Trabalhos aprovados 2026

Ficha do Proponente

Proponente

    Leandro Forgiarini (UFRGS)

Minicurrículo

    Doutor em Teoria e Crítica da Arquitetura (PROPAR/UFRGS) e mestre em Geografia Humana (PPGH/USP). Graduando em Turismo e em Cinema e Audiovisual. Desenvolve pesquisas no diálogo entre cinema, arquitetura e geografia, com foco na teoria de lugar, na fenomenologia do espaço e na construção de ambiências e atmosferas nas narrativas fílmicas. Investiga as relações entre sujeito, tempo e espacialidades, enfatizando suas dimensões perceptivas e experienciais.

Ficha do Trabalho

Título

    Atmosfera e ambiência entre cinema e arquitetura: modulações espaciais e experiência de lugar

Resumo

    Este trabalho investiga como o cinema, ao articular ambiência e atmosfera, modula as espacialidades e revela as qualidades do lugar. Em diálogo com a arquitetura, compreende a ambiência como construção material e relacional do espaço e a atmosfera como sua modulação sensível. A partir de suas operações formais e perceptivas, discute-se como o cinema evidencia dimensões da experiência de espaço e de lugar que constituem as relações espaciais.

Resumo expandido

    A centralidade da dimensão temporal é uma abordagem recorrente nas reflexões sobre o cinema, frequentemente tratada a partir de suas correlações com o movimento, a duração e a montagem. No entanto, a espacialidade, muitas vezes reduzida à organização da mise-en-scène ou à configuração dos cenários e das paisagens, demanda um pensamento de complexidade equiparável. Isto porque o espaço no cinema ultrapassa sua função representacional, constituindo-se como campo experiencial, no qual se articulam modos de percepção e revelação das qualidades do lugar.
    É nesse horizonte que se insere a investigação ora proposta, que busca compreender de que maneira o cinema, ao mobilizar as noções de ambiência e atmosfera, modula as espacialidades, trazendo à tona ideias e percepções de lugar. Partindo da ambiência como construção material e relacional do espaço e da atmosfera como sua modulação multissensorial, propõe-se analisar como essas dimensões se configuram no cinema, a partir de suas operações formais e perceptivas, conferindo espessura às composições espaciais fílmicas e atuando como instâncias de conformação das espacialidades.
    No campo da arquitetura, os conceitos de ambiência e atmosfera têm sido acionados para pensar a dimensão espacial para além de sua condição funcional ou formal, enfatizando sua natureza fenomênica. Nesse sentido, a ambiência pode ser compreendida como a construção material e relacional do espaço, envolvendo suas qualidades físicas, seus usos e modos de apropriação; enquanto a atmosfera diz respeito aos aspectos sensíveis dessas condições, vinculados à percepção e aos estímulos de caráter psicoemocional. Longe de operarem como categorias opostas, ambiência e atmosfera se articulam de modo intercambiante na constituição de espacialidades marcadas por valores e significados.
    Um ponto de convergência entre cinema e arquitetura, no que diz respeito ao entendimento das espacialidades, é a demarcação entre interior e exterior. Na arquitetura, essa distinção está essencialmente relacionada à sua natureza tectônica, ao configurar limites e formas de separação entre o dentro e o fora. Para a análise proposta, as noções de interior e exterior operam como campos de modulação espacial tanto na concepção arquitetônica quanto na cinematográfica. No cinema, tais dimensões configuram regimes distintos de percepção, nos quais ambiência e atmosfera se articulam na composição da cena e na revelação das qualidades do lugar que dela emergem. Enquanto o interior tende a intensificar a experiência sensível por meio de maior controle das espacialidades e de suas propriedades, o exterior se apresenta como campo mais aberto e cambiante, no qual materialidade, relações entre elementos da cena e duração se expandem.
    O cinema, ao articular ambiência e atmosfera como dimensões moduláveis do espaço, torna perceptíveis as qualidades sensíveis do lugar, fazendo emergir variações de práticas e ideias espaciais igualmente elaboradas na arquitetura. O delineamento entre interior e exterior, ao evidenciar suas especificidades, marca os limites e as aproximações entre espaço e lugar. Ao modular ambiência e atmosfera, o cinema não apenas constrói espaços ficcionais, mas desvela a própria condição experiencial do espaço, configurando um campo privilegiado para o entendimento do lugar e do fazer arquitetônico.

Bibliografia

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