Trabalhos aprovados 2026

Ficha do Proponente

Proponente

    Elisangela de Oliveira Dantas (UFT)

Minicurrículo

    Graduada em Filosofia e especialista em Documentação Audiovisual pela Universidade Federal do Tocantins (UFT), possui formação em Produção Audiovisual pela Academia Internacional de Cinema (AIC) e é membro da Associação Brasileira de Autores Roteiristas (ABRA).
    É diretora e roteirista dos curtas-metragens O Segredo de João (2022), premiado como Melhor Direção no 6º Curta Canedo, e Os Sanfonistas (2024).

Ficha do Trabalho

Título

    Cinematografia Tocantinense: uma pesquisa sobre suas obras e seu legado

Eixo Temático

    ET 5 – ETAPAS DE CRIAÇÃO E PROCESSOS FORMATIVOS EM CINEMA E AUDIOVISUAL

Resumo

    O presente trabalho tem como objetivo apresentar um relato de experiência sobre o cinema e o audiovisual tocantinense, a partir da observação e acompanhamento de sua trajetória histórica e de sua cinematografia.
    Considerando o crescimento recente do audiovisual brasileiro e a valorização de produções regionais, observa-se que o Estado do Tocantins ainda enfrenta desafios relacionados à visibilidade de suas obras e realizadores.
    Palavras-chave: cinematografia; audiovisual; Tocantins; memória.

Resumo expandido

    Cada território desenvolve sua própria cinematografia, marcada por especificidades culturais, sociais e históricas. Nesse contexto, insere-se o Estado do Tocantins, cuja produção audiovisual, embora recente, apresenta crescimento significativo. Mesmo sendo uma das unidades federativas mais jovens do Brasil, o estado já contabiliza uma produção expressiva de curtas, médias e longas-metragens, com obras que vêm sendo exibidas em festivais nacionais e internacionais, ampliando a visibilidade da produção local.

    De acordo com dados da Cinemateca da Fundação Cultural de Palmas (FCP), o acervo tocantinense reúne mais de 150 obras produzidas. No entanto, parte significativa dessa produção, especialmente as mais antigas, carece de mapeamento sistemático, em razão da ausência de registros como o Certificado de Produto Brasileiro (CPB), emitido pela Agência Nacional de Cinema (Ancine). Essa lacuna compromete o acesso e a circulação dessas obras, dificultando seu uso por pesquisadores, curadores e programadores de mostras e festivais.

    Diante desse cenário, o projeto de pesquisa “Cinematografia tocantinense: uma pesquisa sobre suas obras e seu legado” propõe-se a mapear, catalogar e analisar a produção audiovisual do estado ao longo de seus 37 anos de existência. A pesquisa busca não apenas identificar as particularidades dessa cinematografia, mas também sistematizar informações sobre filmografias, realizadores, espaços de exibição, festivais e a trajetória histórica do cinema local.

    Como resultado, pretende-se construir uma base de dados acessível que contribua para a valorização, difusão e preservação da cinematografia tocantinense, oferecendo subsídios para pesquisadores, estudantes e profissionais do audiovisual. A iniciativa visa, assim, fortalecer a memória e a identidade do cinema produzido no estado, ampliando seu reconhecimento no contexto do cinema brasileiro.
    Nos últimos anos, o audiovisual brasileiro tem ampliado sua consolidação enquanto setor produtivo, com crescente reconhecimento de obras e realizadores de diferentes regiões do país. Cineastas como Adirley Queirós, com Branco Sai, Preto Fica, 2014 (DF), Karim Aïnouz, com O Céu de Suely, 2006 (CE), Luciano Vidigal, com Kasa Branca, 2025 (RJ), e Sérgio de Carvalho, com Noites Alienígenas, 2023 (AC), têm alcançado circulação em circuitos nacionais e internacionais, evidenciando a diversidade da produção brasileira.

    Entretanto, ao direcionar o olhar para o Estado do Tocantins, observa-se uma lacuna significativa de visibilidade. Apesar de seus 37 anos de criação e de uma produção que ultrapassa 150 obras audiovisuais, ainda são poucos os filmes e realizadores reconhecidos para além do contexto local. Um caso emblemático é o longa-metragem Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos, dirigido por João Salaviza e Renée Nader Messora. Embora filmado integralmente no Tocantins, não se configura como uma produção tocantinense, sendo frequentemente associado ao estado, o que evidencia os desafios de afirmação de uma identidade audiovisual própria.

    Esse cenário revela uma questão estrutural: parte significativa das produções realizadas no estado não possui registro de Certificado de Produto Brasileiro (CPB) junto à Agência Nacional do Cinema. A ausência desse registro compromete a circulação, o reconhecimento institucional e a inserção das obras em festivais, mostras e pesquisas acadêmicas. Diante disso, emergem questionamentos centrais: qual é a identidade do cinema tocantinense? De que forma sua produção se apresenta no contexto do cinema brasileiro?

    Nesse sentido, o projeto “Cinematografia tocantinense: uma pesquisa sobre suas obras e seu legado” propõe o mapeamento, a catalogação e a análise da produção audiovisual do estado ao longo de aproximadamente três décadas. A pesquisa busca não apenas reunir dados, mas também contribuir para a construção de uma memória audiovisual sistematizada.

Bibliografia

    CABRERA, Júlio. O cinema pensa: uma introdução à filosofia através dos filmes. Rio de Janeiro: Rocco, 2006.
    IKEDA, Marcelo. Cinema brasileiro a partir da retomada: aspectos econômicos e políticos – São Paulo. Summus Editorial, 2015.
    IKEDA, Marcelo. Lei da ANCINE comentada (MP 2.228-1/01) – Rio de Janeiro: Editora WSET, 2012.
    IKEDA, Marcelo. Leis de Incentivo para o Audiovisual. Río de janeiro: Editora WSET, 2013.
    PIMENTA, Selma Garrido (org.) Saberes Pedagógicos e atividade docente. 4ª ed. São Paulo: Cortez, 2004.