho segundo São Mateus (1964), Akira Kurosawa em Dersu Uzala (1975) e Krzystof Kieslowski na Trilogia das Cores (anos 1990) criaram outros espaços imagéticos que evitaram um sistema de conformismo ao cidadão do século passado, que pode entender, por meio de seus filmes, que sempre haverá chances de pensar e imaginar o mundo como referência complexa de atravessamentos humanistas que podem gerar incômodo e ação, repulsa e ação, dúvida e crítica ao que se vê e vive cada um de nós.
    Estes cineastas entenderam as possibilidades do cinema como arte de transformação e inconformismo em relação a uma sociedade que constrói e estimula atos de barbárie (guerras), alienação (entretenimento) e fins do mundo (desesperança individual e coletiva) para manter-se soberana e intocável diante de outras dinâmicas de vida humana.
    A complexidade da obra fílmica destes e outros artistas do cinema será abordada neste artigo como uma espécie de ação inconformista à sociedade contemporânea, que indica que sonhar não é mais preciso, que todos os caminhos têm o mesmo início e fim e que nada pode ser feito para alterar a devastação que cresce sobre o humano de maneira lenta, mas contínua, e que afeta de maneira quase definitiva a criação de novos mundos.
    Com a observação de autores do cinema e da filosofia e filmes de diversos cineastas, a proposta deste artigo é contribuir com debates e complexidades sobre o comportamento da sociedade contemporânea, que devem ser duramente observados para talvez colaborar com outros sonhos e esperanças que o cinema, como arte magnífica, pode contribuir a todos por meio de sua intensa e expressiva capacidade de estimular uma atenção humana sobre suas histórias e personagens, no desejo de ser além de uma arte mercantilista feita apenas para consumo e entretenimento.

Bibliografia

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